{"id":283893,"date":"2023-06-02T09:57:36","date_gmt":"2023-06-02T08:57:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=283893"},"modified":"2023-05-29T09:59:20","modified_gmt":"2023-05-29T08:59:20","slug":"o-culto-ao-senhor-santo-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-culto-ao-senhor-santo-cristo\/","title":{"rendered":"O culto ao Senhor Santo Cristo"},"content":{"rendered":"<p><em>Piedade Lalanda, Diocese de Angra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_200634\" aria-describedby=\"caption-attachment-200634\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lalanda-Piedade_Diretora-do-Servico-Diocesano-da-Pastoral-Social_Angra_foto-Igreja-Acores.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-200634 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lalanda-Piedade_Diretora-do-Servico-Diocesano-da-Pastoral-Social_Angra_foto-Igreja-Acores-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lalanda-Piedade_Diretora-do-Servico-Diocesano-da-Pastoral-Social_Angra_foto-Igreja-Acores-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lalanda-Piedade_Diretora-do-Servico-Diocesano-da-Pastoral-Social_Angra_foto-Igreja-Acores-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lalanda-Piedade_Diretora-do-Servico-Diocesano-da-Pastoral-Social_Angra_foto-Igreja-Acores-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lalanda-Piedade_Diretora-do-Servico-Diocesano-da-Pastoral-Social_Angra_foto-Igreja-Acores.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-200634\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Igreja A\u00e7ores<\/figcaption><\/figure>\n<p>Poucas devo\u00e7\u00f5es nos A\u00e7ores congregam tantas pessoas como o culto ao Senhor Santo Cristo. Esta tradi\u00e7\u00e3o remonta ao s\u00e9culo XVII e nasceu num convento, da rela\u00e7\u00e3o de uma freira, Madre Teresa, com a imagem do Cristo, humilhado, flagelado e coroado de espinhos, que retrata o momento em que foi julgado, por pregar um reino de Amor e Perd\u00e3o. \u00a0Talvez seja esta humanidade de Cristo, que leva muitos a se identificarem com o sofrimento representado, particularmente nos olhos, que o artista t\u00e3o bem soube pintar.<\/p>\n<p>A imagem do Senhor Santo Cristo permanece na capela do convento da Esperan\u00e7a, em Ponta Delgada, h\u00e1 mais de tr\u00eas s\u00e9culos, mas est\u00e1 presente nas casas de muitos, em \u201cquadros\/registos\u201d, pequenas estatuetas, pagelas, medalhas e outras representa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar de s\u00f3 sair \u00e0 rua uma vez no ano, muitos acorrem ao santu\u00e1rio, quando est\u00e3o aflitos, por causa de uma doen\u00e7a ou dificuldade. H\u00e1 mesmo quem \u201cfale\u201d com o Senhor, diante das portas fechadas do templo. Como um amigo ou confessor, o Sr. Santo Cristo dos Milagres entrou na vida dos a\u00e7orianos, porque representa a humanidade de Deus.<\/p>\n<p>Como em muitas outras tradi\u00e7\u00f5es, o risco da religiosidade popular est\u00e1 no esvaziar a pr\u00e1tica religiosa da sua componente espiritual; mantendo-se os rituais, perde-se o seu significado.<\/p>\n<p>As festas do Senhor Santo Cristo, como muitas outras, n\u00e3o s\u00e3o apenas um momento alto do calend\u00e1rio religioso a\u00e7oriano, mas s\u00e3o, para a cidade de Ponta Delgada, ocasi\u00e3o de conv\u00edvio, reencontro de familiares, muitos vindos dos pa\u00edses da di\u00e1spora a\u00e7oriana. \u00c9 um fen\u00f3meno cultural enraizado, que alimenta a saudade e reatualiza a perten\u00e7a identit\u00e1ria. O cora\u00e7\u00e3o bate mais forte e as l\u00e1grimas enchem os olhos, quando a imagem passa e se ouvem os primeiros acordes do hino do Sr. Santo Cristo, interpretados repetidamente pelas bandas filarm\u00f3nicas da ilha. Relembram-se mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, tempos em que se vendiam brinquedos de madeira, loucinhas de barro em miniatura e galinhos de a\u00e7\u00facar, hoje substitu\u00eddos por vendedores de bal\u00f5es e comida \u201cde rua\u201d.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma festa cuja componente religiosa \u00e9, desde h\u00e1 muito, gerida por uma irmandade. Apesar desta continuidade, a organiza\u00e7\u00e3o da festa tem gerado controv\u00e9rsia, porque o modelo tradicional tem sido alterado, quase todos os anos. Os fen\u00f3menos culturais, religiosos ou profanos, s\u00e3o Patrim\u00f3nio de um povo, logo, n\u00e3o pertencem a nenhuma gera\u00e7\u00e3o, nem organiza\u00e7\u00e3o. Constituem uma heran\u00e7a cultural que \u00e9 de todos e, talvez por isso, nem sempre as mudan\u00e7as s\u00e3o bem aceites por quem \u00e9 apenas \u201cpovo\u201d, que vive e sente a tradi\u00e7\u00e3o como sua.<\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a de outras festividades, poderia ser adequado pensar na cria\u00e7\u00e3o de uma \u201ccomiss\u00e3o de festas\u201d, que assegurasse a organiza\u00e7\u00e3o da componente \u201cprofana\u201d, onde pudessem estar representados o poder local, regional e, sobretudo, a comunidade.<\/p>\n<p>O culto do Senhor Santo Cristo gerou, na ilha de S\u00e3o Miguel, um movimento similar ao culto de F\u00e1tima, mas n\u00e3o podemos esquecer que o Santu\u00e1rio da Esperan\u00e7a, onde a imagem se encontra, junto ao Campo de S\u00e3o Francisco, integra a malha urbana da cidade e faz parte do quotidiano das pessoas ao longo do ano.<\/p>\n<p>Os tempos mudaram, mas este culto ao Senhor dos Milagres permanece, inclusive em outras ilhas a\u00e7orianas, como Santa Maria e Graciosa. Porqu\u00ea? Porque as dores humanas nunca findam; as doen\u00e7as com progn\u00f3stico reservado, a toxicodepend\u00eancia de um\/a filho\/a, a perda de um familiar ou a emigra\u00e7\u00e3o, continuam a marcar a vida das pessoas e, sobretudo, geram ang\u00fastia, porque h\u00e1 momentos na vida em que se \u201cperde o rumo\u201d e as \u201craz\u00f5es de viver\u201d.<\/p>\n<p>Naquele olhar, que se alegra ou entristece com quem o olha, \u00e9 poss\u00edvel reencontrar a esperan\u00e7a, olhar para dentro e ouvir a voz de Deus; agarrar uma r\u00e9stia ou centelha de luz e voltar a acreditar que a felicidade \u00e9 poss\u00edvel, mesmo quando se vivem momentos de sofrimento.<\/p>\n<p>Todos os anos, milhares de pessoas percorrem o Campo de S\u00e3o Francisco ou as ruas de Ponta Delgada, atr\u00e1s do andor, algumas descal\u00e7as ou carregando c\u00edrios. Cada uma das \u201cpromessas\u201d, como s\u00e3o designadas, \u00e9 uma pessoa que carrega uma hist\u00f3ria de dor ou gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia do culto ao Senhor Santo Cristo \u00e9 um cristal de f\u00e9, que est\u00e1 para al\u00e9m da imagem e mant\u00e9m as pessoas ligadas ao Deus de Amor, que todos acolhe, na sua fragilidade humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>27 de maio 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Piedade Lalanda, Diocese de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":200634,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-283893","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=283893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283893\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/200634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=283893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=283893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=283893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}