{"id":282620,"date":"2023-05-21T09:31:19","date_gmt":"2023-05-21T08:31:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=282620"},"modified":"2023-05-18T10:17:27","modified_gmt":"2023-05-18T09:17:27","slug":"igreja-media-seguidismo-entre-escolas-e-meios-de-comunicacao-e-confrangedor-d-nuno-bras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-media-seguidismo-entre-escolas-e-meios-de-comunicacao-e-confrangedor-d-nuno-bras\/","title":{"rendered":"Igreja\/Media: \u00abSeguidismo\u00bb entre escolas e meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00abconfrangedor\u00bb &#8211; D. Nuno Br\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><em>Neste dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, o bispo do Funchal e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, \u00e9 o convidado da entrevista semanal Ecclesia\/Renascen\u00e7a<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_279393\" aria-describedby=\"caption-attachment-279393\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-bras-2023.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-279393 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-bras-2023.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-bras-2023.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-bras-2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-bras-2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-bras-2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-bras-2023-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-279393\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Depois do convite de 2022 para escutar com o ouvido do Cora\u00e7\u00e3o, o Papa prop\u00f5e neste dia das comunica\u00e7\u00f5es sociais de 2023 que falemos com o cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso usar o dom da comunica\u00e7\u00e3o como espa\u00e7o de liga\u00e7\u00e3o e n\u00e3o como um muro?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9. Eu creio que esse \u00e9 o centro, o n\u00facleo da Mensagem do Papa para este dia que vai muito para al\u00e9m daquilo que \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o limitada \u00e0 t\u00e9cnica, ao saber dominar, para ir para uma no\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o que podemos dizer mais humana. A comunica\u00e7\u00e3o como aquela realidade que nos distingue dos animais e, portanto, que nos distingue de tudo aquilo que existe. O ser humano \u00e9 aquele que n\u00e3o apenas transmite informa\u00e7\u00f5es, porque isso tamb\u00e9m os animais transmitem informa\u00e7\u00f5es, mas que tem a capacidade de colocar coisas em comum. De colocar a sua realidade interior em comum com a de outro ser humano. E \u00e9 isso que faz a diferen\u00e7a, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No que diz respeito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o da Igreja, os \u00faltimos tempos em Portugal revelaram defici\u00eancias que \u00e9 preciso melhorar. \u00c9 um setor que exige prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de quem tem cargos de responsabilidade?<\/em><\/p>\n<p>Como \u00e9 \u00f3bvio, os cargos de responsabilidade n\u00e3o podem ficar dependentes da capacidade ou n\u00e3o de algu\u00e9m enfrentar uma confer\u00eancia de imprensa. Agora, a quest\u00e3o coloca-se, como \u00e9 \u00f3bvio. E \u00e9 \u00f3bvio tamb\u00e9m que h\u00e1, digamos, uma profissionaliza\u00e7\u00e3o para onde n\u00e3o podemos deixar de caminhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E evidenciou se nos \u00faltimos tempos essa necessidade de uma maior profissionaliza\u00e7\u00e3o, porque houve erros de comunica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim, penso que houve erros de comunica\u00e7\u00e3o. Penso tamb\u00e9m que muitas vezes o ponto de partida foi o de condena\u00e7\u00e3o da Igreja, n\u00e3o \u00e9? E a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 profissionaliza\u00e7\u00e3o, que valha, sobretudo quando as pessoas j\u00e1 est\u00e3o com a senten\u00e7a dada. Devemos aqui valorizar aquilo que o Papa diz na sua Mensagem para este dia das comunica\u00e7\u00f5es Sociais, quando j\u00e1 h\u00e1 o preconceito, o preju\u00edzo, como se diz noutras l\u00ednguas latinas, a\u00ed de facto n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer. E, portanto, qualquer ato de comunica\u00e7\u00e3o correr\u00e1 mal, n\u00e3o \u00e9? Agora penso que isso n\u00e3o impede de percebermos e de nos darmos conta de que nem sempre a Igreja sabe comunicar bem. Ou melhor, dizendo, nem sempre a Igreja sabe estar bem de acordo com aquelas leis que s\u00e3o as leis da comunica\u00e7\u00e3o social, da comunica\u00e7\u00e3o de massas. Depois, se a Igreja sabe comunicar bem ou n\u00e3o sabe comunicar bem, eu creio que n\u00e3o se pode simplesmente reduzir a uma presta\u00e7\u00e3o, numa confer\u00eancia de imprensa.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Sim, mas esse \u00e9 um dos temas que, ali\u00e1s, e gostar\u00edamos de falar. Na \u00faltima Assembleia Plen\u00e1ria, foi eleito para presidir \u00e0 Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, onde, ali\u00e1s, j\u00e1 trabalha h\u00e1 alguns anos e neste caso especificamente falando de comunica\u00e7\u00e3o da Igreja e n\u00e3o apenas destes momentos e destas pol\u00e9micas, o que \u00e9 que consegue identificar de priorit\u00e1rio neste setor para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal? <\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, creio que o priorit\u00e1rio \u00e9 sempre o humano, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 o fator antropol\u00f3gico e n\u00e3o apenas tecnol\u00f3gico\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Exatamente, ou seja, n\u00f3s n\u00e3o podemos contentar-nos com uma comunica\u00e7\u00e3o &#8211; mesmo uma comunica\u00e7\u00e3o social &#8211; onde seja a tecnologia, onde seja aquilo que \u00e9 j\u00e1 preconceito, aquilo que \u00e9 j\u00e1 sabido a dominar. Mas onde, onde se possa ter um rosto humano, n\u00e3o \u00e9? A comunica\u00e7\u00e3o na televis\u00e3o tem sempre muito de cen\u00e1rio, tem sempre muito de apar\u00eancia, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o linguagens espec\u00edficas, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o linguagens especificas, exatamente. Essas linguagens espec\u00edficas, obviamente que temos de respeitar porque fazem parte do pr\u00f3prio m\u00e9dia e, portanto, como diz McLuhan o media \u00e9 j\u00e1 a mensagem, ou pelo menos uma boa parte dela. Agora a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais que isso.<\/p>\n<p>E n\u00f3s precisamos mesmo aqui nos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, precisamos de colocar muito mais de humanismo e muito mais de humanidade frente \u00e0quilo, por exemplo, que s\u00e3o os dom\u00ednios das audi\u00eancias frente \u00e0quilo que \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o selvagem a que se assiste tantas vezes nos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o. E depois temos de olhar muito, e creio que esse \u00e9 o mundo que ainda est\u00e1 muito, digamos selvagem, precisa de ser muito trabalhado, que \u00e9 o mundo das redes sociais, que \u00e9 o mundo desta comunica\u00e7\u00e3o, onde toda a gente diz tudo quanto lhe apetece, sem qualquer responsabilidade, onde todas as mentiras podem aparecer juntamente com todas as verdades, e \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de as distinguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A\u00ed a comunica\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica pode tamb\u00e9m assumir um papel de media\u00e7\u00e3o? No sentido de orientar as pessoas&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei se \u00e9 media\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 de proposta. Eu acho que a\u00ed pode e deve ser de proposta de caminhos alternativos.\u00a0Portanto, esta tentativa pode ser ou menos ing\u00e9nua, mas esta tentativa de propor a uma sociedade, ou a um meio a um ambiente de comunica\u00e7\u00e3o perfeitamente selvagem e onde tudo \u00e9 poss\u00edvel e o seu contr\u00e1rio tamb\u00e9m, propor caminhos de humanidade. Isso sim. Isso parece-me que \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os jornalistas n\u00e3o podem ser vistos como inimigos da Igreja, mas como em rela\u00e7\u00e3o a outras \u00e1reas \u00e9 preciso que saibam do que falam para comunicar bem e com verdade. Falta tamb\u00e9m uma maior forma\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea por parte dos profissionais da comunica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Falta. Falta conhecer a linguagem. Eu creio que n\u00e3o h\u00e1 nenhum jornalista que hoje fa\u00e7a uma pe\u00e7a sobre economia sem saber de economia. Mas de facto, a sensa\u00e7\u00e3o que existe \u00e9 que todos acham que podem fazer uma pe\u00e7a sobre a vida da Igreja ou sobre a vida da f\u00e9, sem terem estudado minimamente, sem estarem por dentro da linguagem, porque tudo \u00e9 igual a tudo. D\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o muitas vezes que a vida do crente que a vida da f\u00e9 \u00e9 olhada como qualquer coisa de menor na nossa vida contempor\u00e2nea. E isso creio que \u00e9 claramente injusto, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E sente existe interesse na atividade das comunidades cat\u00f3licas para l\u00e1 daqueles momentos de maior pol\u00e9mica? A vida da Igreja ainda \u00e9 relevante do ponto de vista medi\u00e1tico?<\/em><\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o, creio que tamb\u00e9m se pode colocar desta forma: o que \u00e9 que \u00e9 relevante do ponto de vista medi\u00e1tico? <\/em><\/p>\n<p>O que \u00e9 que \u00e9 relevante do ponto de vista medi\u00e1tico?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por norma a pol\u00e9mica&#8230;. <\/em><\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 a pol\u00e9mica. Algumas pol\u00e9micas, n\u00e3o \u00e9. Basta fixarmo-nos na hora dos telejornais. \u00c9 deprimente percebermos que os telejornais do hor\u00e1rio nobre, pelo menos t\u00eam todos o mesmo tema. S\u00e3o dois ou tr\u00eas temas \u00e0 volta dos quais andam ali durante uma hora, e \u00e0s vezes com as mesmas imagens, as mesmas declara\u00e7\u00f5es&#8230; E s\u00e3o de uma limita\u00e7\u00e3o confrangedora que coloca inclusivamente, em causa, penso eu, a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de liberdade de imprensa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma certa massifica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma massifica\u00e7\u00e3o, mas quase que assumida e quase que interiorizada pelos pr\u00f3prios profissionais de que s\u00e3o aqueles quatro assuntos que fazem a atualidade e todos os outros n\u00e3o interessam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Alinhamentos decalcados? <\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim, bem, essa \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o, digamos, mais inocente, n\u00e3o \u00e9? H\u00e1 de facto<\/p>\n<p>facto aqui assim uma falta de at\u00e9 mesmo de coragem para dar novos passos para dizer, bom se aqueles deram esta not\u00edcia, n\u00f3s vamos dar aquela outra ou vamos fazer um notici\u00e1rio com mais not\u00edcias. Creio que h\u00e1 aqui um seguidismo entre escolas de comunica\u00e7\u00e3o e entre meios de comunica\u00e7\u00e3o, um seguidismo que \u00e9 confrangedor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobre o ser relevante, dou um exemplo da vida da Igreja Cat\u00f3lica na Madeira, as visitas do Esp\u00edrito Santo, as visitas pascais que decorrem entre a P\u00e1scoa e Pentecostes, que s\u00e3o sempre not\u00edcia. H\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es da vida dos cat\u00f3licos, especificamente religiosas, que t\u00eam potencial medi\u00e1tico\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. Ali\u00e1s, devo dizer, concretamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Diocese do Funchal, que n\u00e3o posso absolutamente queixar-me de falta de presen\u00e7a medi\u00e1tica e a\u00ed, de facto, a Igreja est\u00e1 muito presente. O facto de haver meios de comunica\u00e7\u00e3o regionais a leva a que haja um conjunto maior de sujeitos e de objetos noticiosos do que no Continente \u2013 onde se dirige a um p\u00fablico maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 preciso tamb\u00e9m regional regionalizar na comunica\u00e7\u00e3o social?<\/em><\/p>\n<p>Se calhar tamb\u00e9m. Eu confesso que a minha vinda aqui para a Madeira me tornou num adepto da regionaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma realidade cara, mas \u00e9 uma realidade que, creio, \u00e9 o \u00fanico caminho para, por exemplo, fazer com que o Interior deixe de ser de segunda classe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso em termos em termos medi\u00e1ticos, isso tamb\u00e9m tem impacto no apoio que deve ser dado ou n\u00e3o. A imprensa local, por exemplo, a imprensa regional. <\/em><\/p>\n<p>A imprensa a imprensa regional est\u00e1 muito no papel, n\u00e3o \u00e9? N\u00f3s sabemos que o papel, n\u00e3o digo que tenha os dias contados, mas n\u00e3o anda muito longe disso. Agora, creio que h\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o grande que se devia dar aos meios regionais. N\u00e3o tenho d\u00favidas nenhumas, porque s\u00e3o a forma destas diferentes realidades, que s\u00e3o centrais tamb\u00e9m, e que s\u00e3o importantes para a vida das pessoas, poderem aparecer neste ambiente medi\u00e1tico, onde n\u00e3o aparecem, porque muito simplesmente, h\u00e1 generaliza\u00e7\u00e3o e a generaliza\u00e7\u00e3o significa sempre abstrair da pr\u00f3pria realidade e criar uma realidade quase inexistente, por fabricar uma realidade que \u00e9 quase uma fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Aproveitando tamb\u00e9m a sua qualidade de vice-presidente da COMECE e olhando para a forma como tem sido acompanhado o conflito da Ucr\u00e2nia na Uni\u00e3o Europeia: a Mensagem do Papa Francisco para este Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais alerta para a ret\u00f3rica belicista, especificamente sobre esta quest\u00e3o da guerra. Sente que h\u00e1 uma tenta\u00e7\u00e3o do sensacionalismo, na comunica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Claro. N\u00f3s temos um dado objetivo: a Ucr\u00e2nia \u00e9 o pa\u00eds invadido e a R\u00fassia \u00e9 o pa\u00eds invasor, mas a not\u00edcia \u00e9 sempre dada a partir da perspetiva da Ucr\u00e2nia e isso n\u00e3o pode deixar de ser\u2026 mas creio que esta quest\u00e3o belicista, que aparece agora de uma forma muito clara em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia, \u00e9 uma linguagem que est\u00e1 presente constantemente na Comunica\u00e7\u00e3o Social, n\u00e3o \u00e9? E \u00e9 uma das t\u00e9cnicas, obviamente, para despertar interesse, para agu\u00e7ar este apetite, mas reduz a realidade ao preto e branco, a um contraste, reduz a realidade a uma luta entre pessoas e isso n\u00e3o \u00e9 a realidade, gra\u00e7as a Deus, sen\u00e3o and\u00e1vamos todos aqui no hospital mais do que aquilo que j\u00e1 andamos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pergunto-lhe especificamente como \u00e9 que sente o acompanhamento deste conflito junto dos bispos da Uni\u00e3o Europeia, com quem tem oportunidade de contactar? <\/em><\/p>\n<p>Os bispos acompanham, obviamente, com muita preocupa\u00e7\u00e3o todo este conflito. Recordo a quest\u00e3o dos refugiados, como a Igreja na Pol\u00f3nia, a Igreja na Hungria, por exemplo, mas depois toda a Igreja na Europa esteve empenhada no acolhimento. Nesta \u00faltima sess\u00e3o esteve muito presente a preocupa\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m estar a fazer tentativas de paz. Esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande, porque n\u00e3o se percebiam, nem se percebem propriamente ainda, caminhos de paz, caminhos poss\u00edveis de paz. J\u00e1 l\u00e1 vai um ano e tanto, as pessoas continuam a matar-se umas \u00e0s outras, parece que h\u00e1 aqui qualquer coisa que impede&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Reina o pessimismo relativamente a esse processo?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Eu creio que podemos diz\u00ea-lo, o clima era essencialmente pessimista. Sab\u00edamos, e isso foi-nos comunicado, que particularmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 troca de prisioneiros, o Vaticano tem estado muito ativo, a\u00ed sim. Sabemos agora, j\u00e1 depois da reuni\u00e3o, desta tentativa do pr\u00f3prio Papa de propor os meios diplom\u00e1ticos da Santa S\u00e9, de propor caminhos de paz. Enfim, n\u00e3o sabemos propriamente que caminhos s\u00e3o esses, temos alguma esperan\u00e7a, com certeza. \u00c9 verdade que, depois, os caminhos de paz n\u00e3o se podem fazer na pra\u00e7a p\u00fablica, porque isso \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o desses mesmos caminhos. Mas obviamente que este an\u00fancio do Papa n\u00e3o deixa de ser uma esperan\u00e7a, quase parece que \u00e9 o \u00fanico que que est\u00e1 a fazer esta tentativa de pacificar, de fazer parar as armas que j\u00e1 soam h\u00e1 demasiado\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A mensagem do Papa convida ainda a falar com um cora\u00e7\u00e3o no processo sinodal em curso, na Igreja Cat\u00f3lica. \u00c9 um desafio para todas as comunidades ou sente j\u00e1 alguma desmobiliza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a fase de consulta? <\/em><\/p>\n<p>A sinodalidade \u00e9 qualquer coisa que n\u00e3o pode deixar de estar sempre presente na vida da Igreja. Caro que, em rela\u00e7\u00e3o a este pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos, eu diria que h\u00e1 alguma desmobiliza\u00e7\u00e3o neste momento, haver\u00e1 uma mobiliza\u00e7\u00e3o quando, depois, houver propriamente a Assembleia Sinodal, n\u00e3o tenho d\u00favidas disso.<\/p>\n<p>Aquilo que me parece ser j\u00e1 uma realidade adquirida, pelo menos para a grande maioria, \u00e9 esta dimens\u00e3o sinodal da vida da Igreja, que \u00e9 a dimens\u00e3o do pr\u00f3prio povo de Deus e que nos aparece sempre no Conc\u00edlio Vaticano II. Creio que esta chamada aten\u00e7\u00e3o para a dimens\u00e3o sinodal foi muito importante e \u00e9 muito importante, \u00e9 caminho iniciado que n\u00e3o deixar\u00e1 de ser percorrido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Neste Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, as comunidades cat\u00f3licas s\u00e3o chamadas, concretamente, apoiar projetos de comunica\u00e7\u00e3o diocesanos e tamb\u00e9m a n\u00edvel nacional. \u00c9 necess\u00e1rio que exista um maior proximidade e conhecimento do que vai sendo feito, e \u00e9 bastante, por todo o pa\u00eds, para comunicar a realidade da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 preciso, \u00e9 preciso comunicar. Creio que estamos ainda muito, mesmo na Igreja, na an\u00e1lise se passou, se n\u00e3o passou, se est\u00e1 presente, se n\u00e3o est\u00e1 presente\u2026 A mensagem do Papa convida-nos a termos uma quase ingenuidade, ou melhor, dizendo uma simplicidade, uma humildade de quem percebe que tem qualquer coisa de importante, a comunicar, ou melhor dizendo que tem Algu\u00e9m de importante a comunicar e que n\u00e3o pode deixar de o fazer. N\u00e3o pode deixar de estar, assim, aberto para quem quiser escutar. Podemos ser pregadores no deserto, mas n\u00e3o podemos deixar de pregar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, o bispo do Funchal e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, \u00e9 o convidado da entrevista semanal Ecclesia\/Renascen\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":279393,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[140],"class_list":["post-282620","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-comunicacoes-sociais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=282620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/282620\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/279393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=282620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=282620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=282620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}