{"id":282915,"date":"2023-05-20T17:03:52","date_gmt":"2023-05-20T16:03:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=282915"},"modified":"2023-05-20T17:03:52","modified_gmt":"2023-05-20T16:03:52","slug":"o-sigilo-do-sacramento-da-confissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-sigilo-do-sacramento-da-confissao\/","title":{"rendered":"O Sigilo do Sacramento da Confiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-268285 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A Comiss\u00e3o Independente para o estudo dos abusos sexuais na Igreja prop\u00f4s que se devia rever o sigilo do Sacramento da Confiss\u00e3o, para se poder denunciar crimes de pedofilia quando estes ali fossem revelados ou conhecidos. D. Jos\u00e9 Ornelas, Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, durante a audi\u00e7\u00e3o parlamentar da Comiss\u00e3o de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na Assembleia da Rep\u00fablica, descartou imediatamente essa possibilidade, argumentando que \u201co segredo da confiss\u00e3o \u00e9 t\u00e3o velho como a Igreja e n\u00e3o vai mudar, isso posso garantir\u201d. \u201cQuando eu ponho a minha vida na m\u00e3o de algu\u00e9m tenho de ter a confian\u00e7a de que essa vida \u00e9 tida como preciosa e n\u00e3o para ser enxovalhada. Foi dita com a inten\u00e7\u00e3o de que \u00e9 segredo e n\u00f3s guardamos segredo, e sobre isso n\u00e3o voltamos atr\u00e1s, porque seria negar e ser infiel e n\u00e3o ter respeito pela dignidade da pessoa que me confiou esse segredo. Esse segredo n\u00e3o \u00e9 para mim, \u00e9 para Deus e, portanto, eu n\u00e3o sou senhor dele\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Independente deu boas indica\u00e7\u00f5es e apontou caminhos para a Igreja enfrentar a pedofilia no seu seio, mas esta de quebrar o sigilo sacramental para os crimes sexuais \u00e9 inaceit\u00e1vel. Todo o confessor tem o dever de guardar segredo sobre a confiss\u00e3o. Uma confiss\u00e3o \u00e9 inviol\u00e1vel. O que se diz e ouve numa confiss\u00e3o exige confidencialidade absoluta e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma lei humana e c\u00edvel que a possa quebrar, sob pena de se p\u00f4r em causa a integridade, a natureza e a verdade do Sacramento da Confiss\u00e3o. Seria uma diab\u00f3lica deturpa\u00e7\u00e3o do sacramento transform\u00e1-lo ou instrumentaliz\u00e1-lo com o fim de vasculhar e saber a vida das pessoas, descobrir crimes ou desvendar mist\u00e9rios e segredos.<\/p>\n<p>O Sacramento da Confiss\u00e3o existe para um penitente ou um pecador se converter a Deus e suplicar o seu perd\u00e3o e a sua miseric\u00f3rdia, devidamente arrependido dos seus erros e dos seus pecados, e assim renovar a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, com a Igreja e com os outros, renovar a viv\u00eancia dos compromissos e exig\u00eancias da sua f\u00e9. O que ali se passa \u00e9 sagrado, s\u00f3 a Deus e a ele diz respeito. O confessor \u00e9 um mero instrumento ao servi\u00e7o do encontro e da miseric\u00f3rdia de Deus, guardando segredo completo da celebra\u00e7\u00e3o. Perante um ped\u00f3filo, um confessor n\u00e3o poder\u00e1 deixar de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a gravidade do ato e de propor uma justa penit\u00eancia e um s\u00e9rio caminho de convers\u00e3o e mudan\u00e7a, pedir-lhe que se dirija \u00e0s autoridades e responda pelo seu crime, mas jamais pode denunciar a pessoa. N\u00e3o tem esse dever e esse direito, a partir da confiss\u00e3o. \u00a0A Confiss\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o da justi\u00e7a de Deus e n\u00e3o da justi\u00e7a dos homens. Jamais se poderia aceitar que a confiss\u00e3o se pudesse tornar uma ardilosa e manhosa conversa para apanhar infratores ou se disfar\u00e7asse de interrogat\u00f3rio policial.<\/p>\n<p>Se deixasse de existir segredo na celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Confiss\u00e3o, seria a morte do sacramento, que perderia a raz\u00e3o da sua exist\u00eancia e da sua celebra\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 que da morte do sacramento falamos, convinha que se fizesse alguma reflex\u00e3o na Igreja sobre a celebra\u00e7\u00e3o da penit\u00eancia nos tempos atuais. Por muitas e variadas raz\u00f5es, \u00e9 not\u00f3rio que o sacramento da Confiss\u00e3o est\u00e1 a passar por alguma crise. Os tempos mais agudos da pandemia n\u00e3o permitiram a sua celebra\u00e7\u00e3o, quebrou-se alguma liga\u00e7\u00e3o ao sacramento, mas j\u00e1 estava em crise antes da pandemia. Muitos cat\u00f3licos est\u00e3o a deixar de recorrer ao sacramento. Se noutros tempos se verificava muitas confiss\u00f5es e poucas comunh\u00f5es, depois passou-se para muitas comunh\u00f5es e poucas confiss\u00f5es, o que ainda vigora, apesar de j\u00e1 se notar o tempo de nem muitas confiss\u00f5es, nem muitas comunh\u00f5es. H\u00e1 um conjunto de crist\u00e3os que eu n\u00e3o consigo entender: os que nunca comungam, nem os que nunca se confessam. Se n\u00e3o comungam, por que \u00e9 que n\u00e3o se confessam? E se n\u00e3o precisam de se confessar, por que \u00e9 que n\u00e3o comungam? Deixemos a solu\u00e7\u00e3o para o Esp\u00edrito Santo. Importa \u00e9 que n\u00e3o arrastemos o sacramento da confiss\u00e3o para a insignific\u00e2ncia ou a inutilidade.<\/p>\n<p>O mundo de hoje coloca-nos novas quest\u00f5es e desafios: hoje h\u00e1 uma maior sensibilidade para com a privacidade de cada pessoa humana e para com a vida \u00edntima de cada um, apesar de, neste campo, a sociedade atual manifestar muitas contradi\u00e7\u00f5es e incoer\u00eancias. Vemos as pessoas a escancarar a sua vida privada, e at\u00e9 por vezes a sua vida \u00edntima, nas redes sociais de forma exibicionista, desnecess\u00e1ria e imprudente. Seja como for, a sensibilidade est\u00e1 a\u00ed e temos de a respeitar. A vida privada e \u00edntima n\u00e3o diz respeito s\u00f3 a cada um? H\u00e1 necessidade de uma pessoa expor a sua vida a outra, por muito s\u00e9ria que possa ser essa outra pessoa, para se receber o perd\u00e3o de Deus? Por outro lado, j\u00e1 v\u00e1rios cat\u00f3licos revelaram que sentem algum constrangimento na confiss\u00e3o auricular ou privada, at\u00e9 se chega a sentir vergonha, desconforto, acanhamento, e at\u00e9 aconteceram m\u00e1s experi\u00eancias na confiss\u00e3o, e n\u00e3o me refiro a abjetos abusos sexuais, mas a conversas demasiado invasivas da vida, rigorismo do confessor, desprop\u00f3sito de temas, entre outras.<\/p>\n<p>Sem deixar de celebrar a confiss\u00e3o privada para quem assim o desejar, penso n\u00e3o ser despropositado a Igreja criar outras formas de dar o perd\u00e3o e celebrar a reconcilia\u00e7\u00e3o, come\u00e7ar a pensar em celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias da confiss\u00e3o, onde se proporia \u00e0s pessoas o confronto com a Palavra de Deus, uma oportuna e profunda revis\u00e3o de vida e um minucioso exame de consci\u00eancia, onde a Igreja convidaria os fi\u00e9is a fazerem um compromisso de mudan\u00e7a de vida e a reparar o mal e as omiss\u00f5es cometidas, e daria uma absolvi\u00e7\u00e3o dos pecados, favorecendo um novo recome\u00e7ar na rela\u00e7\u00e3o com Deus e com os outros, sem terem de o fazer de forma privada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-282915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=282915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282915\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=282915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=282915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=282915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}