{"id":2824,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis-3\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis-3\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal PASTORES GREGIS"},"content":{"rendered":"<p>Sobre o bispo, servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperan\u00e7a do mundo <!--more--> INTRODU\u00c7\u00c3O 1. Pastores do rebanho, os Bispos sabem que podem contar com uma gra\u00e7a divina especial no cumprimento do seu minist\u00e9rio. No Pontifical Romano, durante a solene Ora\u00e7\u00e3o de Ordena\u00e7\u00e3o, o Bispo ordenante principal, depois de ter invocado a efus\u00e3o do Esp\u00edrito que rege e guia, diz estas palavras referidas j\u00e1 no antigo texto da Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica: \u00ab  Pai santo, que conheceis os cora\u00e7\u00f5es, dai a este vosso servo, por V\u00f3s eleito para o Episcopado, que apascente o vosso povo santo, exer\u00e7a de modo irrepreens\u00edvel diante de V\u00f3s o sumo sacerd\u00f3cio  \u00bb.1 Deste modo, continua a ter cumprimento a vontade do Senhor Jesus, o Pastor eterno que enviou os Ap\u00f3stolos, como Ele mesmo tinha sido enviado pelo Pai (cf. Jo 20, 21), e quis que os sucessores deles, os Bispos, fossem pastores na sua Igreja at\u00e9 ao fim dos tempos.2 A imagem do Bom Pastor, muito apreciada j\u00e1 pela primitiva iconografia crist\u00e3, acompanhou sempre os Bispos que, chegados de todo o mundo, estiveram reunidos de 30 de Setembro a 27 de Outubro de 2001 na X Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. Aos p\u00e9s do t\u00famulo do ap\u00f3stolo Pedro, reflectiram juntos comigo sobre a figura do Bispo, servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperan\u00e7a do mundo. Todos estavam de acordo que a figura de Jesus Bom Pastor constitui a imagem privilegiada \u00e0 qual se deve constantemente fazer refer\u00eancia. Com efeito, ningu\u00e9m pode ser considerado um pastor digno deste nome, \u00ab  nisi per caritatem efficiatur unum cum Christo  \u00bb.3 Este \u00e9 o motivo fundamental por que \u00ab  a figura ideal do Bispo, com que a Igreja continua a contar, \u00e9 a do Pastor que, configurado com Cristo na santidade de vida, se dedica generosamente em favor da Igreja que lhe foi confiada, tendo no cora\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo a solicitude por todas as Igrejas espalhadas pela terra (cf. 2 Cor 11, 28)  \u00bb.4  A d\u00e9cima assembleia do S\u00ednodo dos Bispos 2. Assim, damos gra\u00e7as ao Senhor porque nos concedeu o dom de celebrar outra vez uma assembleia do S\u00ednodo dos Bispos e, nela, viver uma experi\u00eancia verdadeiramente profunda do que \u00e9 ser-Igreja. Celebrada ao in\u00edcio do terceiro mil\u00e9nio crist\u00e3o, no clima ainda intenso do grande Jubileu do Ano 2000, a X Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos culmina uma longa s\u00e9rie delas: as assembleias especiais, tendo em comum a perspectiva da evangeliza\u00e7\u00e3o nos diversos continentes, da \u00c1frica \u00e0 Am\u00e9rica, \u00e0 \u00c1sia, \u00e0 Oce\u00e2nia e \u00e0 Europa; e as assembleias ordin\u00e1rias, tendo as \u00faltimas concentrado a sua reflex\u00e3o sobre a abundante riqueza eclesial que representam as diversas voca\u00e7\u00f5es suscitadas pelo Esp\u00edrito no Povo de Deus. Nesta linha, a aten\u00e7\u00e3o dedicada ao minist\u00e9rio pr\u00f3prio dos Bispos completou o quadro daquela eclesiologia de comunh\u00e3o e miss\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio ter sempre presente. A este respeito, os trabalhos sinodais fizeram refer\u00eancia constante \u00e0 doutrina sobre o episcopado e sobre o minist\u00e9rio dos Bispos delineada pelo Conc\u00edlio Vaticano II, especialmente no cap\u00edtulo terceiro da Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica Lumen gentium e no Decreto Christus Dominus sobre o m\u00fanus pastoral dos Bispos. A prop\u00f3sito desta elucidativa doutrina, que resume e desenvolve os elementos teol\u00f3gicos e jur\u00eddicos tradicionais, p\u00f4de meu predecessor de veneranda mem\u00f3ria Paulo VI justamente afirmar: \u00ab  Parece-nos que a autoridade episcopal saia do Conc\u00edlio recuperada na sua divina institui\u00e7\u00e3o, confirmada na sua fun\u00e7\u00e3o insubstitu\u00edvel, valorizada nos seus poderes pastorais de magist\u00e9rio, santifica\u00e7\u00e3o e governo, honrada na sua extens\u00e3o \u00e0 Igreja universal atrav\u00e9s da comunh\u00e3o colegial, especificada na sua coloca\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, confortada na corresponsabilidade fraterna com os outros Bispos relativamente \u00e0s necessidades universais e particulares da Igreja e ainda mais associada em esp\u00edrito de subordinada uni\u00e3o e solid\u00e1ria colabora\u00e7\u00e3o com a cabe\u00e7a da Igreja, centro constitutivo do Col\u00e9gio Episcopal  \u00bb.5 Ao mesmo tempo e seguindo o tema que lhes fora dado, os padres sinodais repensaram o pr\u00f3prio minist\u00e9rio \u00e0 luz da esperan\u00e7a teologal. Tamb\u00e9m esta dimens\u00e3o se revelou singularmente pertinente para a miss\u00e3o do pastor, j\u00e1 que, para a Igreja, ele \u00e9 sobretudo o portador do testemunho pascal e escatol\u00f3gico.  Uma esperan\u00e7a fundada em Cristo 3. De facto \u00e9 tarefa de cada Bispo anunciar ao mundo a esperan\u00e7a, partindo da prega\u00e7\u00e3o do Evangelho de Jesus Cristo: \u00ab  n\u00e3o s\u00f3 a esperan\u00e7a no que diz respeito \u00e0s coisas pen\u00faltimas, mas tamb\u00e9m e sobretudo a esperan\u00e7a escatol\u00f3gica, que aguarda o tesouro da gl\u00f3ria de Deus (cf. Ef 1, 18), que supera tudo quanto tenha j\u00e1 saboreado o cora\u00e7\u00e3o do homem (cf. 1 Cor 2, 9) e que n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o com os sofrimentos do tempo presente (cf. Rom 8, 18)  \u00bb.6 A perspectiva da esperan\u00e7a teologal, juntamente com as da f\u00e9 e da caridade, deve modelar inteiramente o minist\u00e9rio pastoral do Bispo. Compete-lhe, de modo particular, a tarefa de ser profeta, testemunha e servo da esperan\u00e7a; tem o dever de infundir confian\u00e7a e proclamar perante quem quer que seja as raz\u00f5es da esperan\u00e7a crist\u00e3 (cf. 1 Ped 3, 15). O Bispo \u00e9 profeta, testemunha e servo desta esperan\u00e7a sobretudo nas situa\u00e7\u00f5es onde maior \u00e9 a press\u00e3o de uma cultura imanentista, que marginaliza qualquer abertura \u00e0 transcend\u00eancia. Onde falta a esperan\u00e7a, tamb\u00e9m a f\u00e9 \u00e9 posta em quest\u00e3o; e o amor enfraquece, quando come\u00e7a a exaurir-se aquela virtude. Com efeito a esperan\u00e7a, especialmente em tempos de crescente incredulidade e indiferen\u00e7a, \u00e9 firme apoio para a f\u00e9 e incentivo eficaz para a caridade. Extrai a sua for\u00e7a da certeza da vontade salv\u00edfica universal de Deus (cf. 1 Tim 2, 3) e da presen\u00e7a constante do Senhor Jesus, o Emanuel, que est\u00e1 sempre connosco at\u00e9 ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). Somente com a luz e a consola\u00e7\u00e3o que prov\u00eam do Evangelho \u00e9 que um Bispo consegue manter viva a pr\u00f3pria esperan\u00e7a (cf. Rom 15, 4) e aliment\u00e1-la em todos os que est\u00e3o confiados \u00e0 sua solicitude de pastor. Deste modo, imita a Virgem Maria, Mater spei, que acreditou no cumprimento das palavras do Senhor (cf. Lc 1, 45). Apoiando-se na Palavra de Deus e agarrando-se solidamente \u00e0 esperan\u00e7a, que \u00e9 como uma \u00e2ncora firme e segura que penetra no c\u00e9u (cf. Heb 6, 18- 20), o Bispo \u00e9, no meio da sua Igreja, sentinela vigilante, profeta corajoso, testemunha cred\u00edvel e servo fiel de Cristo, \u00ab  esperan\u00e7a da gl\u00f3ria  \u00bb (cf. Col 1, 27), gra\u00e7as a quem \u00ab  n\u00e3o haver\u00e1 mais morte, nem pranto, nem gritos, nem dor  \u00bb (Ap 21, 4).  A Esperan\u00e7a, na fal\u00eancia das esperan\u00e7as 4. Todos se lembrar\u00e3o que as sess\u00f5es do S\u00ednodo dos Bispos decorreram em dias intensamente dram\u00e1ticos. Estava ainda vivo, na mente dos padres sinodais, o eco dos acontecimentos terr\u00edveis do dia 11 de Setembro de 2001, com o doloroso resultado de inumer\u00e1veis v\u00edtimas inocentes e o aparecimento no mundo de novas e grav\u00edssimas situa\u00e7\u00f5es de incerteza e de temor para a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o humana e a pac\u00edfica conviv\u00eancia entre as na\u00e7\u00f5es. Configuravam-se, assim, novos horizontes de guerra e de morte que, juntando-se \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de conflito j\u00e1 existentes, mostravam em toda a sua urg\u00eancia a necessidade de dirigir ao Pr\u00edncipe da Paz a implora\u00e7\u00e3o para que os cora\u00e7\u00f5es dos homens voltassem a estar abertos \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e0 solidariedade e \u00e0 paz.7 A assembleia sinodal n\u00e3o se limitou \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, mas ergueu a sua voz para condenar toda a forma de viol\u00eancia e indicar as suas ra\u00edzes \u00faltimas no pecado do homem. Diante da fal\u00eancia das esperan\u00e7as humanas que, baseando-se em ideologias materialistas, imanentistas e economicistas, pretendem medir tudo em termos de efici\u00eancia e rela\u00e7\u00f5es de poder e de mercado, os padres sinodais reafirmaram a convic\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 a luz do Ressuscitado e o impulso do Esp\u00edrito Santo ajudam o homem a apoiar as pr\u00f3prias expectativas na esperan\u00e7a que n\u00e3o desilude. Por isso proclamaram: \u00ab  N\u00e3o podemos deixar-nos atemorizar pelas v\u00e1rias formas de nega\u00e7\u00e3o do Deus vivo, que procuram, mais ou menos abertamente, minar a esperan\u00e7a crist\u00e3, fazer dela uma par\u00f3dia ou escarnec\u00ea-la. Confessamo-lo na alegria do Esp\u00edrito: Cristo verdadeiramente ressuscitou! Na sua humanidade glorificada, abriu o horizonte da vida eterna a todos os homens que se convertem  \u00bb.8 A certeza desta profiss\u00e3o de f\u00e9 deve ser tal que permita tornar de dia para dia mais firme a esperan\u00e7a dum Bispo, levando-o a confiar que a misericordiosa bondade de Deus jamais cessar\u00e1 de construir sendas de salva\u00e7\u00e3o e de abri-las \u00e0 liberdade de cada homem. \u00c9 a esperan\u00e7a que o anima a discernir, no contexto onde desempenha o seu minist\u00e9rio, os sinais da vida capazes de derrotar os germes nocivos e mortais. \u00c9 tamb\u00e9m a esperan\u00e7a que o sustenta na transforma\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios conflitos em ocasi\u00f5es de crescimento, abrindo-os \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 ainda a esperan\u00e7a em Jesus, Bom Pastor, a encher o seu cora\u00e7\u00e3o de compaix\u00e3o induzindo-o a debru\u00e7ar-se sobre a dor de cada homem e mulher que sofre, para cuidar das suas chagas, mantendo sempre viva a confian\u00e7a de que a ovelha perdida pode ser encontrada. Deste modo o Bispo ser\u00e1 um sinal cada vez mais luminoso de Cristo, Pastor e Esposo da Igreja. Agindo como pai, irm\u00e3o e amigo de todo o homem, ser\u00e1 junto de cada um a imagem viva de Cristo, nossa esperan\u00e7a,9 no qual se cumprem todas as promessas de Deus e realizam todas as expectativas da cria\u00e7\u00e3o.  Servos do Evangelho para a esperan\u00e7a do mundo 5. Dispondo-me, pois, a entregar esta minha Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, na qual recolho o patrim\u00f3nio de reflex\u00e3o maturado por ocasi\u00e3o da X Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, desde os primeiros Lineamenta ao Instrumentum Laboris, das interven\u00e7\u00f5es feitas pelos padres na aula sinodal \u00e0s duas Rela\u00e7\u00f5es que as introduziram e resumiram, do enriquecimento de pensamento e experi\u00eancia pastoral havido nos Circuli Minores \u00e0s Propositiones que me foram apresentadas na conclus\u00e3o dos trabalhos sinodais para oferecer \u00e0 Igreja inteira um documento especificamente dedicado ao tema sinodal do Bispo, servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperan\u00e7a do mundo,10 dirijo a minha sauda\u00e7\u00e3o fraterna e envio o \u00f3sculo de paz a todos os Bispos que est\u00e3o em comunh\u00e3o com esta C\u00e1tedra, confiada logo ao in\u00edcio a Pedro para que fosse garante da unidade e, como \u00e9 por todos reconhecido, presidisse na caridade.11 A v\u00f3s, venerados e car\u00edssimos Irm\u00e3os, repito o convite que, ao in\u00edcio do novo mil\u00e9nio, dirigi a toda a Igreja: Duc in altum! Antes, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que o repete aos sucessores daqueles Ap\u00f3stolos que ouviram este convite directamente d&#8217;Ele e, fiando-se n&#8217;Ele, partiram para a miss\u00e3o pelas estradas do mundo: Duc in altum (Lc 5, 4). \u00c0 luz deste insistente convite do Senhor, \u00ab  podemos reler o tr\u00edplice munus que nos est\u00e1 confiado na Igreja: munus docendi, sanctificandi et regendi. Duc in docendo! \u201cPrega a palavra \u2013 diremos com o Ap\u00f3stolo \u2013, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, censura e exorta com bondade e doutrina\u201d (2 Tim 4, 2). Duc in sanctificando! As redes, que somos chamados a lan\u00e7ar no meio dos homens, s\u00e3o antes de mais nada os sacramentos de que somos os principais dispensadores, reguladores, guardas e promotores; formam uma esp\u00e9cie de rede salv\u00edfica, que liberta do mal e conduz \u00e0 plenitude da vida. Duc in regendo! Como pastores e verdadeiros pais, ajudados pelos sacerdotes e demais colaboradores, temos o dever de congregar a fam\u00edlia dos fi\u00e9is e nela fomentar a caridade e a comunh\u00e3o fraterna. Embora seja uma miss\u00e3o \u00e1rdua e extenuante, ningu\u00e9m perca a coragem. Com Pedro e os primeiros disc\u00edpulos tamb\u00e9m n\u00f3s renovamos confiantes a nossa sincera profiss\u00e3o de f\u00e9: Senhor, \u201c\u00e0 tua palavra lan\u00e7arei as redes\u201d (Lc 5, 5)! \u00c0 tua palavra, \u00f3 Cristo, queremos servir o teu Evangelho para a esperan\u00e7a do mundo!  \u00bb.12 Deste modo, vivendo como homens de esperan\u00e7a e reflectindo no pr\u00f3prio minist\u00e9rio a eclesiologia de comunh\u00e3o e miss\u00e3o, os Bispos ser\u00e3o verdadeiramente motivo de esperan\u00e7a para o seu rebanho. N\u00f3s sabemos que o mundo necessita da \u00ab  esperan\u00e7a que n\u00e3o confunde  \u00bb (Rom 5, 5). Sabemos que esta esperan\u00e7a \u00e9 Cristo. Sabemo-lo e por isso proclamamos a esperan\u00e7a que brota da Cruz. Ave Crux spes unica! Esta sauda\u00e7\u00e3o, que ecoou na aula sinodal no momento central dos trabalhos da X Assembleia Geral do S\u00ednodo dos Bispos, continue a ressoar nos nossos l\u00e1bios, porque a Cruz \u00e9 mist\u00e9rio de morte e de vida. A Cruz tornou-se para a Igreja \u00ab  \u00e1rvore da vida  \u00bb. Por isso, anunciamos que a vida venceu a morte. Precederam-nos neste an\u00fancio pascal uma multid\u00e3o de santos Pastores, que in medio Ecclesiae foram sinais eloquentes do Bom Pastor. Tamb\u00e9m por eles, louvamos e agradecemos sem cessar a Deus omnipotente e eterno, porque, como canta a liturgia sagrada, fortalecem-nos com o exemplo da sua vida, instruem-nos com a sua palavra e protegem-nos com a sua intercess\u00e3o.13 A fisionomia de cada um destes santos Bispos, desde os prim\u00f3rdios da vida da Igreja at\u00e9 aos nossos dias, como disse no encerramento dos trabalhos sinodais, pode comparar-se a um ladrilho que, colocado numa esp\u00e9cie de m\u00edstico mosaico, comp\u00f5e o rosto de Cristo Bom Pastor. Assim fixemos sobre Ele a nossa vista \u2013 servindo tamb\u00e9m nisto de modelo para o rebanho que o Pastor dos pastores nos confiou \u2013 para sermos, com empenho cada vez maior, ministros do Evangelho para a esperan\u00e7a do mundo. Contemplando o rosto do nosso Mestre e Senhor na hora em que \u00ab  levou at\u00e9 ao extremo o amor pelos seus  \u00bb, todos n\u00f3s, como o ap\u00f3stolo Pedro, deixamo-Lo lavar-nos os p\u00e9s para termos parte com Ele (cf. Jo 13, 1-9). E, com a for\u00e7a que d&#8217;Ele recebemos na santa Igreja, repetimos em voz alta diante dos nossos presb\u00edteros e di\u00e1conos, de todas as pessoas de vida consagrada e de todos os car\u00edssimos fi\u00e9is leigos: \u00ab  Como quer que sejamos, que a vossa esperan\u00e7a n\u00e3o esteja posta em n\u00f3s: se formos bons, somos ministros; se formos maus, ministros somos. Mas s\u00f3 se formos ministros bons e fi\u00e9is, \u00e9 que seremos verdadeiramente ministros  \u00bb.14 Ministros do Evangelho para a esperan\u00e7a do mundo.   CAP\u00cdTULO I MIST\u00c9RIO E MINIST\u00c9RIO DO BISPO \u00ab  E escolheu Doze  \u00bb (Lc 6, 13) 6. O Senhor Jesus, durante a sua peregrina\u00e7\u00e3o na terra, anunciou o Evangelho do Reino e inaugurou-o em Si pr\u00f3prio, revelando a todos os homens o seu mist\u00e9rio.15 Chamou homens e mulheres para O seguirem e, dentre os disc\u00edpulos, escolheu Doze para \u00ab  andarem com Ele  \u00bb (Mc 3, 14). O evangelho de Lucas especifica que Jesus fez esta escolha depois de passar uma noite na montanha em ora\u00e7\u00e3o (cf. Lc 6, 12). Por sua vez, o evangelho de Marcos parece qualificar essa ac\u00e7\u00e3o de Jesus como um acto soberano, um acto constitutivo que identifica os que escolheu: \u00ab  E constituiu Doze  \u00bb (Mc 3, 14). Assim se manifesta o mist\u00e9rio da elei\u00e7\u00e3o dos Doze: \u00e9 um acto de amor, livremente querido por Jesus em profunda uni\u00e3o com o Pai e o Esp\u00edrito Santo. A miss\u00e3o confiada por Jesus aos Ap\u00f3stolos deve durar at\u00e9 ao fim dos s\u00e9culos (cf. Mt 28, 20), porque o Evangelho que t\u00eam o encargo de transmitir \u00e9 a vida para a Igreja de todos os tempos. Por isso mesmo, tiveram o cuidado de constituir sucessores, para que, como atesta S. Ireneu, a tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica fosse manifestada e guardada ao longo dos s\u00e9culos.16 A especial efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, de que foram repletos os Ap\u00f3stolos pelo Senhor ressuscitado (cf. Act 1, 5-8; 2, 4; Jo 20, 22-23), foi comunicada por eles, atrav\u00e9s do gesto da imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, aos seus colaboradores (cf. 1 Tim 4, 14; 2 Tim 1, 6-7). Estes, por sua vez, transmitiram-na com o mesmo gesto a outros, e estes sucessivamente a outros. Deste modo, o dom espiritual dos prim\u00f3rdios chegou at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, ou seja, da consagra\u00e7\u00e3o episcopal, que confere a plenitude do sacramento da Ordem, o sumo sacerd\u00f3cio, a totalidade do minist\u00e9rio sagrado. Assim, por meio dos Bispos e dos presb\u00edteros que os assistem, o Senhor Jesus Cristo, embora sentado \u00e0 direita de Deus Pai, continua a estar presente no meio dos crentes. Em todos os tempos e lugares, Ele prega a palavra de Deus a todos os povos, administra os sacramentos da f\u00e9 aos crentes e ao mesmo tempo guia o povo do Novo Testamento na sua peregrina\u00e7\u00e3o para a bem-aventuran\u00e7a eterna. O Bom Pastor n\u00e3o abandona o seu rebanho, mas guarda-o e protege-o sempre por meio daqueles que, em virtude da participa\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica na sua vida e miss\u00e3o, desempenhando de modo eminente e vis\u00edvel a sua parte de mestre, pastor e sacerdote, agem em sua vez. No exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es que o minist\u00e9rio pastoral comporta, s\u00e3o constitu\u00eddos seus vig\u00e1rios e embaixadores.17  O fundamento trinit\u00e1rio do minist\u00e9rio episcopal 7. Vista em toda a sua profundidade, a dimens\u00e3o cristol\u00f3gica do minist\u00e9rio pastoral introduz na compreens\u00e3o do fundamento trinit\u00e1rio do mesmo. A vida de Cristo \u00e9 trinit\u00e1ria: \u00e9 o Filho eterno e unig\u00e9nito do Pai e o ungido de Esp\u00edrito Santo, enviado ao mundo; \u00e9 Ele, juntamente com o Pai, que envia o Esp\u00edrito \u00e0 Igreja. Esta dimens\u00e3o trinit\u00e1ria, que sempre se manifesta no modo de ser e de agir de Cristo, plasma tamb\u00e9m o ser e o agir do Bispo. Por isso, justamente e de forma expl\u00edcita quiseram os padres sinodais ilustrar a vida e o minist\u00e9rio do Bispo \u00e0 luz da eclesiologia trinit\u00e1ria contida na doutrina do Conc\u00edlio Vaticano II.  \u00c9 muito antiga a tradi\u00e7\u00e3o que apresenta o Bispo como imagem do Pai, o Qual, segundo Santo In\u00e1cio de Antioquia, \u00e9 como que o Bispo invis\u00edvel, o Bispo de todos. Por conseguinte, cada Bispo ocupa o lugar do Pai de Jesus Cristo, devendo, em virtude precisamente d&#8217;Aquele que representa, ser reverenciado por todos.18 Em nome desta estrutura simb\u00f3lica que, especialmente na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja do Oriente, evoca a autoridade paterna de Deus, a c\u00e1tedra episcopal s\u00f3 pode ser ocupada pelo Bispo. Da mesma estrutura deriva, para cada Bispo, o dever de cuidar, com amor de pai, do povo santo de Deus e gui\u00e1-lo \u2013 juntamente com os presb\u00edteros, colaboradores do Bispo no seu minist\u00e9rio, e com os di\u00e1conos \u2013 pelo caminho da salva\u00e7\u00e3o.19 E vice-versa os fi\u00e9is, como adverte um texto antigo, devem amar os Bispos que s\u00e3o, depois de Deus, pais e m\u00e3es.20 Por isso, segundo costume existente nalgumas culturas, beija-se a m\u00e3o do Bispo como a do pai amoroso, dispensador de vida. Cristo \u00e9 o \u00edcone original do Pai e a manifesta\u00e7\u00e3o da sua presen\u00e7a misericordiosa entre os homens. O Bispo, agindo em lugar e nome de Cristo, torna-se, na Igreja a ele confiada, sinal vivo do Senhor Jesus, Pastor e Esposo, Mestre e Pont\u00edfice da Igreja.21 Aqui est\u00e1 a fonte do minist\u00e9rio pastoral, pelo que \u2013 como sugere o esquema de homilia proposto pelo Pontifical Romano \u2013 a tr\u00edplice fun\u00e7\u00e3o de ensinar, santificar e governar o Povo de Deus deve ser exercida com os tra\u00e7os caracter\u00edsticos do Bom Pastor: caridade, conhecimento do rebanho, solicitude por todos, ac\u00e7\u00e3o misericordiosa pelos pobres, peregrinos e indigentes, busca das ovelhas perdidas para reconduzi-las ao \u00fanico redil. Finalmente, a un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que configura o Bispo a Cristo, habilita-o a ser uma continua\u00e7\u00e3o viva do seu mist\u00e9rio em favor da Igreja. Por esta configura\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria do seu ser, cada Bispo no seu minist\u00e9rio tem a obriga\u00e7\u00e3o de vigiar amorosamente por todo o rebanho, no meio do qual \u00e9 posto pelo Esp\u00edrito para governar a Igreja de Deus: em nome do Pai de quem torna presente a imagem, em nome de Jesus Cristo seu Filho por quem \u00e9 constitu\u00eddo mestre, sacerdote e pastor, e em nome do Esp\u00edrito Santo que d\u00e1 vida \u00e0 Igreja e com a sua for\u00e7a ampara a debilidade humana.22  Car\u00e1cter colegial do minist\u00e9rio episcopal 8. Com a cita\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica \u00ab  Jesus [&#8230;] constituiu Doze  \u00bb (Mc 3, 14), a constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica Lumen gentium introduz a doutrina sobre a \u00edndole colegial do grupo dos Doze, constitu\u00eddos \u00ab  em col\u00e9gio ou grupo est\u00e1vel, dando-lhes como chefe a Pedro, escolhido dentre eles  \u00bb .23 De igual modo, atrav\u00e9s da sucess\u00e3o pessoal do Bispo de Roma ao bem-aventurado Pedro e de todos os Bispos no seu conjunto aos Ap\u00f3stolos, o Romano Pont\u00edfice e os Bispos est\u00e3o unidos entre si como um Col\u00e9gio.24 Esta uni\u00e3o colegial entre os Bispos funda-se conjuntamente sobre a ordena\u00e7\u00e3o episcopal e a comunh\u00e3o hier\u00e1rquica; toca, pois, a profundidade do ser de cada Bispo e pertence \u00e0 estrutura da Igreja como foi querida por Jesus Cristo. De facto, ele \u00e9 constitu\u00eddo na plenitude do minist\u00e9rio episcopal pela consagra\u00e7\u00e3o episcopal e pela comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com a Cabe\u00e7a do Col\u00e9gio e com os membros, isto \u00e9, com o Col\u00e9gio que sempre inclui a sua Cabe\u00e7a. \u00c9 desta forma que se torna membro do Col\u00e9gio Episcopal,25 pelo que as tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es recebidas na ordena\u00e7\u00e3o episcopal \u2013 santificar, ensinar e governar \u2013 devem ser exercidas em comunh\u00e3o hier\u00e1rquica, embora de modo distinto pela sua diversa finalidade imediata.26 Isto constitui o chamado \u00ab  afecto colegial  \u00bb ou colegialidade afectiva, de que deriva a solicitude dos Bispos pelas outras Igrejas particulares e pela Igreja universal.27 Ora, se se deve dizer que um Bispo nunca est\u00e1 s\u00f3, enquanto permanece sempre unido ao Pai pelo Filho no Esp\u00edrito Santo, h\u00e1 que acrescentar que ele nunca est\u00e1 s\u00f3 tamb\u00e9m porque encontra-se sempre e continuamente unido com os seus Irm\u00e3os no episcopado e com aquele que o Senhor escolheu como Sucessor de Pedro. Este afecto colegial realiza-se e exprime-se segundo graus diversos em v\u00e1rios modos, mesmo institucionalizados, tais como, por exemplo, o S\u00ednodo dos Bispos, os Conc\u00edlios particulares, as Confer\u00eancias dos Bispos, a C\u00faria Romana, as Visitas ad limina, a colabora\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, etc. Por\u00e9m, o afecto colegial s\u00f3 se realiza e exprime, de modo pleno, na ac\u00e7\u00e3o colegial em sentido estrito, isto \u00e9, na ac\u00e7\u00e3o de todos os Bispos unidos com a sua Cabe\u00e7a pela qual exercem o poder pleno e supremo sobre toda a Igreja.28 Esta natureza colegial do minist\u00e9rio apost\u00f3lico \u00e9 querida pelo pr\u00f3prio Cristo. Por isso, o afecto colegial ou colegialidade afectiva (collegialitas affectiva) vigora sempre entre os Bispos como communio episcoporum, mas \u00e9 s\u00f3 em alguns actos que se exprime como colegialidade efectiva (collegialitas effectiva). Os diversos modos de a colegialidade afectiva se realizar em colegialidade efectiva s\u00e3o de ordem humana, mas concretizam em graus diversos a exig\u00eancia divina de que o episcopado se exprima de modo colegial.29 Nos conc\u00edlios ecum\u00e9nicos, por sua vez, o poder supremo do Col\u00e9gio sobre toda a Igreja \u00e9 exercido de modo solene.30 A dimens\u00e3o colegial d\u00e1 ao episcopado o car\u00e1cter de universalidade. Assim \u00e9 poss\u00edvel estabelecer um paralelismo entre a Igreja una e universal, e por conseguinte indivis\u00edvel, e o episcopado uno e indivis\u00edvel, e consequentemente universal. Princ\u00edpio e fundamento desta unidade, tanto da Igreja como do Col\u00e9gio dos Bispos, \u00e9 o Romano Pont\u00edfice. De facto, como ensina o Conc\u00edlio Vaticano II, o Col\u00e9gio, \u00ab  enquanto composto por muitos, exprime a variedade e a universalidade do Povo de Deus e, enquanto reunido sob uma s\u00f3 cabe\u00e7a, revela a unidade do redil de Cristo  \u00bb.31 Por isso, a \u00ab  unidade do episcopado \u00e9 um dos elementos constitutivos da unidade da Igreja  \u00bb.32 A Igreja universal n\u00e3o \u00e9 a soma das Igrejas particulares, nem uma federa\u00e7\u00e3o das mesmas, nem sequer o resultado da sua comunh\u00e3o, uma vez que no seu mist\u00e9rio essencial, segundo afirma\u00e7\u00f5es de antigos Padres e da liturgia, ela antecede a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.33 \u00c0 luz desta doutrina, \u00e9 poss\u00edvel acrescentar que a rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatua interioridade \u2013 que vigora entre a Igreja universal e a Igreja particular, pela qual as Igrejas particulares s\u00e3o \u00ab  formadas \u00e0 imagem da Igreja universal, das quais e pelas quais existe a Igreja cat\u00f3lica una e \u00fanica  \u00bb34 \u2013, reproduz-se na rela\u00e7\u00e3o entre o Col\u00e9gio Episcopal na sua totalidade e cada um dos Bispos. Por isso, \u00ab  o Col\u00e9gio Episcopal n\u00e3o h\u00e1-de ser considerado como a soma dos Bispos postos \u00e0 frente das Igrejas particulares, nem o resultado da sua comunh\u00e3o, mas, enquanto elemento essencial da Igreja universal, \u00e9 uma realidade pr\u00e9via ao m\u00fanus de presid\u00eancia da Igreja particular  \u00bb.35 Podemos compreender melhor este paralelismo entre a Igreja universal e o Col\u00e9gio dos Bispos \u00e0 luz da seguinte afirma\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II: \u00ab  Os Ap\u00f3stolos foram a semente do novo Israel e ao mesmo tempo a origem da sagrada hierarquia  \u00bb.36 Nos Ap\u00f3stolos considerados, n\u00e3o individualmente, mas enquanto Col\u00e9gio, estava contida a estrutura da Igreja \u2013 que neles estava constitu\u00edda na sua universalidade e unidade \u2013 e do Col\u00e9gio dos Bispos seus sucessores, sinal desta universalidade e unidade.37 Por isso, \u00ab  o poder do Col\u00e9gio Episcopal sobre toda a Igreja n\u00e3o \u00e9 constitu\u00eddo pela soma dos poderes que os diversos Bispos det\u00eam sobre as suas Igrejas particulares; aquele \u00e9 uma realidade anterior da qual participam os Bispos, que n\u00e3o podem agir sobre a Igreja inteira sen\u00e3o colegialmente  \u00bb.38 Neste poder de ensinar e governar, os Bispos participam solidariamente de modo imediato pelo facto mesmo de serem membros do Col\u00e9gio Episcopal, no qual realmente perdura o Col\u00e9gio Apost\u00f3lico.39 Tal como a Igreja universal \u00e9 una e indivis\u00edvel, assim tamb\u00e9m o Col\u00e9gio Episcopal \u00e9 um \u00ab  sujeito teol\u00f3gico indivis\u00edvel  \u00bb e, consequentemente, tamb\u00e9m o poder supremo, pleno e universal de que \u00e9 sujeito o Col\u00e9gio \u2013 como o \u00e9 o Romano Pont\u00edfice pessoalmente \u2013 \u00e9 uno e indivis\u00edvel. Exactamente porque o Col\u00e9gio Episcopal \u00e9 uma realidade pr\u00e9via ao cargo de presid\u00eancia da Igreja particular, h\u00e1 muitos Bispos que, embora exer\u00e7am tarefas propriamente episcopais, n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 frente duma Igreja particular.40 Cada Bispo \u2013 sempre em uni\u00e3o com todos os Irm\u00e3os no episcopado e com o Romano Pont\u00edfice \u2013 representa Cristo, Cabe\u00e7a e Pastor da Igreja: representa-O n\u00e3o s\u00f3 de modo pr\u00f3prio e espec\u00edfico, quando recebe o cargo de pastor duma Igreja particular, mas tamb\u00e9m quando colabora com o Bispo diocesano no governo da sua Igreja41 ou ent\u00e3o participa no m\u00fanus de pastor universal do Romano Pont\u00edfice no governo da Igreja universal. Ciente do facto que ao longo da sua hist\u00f3ria a Igreja, al\u00e9m da forma espec\u00edfica da presid\u00eancia duma Igreja particular, reconheceu ainda outras formas de exerc\u00edcio do minist\u00e9rio episcopal tais como a de Bispo Auxiliar ou de representante do Romano Pont\u00edfice nos dicast\u00e9rios da Santa S\u00e9 ou nas Lega\u00e7\u00f5es pontif\u00edcias, tamb\u00e9m hoje admite, nos termos do direito, tais formas quando se tornam necess\u00e1rias.42  \u00cdndole mission\u00e1ria e unit\u00e1ria do minist\u00e9rio episcopal 9. O evangelho de Lucas refere que Jesus deu aos Doze o nome de Ap\u00f3stolos, que literalmente significa enviados, mandados (cf. 6, 13). No evangelho de Marcos, diz-se ainda que Jesus constituiu os Doze tamb\u00e9m \u00ab  para os enviar a pregar  \u00bb (3, 14). Isto significa que a elei\u00e7\u00e3o e a constitui\u00e7\u00e3o dos Doze como Ap\u00f3stolos tem por objectivo a miss\u00e3o. O seu primeiro envio (cf. Mt 10, 5; Mc 6, 7; Lc 9, 1-2) encontra a sua plenitude na miss\u00e3o que Jesus lhes confia, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, no momento da ascens\u00e3o ao C\u00e9u. S\u00e3o palavras que conservam toda a sua actualidade: \u00ab  Foi-Me dado todo o poder no c\u00e9u e na terra: Ide, pois, ensinai todas as na\u00e7\u00f5es, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E Eu estarei sempre convosco at\u00e9 ao fim do mundo  \u00bb (Mt 28, 18-20). Esta miss\u00e3o apost\u00f3lica teve a sua solene confirma\u00e7\u00e3o no dia de Pentecostes com a efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. No texto agora transcrito do evangelho de Mateus, todo o minist\u00e9rio pastoral pode ser visto como que articulado segundo a tr\u00edplice fun\u00e7\u00e3o de ensinamento, santifica\u00e7\u00e3o e guia. Vemos aqui um reflexo da tr\u00edplice dimens\u00e3o do servi\u00e7o e da miss\u00e3o de Cristo. Com efeito n\u00f3s, como crist\u00e3os e \u2013 de maneira qualitativamente nova \u2013 como sacerdotes, participamos na miss\u00e3o do nosso Mestre, que \u00e9 Profeta, Sacerdote e Rei, e somos chamados a prestar-Lhe um testemunho peculiar na Igreja e diante do mundo. Estas tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es (triplex munus) e os poderes delas derivados exprimem, no plano da ac\u00e7\u00e3o, o minist\u00e9rio pastoral (munus pastorale) que cada Bispo recebe com a consagra\u00e7\u00e3o episcopal. \u00c9 o pr\u00f3prio amor de Cristo, comunicado na consagra\u00e7\u00e3o, que se concretiza no an\u00fancio da Boa Nova da esperan\u00e7a a todas as na\u00e7\u00f5es (cf. Lc 4, 16-19), na administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos a quem acolhe a salva\u00e7\u00e3o e na condu\u00e7\u00e3o do Povo santo para a vida eterna. Trata-se efectivamente de fun\u00e7\u00f5es intimamente ligadas entre si, que reciprocamente se explicam, condicionam e iluminam.43 Por isso mesmo, o Bispo, quando ensina, ao mesmo tempo santifica e governa o Povo de Deus; enquanto santifica, tamb\u00e9m ensina e governa; quando governa, tamb\u00e9m ensina e santifica. Santo Agostinho define a totalidade deste minist\u00e9rio episcopal como amoris officium.44 Isto cria a certeza de que na Igreja nunca vir\u00e1 a faltar a caridade pastoral de Jesus Cristo.  \u00ab Chamou os que Ele quis  \u00bb (Mc 3, 13) 10. Uma grande multid\u00e3o seguia Jesus, quando Ele decidiu subir ao monte e chamar para junto de Si os Ap\u00f3stolos. Muitos eram os disc\u00edpulos, mas escolheu somente Doze deles para a tarefa espec\u00edfica de Ap\u00f3stolos (cf. Mc 3, 13-19). Na aula sinodal, muitas vezes ecoou o dito de Santo Agostinho: \u00ab  Para v\u00f3s sou Bispo, convosco sou crist\u00e3o  \u00bb.45 Dom oferecido pelo Esp\u00edrito \u00e0 Igreja, o Bispo por um lado \u00e9, antes de tudo e como qualquer outro crist\u00e3o, filho e membro da Igreja. Desta santa M\u00e3e, recebeu ele o dom da vida divina no sacramento do Baptismo e a primeira inicia\u00e7\u00e3o na f\u00e9. Com todos os outros fi\u00e9is, partilha a dignidade insuper\u00e1vel de filho de Deus, que h\u00e1-de ser vivida na comunh\u00e3o e em esp\u00edrito de grata fraternidade. Por outro lado o Bispo, em virtude da plenitude do sacramento da Ordem, \u00e9, diante dos fi\u00e9is, mestre, santificador e pastor, encarregado de agir em nome e vez de Cristo. \u00c9 claro que n\u00e3o se trata de duas realidades simplesmente sobrepostas, mas \u00edntima e reciprocamente relacionadas, ordenadas uma para outra, porque ambas haurem da riqueza de Cristo, \u00fanico e sumo Sacerdote. O Bispo torna-se \u00ab  pai  \u00bb, exactamente porque \u00e9 plenamente \u00ab  filho  \u00bb da Igreja. Isto leva-nos a considerar a rela\u00e7\u00e3o entre sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is e sacerd\u00f3cio ministerial: dois modos de participa\u00e7\u00e3o no \u00fanico sacerd\u00f3cio de Cristo, no qual est\u00e3o presentes duas dimens\u00f5es que se unem no acto supremo do sacrif\u00edcio da cruz. Isto vai reflectir-se na rela\u00e7\u00e3o que vigora entre o sacerd\u00f3cio comum e o sacerd\u00f3cio ministerial na Igreja. \u00c9 que embora se diferenciem essencialmente entre si, o facto de estarem mutuamente orientados um para o outro46 cria uma reciprocidade que estrutura harmoniosamente a vida da Igreja, como lugar de actualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da salva\u00e7\u00e3o realizada por Cristo. Tal reciprocidade encontra-se precisamente na pessoa do Bispo, que \u00e9 e permanece um baptizado mas constitu\u00eddo no sumo sacerd\u00f3cio. Esta realidade mais profunda do Bispo \u00e9 o fundamento do seu \u00ab  estar entre  \u00bb os outros fi\u00e9is e estar \u00ab  perante  \u00bb eles. Assim no-lo recorda o Conc\u00edlio Vaticano II num belo texto: \u00ab  Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos s\u00e3o, contudo, chamados \u00e0 santidade, e a todos coube a mesma f\u00e9 pela justi\u00e7a de Deus (cf. 2 Ped 1, 1). Ainda que, por vontade de Cristo, alguns s\u00e3o constitu\u00eddos doutores, dispensadores dos mist\u00e9rios e pastores em favor dos demais, reina, por\u00e9m, igualdade entre todos quanto \u00e0 dignidade e quanto \u00e0 actua\u00e7\u00e3o, comum a todos os fi\u00e9is, em favor da edifica\u00e7\u00e3o do corpo de Cristo. A distin\u00e7\u00e3o que o Senhor estabeleceu entre os ministros sagrados e o restante Povo de Deus, contribui para a uni\u00e3o, j\u00e1 que os pastores e os demais fi\u00e9is est\u00e3o ligados uns aos outros por uma vincula\u00e7\u00e3o comum: os pastores da Igreja, imitando o exemplo do Senhor, prestem servi\u00e7o uns aos outros e aos fi\u00e9is; e estes d\u00eaem alegremente a sua colabora\u00e7\u00e3o aos pastores e doutores  \u00bb.47 O minist\u00e9rio pastoral recebido na consagra\u00e7\u00e3o, que p\u00f5e o Bispo \u00ab  perante  \u00bb os outros fi\u00e9is, exprime-se num \u00ab  ser para  \u00bb os outros fi\u00e9is, que n\u00e3o o desenraiza do seu \u00ab  estar com  \u00bb eles. Isto vale quer para a sua santifica\u00e7\u00e3o pessoal, que h\u00e1-de procurar e realizar no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, quer para o estilo de actua\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio minist\u00e9rio em todas as fun\u00e7\u00f5es em que se concretiza. A reciprocidade, que existe entre sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is e sacerd\u00f3cio ministerial e se encontra no pr\u00f3prio minist\u00e9rio episcopal, manifesta-se numa esp\u00e9cie de \u00ab  circularidade  \u00bb entre as duas formas de sacerd\u00f3cio: circularidade entre o testemunho de f\u00e9 de todos os fi\u00e9is e o testemunho de f\u00e9 aut\u00eantica do Bispo nos seus actos magisteriais; circularidade entre a vida santa dos fi\u00e9is e os meios de santifica\u00e7\u00e3o que o Bispo lhes oferece; por \u00faltimo, circularidade entre a responsabilidade pessoal do Bispo pelo bem da Igreja a ele confiada e a corresponsabilidade de todos os fi\u00e9is relativamente ao bem da mesma.   CAP\u00cdTULO II A VIDA ESPIRITUAL DO BISPO \u00ab  Constituiu Doze para andarem com Ele  \u00bb (Mc 3, 14) 11. Pelo mesmo acto de amor com que livremente os constituiu Ap\u00f3stolos, Jesus chama os Doze a compartilhar a sua pr\u00f3pria vida. Tamb\u00e9m esta partilha, que \u00e9 comunh\u00e3o de sentimentos e desejos, \u00e9 uma exig\u00eancia inscrita na participa\u00e7\u00e3o deles na pr\u00f3pria miss\u00e3o de Cristo. N\u00e3o se devem reduzir as fun\u00e7\u00f5es do Bispo a uma tarefa meramente organizacional. Precisamente para evitar este risco, tanto os documentos preparat\u00f3rios do S\u00ednodo como muitas interven\u00e7\u00f5es na assembleia dos padres sinodais insistiram sobre o que comporta, na vida pessoal do Bispo e no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio que lhe est\u00e1 confiado, a realidade do episcopado como plenitude do sacramento da Ordem, nos seus fundamentos teol\u00f3gicos, cristol\u00f3gicos e pneumatol\u00f3gicos. \u00c0 santifica\u00e7\u00e3o objectiva, que por obra de Cristo tem lugar no sacramento mediante a comunica\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, deve corresponder a santidade subjectiva, na qual o Bispo, com o apoio da gra\u00e7a, h\u00e1-de crescer cada vez mais atrav\u00e9s do exerc\u00edcio do minist\u00e9rio. A transforma\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica realizada pela consagra\u00e7\u00e3o como conforma\u00e7\u00e3o a Cristo, requer um estilo de vida que manifeste o \u00ab  andar com Ele  \u00bb. Por isso, na aula do S\u00ednodo, v\u00e1rias vezes se insistiu sobre a caridade pastoral como fruto quer do car\u00e1cter impresso pelo sacramento quer da gra\u00e7a pr\u00f3pria deste. L\u00e1 se disse que a caridade \u00e9 como a alma do minist\u00e9rio do Bispo, que fica envolvido num dinamismo de pro-existentia pastoral, que o impele a viver, como Cristo Bom Pastor, para o Pai e para os outros, na entrega di\u00e1ria de si mesmo. \u00c9 sobretudo no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, inspirado pela imita\u00e7\u00e3o da caridade do Bom Pastor, que o Bispo \u00e9 chamado a santificar-se e a santificar, tendo como princ\u00edpio unificador a contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo e o an\u00fancio do evangelho da salva\u00e7\u00e3o.48 Por conseguinte, a sua espiritualidade recebe orienta\u00e7\u00f5es e est\u00edmulos, por um lado, dos sacramentos do Baptismo e da Confirma\u00e7\u00e3o e, por outro, da pr\u00f3pria Ordena\u00e7\u00e3o episcopal que o empenha a viver, na f\u00e9, na esperan\u00e7a e na caridade, o seu minist\u00e9rio de evangelizador, liturgista e guia da comunidade. E assim a espiritualidade do Bispo h\u00e1-de ser tamb\u00e9m uma espiritualidade eclesial, porque tudo na sua vida est\u00e1 orientado para a amorosa edifica\u00e7\u00e3o da Santa Igreja. Isto exige no Bispo uma atitude de servi\u00e7o marcada por for\u00e7a de \u00e2nimo, coragem apost\u00f3lica e confiante abandono \u00e0 ac\u00e7\u00e3o interior do Esp\u00edrito. Portanto esfor\u00e7ar-se-\u00e1 por assumir um estilo de vida em que imite a k\u00e9nosis de Cristo servo, pobre e humilde, de modo que o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio pastoral seja nele um reflexo coerente de Jesus, Servo de Deus, e o leve a aproximar-se como Ele de todos, do maior ao mais pequeno. Enfim, verifica-se mais uma vez, numa esp\u00e9cie de reciprocidade, que o exerc\u00edcio fiel e amoroso do minist\u00e9rio santifica o Bispo e torna-o, no plano subjectivo, cada vez mais conforme \u00e0 riqueza ontol\u00f3gica de santidade que o sacramento nele colocou. No entanto, a santidade pessoal do Bispo n\u00e3o se limita apenas ao n\u00edvel subjectivo, j\u00e1 que, na sua efic\u00e1cia, reverte sempre em benef\u00edcio dos fi\u00e9is confiados \u00e0 sua solicitude pastoral. Na pr\u00e1tica da caridade, enquanto conte\u00fado do minist\u00e9rio pastoral recebido, o Bispo torna-se sinal de Cristo e adquire aquela credibilidade moral de que precisa o exerc\u00edcio da autoridade jur\u00eddica para poder incidir eficazmente sobre o ambiente. De facto, se o m\u00fanus episcopal n\u00e3o assenta sobre o testemunho da santidade manifestada na caridade pastoral, na humildade e na simplicidade de vida, acaba por se reduzir a um papel quase s\u00f3 funcional e perde inevitavelmente credibilidade junto do clero e dos fi\u00e9is.  Voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade na Igreja do nosso tempo 12. Uma imagem b\u00edblica, que parece particularmente adequada para ilustrar a figura do Bispo como amigo de Deus, pastor e guia do povo, \u00e9 a figura de Mois\u00e9s. Fixando-o, o Bispo pode tirar inspira\u00e7\u00e3o do seu ser e agir de pastor, escolhido e enviado pelo Senhor, seguindo corajosamente \u00e0 frente do seu povo a caminho da terra prometida, int\u00e9rprete fiel da palavra e da lei do Deus vivo, mediador da Alian\u00e7a, insistente e confiante na ora\u00e7\u00e3o pela sua gente. Tal como Mois\u00e9s que, depois do col\u00f3quio com o Senhor na montanha santa, voltou para o meio do seu povo com o rosto resplandecente (cf. Ex 34, 29-30), assim tamb\u00e9m o Bispo s\u00f3 poder\u00e1 mostrar entre os seus irm\u00e3os os sinais de ser pai, irm\u00e3o e amigo, se tiver entrado na nuvem obscura e luminosa do mist\u00e9rio do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Iluminado pela luz da Sant\u00edssima Trindade, o Bispo ser\u00e1 sinal da bondade misericordiosa do Pai, imagem viva da caridade do Filho, transpar\u00eancia humana do Esp\u00edrito, consagrado e enviado para guiar o Povo de Deus pelas sendas do tempo na sua peregrina\u00e7\u00e3o para a eternidade. Os padres sinodais puseram em evid\u00eancia a import\u00e2ncia do empenho espiritual na vida, no minist\u00e9rio e no caminho do Bispo. Eu pr\u00f3prio assinalei esta prioridade em sintonia com as exig\u00eancias da vida da Igreja e o apelo do Esp\u00edrito Santo, que nestes anos tem recordado a todos o primado da gra\u00e7a, a generalizada exig\u00eancia de espiritualidade, a urg\u00eancia de testemunhar a santidade. O apelo \u00e0 espiritualidade deriva da refer\u00eancia \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Esta sua presen\u00e7a \u00e9 activa e din\u00e2mica, prof\u00e9tica e mission\u00e1ria. O dom da plenitude do Esp\u00edrito Santo, que o Bispo recebe na Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal, \u00e9 um significativo e premente apelo para favorecer a ac\u00e7\u00e3o d&#8217;Ele na comunh\u00e3o eclesial e na miss\u00e3o universal. Celebrada depois do Grande Jubileu do ano 2000, a assembleia sinodal assumiu desde o in\u00edcio o projecto duma vida santa, que eu mesmo indiquei \u00e0 Igreja inteira: \u00ab  O horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral \u00e9 a santidade. (&#8230;) Terminado o Jubileu, volta-se ao caminho ordin\u00e1rio, mas apontar a santidade permanece de forma mais evidente uma urg\u00eancia da pastoral  \u00bb.49 A recep\u00e7\u00e3o entusiasta e generosa deste meu apelo para se colocar em primeiro lugar a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade foi a atmosfera em que se desenrolaram os trabalhos sinodais e o clima que, de certa forma, unificou as interven\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es dos padres participantes. Estes sentiam ecoar nos seus cora\u00e7\u00f5es a seguinte advert\u00eancia de S. Greg\u00f3rio Nazianzeno: \u00ab  Temos de come\u00e7ar por nos purificar, antes de purificarmos os outros; temos de ser instru\u00eddos, para podermos instruir; temos de nos tornar luz para alumiar, de nos aproximar de Deus para podermos aproximar d&#8217;Ele os outros, ser santos para santificar  \u00bb.50 Por este motivo, v\u00e1rias vezes ressoou, na assembleia sinodal, o convite a individuar com clareza a especificidade \u00ab  episcopal  \u00bb do caminho de santidade do Bispo. Esta ter\u00e1 de ser sempre uma santidade vivida com o povo e para o povo, numa comunh\u00e3o que se torne est\u00edmulo e m\u00fatua edifica\u00e7\u00e3o na caridade. E n\u00e3o se trata de exig\u00eancias secund\u00e1rias ou marginais; de facto, \u00e9 precisamente a vida espiritual do Bispo que favorece a fecundidade da sua obra pastoral. Porventura n\u00e3o \u00e9 na medita\u00e7\u00e3o ass\u00eddua do mist\u00e9rio de Cristo, na contempla\u00e7\u00e3o apaixonada do seu Rosto, na imita\u00e7\u00e3o generosa da vida do Bom Pastor que se encontra o fundamento de qualquer pastoral eficaz? Se \u00e9 verdade que o nosso tempo se caracteriza por cont\u00ednuo movimento e frequente agita\u00e7\u00e3o, com o risco de cair-se facilmente no \u00ab  fazer por fazer  \u00bb, ent\u00e3o o Bispo deve ser o primeiro a mostrar, com o exemplo da sua vida, que \u00e9 preciso restabelecer o primado do \u00ab  ser  \u00bb sobre o \u00ab  fazer  \u00bb e, mais ainda, o primado da gra\u00e7a, que, segundo a perspectiva crist\u00e3 da vida, \u00e9 tamb\u00e9m princ\u00edpio essencial para uma \u00ab  programa\u00e7\u00e3o  \u00bb do minist\u00e9rio pastoral.51  O caminho espiritual do Bispo 13. Um Bispo s\u00f3 pode considerar-se verdadeiro ministro da comunh\u00e3o e da esperan\u00e7a para o povo santo de Deus, quando caminhar na presen\u00e7a do Senhor. Na realidade, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estar ao servi\u00e7o dos homens, sem primeiro serem \u00ab  servos de Deus  \u00bb. E n\u00e3o podem ser servos de Deus, se n\u00e3o forem \u00ab  homens de Deus  \u00bb. Por isso, na homilia da abertura do S\u00ednodo, afirmei: \u00ab  O Pastor deve ser homem de Deus; a sua vida e o seu minist\u00e9rio est\u00e3o inteiramente sob a sua gl\u00f3ria divina, recebendo luz e vigor do mist\u00e9rio sublime de Deus  \u00bb.52 Para o Bispo, a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade est\u00e1 inscrita no pr\u00f3prio acontecimento sacramental que deu origem ao seu minist\u00e9rio, ou seja, a Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal. O antigo Eucol\u00f3gio de Serapi\u00e3o formula a invoca\u00e7\u00e3o ritual da consagra\u00e7\u00e3o nestes termos: \u00ab  Deus de verdade, fazei do vosso servidor um Bispo vigoroso, um Bispo santo na sucess\u00e3o dos santos Ap\u00f3stolos  \u00bb.53 Todavia, dado que a Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal n\u00e3o infunde a perfei\u00e7\u00e3o das virtudes, \u00ab  o Bispo \u00e9 chamado a prosseguir o seu caminho de perfei\u00e7\u00e3o com maior intensidade para chegar \u00e0 estatura de Cristo, Homem perfeito  \u00bb.54 A pr\u00f3pria \u00edndole cristol\u00f3gica e trinit\u00e1ria do seu mist\u00e9rio e minist\u00e9rio exige do Bispo um caminho de santidade, que consiste no crescimento incessante para uma maturidade espiritual e apost\u00f3lica cada vez mais profunda, marcada pelo primado da caridade pastoral; caminho este vivido evidentemente em uni\u00e3o com o seu povo, num itiner\u00e1rio que \u00e9 simultaneamente pessoal e comunit\u00e1rio \u00e0 semelhan\u00e7a da pr\u00f3pria vida da Igreja. Mas neste caminho, o Bispo torna-se, em \u00edntima comunh\u00e3o com Cristo e atenta docilidade ao Esp\u00edrito, testemunha, modelo, promotor e animador. Assim o exprime tamb\u00e9m a lei can\u00f3nica: \u00ab  O Bispo diocesano, lembrado da obriga\u00e7\u00e3o que tem de dar exemplo de santidade na caridade, humildade e simplicidade de vida, esforce-se com todo o empenho por promover a santidade, segundo a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de cada um, e j\u00e1 que \u00e9 o principal dispensador dos mist\u00e9rios de Deus, empenhe-se sempre em que os fi\u00e9is confiados aos seus cuidados cres\u00e7am na gra\u00e7a pela celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos e conhe\u00e7am e vivam o mist\u00e9rio pascal  \u00bb.55 O caminho espiritual do Bispo, como ali\u00e1s o de todo o fiel crist\u00e3o, tem sem d\u00favida a sua raiz na gra\u00e7a sacramental do Baptismo e da Confirma\u00e7\u00e3o. Esta gra\u00e7a irmana-o com todos os fi\u00e9is, pois, como observa o Conc\u00edlio Vaticano II, \u00ab  os crist\u00e3os de qualquer estado ou ordem s\u00e3o chamados \u00e0 plenitude da vida crist\u00e3 e \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da caridade  \u00bb.56 Aqui se aplica de modo especial a afirma\u00e7\u00e3o bem conhecida de Santo Agostinho, cheia de realismo e sabedoria sobrenatural: \u00ab  Atemoriza-me o que sou para v\u00f3s; consola-me o que sou convosco. Pois para v\u00f3s sou Bispo; convosco sou crist\u00e3o. Aquilo \u00e9 um dever; isto, uma gra\u00e7a. O primeiro \u00e9 um perigo; o segundo, salva\u00e7\u00e3o  \u00bb.57 Em virtude da caridade pastoral, por\u00e9m, o encargo torna-se servi\u00e7o, e o perigo transforma-se em oportunidade de crescimento e matura\u00e7\u00e3o. O minist\u00e9rio episcopal n\u00e3o \u00e9 fonte de santidade apenas para os outros, mas \u00e9 j\u00e1 motivo de santifica\u00e7\u00e3o para aquele que deixa passar, atrav\u00e9s do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o e vida, a caridade de Deus. Os padres sinodais compendiaram algumas exig\u00eancias deste caminho. Antes de mais nada, recordaram o car\u00e1cter baptismal e crismal que, desde o princ\u00edpio da exist\u00eancia crist\u00e3 e por meio das virtudes teologais, torna capaz de acreditar em Deus, esperar n&#8217;Ele e am\u00e1-Lo. O Esp\u00edrito Santo, por sua vez, infunde os seus dons, favorecendo o crescimento no bem atrav\u00e9s do exerc\u00edcio das virtudes morais que concretizam, tamb\u00e9m a n\u00edvel humano, a vida espiritual.58 Em virtude do Baptismo recebido, o Bispo, como todo o crist\u00e3o, participa da espiritualidade que se baseia na incorpora\u00e7\u00e3o em Cristo e se exprime em segui-Lo segundo o Evangelho. Por isso, partilha a voca\u00e7\u00e3o de todos os fi\u00e9is \u00e0 santidade. Consequentemente deve cultivar uma vida de ora\u00e7\u00e3o e f\u00e9 profunda, colocando em Deus toda a sua confian\u00e7a, dando testemunho do Evangelho em d\u00f3cil obedi\u00eancia \u00e0s sugest\u00f5es do Esp\u00edrito Santo e conservando uma particular e filial devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem Maria, que \u00e9 mestra perfeita de vida espiritual.59 Deste modo, a espiritualidade do Bispo h\u00e1-de ser uma espiritualidade de comunh\u00e3o vivida em sintonia com todos os outros baptizados, filhos juntamente com ele do \u00fanico Pai no c\u00e9u e da \u00fanica M\u00e3e na terra, a santa Igreja. Como todos os crentes em Cristo, ele tem necessidade de nutrir a sua vida espiritual com a palavra viva e eficaz do Evangelho e com o p\u00e3o vivo da sagrada Eucaristia, alimento de vida eterna. Devido \u00e0 sua fragilidade humana, tamb\u00e9m o Bispo \u00e9 chamado a recorrer, com frequ\u00eancia e ritmo regular, ao sacramento da Penit\u00eancia para obter o dom daquela miseric\u00f3rdia de que foi feito ministro tamb\u00e9m. Assim, consciente da sua fraqueza humana e dos pr\u00f3prios pecados, cada Bispo, juntamente com os seus sacerdotes, viva antes de mais nada em proveito pr\u00f3prio o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, como uma exig\u00eancia profunda e uma gra\u00e7a incessantemente almejada, para dar novo impulso ao pr\u00f3prio empenho de santifica\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio. Deste modo, ele exprime, visivelmente tamb\u00e9m, o mist\u00e9rio duma Igreja em si mesma santa, mas composta tamb\u00e9m de pecadores necessitados de ser perdoados. Unido a todos os sacerdotes, mas obviamente em especial comunh\u00e3o com os sacerdotes do presbit\u00e9rio diocesano, o Bispo esfor\u00e7ar-se-\u00e1 por percorrer um caminho espec\u00edfico de espiritualidade. Na realidade, \u00e9 chamado \u00e0 santidade ainda por um novo t\u00edtulo, que deriva das Ordens Sacras. Por isso, o Bispo vive de f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade, enquanto \u00e9 ministro da palavra do Senhor, da santifica\u00e7\u00e3o e do progresso espiritual do Povo de Deus. Deve ser santo, porque tem de servir a Igreja como mestre, santificador e guia. Enquanto tal, deve tamb\u00e9m amar profunda e intensamente a Igreja. Todo o Bispo \u00e9 configurado a Cristo para amar a Igreja com o amor de Cristo esposo, e para ser ministro da sua unidade na Igreja, isto \u00e9, para fazer da Igreja \u00ab  um povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo  \u00bb.60 A espiritualidade espec\u00edfica do Bispo, como diversas vezes assinalaram os padres sinodais, fica ainda mais enriquecida com o suplemento de gra\u00e7a inerente \u00e0 plenitude do sacerd\u00f3cio que lhe \u00e9 conferida no momento da Ordena\u00e7\u00e3o. Enquanto pastor do rebanho e servidor do Evangelho de Jesus Cristo na esperan\u00e7a, o Bispo deve espelhar e quase fazer transparecer em si mesmo a pr\u00f3pria pessoa de Cristo, Pastor supremo. No Pontifical Romano, este dever \u00e9 explicitamente referido nos seguintes termos: \u00ab  Recebe a mitra e brilhe em ti o esplendor da santidade, para que, ao aparecer o Pr\u00edncipe dos pastores, mere\u00e7as receber a coroa imperec\u00edvel da gl\u00f3ria  \u00bb.61 Por isso, o Bispo tem necessidade constante da gra\u00e7a de Deus, que refor\u00e7a e aperfei\u00e7oa a sua natureza humana. Ele pode afirmar com o ap\u00f3stolo Paulo: \u00ab  A nossa capacidade vem de Deus. Ele \u00e9 que nos fez capazes de sermos ministros de uma nova alian\u00e7a  \u00bb (2 Cor 3, 5-6). H\u00e1, pois, que sublinh\u00e1-lo: o minist\u00e9rio apost\u00f3lico \u00e9 uma fonte de espiritualidade para o Bispo, que da\u00ed deve haurir os recursos espirituais que o fa\u00e7am crescer na santidade e lhe permitam descobrir a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo no Povo de Deus confiado \u00e0s suas solicitudes pastorais.62 Nesta perspectiva, o caminho espiritual do Bispo coincide com a pr\u00f3pria caridade pastoral, que justamente deve ser considerada a alma do seu apostolado, tal como o \u00e9 tamb\u00e9m do apostolado do presb\u00edtero e do di\u00e1cono. N\u00e3o se trata apenas de uma existentia, mas de uma pro-existentia, isto \u00e9, de uma vida que se inspira no modelo supremo, Cristo Senhor, consumando-se inteiramente na adora\u00e7\u00e3o do Pai e no servi\u00e7o dos irm\u00e3os. A este prop\u00f3sito, afirma justamente o Conc\u00edlio Vaticano II que os pastores, \u00e0 imagem de Cristo, h\u00e3o-de desempenhar santa e zelosamente, com humildade e fortaleza, o pr\u00f3prio minist\u00e9rio, o qual, \u00ab  assim cumprido, tamb\u00e9m para eles ser\u00e1 um sublime meio de santifica\u00e7\u00e3o  \u00bb.63 Nenhum Bispo pode ignorar que, no v\u00e9rtice da santidade, permanece Cristo Crucificado em sua suprema doa\u00e7\u00e3o ao Pai e aos irm\u00e3os no Esp\u00edrito Santo. Por isso, a configura\u00e7\u00e3o a Cristo e a participa\u00e7\u00e3o nos seus sofrimentos  (cf. 1 Ped 4, 15) torna-se a estrada mestra da santidade do Bispo no meio do seu povo.  Maria, M\u00e3e da esperan\u00e7a e mestra de vida espiritual 14. H\u00e1-de servir de sustent\u00e1culo \u00e0 vida espiritual do Bispo tamb\u00e9m a presen\u00e7a materna da Virgem Maria, invocada pela Igreja como Mater spei et spes nostra. Assim, o Bispo acalentar\u00e1 uma devo\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e filial a Maria, sentindo-se chamado a assumir o seu fiat, a viver e actualizar em cada dia a entrega que Jesus fez de Maria, quando Ela estava de p\u00e9 junto \u00e0 Cruz, ao Disc\u00edpulo e do Disc\u00edpulo amado a Maria (cf. Jo 19, 26-27). De igual modo, o Bispo \u00e9 chamado a reproduzir a ora\u00e7\u00e3o un\u00e2nime e perseverante dos disc\u00edpulos e ap\u00f3stolos do Filho com a Virgem M\u00e3e, quando se preparavam para o Pentecostes. Neste \u00edcone da Igreja nascente, exprime-se o v\u00ednculo indissol\u00favel entre Maria e os sucessores dos Ap\u00f3stolos (cf. Act 1, 14). Por conseguinte, o Bispo encontrar\u00e1 na santa M\u00e3e de Deus uma mestra na escuta e cumprimento sol\u00edcito da Palavra de Deus, no discipulado fiel ao \u00fanico Mestre, na firmeza da f\u00e9, na esperan\u00e7a jubilosa e na ardente caridade. \u00c0 semelhan\u00e7a de Maria, \u00ab  mem\u00f3ria  \u00bb da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo na primeira comunidade crist\u00e3, o Bispo ser\u00e1 guardi\u00e3o e transmissor da Tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja, em comunh\u00e3o com todos os outros Bispos, em uni\u00e3o e sob a autoridade do Sucessor de Pedro. A s\u00f3lida devo\u00e7\u00e3o mariana do Bispo adoptar\u00e1 como refer\u00eancia constante a Liturgia, onde a Virgem tem uma presen\u00e7a particular na celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da salva\u00e7\u00e3o e \u00e9, para toda a Igreja, modelo exemplar de escuta e de ora\u00e7\u00e3o, de oferta e de maternidade espiritual. Mais ainda, ser\u00e1 miss\u00e3o do Bispo fazer com que a Liturgia se revele sempre \u00ab  como \u201cforma exemplar\u201d, fonte de inspira\u00e7\u00e3o, ponto constante de refer\u00eancia e meta \u00faltima  \u00bb para a piedade mariana do Povo de Deus.64 Sem negar este princ\u00edpio, o Bispo alimentar\u00e1 a sua piedade mariana, pessoal e comunit\u00e1ria, tamb\u00e9m com as pr\u00e1ticas de piedade aprovadas e recomendadas pela Igreja, especialmente com a reza daquele comp\u00eandio do Evangelho que \u00e9 o santo Ros\u00e1rio. Experimentado nesta ora\u00e7\u00e3o, toda ela centrada na contempla\u00e7\u00e3o dos factos salv\u00edficos da vida de Cristo, a que esteve intimamente associada a sua santa M\u00e3e, cada Bispo \u00e9 convidado a ser tamb\u00e9m sol\u00edcito promotor da mesma.65  Confiar-se \u00e0 Palavra 15. A assembleia do S\u00ednodo dos Bispos indicou alguns meios necess\u00e1rios para alimentar e fazer crescer a pr\u00f3pria vida espiritual.66 Entre eles, ocupa o primeiro lugar a leitura e a medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. Cada Bispo dever\u00e1 sempre confiar-se, e sentir-se tal, \u00ab  a Deus e \u00e0 palavra da sua gra\u00e7a que tem o poder de construir o edif\u00edcio e de conceder parte na heran\u00e7a com todos os santificados  \u00bb (Act 20, 32). Por isso, antes de ser transmissor da Palavra, o Bispo, com os seus sacerdotes e como qualquer fiel, antes como a pr\u00f3pria Igreja,67 deve ser ouvinte da Palavra. Deve de certo modo estar \u00ab  dentro  \u00bb da Palavra, para deixar-se guardar e nutrir dela como de um ventre materno. O Bispo repete com Santo In\u00e1cio de Antioquia: \u00ab  Confio no Evangelho como na Carne de Cristo  \u00bb.68 Por isso, cada Bispo recorde-se sempre da conhecida advert\u00eancia de S. Jer\u00f3nimo, retomada ali\u00e1s pelo Conc\u00edlio Vaticano II: \u00ab  A ignor\u00e2ncia das Escrituras \u00e9 ignor\u00e2ncia de Cristo  \u00bb.69 Com efeito, n\u00e3o h\u00e1 primado da santidade sem escuta da Palavra de Deus, que \u00e9 guia e alimento da santidade. Confiar-se \u00e0 Palavra de Deus e guard\u00e1-la, como a Virgem Maria que foi Virgo audiens,70 comporta p\u00f4r em pr\u00e1tica alguns aux\u00edlios que a tradi\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia espiritual da Igreja nunca deixaram de sugerir. Trata-se, em primeiro lugar, da leitura pessoal frequente e do estudo atento e ass\u00edduo da Sagrada Escritura. Um Bispo ser\u00e1 externamente v\u00e3o pregador da Palavra, se primeiro n\u00e3o a tiver ouvido dentro.71 Sem o contacto frequente com a Sagrada Escritura, seria tamb\u00e9m ministro pouco cred\u00edvel da esperan\u00e7a, se \u00e9 verdade \u2013 como recorda S. Paulo \u2013 que, \u00ab  pela const\u00e2ncia e consola\u00e7\u00e3o que prov\u00eam das Escrituras, possu\u00edmos a esperan\u00e7a  \u00bb (Rom 15, 4). Permanece v\u00e1lido, portanto, o que escreveu Or\u00edgenes: \u00ab  S\u00e3o estas as duas actividades do Pont\u00edfice: ou aprender de Deus, lendo as Escrituras divinas e meditando-as repetidamente, ou ensinar o povo. Mas, ensine aquilo que ele mesmo aprendeu de Deus  \u00bb.72 O S\u00ednodo lembrou a import\u00e2ncia que tem a lectio e a meditatio da Palavra de Deus na vida dos Pastores e no seu minist\u00e9rio ao servi\u00e7o da comunidade. Como escrevi na carta apost\u00f3lica Novo millennio ineunte, \u00ab  \u00e9 necess\u00e1rio que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo a antiga e sempre v\u00e1lida tradi\u00e7\u00e3o da lectio divina: esta permite ler o texto b\u00edblico como palavra viva que interpela, orienta, plasma a exist\u00eancia  \u00bb.73 No per\u00edodo da medita\u00e7\u00e3o e da lectio, o cora\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 acolheu a Palavra de Deus, abre-se \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do agir de Deus e, consequentemente, \u00e0 convers\u00e3o dos pensamentos e da vida a Ele, acompanhada pela s\u00faplica do seu perd\u00e3o e da sua gra\u00e7a.  Alimentar-se da Eucaristia 16. Da mesma forma que o mist\u00e9rio pascal est\u00e1 no centro da vida e miss\u00e3o do Bom Pastor, assim a Eucaristia constitui o centro da vida e miss\u00e3o do Bispo, e tamb\u00e9m de cada sacerdote. Pela celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da santa Missa, oferece-se a si pr\u00f3prio juntamente com Cristo. Quando esta celebra\u00e7\u00e3o se realiza na Catedral ou noutras igrejas, sobretudo paroquiais, com o concurso e a participa\u00e7\u00e3o activa dos fi\u00e9is, ent\u00e3o o Bispo aparece \u00e0 vista de todos como o que verdadeiramente \u00e9, ou seja, Sacerdos et Pontifex, porque age em nome de Cristo e com a for\u00e7a do seu Esp\u00edrito, e como o hiereus, o sacerdote santo, ocupado na realiza\u00e7\u00e3o dos sagrados mist\u00e9rios do altar, que anuncia e explica atrav\u00e9s da prega\u00e7\u00e3o.74 O amor do Bispo pela sagrada Eucaristia manifesta-se tamb\u00e9m quando, durante o dia, dedica uma parte razoavelmente longa do pr\u00f3prio tempo \u00e0 adora\u00e7\u00e3o diante do Sacr\u00e1rio. Aqui abre ao Senhor a sua alma, para ficar completamente permeada e moldada pela caridade comunicada na Cruz pelo grande Pastor das ovelhas, que por elas derramou o seu sangue e deu a pr\u00f3pria vida. A Ele ergue tamb\u00e9m a sua ora\u00e7\u00e3o, continuando a interceder pelas ovelhas que lhe foram confiadas.   A ora\u00e7\u00e3o e a Liturgia das Horas 17. O segundo meio indicado pelos padres sinodais \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, e de modo especial a que se eleva ao Senhor na celebra\u00e7\u00e3o da Liturgia das Horas, que \u00e9 especificamente e sempre uma ora\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3 em nome de Cristo e sob a guia do Esp\u00edrito. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 em si mesma uma particular obriga\u00e7\u00e3o para um Bispo e para quantos \u00ab  tiveram o dom da voca\u00e7\u00e3o a uma vida de especial consagra\u00e7\u00e3o: esta, por sua natureza, torna-os mais dispon\u00edveis para a experi\u00eancia contemplativa  \u00bb.75 O Bispo n\u00e3o se pode esquecer que \u00e9 sucessor daqueles Ap\u00f3stolos que foram eleitos por Cristo primariamente \u00ab  para andarem com Ele  \u00bb (Mc 3, 14) e que, nos in\u00edcios da sua miss\u00e3o, fizeram uma solene declara\u00e7\u00e3o que \u00e9 um programa de vida: \u00ab  Quanto a n\u00f3s, entregar-nos-emos assiduamente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao servi\u00e7o da palavra  \u00bb (Act 6, 4). Por isso, o Bispo s\u00f3 conseguir\u00e1 ser um mestre de ora\u00e7\u00e3o para os fi\u00e9is, se puder contar com a pr\u00f3pria experi\u00eancia pessoal de di\u00e1logo com Deus. H\u00e1-de poder a todo o momento repetir a Deus estas palavras do Salmista: \u00ab  Na vossa palavra, pus a minha esperan\u00e7a  \u00bb (Sal 119\/118, 114). \u00c9 precisamente da ora\u00e7\u00e3o que ele pode receber a esperan\u00e7a com que deve, por assim dizer, contagiar os fi\u00e9is. De facto, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o lugar privilegiado, onde se manifesta e alimenta a esperan\u00e7a, porque aquela, na express\u00e3o de S. Tom\u00e1s de Aquino, \u00e9 a \u00ab  int\u00e9rprete da esperan\u00e7a  \u00bb.76 A ora\u00e7\u00e3o pessoal do Bispo h\u00e1-de ser de modo muito especial uma ora\u00e7\u00e3o tipicamente \u00ab  apost\u00f3lica  \u00bb, isto \u00e9, apresentada ao Pai como intercess\u00e3o pelas necessidades do povo que lhe est\u00e1 confiado. Segundo o Pontifical Romano, esta \u00e9 a \u00faltima promessa do eleito ao episcopado, antes de se proceder \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os: \u00ab  Queres perseverar na ora\u00e7\u00e3o a Deus Pai todo-poderoso em favor do povo santo e exercer o sumo sacerd\u00f3cio com toda a fidelidade?  \u00bb.77 De modo muito particular, o Bispo reza pela santidade dos seus sacerdotes, pelas voca\u00e7\u00f5es ao minist\u00e9rio ordenado e \u00e0 vida consagrada, para que na Igreja se inflame cada vez mais o zelo mission\u00e1rio e apost\u00f3lico. Depois quanto \u00e0 Liturgia das Horas, destinada a consagrar e orientar o arco inteiro da jornada por meio do louvor a Deus, como n\u00e3o recordar algumas express\u00f5es magn\u00edficas do Conc\u00edlio? \u00ab  Quando s\u00e3o os sacerdotes a cantar este admir\u00e1vel c\u00e2ntico de louvor, ou outros para tal deputados pela Igreja, ou os fi\u00e9is quando rezam juntamente com o sacerdote segundo as formas aprovadas, ent\u00e3o \u00e9 verdadeiramente a voz da Esposa que fala com o Esposo ou, melhor, a ora\u00e7\u00e3o que Cristo, unido ao seu Corpo, eleva ao Pai. Todos os que rezam assim, cumprem, por um lado, a obriga\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, e, por outro, participam na imensa honra da Esposa de Cristo, porque est\u00e3o em nome da Igreja, diante do trono de Deus, a louvar o Senhor  \u00bb.78 Escrevendo sobre a ora\u00e7\u00e3o do Of\u00edcio Divino, Paulo VI, meu predecessor de veneranda mem\u00f3ria, afirmava que \u00e9 \u00ab  ora\u00e7\u00e3o da Igreja local  \u00bb, na qual se exprime \u00ab  a verdadeira natureza da Igreja orante  \u00bb.79 Na consecratio temporis, que a Liturgia das Horas realiza, concretiza-se aquele laus perennis que \u00e9 antecipa\u00e7\u00e3o e prefigura\u00e7\u00e3o da Liturgia celeste, v\u00ednculo de uni\u00e3o com os anjos e os santos que glorificam eternamente o nome de Deus. Assim, um Bispo apresenta-se e realiza-se como homem de esperan\u00e7a na medida em que se insere no dinamismo escatol\u00f3gico da ora\u00e7\u00e3o do Salt\u00e9rio. Nos Salmos, ressoa a Vox spons\u00e6 que invoca o Esposo. Por isso, cada Bispo ora com o seu povo e ora pelo seu povo. Todavia, ele \u00e9 tamb\u00e9m edificado e auxiliado pela ora\u00e7\u00e3o dos seus fi\u00e9is: sacerdotes, di\u00e1conos, pessoas de vida consagrada e leigos de todas as idades. No meio deles, o Bispo \u00e9 educador e promotor da ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 transmite o que contemplou, mas abre aos crist\u00e3os o pr\u00f3prio caminho da contempla\u00e7\u00e3o. O conhecido lema contemplata aliis tradere torna-se assim contemplationem aliis tradere.  A senda dos conselhos evang\u00e9licos e das bem-aventuran\u00e7as 18. A todos os seus disc\u00edpulos, de modo especial \u00e0queles que j\u00e1 durante a sua vida terrena quiserem segui-Lo mais de perto \u00e0 maneira dos Ap\u00f3stolos, o Senhor prop\u00f5e o caminho dos conselhos evang\u00e9licos. Para al\u00e9m de serem um dom da Sant\u00edssima Trindade \u00e0 Igreja, os conselhos constituem um reflexo da vida trinit\u00e1ria no crente; 80 e s\u00e3o-no de modo particular no Bispo, o qual, como sucessor dos Ap\u00f3stolos, \u00e9 chamado a seguir Cristo pela estrada da perfei\u00e7\u00e3o da caridade. Por isso, \u00e9 um consagrado como Jesus. A sua vida \u00e9 depend\u00eancia radical d&#8217;Ele e total transpar\u00eancia d&#8217;Ele diante da Igreja e do mundo. Na vida do Bispo deve resplandecer a vida de Jesus e, consequentemente, a sua obedi\u00eancia ao Pai at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz (cf. Fil 2, 8), o seu amor casto e virginal, a sua pobreza que \u00e9 liberdade absoluta face aos bens terrenos. Deste modo os Bispos, com o seu exemplo, poder\u00e3o guiar n\u00e3o s\u00f3 aqueles que, na Igreja, foram chamados a seguir Cristo na vida consagrada, mas tamb\u00e9m os presb\u00edteros, a quem \u00e9 proposta igualmente a radicalidade da santidade segundo o esp\u00edrito dos conselhos evang\u00e9licos. Ali\u00e1s, tal radicalidade tem a ver com todos os fi\u00e9is, mesmo os leigos, porque \u00ab  \u00e9 uma exig\u00eancia fundamental e irrecus\u00e1vel, que brota do apelo de Cristo a segui-Lo e imit\u00e1-Lo, em virtude da \u00edntima comunh\u00e3o de vida com Ele operada pelo Esp\u00edrito  \u00bb.81 Em suma, os fi\u00e9is devem poder contemplar, no rosto do Bispo, aquelas qualidades que s\u00e3o dom da gra\u00e7a e que nas bem-aventuran\u00e7as constituem quase o auto-retrato de Cristo: o rosto da pobreza, da mansid\u00e3o e da paix\u00e3o pela justi\u00e7a; o rosto misericordioso do Pai e do homem pac\u00edfico e pacificador; o rosto da pureza de quem constante e unicamente contempla a Deus. Os fi\u00e9is h\u00e3o-de poder ver, no seu Bispo, o rosto tamb\u00e9m daquele que continua a compaix\u00e3o de Cristo pelos atribulados e \u00e0s vezes, como sucedeu na hist\u00f3ria e acontece ainda hoje, o rosto cheio de fortaleza e alegria interior de quem \u00e9 perseguido por causa da verdade do Evangelho.  A virtude da obedi\u00eancia 19. Revestido destes tra\u00e7os t\u00e3o humanos de Jesus, o Bispo torna-se modelo e promotor tamb\u00e9m duma espiritualidade de comunh\u00e3o, orientada com vigilante cuidado para construir a Igreja, de tal modo que tudo, palavras e obras, seja realizado sob o signo da submiss\u00e3o filial, em Cristo e no Esp\u00edrito, ao des\u00edgnio amoroso do Pai. Enquanto mestre de santidade e ministro da santifica\u00e7\u00e3o do seu povo, o Bispo \u00e9 efectivamente chamado a cumprir fielmente a vontade do Pai. A sua obedi\u00eancia deve ser vivida tendo por modelo \u2013 e n\u00e3o poderia ser doutro modo \u2013 a pr\u00f3pria obedi\u00eancia de Cristo, que v\u00e1rias vezes afirmou ter descido do C\u00e9u, n\u00e3o para fazer a sua vontade, mas a d&#8217;Aquele que O enviou (cf. Jo 6, 38; 8, 29; Fil 2, 7-8). Seguindo as pegadas de Jesus, o Bispo \u00e9 obediente ao Evangelho e \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, consegue ler os sinais dos tempos e reconhecer a voz do Esp\u00edrito Santo no minist\u00e9rio petrino e na colegialidade episcopal. Na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Pastores dabo vobis, pus em evid\u00eancia o car\u00e1cter apost\u00f3lico, comunit\u00e1rio e pastoral da obedi\u00eancia presbiteral.82 Obviamente todas estas caracter\u00edsticas se encontram de modo mais saliente na obedi\u00eancia do Bispo. De facto, a plenitude do sacramento da Ordem, que recebeu, coloca-o numa rela\u00e7\u00e3o especial com o Sucessor de Pedro, com os membros do Col\u00e9gio Episcopal e com a sua pr\u00f3pria Igreja particular. Deve sentir a obriga\u00e7\u00e3o de viver intensamente estas rela\u00e7\u00f5es com o Papa e com os outros Bispos num v\u00ednculo \u00edntimo de unidade e colabora\u00e7\u00e3o, correspondendo assim ao des\u00edgnio divino que quis unir inseparavelmente os Ap\u00f3stolos ao redor de Pedro. Esta comunh\u00e3o hier\u00e1rquica do Bispo com o Sumo Pont\u00edfice refor\u00e7a a sua capacidade de, em virtude do sacramento da Ordem recebido, tornar presente Cristo Jesus, Cabe\u00e7a invis\u00edvel de toda a Igreja. Ao aspecto apost\u00f3lico da obedi\u00eancia n\u00e3o pode deixar de juntar-se tamb\u00e9m o aspecto comunit\u00e1rio, enquanto o episcopado \u00e9, por sua natureza, \u00ab  uno e indiviso  \u00bb.83 Em virtude deste car\u00e1cter comunit\u00e1rio, o Bispo \u00e9 chamado a viver a sua obedi\u00eancia, vencendo toda a tenta\u00e7\u00e3o individualista e assumindo, no conjunto da miss\u00e3o do Col\u00e9gio Episcopal, a solicitude pelo bem de toda a Igreja. Como modelo de escuta, o Bispo estar\u00e1 atento de igual modo a individuar, na ora\u00e7\u00e3o e no discernimento, a vontade de Deus atrav\u00e9s daquilo que o Esp\u00edrito diz \u00e0 Igreja. Exercendo evangelicamente a sua autoridade, conseguir\u00e1 dialogar com os colaboradores e os fi\u00e9is para fazer crescer eficazmente a m\u00fatua concord\u00e2ncia.84 Isso permitir-lhe-\u00e1 valorizar pastoralmente a dignidade e responsabilidade de cada membro do povo de Deus, favorecendo, com equil\u00edbrio e serenidade, o esp\u00edrito de iniciativa de cada um. Com efeito, os fi\u00e9is devem ser ajudados a crescer para uma obedi\u00eancia respons\u00e1vel que os torne activos no plano pastoral.85 A tal respeito, continua a ser actual a exorta\u00e7\u00e3o que Santo In\u00e1cio de Antioquia dirigia a Policarpo: \u00ab  Nada se fa\u00e7a sem o teu consentimento, e tu n\u00e3o fa\u00e7as nada sem Deus  \u00bb.86  O esp\u00edrito e a pr\u00e1tica da pobreza no Bispo 20. Os padres sinodais recolheram, como sinal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o bispo, servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperan\u00e7a do mundo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,104,295,139,144,168,199,203,206,246,285,294,297,311,314,326],"class_list":["post-2824","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-america","tag-biblia","tag-communio","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-da-guarda","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-familia","tag-liturgia","tag-patrimonio","tag-sacramentos","tag-santa-se","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2824","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2824"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2824\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}