{"id":28266,"date":"2007-11-20T15:17:05","date_gmt":"2007-11-20T15:17:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/20\/ha-ainda-lugar-para-a-filosofia-na-cultura-contemporanea\/"},"modified":"2007-11-20T15:17:05","modified_gmt":"2007-11-20T15:17:05","slug":"ha-ainda-lugar-para-a-filosofia-na-cultura-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ha-ainda-lugar-para-a-filosofia-na-cultura-contemporanea\/","title":{"rendered":"\u201cH\u00e1 ainda lugar para a Filosofia na cultura contempor\u00e2nea?\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o de D. Jos\u00e9 Policarpo no 30.\u00ba Anivers\u00e1rio do Curso de Filosofia em Lisboa <!--more--> 1. Celebrar 30 anos do estabelecimento da licenciatura em Filosofia na Sede da Universidade Cat\u00f3lica, em Lisboa, \u00e9 recordar: a an\u00e1lise e as motiva\u00e7\u00f5es que a isso nos levaram, os objectivos que prossegu\u00edamos, as dificuldades que encontr\u00e1mos. O ensino da Filosofia, para al\u00e9m do que era ministrado na Faculdade de Filosofia de Braga, esteve presente em Lisboa, desde o in\u00edcio, na Faculdade de Teologia, porque parte integrante dos estudos filos\u00f3fico-teol\u00f3gicos. A estrutura\u00e7\u00e3o da Faculdade em Departamentos, entre os quais o Departamento de Filosofia, proporcionou a evolu\u00e7\u00e3o. De facto, entre todos os Departamentos, o de Filosofia adquiriu um dinamismo muito pr\u00f3prio, pela investiga\u00e7\u00e3o, consolida\u00e7\u00e3o de um corpo de docentes, a afirma\u00e7\u00e3o da identidade da Filosofia no conjunto dos saberes teol\u00f3gicos, objectivo primeiro da Faculdade. E foi do dinamismo desse departamento que surgiu o projecto de uma licenciatura em Filosofia. Lembro-me que a hip\u00f3tese nos confrontou com algumas dificuldades institucionais: a Faculdade de Teologia n\u00e3o podia ser a matriz de uma licenciatura em Filosofia; uma sec\u00e7\u00e3o da Faculdade de Filosofia dentro da Faculdade de Teologia tinha o seu qu\u00ea de anacr\u00f3nico. Este aspecto institucional e acad\u00e9mico s\u00f3 se resolveu definitivamente com a cria\u00e7\u00e3o da nova Faculdade de Ci\u00eancias Humanas. \tRecordo estas vicissitudes, porque t\u00eam a ver, embora indirectamente, com o tema que me pediram. Recordo que t\u00ednhamos uma motiva\u00e7\u00e3o e um objectivo que nos ajudaram a vencer as dificuldades: proporcionar a Filosofia como saber comum e integrador de todos os saberes cultivados e ensinados na UCP. Eu tinha a experi\u00eancia da Teologia como saber basilar da pr\u00f3pria reflex\u00e3o teol\u00f3gica, na arte de pensar, na fundamenta\u00e7\u00e3o da racionalidade da f\u00e9, na humaniza\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios em que acreditamos, tamb\u00e9m eles a desafiarem a ci\u00eancia e a raz\u00e3o. E perguntava-me ent\u00e3o: n\u00e3o poder\u00e1 a Filosofia ter um papel id\u00eantico, como arte de pensar e fundamento metaf\u00edsico e antropol\u00f3gico de outros saberes? Este objectivo n\u00e3o foi completamente atingido, e pergunto-me se criar uma nova licenciatura em Filosofia era o \u00fanico caminho para o conseguir. A grande crise das licenciaturas em Filosofia, para al\u00e9m da dilui\u00e7\u00e3o dos interesses intelectuais da nossa sociedade, \u00e9 tamb\u00e9m motivada pela falta de sa\u00edda profissional para esses licenciados. As licenciaturas podem entrar em crise, mas \u00e9 grave que haja um deficit filos\u00f3fico na nossa cultura e na forma\u00e7\u00e3o dos quadros dirigentes. Da\u00ed que seja sadio perguntarmo-nos sobre que futuro para a Filosofia.  \t2. N\u00e3o sei se sou a pessoa indicada para responder, pois n\u00e3o sou fil\u00f3sofo, n\u00e3o arrisco dissertar sobre o futuro da Filosofia e da sua inter-ac\u00e7\u00e3o com os outros saberes e a maneira de influenciar a cultura. Mas h\u00e1 uma perspectiva que vos posso comunicar: aqueles momentos e circunst\u00e2ncias, na vida da sociedade e da Igreja, em que sinto falta da Filosofia. Apontarei alguns exemplos seleccionados:  \t2.1. A superficialidade e horizontalidade da maior parte das an\u00e1lises culturais, e j\u00e1 \u00e9 pomposo incluir sob essa designa\u00e7\u00e3o todas as abordagens da realidade, as reflex\u00f5es e motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, a interpreta\u00e7\u00e3o do sentido do homem e da hist\u00f3ria que nos s\u00e3o abundantemente fornecidas. Fala-se de \u201cpost-modernidade\u201d e de crise de sentido. Mas o sentido constr\u00f3i-se e procura-se, e \u00e9 objectivo da Filosofia orientar e ajudar nessa constru\u00e7\u00e3o e nessa busca. \tTodos sabemos que a cultura contempor\u00e2nea \u00e9 marcada mais pela efic\u00e1cia e pela capacidade de transformar o mundo, quando muito pela compreens\u00e3o dos m\u00e9todos e mecanismos dessa transforma\u00e7\u00e3o, do que pela compreens\u00e3o profunda da realidade, onde sobressai o pr\u00f3prio mist\u00e9rio do homem: o \u201cin se\u201d das realidades, em cuja profundidade reside a for\u00e7a de atrac\u00e7\u00e3o que as projecta para projectos dignos do homem. Todo o processo cient\u00edfico e de transforma\u00e7\u00e3o do mundo deveria, penso eu, desabrochar numa atitude filos\u00f3fica de busca e contempla\u00e7\u00e3o da verdade profunda das coisas. Sem essa profundidade poder\u00e1, porventura, existir processo cient\u00edfico e efic\u00e1cia transformadora, mas n\u00e3o haver\u00e1, concerteza, a consci\u00eancia profunda da dignidade do homem. A Filosofia \u00e9 elemento decisivo da profundidade da cultura e da sua transforma\u00e7\u00e3o em sabedoria. \tIsto sup\u00f5e, que os fil\u00f3sofos nos desculpem a ousadia, que a Filosofia se reencontre a si mesma, n\u00e3o se envergonhando da sua verdadeira identidade, na imensa nebulosa das \u201cci\u00eancias humanas\u201d e na tenta\u00e7\u00e3o de ser \u00fatil. Foi apaixonante abordar o mist\u00e9rio do homem a partir do realismo da exist\u00eancia do homem concreto; foi, talvez, necess\u00e1rio estudar os fen\u00f3menos do evoluir humano, tentando captar-lhes o sentido, a integrar na compreens\u00e3o global; mas n\u00e3o se perca de vista o grande desafio que \u00e9 a compreens\u00e3o do mist\u00e9rio do homem, para al\u00e9m da sua exist\u00eancia concreta e dos fen\u00f3menos que estruturaram ou desestruturaram a sua vida.  \t2.2. N\u00e3o desistir da busca da verdade. A modernidade, marcada pela euforia da raz\u00e3o como \u00fanica fonte da verdade, aliada \u00e0 dimens\u00e3o subjectiva da liberdade, acabou por p\u00f4r em quest\u00e3o a perenidade e a objectividade da verdade, caindo no relativismo da \u201cpost-modernidade\u201d em que tudo \u00e9 ef\u00e9mero e transit\u00f3rio, valendo apenas o que significa para o indiv\u00edduo em cada momento que passa. Perdeu-se a atrac\u00e7\u00e3o pela verdade e a inquieta\u00e7\u00e3o de a encontrar. As pessoas contentam-se com a verdade que lhes basta; muitas vezes n\u00e3o querem mesmo p\u00f4-la em quest\u00e3o, deixando que entre nelas a inquieta\u00e7\u00e3o do absoluto. O \u201ceros\u201d dos gregos, o desejo de Agostinho ou o \u201cappetitus\u201d de Tom\u00e1s de Aquino, manifesta\u00e7\u00f5es da atrac\u00e7\u00e3o que o absoluto exerce sobre o esp\u00edrito humano, foram relativizados pela raz\u00e3o individual e domesticados pelo pragmatismo da verdade que basta. \tNeste quadro, n\u00e3o h\u00e1 lugar para a Filosofia. Uma das causas desta situa\u00e7\u00e3o foi o esquecimento da raz\u00e3o como capacidade de acolhimento da verdade que nos \u00e9 comunicada ou transmitida, quer pela revela\u00e7\u00e3o, e esta n\u00e3o \u00e9 o campo natural da pesquisa filos\u00f3fica, quer por experi\u00eancias humanas que n\u00e3o brotam da raz\u00e3o l\u00f3gica, como o amor, a express\u00e3o simb\u00f3lica ou a emo\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, mas cuja mensagem deve ser acolhida pela raz\u00e3o e por ela reconduzida \u00e0 compreens\u00e3o e \u00e0 sabedoria. A est\u00e9tica \u00e9 certamente um campo a ser trabalhado pela Filosofia, a qual, procurando a harmonia, toca o dom\u00ednio da beleza. \tComo vencer esta satisfa\u00e7\u00e3o empobrecida dos esp\u00edritos contempor\u00e2neos? Como valorizar a for\u00e7a inquietante e mobilizadora do \u201ceros\u201d, do \u201cdesejo\u201d, do \u201cappetitus\u201d, tornando os homens peregrinos da verdade que os atrai e os transcende? \tN\u00f3s sabemos que, no fundo, s\u00f3 Deus pode inquietar o cora\u00e7\u00e3o do homem e da\u00ed que a escuta da sua Palavra seja decisiva para desencadear um aut\u00eantico dinamismo de busca da verdade. Mas o Deus que nos fala pelos Profetas e por Jesus Cristo, \u00e9 o Deus que nos criou. E na cria\u00e7\u00e3o Ele disse-se, antes de falar. Escutar a Sua mensagem \u00e9 campo pr\u00f3prio da Filosofia. Este tem de ser, hoje, um dos caminhos para despertar nas pessoas e na cultura o desejo da profundidade e a inquieta\u00e7\u00e3o do absoluto.  \t2.3. As raz\u00f5es do nosso acreditar. O dogma da modernidade, ao circunscrever a verdade ao horizonte da raz\u00e3o l\u00f3gica, relegou as verdades da f\u00e9 para um campo indefinido do \u201cn\u00e3o-racional\u201d, no \u00e2mbito da subjectividade, e inventou um pseudo-conflito entre ci\u00eancia e f\u00e9. N\u00e3o percebeu que h\u00e1 uma racionalidade da f\u00e9, porque a verdade acolhida, n\u00e3o tendo origem nas capacidades da raz\u00e3o, encontra nesta a capacidade de humaniza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, de dar \u00e0s verdades da f\u00e9 a dimens\u00e3o humana, inserindo-as na harmonia da compreens\u00e3o e do saber. Desde a era apost\u00f3lica que a Igreja diz aos crentes que \u00e9 preciso poder exprimir as raz\u00f5es do nosso acreditar. \tAquele div\u00f3rcio entre a raz\u00e3o e a f\u00e9 teve consequ\u00eancias em muitos crist\u00e3os, cuja racionalidade \u00e9 profana, nunca desenvolveram uma raz\u00e3o crente e n\u00e3o est\u00e3o preparados para explicitar as raz\u00f5es porque acreditam. Tocamos na rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e cultura, importante para o pr\u00f3prio dinamismo da f\u00e9. Jo\u00e3o Paulo II afirmou: \u201cA f\u00e9 que n\u00e3o se converte em cultura \u00e9 uma f\u00e9 n\u00e3o completamente acolhida, n\u00e3o inteiramente pensada, n\u00e3o vivida numa fidelidade total\u201d (1). E noutra altura diz: \u201ccultura e f\u00e9 progridem em conjunto, influenciam-se mutuamente, para que a pessoa atinja o pleno desenvolvimento, correspondente \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o e se torne conforme \u00e0 ideia que o Criador concebeu desde a eternidade\u201d (2) \tH\u00e1 aqui um lugar para a Filosofia e, de modo particular, para os fil\u00f3sofos crist\u00e3os. Atrever-me-ia a falar de uma fun\u00e7\u00e3o pastoral da Filosofia. Aprender a pensar em chave crente, eis um desafio para a \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d.  \t3. Para restituir \u00e0 Filosofia esta dimens\u00e3o tornando-a omnipresente como arte de pensar, inquieta\u00e7\u00e3o de profundidade, capacidade de harmonia entre os diversos saberes, n\u00e3o basta uma licenciatura acad\u00e9mica. Ser\u00e3o precisos criatividade e esp\u00edrito inventivo para encontrar os modos e os momentos de tornar a atitude filos\u00f3fica mais presente, para proporcionar a quantos buscam a verdade, a arte da intelig\u00eancia que abre novos horizontes e desafios \u00e0 perspectiva concreta de que se parte nessa busca da verdade.  Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa Lisboa, 20 de Novembro de 2007 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i>   NOTAS 1 &#8211; Jo\u00e3o Paulo II, Insegnamenti, vol. IX,2 (1986), pg. 171 2 &#8211; Ibidem, pg. 1196 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o de D. Jos\u00e9 Policarpo no 30.\u00ba Anivers\u00e1rio do Curso de Filosofia em Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[161,172,237,268,321],"class_list":["post-28266","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-de-braga","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28266\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}