{"id":283647,"date":"2023-07-06T09:01:04","date_gmt":"2023-07-06T08:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=283647"},"modified":"2023-05-26T13:03:08","modified_gmt":"2023-05-26T12:03:08","slug":"qual-e-a-tua-riqueza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/qual-e-a-tua-riqueza\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a tua riqueza?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p data-wp-editing=\"1\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>H\u00e1 dias que nos enchem, dias que nos perturbam positivamente, dias que nos libertam do marasmo quotidiano e dias que nos insuflam o sopro vital do espanto e do espasmo. Nesse mesm\u00edssimo dia, ouvi o relato de uma m\u00e3e orgulhosa da sua filha. Em modo de partilha, ela contava-me que fora surpreendida pela sagacidade da sua menina quando afirmara que ela (e elas) eram ricas. Ap\u00f3s alguma conten\u00e7\u00e3o, a m\u00e3e, cheia de curiosidade, n\u00e3o se conteve em perguntar \u00e0 sua filha o porqu\u00ea da sua decidida afirma\u00e7\u00e3o. E para espanto e espasmo dela (e meu, tamb\u00e9m!), a menina respondera que eram ricas \u2013 ela e a m\u00e3e \u2013 porque eram felizes! \u00c9 fabuloso como esta crian\u00e7a associa o conceito e a no\u00e7\u00e3o de riqueza \u00e0 felicidade. Como \u00e9 dif\u00edcil nos tempos hodiernos compreendermos e vivermos sob o signo da felicidade despojada, desinteressada, simples e aut\u00eantica&#8230;!<\/p>\n<p>S\u00e3o estes cora\u00e7\u00f5es simples e puros que nos d\u00e3o sinais \u2013 e, at\u00e9 mesmo, alento (!) \u2013 para percebermos que a vida s\u00f3 \u00e9 vida quando ela se deixa abra\u00e7ar e envolver pelo genu\u00edno afeto e pelo esvaziamento de si mesmo para que tudo e todos possam coabitar no interior do meu e do nosso cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 interessante dizer a este prop\u00f3sito que, ao ler o relato b\u00edblico da \u201csar\u00e7a ardente\u201d (cf. \u00cax 3,1-6), Deus relembra a Mois\u00e9s a sacralidade daquele espa\u00e7o: \u201cN\u00e3o te aproximes daqui; tira as tuas sand\u00e1lias dos p\u00e9s, porque o lugar em que est\u00e1s \u00e9 uma terra santa (sagrada)\u201d. \u00c9 esta sacralidade que habita no interior do nosso cora\u00e7\u00e3o, da nossa alma. Sempre que algu\u00e9m recebe o convite de um outro para entrar na sua vida, estas divinas palavras deveriam ecoar no nosso cora\u00e7\u00e3o e na nossa mente como se de um imperativo categ\u00f3rico se tratasse. Mais, o lugar que nos \u00e9 dado entrar \u00e9 um lugar santo, \u00e9 um lugar sagrado, \u00e9 o lugar onde habita e reside o nosso maior tesouro e a nossa maior riqueza. Abrir as portas do nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 um acto de grande coragem como tamb\u00e9m o \u00e9 de grande generosidade. O Senhor Jesus afirmava que \u201conde estiver o teu tesouro, a\u00ed estar\u00e1 o teu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Mt 6, 21). \u00c9 mesmo!<\/p>\n<p>M\u00e1rio Cortella (fil\u00f3sofo e pedagogo brasileiro), falando acerca do tema da riqueza e das suas variabilidades conceptuais, la\u00e7a a seguinte quest\u00e3o: \u201co que fazes para ganhar a vida?\u201d Podemos entender esta perguntas sob duas variantes: a primeira, sob a variante econ\u00f3mica e de subsist\u00eancia; a segunda, sob a variante espiritual e ontol\u00f3gica. Se citarmos os valiosos ensinamentos de Nosso Senhor, particularmente Mt 8, 36, podemos ler que \u201cde nada adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a vida (a sua alma)\u201d. Por outras palavras, que adianta ter tudo se a tua identidade, a tua autenticidade, o teu prop\u00f3sito, isto \u00e9, se a tua verdade desaba, se ela \u00e9 esmagada pelas cadeias aditivas do ter?! Esta frase b\u00edblica perturba e incomoda no bom sentido. Ela gera em n\u00f3s como que um imperativo, imprimindo sentido para o verdadeiro sentido da minha (e da nossa vida).<\/p>\n<p>Afinal, qual \u00e9 a minha riqueza, qual \u00e9 o meu tesouro? Como acolho a riqueza e o tesouro que o outro, gentil e corajosamente, me oferece? Todas estas quest\u00f5es devem inquietar-nos. N\u00e3o podemos (nem devemos!) ficar indiferentes! A verdadeira felicidade est\u00e1 quando compreendemos que a nossa maior (e \u00fanica) riqueza est\u00e1 no doar do tesouro e no acolher o tesouro do outro. Suscitar\u00e1, portanto, a consci\u00eancia que somos e seremos sempre convidados, nunca senhores ou donos do outro. Aqueles sentimentos de doentia posse ser\u00e3o transformados em sentimentos de gratid\u00e3o e de alegre generosidade.<\/p>\n<p>\u00c9 um enorme risco n\u00e3o viver a vida como dom e como uma riqueza que deve ser partilhada como Dom e Gra\u00e7a. J\u00e1 Alexandre O\u2019Neill, em \u201cNo Reino do Pacheco\u201d, eloquentemente asseverava que \u201c\u00c0s duas por tr\u00eas nascemos,\/ \u00c0s duas por tr\u00eas morremos,\/ E a vida?\/ N\u00e3o a vivemos\u201d. Estamos proibidos de n\u00e3o viver.<\/p>\n<p>Alias, espantosamente, na famos\u00edssima Banda Desenhada que relata a vida de Charlie Brown e do seu amigo Snoopy, h\u00e1 um momento em que o Charlie, jovem de temperamento sempre melanc\u00f3lico e, at\u00e9, melodram\u00e1tico, ao contemplar, na companhia do seu amigo Snoopy, uma deslumbrante vista sobre um lago, afirma: \u201cAlgum dia, todos n\u00f3s iremos morrer Snoopy!\u201d No entanto, a resposta de Snoopy \u00e9 fabulosa: \u201cVerdade, mas todos os outros dias n\u00e3o!\u201d Sim, todos os outros dias n\u00e3o! Ousemos viver! Ousemos amar! Ousemos ser felizes! Eis a nossa riqueza! Sim, a nossa riqueza. Por isso exige-se que saibamos, com honestidade e em verdade, responder as seguintes perguntas: Que vida \u00e9 a minha na vida dos outros e na vida de Deus? Que vida dou \u00e0 vida da vida dos outros?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-283647","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=283647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283647\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=283647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=283647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=283647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}