{"id":28409,"date":"2007-11-27T11:41:03","date_gmt":"2007-11-27T11:41:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/27\/mensagem-aos-leigos-do-porto\/"},"modified":"2007-11-27T11:41:03","modified_gmt":"2007-11-27T11:41:03","slug":"mensagem-aos-leigos-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-aos-leigos-do-porto\/","title":{"rendered":"Mensagem aos leigos do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, especialmente dirigida ao laicado diocesano <!--more--> Reverend\u00edssimos Senhores e amados irm\u00e3os  Celebramos com renovada alegria a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, que com a sua realeza nos salva a n\u00f3s e salva o mundo. Sim, irm\u00e3os, com o Ap\u00f3stolo, \u201cdamos gra\u00e7as a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na heran\u00e7a dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a reden\u00e7\u00e3o, o perd\u00e3o dos pecados\u201d. \u201cLibertou-nos do poder das trevas\u201d: por isso mesmo viemos aqui, a esta catedral de n\u00f3s todos, para nos reunirmos em torno da Cruz do Senhor e da sagrada Mesa onde recebemos o dom da sua vida entregue por n\u00f3s. Por isso mesmo, que nos rasga clar\u00f5es de luz e de esperan\u00e7a, neste modo \u00fanico e inaudito de Deus se abeirar de n\u00f3s, a\u00ed onde precisamos de ver melhor e mais longe, enxergando um sentido novo e consistente para a vida de todos e de cada um, em qualquer momento dela, em toda a contradi\u00e7\u00e3o que seja.  Que convincente se torna, que mobilizador at\u00e9, olhar tudo e todos \u00e0 luz da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, nossa gl\u00f3ria verdadeira e \u00fanica! Sucediam-se e sucedem-se outras propostas e mil sedu\u00e7\u00f5es, cuja aparente oferta esconde sempre um novo dom\u00ednio alheio e certo cativeiro nosso. V\u00eam daqueles tristes reinos e falsas gl\u00f3rias que o pr\u00f3prio Jesus rejeitou nas tenta\u00e7\u00f5es primevas. Sejam de teres e haveres, sejam de grandezas e fumos, sejam de apar\u00eancias e devaneios\u2026 \u00c9 outro o reino que Cristo nos oferece no trono da Cruz: o da constante companhia nas penas e dores da humanidade inteira, n\u00e3o se descolando do madeiro em que as sofre, mas ressuscitando precisamente a partir da\u00ed, e incluindo nessa mesma ressurrei\u00e7\u00e3o e vida nova a quantos o reconhecem e aceitam qual \u201cDeus connosco\u201d, compaix\u00e3o de Deus e salva\u00e7\u00e3o do mundo.  \u00c9 o nosso caso agora, felic\u00edssimo caso. \u00c9 mesmo a diferen\u00e7a que nos faz crist\u00e3os. Erguia-se a cruz no alto do Calv\u00e1rio. N\u00e3o faltava quem zombasse: \u201cSalvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se \u00e9 o Messias de Deus, o Eleito\u2026 Se \u00e9s o rei dos Judeus, salva-Te a Ti mesmo\u2026\u201d. Ali a seu lado, crucificados tamb\u00e9m, estavam dois malfeitores. Um deles engrossava o coro de esc\u00e1rnios e desprezos: \u201cN\u00e3o \u00e9s Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a n\u00f3s tamb\u00e9m\u2026\u201d.  At\u00e9 aqui eram eles. Agora, entramos n\u00f3s, repetindo com o segundo, repreendendo o primeiro e repleto de lucidez e esperan\u00e7a: \u201c\u2018N\u00e3o temes a Deus, tu que sofres o mesmo supl\u00edcio? Quanto a n\u00f3s, fez-se justi\u00e7a, pois recebemos o castigo das nossas m\u00e1s ac\u00e7\u00f5es. Mas Ele nada praticou de conden\u00e1vel\u2019. E acrescentou: \u2018Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres com a Tua realeza\u2019\u201d. Para ouvir o que n\u00f3s desejamos ardentemente ouvir tamb\u00e9m: \u201cJesus respondeu-lhe: \u2018Em verdade te digo: Hoje estar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u2019\u201d. Esta a diferen\u00e7a, deixai-me repetir. A que nos faz olhar para Cristo na Cruz ainda mais e melhor do que olhar\u00edamos para qualquer rei num trono. Porque o aceitamos como auto-doa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus, n\u00e3o de fora mas inteiramente por dentro da nossa humanidade comum. Nesta mesmo, onde, apesar de tudo e at\u00e9 apesar de n\u00f3s, Deus nos cria e restaura, em compaix\u00e3o aut\u00eantica e proximidade absoluta. Sim, na sua Cruz, brilha \u201ca imagem de Deus invis\u00edvel\u201d que quis ser tamb\u00e9m \u201co Primog\u00e9nito de toda a criatura\u201d, ou seja, se fez um de n\u00f3s, precisamente o primeiro no regresso e progresso na comunh\u00e3o com Deus Pai, na vida do Esp\u00edrito.   Assim o aceitamos, assim o celebramos, assim o anunciamos. Porque gra\u00e7as s\u00e3o encargos, e outras tantas obriga\u00e7\u00f5es de oferta e partilha. Se aceitamos a realeza de Cristo, no trono da Cruz, compreendemos tamb\u00e9m que a sua subst\u00e2ncia \u00e9 servi\u00e7o e doa\u00e7\u00e3o da vida, para que esta cres\u00e7a no mundo e chegue onde quer chegar atrav\u00e9s das nossas vidas, com Ele identificadas, s\u00f3 e cada vez mais. Num magn\u00edfico trecho, felizmente escolhido para o Of\u00edcio de Leitura desta solenidade, Or\u00edgenes, autor do terceiro s\u00e9culo, escreve-nos assim: \u201cquando algu\u00e9m implora a vinda do reino de Deus, o que pede realmente \u00e9 que o reino de Deus, que est\u00e1 dentro de si, se desenvolva, frutifique e chegue \u00e0 sua plenitude\u201d. Reino que o pref\u00e1cio desta Missa descreve numa s\u00e9rie de itens que s\u00e3o outros tantos pontos de convic\u00e7\u00e3o e empenhamento, por necessariamente nos inclu\u00edrem a n\u00f3s, em dimens\u00e3o apost\u00f3lica e miss\u00e3o no mundo: \u201creino eterno e universal; reino de verdade e de vida, reino de santidade e de gra\u00e7a, reino de justi\u00e7a, de amor e da paz\u201d. Deste reino e s\u00f3 dele \u00e9 a Cruz de Cristo activa\u00e7\u00e3o e s\u00edmbolo. Por isso a gostamos de olhar e contemplar, tirando dela repetidas li\u00e7\u00f5es e muitas luzes. Com ela entendemos Deus no seu amor, com ela nos entendemos a n\u00f3s em decorrente partilha. Por isso a levantamos, \u00e0 Cruz, nos nossos templos e casas.   E tamb\u00e9m, em cidadania justamente partilhada com crentes e n\u00e3o crentes, gostamos de ver a Cruz em qualquer espa\u00e7o adequado, mesmo que p\u00fablico, por a reconhecermos como alt\u00edssimo sinal de tantas vidas abnegadas ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo. No nosso caso portugu\u00eas ela, a Cruz de Cristo, foi at\u00e9 o mais alto s\u00edmbolo do que fizemos de melhor, na descoberta do mundo e na constru\u00e7\u00e3o duma humanidade comum. E nem eventuais contrafac\u00e7\u00f5es que se tenham verificado da nossa parte, em epis\u00f3dios que a tenham contraditado e ao seu human\u00edssimo conte\u00fado, poderiam afast\u00e1-la da sociedade e da cultura, porque foi exactamente o regresso \u00e0 Cruz e aos sentimentos de Cristo que constantemente nos corrigiu e mais longe nos transportou e transporta, como cidadania am\u00e1vel e solidariedade universal. Outra aplica\u00e7\u00e3o, amados fi\u00e9is leigos da Diocese do Porto, havemos de tirar da Cruz e do reino de Cristo. E \u00e9 ela a de que o vosso lugar concreto, na comunidade crist\u00e3 e na sociedade em que vos integrais segundo a vossa voca\u00e7\u00e3o secular, t\u00e3o espec\u00edfica como oportuna e urgente, da fam\u00edlia \u00e0 profiss\u00e3o, da cultura \u00e0 vida c\u00edvica e p\u00fablica, s\u00f3 \u00e0 luz desta solenidade se entende e qualifica.    Caros fi\u00e9is leigos: precisamos \u2013 e ainda precisaremos mais, decerto \u2013 da vossa colabora\u00e7\u00e3o na vida \u201cinterna\u201d da Igreja, para sustentar as comunidades paroquiais, que t\u00eam poucos presb\u00edteros e di\u00e1conos ao seu servi\u00e7o. Situa\u00e7\u00e3o que se poder\u00e1 agravar nos pr\u00f3ximos anos, apesar da muita abnega\u00e7\u00e3o pastoral de que o nosso clero d\u00e1 bastas provas. Pedimos e pediremos mais ao \u201cSenhor da messe\u201d, muitos e santos ministros ordenados, como pedimos tamb\u00e9m voca\u00e7\u00f5es religiosas e de especial consagra\u00e7\u00e3o. Mas teremos de contar com a colabora\u00e7\u00e3o de muitos de v\u00f3s, car\u00edssimos leigos, nos diversos sectores da pastoral, da catequese \u00e0 liturgia, da liturgia \u00e0 ac\u00e7\u00e3o caritativa. Havemos de promover ainda mais e formar persistentemente muitos de v\u00f3s para os minist\u00e9rios e servi\u00e7os que a Igreja vos pode e deve conferir, dentro do que as normas can\u00f3nicas e pastorais contemplam: leitores, catequistas e professores de moral e religi\u00e3o; ministrantes do altar e ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o; moderadores de assembleias dominicais na aus\u00eancia \u2013 ou antes aguardando! \u2013 presb\u00edtero e acompanhantes de funerais; correspons\u00e1veis no sector s\u00f3cio-caritativo e membros das comiss\u00f5es fabriqueiras, etc.  Contamos convosco, dentro daquele esp\u00edrito que o Papa Bento XVI referiu em Roma, em recente discurso aos Bispos portugueses: \u201cEsta eclesiologia de comunh\u00e3o na senda do Conc\u00edlio, \u00e0 qual a Igreja portuguesa se sente particularmente interpelada na sequ\u00eancia do Grande Jubileu, \u00e9, meus amados Irm\u00e3os, a rota certa a seguir, sem perder de vista eventuais escolhos, tais como o horizontalismo na sua fonte, a democratiza\u00e7\u00e3o na atribui\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios sacramentais, a equipara\u00e7\u00e3o entre a Ordem conferida e servi\u00e7os emergentes, a discuss\u00e3o sobre qual dos membros da comunidade seja o primeiro (in\u00fatil discutir, pois o Senhor Jesus j\u00e1 decidiu que \u00e9 o \u00faltimo)\u201d.  Sim, caros irm\u00e3os leigos, tais escolhos evitaremos \u00e0 luz da Cruz de Cristo. E assim mesmo avan\u00e7aremos numa corresponsabilidade cada vez maior, ao servi\u00e7o da comunidade crist\u00e3 e da sua miss\u00e3o no mundo.   Porque a urg\u00eancia da nova evangeliza\u00e7\u00e3o nos impele a aumentarmos a projec\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria das nossas comunidades, para levar a cada sector espec\u00edfico da sociedade e da cultura a verdade, a beleza e a bondade divinas que refulgem em Cristo. Como nos dizia tamb\u00e9m o Papa: \u201cTais quest\u00f5es [internas] n\u00e3o nos podem distrair da verdadeira miss\u00e3o da Igreja: esta n\u00e3o deve falar primariamente de si mesma, mas de Deus\u201d. E estou certo de que ser\u00e1 o \u201cnovo ardor\u201d no testemunho e an\u00fancio do reino de Cristo que nos far\u00e1 encontrar tamb\u00e9m os \u201cnovos m\u00e9todos e a nova express\u00e3o\u201d que este tempo requer. A vontade mission\u00e1ria e apost\u00f3lica ressurgente nas par\u00f3quias, associa\u00e7\u00f5es e movimentos da Diocese dar-nos-\u00e1 ainda dois excelentes frutos: ultrapassar\u00e1 os contratempos que sempre surgem quando as comunidades vivem demasiado concentradas em si mesmas e despontar\u00e1 aquelas voca\u00e7\u00f5es &#8211; ordenadas, religiosas ou laicais &#8211; que o Esp\u00edrito s\u00f3 gera em ambiente de miss\u00e3o.   Conto convosco, amados irm\u00e3os: de Deus e do seu reino aut\u00eantico falar\u00e3o as vossas vidas! S\u00e9 do Porto, 25 de Novembro de 2007 <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto          <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, especialmente dirigida ao laicado diocesano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,127,168,187,206,246,261,268,314],"class_list":["post-28409","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-liturgia","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28409"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28409\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}