{"id":2823,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis-2\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal PASTORES GREGIS"},"content":{"rendered":"<p>capitulo III e IV <!--more--> CAP\u00cdTULO III MESTRE DA F\u00c9 E ARAUTO DA PALAVRA \u00abIde pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova  \u00bb (Mc 16, 15) 26. Jesus ressuscitado confia aos Ap\u00f3stolos a miss\u00e3o de \u00ab  fazer disc\u00edpulos  \u00bb todos os povos, ensinando-os a observar tudo aquilo que Ele mandou. Deste modo \u00e9 solenemente confiada \u00e0 Igreja, comunidade dos disc\u00edpulos do Senhor crucificado e ressuscitado, a tarefa de pregar o Evangelho a todas as criaturas; uma tarefa que durar\u00e1 at\u00e9 ao fim dos tempos. A partir daquele instante inicial, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar a Igreja sem tal miss\u00e3o evangelizadora. Disso mesmo tinha consci\u00eancia o ap\u00f3stolo Paulo, manifestando-o com palavras bem conhecidas: \u00ab  Se anuncio o Evangelho, n\u00e3o tenho de que me gloriar pois que me \u00e9 imposta essa obriga\u00e7\u00e3o: Ai de mim se n\u00e3o evangelizar!  \u00bb (1 Cor 9, 16). Se o dever de anunciar o Evangelho \u00e9 pr\u00f3prio de toda a Igreja e de cada um dos seus filhos, pertence a t\u00edtulo especial aos Bispos, que no dia da sagrada Ordena\u00e7\u00e3o, pela qual ficam inseridos na sucess\u00e3o apost\u00f3lica, assumem como compromisso principal o m\u00fanus de pregar o Evangelho, e preg\u00e1-lo \u00ab  com a fortaleza do Esp\u00edrito chamando os homens \u00e0 f\u00e9 ou confirmando-os na f\u00e9 viva  \u00bb.100 A actividade evangelizadora do Bispo, que visa conduzir os homens \u00e0 f\u00e9 ou fortalec\u00ea-los nela, constitui uma ex\u00edmia manifesta\u00e7\u00e3o da sua paternidade, podendo ele repetir com Paulo: \u00ab  Ainda que tenhais dez mil pedagogos em Cristo, n\u00e3o tendes todavia muitos pais, pois fui eu que vos gerei em Cristo Jesus, por meio do Evangelho  \u00bb (1 Cor 4, 15). Devido precisamente a esta din\u00e2mica geradora de vida nova segundo o Esp\u00edrito, o minist\u00e9rio episcopal manifesta-se no mundo como sinal de esperan\u00e7a para os povos, para cada homem. Por isso os padres sinodais recordaram oportunamente que o an\u00fancio de Cristo ocupa sempre o primeiro lugar, sendo o Bispo o primeiro anunciador do Evangelho por meio das palavras e do testemunho da vida. Ele deve estar consciente dos desafios que a hora presente acarreta e ter a coragem de enfrent\u00e1-los. Todos os Bispos, como ministros da verdade, h\u00e3o-de desempenhar esta tarefa com fortaleza e confian\u00e7a.101  Cristo no cora\u00e7\u00e3o do Evangelho e do homem 27. O tema do an\u00fancio do Evangelho ocupou lugar verdadeiramente preeminente nas interven\u00e7\u00f5es dos padres sinodais, tendo eles afirmado diversas vezes e de variados modos que o centro vivo do an\u00fancio do Evangelho \u00e9 Cristo crucificado e ressuscitado pela salva\u00e7\u00e3o dos homens.102 Cristo \u00e9 realmente o cora\u00e7\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o, cujo programa \u00ab  se concentra, em \u00faltima an\u00e1lise, no pr\u00f3prio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n&#8217;Ele viver a vida trinit\u00e1ria e com Ele transformar a hist\u00f3ria at\u00e9 \u00e0 sua plenitude na Jerusal\u00e9m celeste. \u00c9 um programa que n\u00e3o muda com a varia\u00e7\u00e3o dos tempos e das culturas, embora se tenha em conta o tempo e a cultura para um di\u00e1logo verdadeiro e uma comunica\u00e7\u00e3o eficaz. Este programa de sempre \u00e9 o nosso programa para o terceiro mil\u00e9nio  \u00bb.103 De Cristo, cora\u00e7\u00e3o do Evangelho, derivam as restantes verdades da f\u00e9 e irradia tamb\u00e9m a esperan\u00e7a para todos os homens. De facto, Cristo \u00e9 a luz que ilumina todo o homem e quem n&#8217;Ele for regenerado recebe as prim\u00edcias do Esp\u00edrito, que o tornam capaz de cumprir a nova lei do amor.104 Portanto, em virtude da sua pr\u00f3pria miss\u00e3o apost\u00f3lica, o Bispo est\u00e1 habilitado para introduzir o seu povo no cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da f\u00e9, onde poder\u00e1 encontrar a pessoa viva de Jesus Cristo. Assim os fi\u00e9is chegar\u00e3o a compreender que toda a experi\u00eancia crist\u00e3 tem a sua fonte e indefect\u00edvel ponto de refer\u00eancia na P\u00e1scoa de Jesus, vencedor do pecado e da morte.105 E, na proclama\u00e7\u00e3o da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, est\u00e1 inclu\u00eddo \u00ab  o an\u00fancio prof\u00e9tico do al\u00e9m, voca\u00e7\u00e3o profunda e definitiva do homem, ao mesmo tempo em continuidade e descontinuidade com a situa\u00e7\u00e3o presente: para al\u00e9m do tempo e da hist\u00f3ria, para al\u00e9m da realidade deste mundo cujo cen\u00e1rio passa (&#8230;). A evangeliza\u00e7\u00e3o cont\u00e9m, pois, tamb\u00e9m a prega\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a nas promessas feitas por Deus na Nova Alian\u00e7a em Jesus Cristo  \u00bb.106  O Bispo, ouvinte e guardi\u00e3o da Palavra 28. Prosseguindo na senda apontada pela tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, o Conc\u00edlio Vaticano II explica que a miss\u00e3o de ensinar, pr\u00f3pria dos Bispos, consiste em guardar santamente e anunciar corajosamente a f\u00e9.107 Nesta linha, aparece em toda a sua riqueza de significado o gesto, previsto no rito romano da ordena\u00e7\u00e3o episcopal, de impor sobre a cabe\u00e7a do eleito o Evangeli\u00e1rio aberto: com tal gesto quer-se mostrar, por um lado, que a Palavra envolve e guarda o minist\u00e9rio do Bispo e, por outro, que a sua vida deve estar inteiramente sujeita \u00e0 Palavra dedicando-se quotidianamente \u00e0 prega\u00e7\u00e3o do Evangelho com toda a paci\u00eancia e doutrina (cf. 2 Tim 4, 2). Por diversas vezes os padres sinodais recordaram que o Bispo \u00e9 aquele que guarda com amor a Palavra de Deus e a defende com coragem, dando testemunho da sua mensagem de salva\u00e7\u00e3o. De facto, o sentido do munus docendi episcopal deriva da pr\u00f3pria natureza do que deve ser guardado, ou seja, o dep\u00f3sito da f\u00e9. Na Sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento e na Tradi\u00e7\u00e3o encontra-se o \u00fanico dep\u00f3sito da revela\u00e7\u00e3o divina que Cristo Nosso Senhor confiou \u00e0 sua Igreja, constituindo como que um espelho onde ela, peregrina na terra, \u00ab  contempla a Deus, de quem tudo recebe, at\u00e9 ser conduzida a v\u00ea-Lo face a face tal qual Ele \u00e9  \u00bb.108 E assim tem sucedido no decurso dos s\u00e9culos at\u00e9 hoje: as diversas comunidades, acolhendo a Palavra sempre nova e eficaz ao longo dos tempos, escutaram docilmente a voz do Esp\u00edrito Santo esfor\u00e7ando-se por torn\u00e1-la viva e operante na realidade dos sucessivos per\u00edodos hist\u00f3ricos. Assim a Palavra transmitida, a Tradi\u00e7\u00e3o, tornou-se sempre mais conscientemente palavra de vida, enquanto a tarefa do seu an\u00fancio e da sua defesa se foi realizando progressivamente sob a guia e a assist\u00eancia do Esp\u00edrito de Verdade, como transmiss\u00e3o ininterrupta de tudo o que a Igreja \u00e9 e aquilo em que ela acredita.109 Esta Tradi\u00e7\u00e3o, que tem a sua origem nos Ap\u00f3stolos, progride na vida da Igreja, como ensinou o Conc\u00edlio Vaticano II. De forma semelhante cresce e desenvolve-se a compreens\u00e3o dos factos e das palavras transmitidas, de modo que se estabelece uma singular unidade de sentimentos entre Bispos e fi\u00e9is quando se trata de conservar, praticar e professar a f\u00e9 transmitida.110 Assim, na busca da fidelidade ao Esp\u00edrito que fala no seio da Igreja, fi\u00e9is e pastores encontram-se, estabelecendo aqueles v\u00ednculos profundos de f\u00e9 que representam de certa forma o primeiro momento do sensus fidei. \u00c9 \u00fatil voltar a ouvir a este respeito as express\u00f5es do Conc\u00edlio: \u00ab  A totalidade dos fi\u00e9is, que receberam a un\u00e7\u00e3o do Santo (cf. 1 Jo 2, 20.27), n\u00e3o pode enganar-se na f\u00e9; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da f\u00e9 do Povo todo, quando este, desde os Bispos at\u00e9 ao \u00faltimo dos fi\u00e9is leigos, manifesta consenso universal em mat\u00e9ria de f\u00e9 e costumes  \u00bb.111 Por isso, a vida da Igreja e a vida na Igreja \u00e9, para cada Bispo, a condi\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o de ensinar. Um Bispo encontra a sua identidade e o seu lugar no seio da comunidade dos disc\u00edpulos do Senhor, onde recebeu o dom da vida divina e a primeira instru\u00e7\u00e3o na f\u00e9. Sobretudo quando da sua c\u00e1tedra episcopal exerce na presen\u00e7a da assembleia dos fi\u00e9is a sua fun\u00e7\u00e3o de mestre na Igreja, cada Bispo deve poder repetir como Santo Agostinho: \u00ab  Se se considerar o lugar que ocupamos, somos vossos mestres; mas, pensando no \u00fanico Mestre, somos condisc\u00edpulos vossos na mesma escola  \u00bb.112 Na Igreja, escola do Deus vivo, Bispos e fi\u00e9is s\u00e3o todos condisc\u00edpulos e todos t\u00eam necessidade de ser instru\u00eddos pelo Esp\u00edrito. Realmente s\u00e3o muitas as sedes, onde o Esp\u00edrito nos comunica a sua instru\u00e7\u00e3o interior. Em primeiro lugar, o cora\u00e7\u00e3o de cada um; depois, a vida das v\u00e1rias Igrejas particulares, onde se manifestam e fazem sentir as m\u00faltiplas necessidades das pessoas e das diferentes comunidades eclesiais, atrav\u00e9s de linguagens ora conhecidas ora diversas e novas. O Esp\u00edrito faz-Se ouvir ainda quando suscita na Igreja v\u00e1rias formas de carismas e servi\u00e7os. Com certeza, foi tamb\u00e9m por esta raz\u00e3o que muitas vezes na aula sinodal se ouviram interven\u00e7\u00f5es que exortavam o Bispo a privilegiar o encontro directo e o contacto pessoal com os fi\u00e9is que vivem nas comunidades confiadas ao seu cuidado pastoral, a exemplo do Bom Pastor que conhece as suas ovelhas e chama cada uma pelo seu nome. De facto, o encontro frequente do Bispo, primeiramente, com os seus presb\u00edteros e depois com os di\u00e1conos, com os consagrados e as suas comunidades, com os fi\u00e9is leigos, individualmente e nas diversas formas de agrega\u00e7\u00e3o, tem grande import\u00e2ncia para o exerc\u00edcio de um minist\u00e9rio eficaz no meio do Povo de Deus.  O servi\u00e7o aut\u00eantico e autorizado da Palavra 29. Com a Ordena\u00e7\u00e3o episcopal, cada Bispo recebeu a miss\u00e3o fundamental de anunciar com autoridade a Palavra. De facto, em virtude da sua Ordena\u00e7\u00e3o sagrada, o Bispo \u00e9 doutor aut\u00eantico, que prega ao povo a ele confiado a f\u00e9 que deve crer e aplicar na vida moral. Isto significa que os Bispos est\u00e3o revestidos da pr\u00f3pria autoridade de Cristo e por esta raz\u00e3o fundamental \u00e9 que, \u00ab  ensinando em comunh\u00e3o com o Romano Pont\u00edfice, devem por todos ser venerados como testemunhas da verdade divina e cat\u00f3lica; e os fi\u00e9is devem conformar-se ao parecer que o seu Bispo emite em nome de Cristo sobre mat\u00e9ria de f\u00e9 ou costumes, aderindo a ele com religioso acatamento  \u00bb.113 Neste servi\u00e7o \u00e0 Verdade, cada Bispo est\u00e1 colocado perante a comunidade, j\u00e1 que \u00e9 para a comunidade, tornando-a objecto da sua solicitude pastoral e elevando a Deus com insist\u00eancia a sua prece por ela. Assim, aquilo que ouviu e recebeu do cora\u00e7\u00e3o da Igreja, cada Bispo devolve-o aos seus irm\u00e3os, de quem deve cuidar como o Bom Pastor. O sensus fidei alcan\u00e7a nele a sua dimens\u00e3o completa, como ensina o Conc\u00edlio Vaticano II: \u00ab  Com este sentido da f\u00e9, que se desperta e sustenta pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de verdade, o Povo de Deus, sob a direc\u00e7\u00e3o do sagrado magist\u00e9rio que fielmente acata, j\u00e1 n\u00e3o recebe simples palavra de homens mas a verdadeira palavra de Deus (cf. 1 Tes 2, 13), adere indefectivelmente \u00e0 f\u00e9 uma vez confiada aos santos (cf. Jud 3), penetra-a mais profundamente com ju\u00edzo acertado e aplica-a mais totalmente na vida  \u00bb.114 Deste modo, esta palavra, no seio da comunidade e perante ela, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 simplesmente palavra do Bispo enquanto pessoa privada, mas como Pastor que confirma a f\u00e9, congrega ao redor do mist\u00e9rio de Deus e gera a vida. Os fi\u00e9is t\u00eam necessidade da palavra do pr\u00f3prio Bispo, precisam da confirma\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9. A assembleia sinodal pretendeu sublinhar esta necessidade, pondo em evid\u00eancia alguns dos \u00e2mbitos espec\u00edficos onde isso mesmo \u00e9 particularmente sentido. Um deles \u00e9 o primeiro an\u00fancio ou kerygma: este, sempre necess\u00e1rio para suscitar a obedi\u00eancia da f\u00e9, aparece ainda mais urgente na situa\u00e7\u00e3o actual marcada pela indiferen\u00e7a e a ignor\u00e2ncia religiosa de tantos crist\u00e3os.115 Tamb\u00e9m no \u00e2mbito da catequese, o catequista por excel\u00eancia \u00e9 o Bispo; o papel incisivo de grandes e santos Bispos, cujos textos catequ\u00e9ticos ainda hoje s\u00e3o consultados com apre\u00e7o, leva-me a sublinhar que \u00e9 tarefa permanente do Bispo assumir a direc\u00e7\u00e3o cimeira da catequese. No desempenho de tal tarefa, n\u00e3o deixar\u00e1 de fazer refer\u00eancia ao Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica. Conserva, pois, toda a sua validade o que escrevi na Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Catechesi tradendae: \u00ab  V\u00f3s, car\u00edssimos Irm\u00e3os [Bispos], tendes uma miss\u00e3o particular nas vossas Igrejas; v\u00f3s sois a\u00ed os primeiros respons\u00e1veis pela catequese  \u00bb.116 Por isso, \u00e9 dever de cada Bispo assegurar na sua Igreja particular efectiva prioridade a uma catequese activa e eficaz. Mais, deve concretizar esta sua solicitude atrav\u00e9s de iniciativas pessoais destinadas a suscitar e conservar uma aut\u00eantica paix\u00e3o pela catequese.117 Ciente, pois, da pr\u00f3pria responsabilidade no \u00e2mbito da transmiss\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, cada Bispo deve empenhar-se a fim de que exista a mesma solicitude naqueles que, devido \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, s\u00e3o chamados a transmitir a f\u00e9; penso nos sacerdotes e di\u00e1conos, nos fi\u00e9is de vida consagrada, nos pais e m\u00e3es de fam\u00edlia, nos agentes de pastoral \u2013 sobretudo os catequistas \u2013, e bem assim nos professores de teologia e de ci\u00eancias eclesi\u00e1sticas e nos professores de religi\u00e3o cat\u00f3lica.118 O Bispo ter\u00e1 a peito a sua forma\u00e7\u00e3o inicial e permanente. Ainda quanto a este seu dever, \u00e9 de particular utilidade o di\u00e1logo aberto e a colabora\u00e7\u00e3o com os te\u00f3logos, a quem cabe aprofundar com metodologia apropriada a insond\u00e1vel riqueza do mist\u00e9rio de Cristo. Os Bispos n\u00e3o deixem de dar-lhes, a eles e tamb\u00e9m \u00e0s institui\u00e7\u00f5es escol\u00e1sticas e acad\u00e9micas onde trabalham, est\u00edmulo e apoio para desempenharem a sua tarefa ao servi\u00e7o do Povo de Deus na fidelidade \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o e na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria.119 Sempre que tal se revele oportuno, os Bispos defendam com firmeza a unidade e a integridade da f\u00e9, julgando com autoridade o que \u00e9 ou n\u00e3o conforme \u00e0 Palavra de Deus.120 Os padres sinodais chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos Bispos tamb\u00e9m para as suas responsabilidades magisteriais no \u00e2mbito moral. As normas propostas pela Igreja reflectem os mandamentos divinos, que encontram a sua s\u00edntese e coroamento no mandamento evang\u00e9lico da caridade. A finalidade de qualquer norma divina \u00e9 o maior bem do homem. Ainda hoje \u00e9 v\u00e1lida a recomenda\u00e7\u00e3o do Deuteron\u00f3mio: \u00ab  Seguireis o caminho que o Senhor, vosso Deus, vos tra\u00e7ou, e sereis felizes e tereis longa vida na terra que ides possuir  \u00bb (5, 31). Al\u00e9m disso, n\u00e3o se deve esquecer que os mandamentos do Dec\u00e1logo est\u00e3o firmemente enraizados na pr\u00f3pria natureza humana e por isso os valores por eles defendidos possuem uma validade universal. Isto vale de modo particular para a vida humana, que h\u00e1-de ser defendida desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua conclus\u00e3o com a morte natural, a liberdade das pessoas e das na\u00e7\u00f5es, a justi\u00e7a social e as estruturas para a realizarem.121  O minist\u00e9rio episcopal da incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho 30. A evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura e a incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho s\u00e3o parte integrante da nova evangeliza\u00e7\u00e3o e consequentemente tarefa pr\u00f3pria do m\u00fanus episcopal. A tal prop\u00f3sito e retomando express\u00f5es minhas anteriores, o S\u00ednodo insistiu: \u00ab  Uma f\u00e9, que n\u00e3o se torna cultura, \u00e9 uma f\u00e9 n\u00e3o plenamente acolhida, nem integralmente pensada, nem fielmente vivida  \u00bb.122 Na verdade trata-se de uma tarefa, antiga e sempre nova, que tem origem no pr\u00f3prio mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e sua motiva\u00e7\u00e3o na capacidade intr\u00ednseca do Evangelho para se enraizar em cada cultura, model\u00e1-la e promov\u00ea-la, purificando-a e abrindo-a \u00e0 plenitude de verdade e de vida que se realizou em Cristo Jesus. A este tema, prestou-se muita aten\u00e7\u00e3o durante os S\u00ednodos Continentais, donde provieram preciosas indica\u00e7\u00f5es; e sobre ele debrucei-me tamb\u00e9m eu em v\u00e1rias circunst\u00e2ncias. Considerando, pois, os valores culturais presentes no territ\u00f3rio onde vive a sua Igreja particular, o Bispo h\u00e1-de p\u00f4r todo o empenho para que o Evangelho seja anunciado na sua integridade, de modo a plasmar o cora\u00e7\u00e3o dos homens e os costumes dos povos. Nesta obra evangelizadora, poder-lhe-\u00e1 ser de preciosa ajuda a contribui\u00e7\u00e3o dos te\u00f3logos e ainda dos especialistas na valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural, art\u00edstico e hist\u00f3rico da diocese: isto interessa tanto \u00e0 antiga como \u00e0 nova evangeliza\u00e7\u00e3o, constituindo um eficaz instrumento pastoral.123 De grande import\u00e2ncia tamb\u00e9m para o an\u00fancio do Evangelho nos \u00ab  novos are\u00f3pagos  \u00bb e para a transmiss\u00e3o da f\u00e9 s\u00e3o os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, sobre os quais os padres sinodais concentraram tamb\u00e9m a sua aten\u00e7\u00e3o, tendo encorajado os Bispos a uma maior colabora\u00e7\u00e3o entre as Confer\u00eancias Episcopais no \u00e2mbito nacional e internacional para que a sua actividade neste delicado e precioso sector da vida social se torne mais qualificada.124 Na verdade, quando se trata do an\u00fancio do Evangelho, \u00e9 importante preocupar-se, para al\u00e9m da sua ortodoxia, tamb\u00e9m com uma apresenta\u00e7\u00e3o aliciante, capaz de estimular a sua escuta e acolhimento. Para isso, procure-se reservar, especialmente nos Semin\u00e1rios, espa\u00e7o adequado para a forma\u00e7\u00e3o dos candidatos ao sacerd\u00f3cio sobre o uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, a fim de que os evangelizadores sejam bons proclamadores e bons comunicadores.  Pregar com a palavra e o exemplo 31. O minist\u00e9rio do Bispo enquanto anunciador do Evangelho e guardi\u00e3o da f\u00e9 no Povo de Deus n\u00e3o seria apresentado exaustivamente, se n\u00e3o fosse referido o dever da coer\u00eancia pessoal: o seu ensino continua atrav\u00e9s do testemunho e do exemplo duma aut\u00eantica vida de f\u00e9. Se o Bispo, que ensina com uma autoridade exercida em nome de Jesus Cristo125 a Palavra escutada na comunidade, n\u00e3o vivesse o que ensina, daria \u00e0 pr\u00f3pria comunidade uma mensagem contradit\u00f3ria. Deste modo, fica claro que todas as actividades do Bispo devem ter como finalidade a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho, \u00ab  poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo o crente  \u00bb (Rom 1, 16). A sua tarefa essencial \u00e9 ajudar o Povo de Deus a prestar \u00e0 palavra da Revela\u00e7\u00e3o a obedi\u00eancia da f\u00e9 (cf. Rom 1, 5) e a abra\u00e7ar integralmente a doutrina de Cristo. Poder-se-ia dizer que miss\u00e3o e vida est\u00e3o de tal forma unidas no Bispo que n\u00e3o se pode pensar nelas como duas coisas distintas: n\u00f3s, Bispos, somos a nossa miss\u00e3o. Se n\u00e3o a cumpr\u00edssemos, deixar\u00edamos de ser o que somos. \u00c9 pelo testemunho da f\u00e9 que a nossa vida se torna sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a de Cristo nas nossas comunidades. O testemunho de vida torna-se para o Bispo como que um novo t\u00edtulo de autoridade, que se soma ao t\u00edtulo objectivo recebido na consagra\u00e7\u00e3o. Assim \u00e0 autoridade vem juntar-se a credibilidade. Ambas s\u00e3o necess\u00e1rias: de facto, duma brota a exig\u00eancia objectiva de ades\u00e3o dos fi\u00e9is ao ensinamento aut\u00eantico do Bispo; da segunda, a facilita\u00e7\u00e3o para depositar confian\u00e7a na mensagem. A este respeito, apraz-me retomar as palavras escritas por um grande Bispo da Igreja antiga, Santo Hil\u00e1rio de Poitiers: \u00ab  O beato ap\u00f3stolo Paulo, querendo definir o tipo de Bispo ideal e formar com os seus ensinamentos um homem de Igreja completamente novo, explicou qual era, por assim dizer, o m\u00e1ximo da perfei\u00e7\u00e3o nele. Afirmou que devia professar uma doutrina segura, conforme com o ensinamento, para estar em condi\u00e7\u00f5es de exortar \u00e0 s\u00e3 doutrina e de refutar aqueles que a contradizem (&#8230;). Por um lado, um ministro de vida irrepreens\u00edvel, se n\u00e3o \u00e9 culto, conseguir\u00e1 beneficiar-se s\u00f3 a si pr\u00f3prio; por outro, um ministro culto perder\u00e1 a autoridade que prov\u00e9m da cultura, se a sua vida n\u00e3o for irrepreens\u00edvel  \u00bb.126 A conduta a seguir est\u00e1 desde sempre fixada pelo ap\u00f3stolo Paulo nestas palavras: \u00ab  E tu serve de exemplo em tudo pelo teu bom comportamento, pureza de ensinamentos, gravidade, e pela linguagem s\u00e3 e irrepreens\u00edvel, para que os nossos advers\u00e1rios sejam confundidos, por n\u00e3o terem mal algum a dizer de n\u00f3s  \u00bb (Tit 2, 7-8).   CAP\u00cdTULO IV MINISTRO DA GRA\u00c7A DO SUPREMO SACERD\u00d3CIO \u00ab  Santificados em Jesus Cristo, chamados \u00e0 santidade  \u00bb (1 Cor 1, 2) 32. Estando para tratar de uma das fun\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias e fundamentais do Bispo \u2013 o minist\u00e9rio da santifica\u00e7\u00e3o \u2013, v\u00eam-me ao pensamento as palavras que o ap\u00f3stolo Paulo dirigiu aos fi\u00e9is de Corinto, expondo de algum modo diante dos seus olhos o mist\u00e9rio da sua voca\u00e7\u00e3o: \u00ab  Santificados em Jesus Cristo, chamados \u00e0 santidade com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de Jesus Cristo Senhor deles e nosso  \u00bb (1 Cor 1, 2). A santifica\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o realiza-se na regenera\u00e7\u00e3o baptismal, \u00e9 corroborada pelos sacramentos da Confirma\u00e7\u00e3o e da Reconcilia\u00e7\u00e3o e alimentada pela Eucaristia, o bem mais precioso da Igreja, o sacramento pelo qual a Igreja \u00e9 constantemente edificada como Povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Esp\u00edrito Santo.127 O ministro desta santifica\u00e7\u00e3o, que se propaga na vida da Igreja, \u00e9 o Bispo, sobretudo por meio da Liturgia sagrada. Desta, em especial da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, afirma-se que \u00e9 meta e fonte da vida da Igreja.128 De certo modo pode-se dizer o mesmo do minist\u00e9rio lit\u00fargico do Bispo, pois este apresenta-se como o momento central na sua actividade a favor da santifica\u00e7\u00e3o do Povo de Deus. De tudo isto resulta claramente a import\u00e2ncia da vida lit\u00fargica na Igreja particular, onde o Bispo exerce o seu minist\u00e9rio de santifica\u00e7\u00e3o proclamando e pregando a palavra de Deus, dirigindo a ora\u00e7\u00e3o pelo seu povo e com o seu povo, presidindo \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos. Por este motivo, na Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica Lumen gentium se atribui ao Bispo um t\u00edtulo expressivo, tomado da ora\u00e7\u00e3o da sagra\u00e7\u00e3o episcopal no rito bizantino, ou seja, o de \u00ab  administrador da gra\u00e7a do supremo sacerd\u00f3cio, principalmente na Eucaristia, que ele mesmo oferece ou providencia para que seja oferecida, e pela qual vive e cresce a Igreja  \u00bb.129 Entre o minist\u00e9rio da santifica\u00e7\u00e3o e os outros dois \u2013 o da palavra e o do governo \u2013 existe uma \u00edntima e profunda correspond\u00eancia. De facto, a prega\u00e7\u00e3o ordena-se para a participa\u00e7\u00e3o da vida divina, que se obt\u00e9m \u00e0 dupla mesa da Palavra e da Eucaristia. A referida vida divina desenvolve-se e manifesta-se na exist\u00eancia quotidiana dos fi\u00e9is, pois todos s\u00e3o chamados a exprimir nas suas atitudes o que receberam pela f\u00e9.130 O minist\u00e9rio de governo, por sua vez, como o de Jesus Bom Pastor, exprime-se em fun\u00e7\u00f5es e obras que procuram fazer irromper na comunidade dos fi\u00e9is a plenitude de vida na caridade, a gl\u00f3ria da Sant\u00edssima Trindade e o testemunho da sua presen\u00e7a amorosa no mundo. Por isso, ao exercer o minist\u00e9rio da santifica\u00e7\u00e3o (munus sanctificandi), o Bispo realiza o fim que se prop\u00f5e o minist\u00e9rio do ensino (munus docendi) e simultaneamente recebe a gra\u00e7a para o minist\u00e9rio do governo (munus regendi), modelando as suas atitudes \u00e0 imagem de Cristo Sumo Sacerdote, de tal modo que tudo se oriente para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja e a gl\u00f3ria da Sant\u00edssima Trindade.  Fonte e meta da vida da Igreja particular 33. O Bispo exerce o minist\u00e9rio da santifica\u00e7\u00e3o por meio da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e demais sacramentos, do louvor divino da Liturgia das Horas, da presid\u00eancia dos outros ritos sagrados e tamb\u00e9m atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o da vida lit\u00fargica e da piedade popular aut\u00eantica. Naturalmente dentre todas as cerim\u00f3nias presididas pelo Bispo, assumem relevo particular as celebra\u00e7\u00f5es onde ressalta a peculiaridade do minist\u00e9rio episcopal como plenitude do sacerd\u00f3cio. Trata-se, especialmente, da administra\u00e7\u00e3o do sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o, das Ordens Sacras, da solene celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia em que o Bispo est\u00e1 rodeado pelo seu presbit\u00e9rio e demais ministros \u2013 como na liturgia da Missa Crismal \u2013, da dedica\u00e7\u00e3o das igrejas e dos altares, da consagra\u00e7\u00e3o das virgens e de outros ritos importantes para a vida da Igreja particular. Nestas celebra\u00e7\u00f5es, o Bispo apresenta-se \u00e0 vista de todos como o pai e o pastor dos fi\u00e9is, o \u00ab  grande sacerdote  \u00bb do seu povo (cf. Heb 10, 21), o orante e o mestre da ora\u00e7\u00e3o, que intercede pelos seus irm\u00e3os e, junto com o pr\u00f3prio povo, implora e d\u00e1 gra\u00e7as ao Senhor, pondo em evid\u00eancia o primado de Deus e da sua gl\u00f3ria. Destes v\u00e1rios momentos, como se duma fonte se tratasse, brota a gra\u00e7a divina que permeia toda a vida dos filhos de Deus ao longo da sua caminhada terrena, orientando-a para a sua meta e plenitude na p\u00e1tria beat\u00edfica. Por isso, o minist\u00e9rio da santifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento fundamental na promo\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a crist\u00e3. O Bispo n\u00e3o se limita apenas a anunciar, com a prega\u00e7\u00e3o da palavra, as promessas de Deus e a tra\u00e7ar as sendas do futuro, mas anima o Povo de Deus na sua peregrina\u00e7\u00e3o terrena e, atrav\u00e9s da celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos que s\u00e3o o penhor da gl\u00f3ria futura, faz-lhe saborear antecipadamente o seu destino final em comunh\u00e3o com a Virgem Maria e os Santos, na certeza inabal\u00e1vel da vit\u00f3ria definitiva de Cristo sobre o pecado e a morte e da sua vinda gloriosa.  A import\u00e2ncia da igreja catedral 34. Apesar de exercer o seu minist\u00e9rio de santifica\u00e7\u00e3o em toda a diocese, o Bispo tem como ponto focal do mesmo a igreja catedral, que constitui de certo modo a igreja m\u00e3e e o centro de converg\u00eancia da Igreja particular. Com efeito, a catedral \u00e9 o lugar onde o Bispo tem a sua c\u00e1tedra, a partir da qual educa e faz crescer o seu povo atrav\u00e9s da prega\u00e7\u00e3o, e preside \u00e0s principais celebra\u00e7\u00f5es do ano lit\u00fargico e dos sacramentos. Precisamente quando est\u00e1 sentado na sua c\u00e1tedra, um Bispo apresenta-se \u00e0 frente da assembleia dos fi\u00e9is como aquele que preside in loco Dei Patris; por isso mesmo, como j\u00e1 recordei, segundo uma tradi\u00e7\u00e3o muito antiga tanto no Oriente como no Ocidente, s\u00f3 o Bispo \u00e9 que pode sentar-se na c\u00e1tedra episcopal. \u00c9 a presen\u00e7a desta c\u00e1tedra que constitui a igreja catedral como o centro espiritual concreto de unidade e comunh\u00e3o para o presbit\u00e9rio diocesano e para todo o Povo santo de Deus. A este respeito, n\u00e3o se pode esquecer a recomenda\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II de que \u00ab  todos devem dar a maior import\u00e2ncia \u00e0 vida lit\u00fargica da diocese que gravita em redor do Bispo, sobretudo na igreja catedral, convencidos de que a principal manifesta\u00e7\u00e3o da Igreja se faz numa participa\u00e7\u00e3o perfeita e activa de todo o Povo santo de Deus na mesma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, especialmente na mesma Eucaristia, numa \u00fanica ora\u00e7\u00e3o, ao redor do \u00fanico altar a que preside o Bispo rodeado pelo presbit\u00e9rio e pelos ministros  \u00bb.131 Por isso, \u00e9 na catedral, onde se realiza o momento mais alto da vida da Igreja, que tem lugar tamb\u00e9m a ac\u00e7\u00e3o mais excelsa e sagrada do munus sanctificandi do Bispo; tal m\u00fanus, bem como a pr\u00f3pria liturgia a que ele preside, inclui simultaneamente a santifica\u00e7\u00e3o das pessoas, o culto e a gl\u00f3ria de Deus. Esta manifesta\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da Igreja encontra circunst\u00e2ncias privilegiadas em determinadas celebra\u00e7\u00f5es particulares. Entre estas, lembro a liturgia anual da Missa Crismal, que deve ser considerada \u00ab  uma das principais manifesta\u00e7\u00f5es da plenitude do sacerd\u00f3cio do Bispo e um sinal da \u00edntima uni\u00e3o dos presb\u00edteros com ele  \u00bb.132 Ao longo desta celebra\u00e7\u00e3o, juntamente com o \u00f3leo dos enfermos e o \u00f3leo dos catec\u00famenos, \u00e9 benzido o santo crisma, sinal sacramental de salva\u00e7\u00e3o e de vida perfeita para todos os que renascem pela \u00e1gua e pelo Esp\u00edrito Santo. Entre as liturgias mais solenes, h\u00e1 que incluir sem d\u00favida tamb\u00e9m as celebra\u00e7\u00f5es em que s\u00e3o conferidas as Ordens Sacras, ritos estes que t\u00eam na igreja catedral o seu lugar pr\u00f3prio e normal.133 A estas v\u00eam juntar-se outras ocasi\u00f5es, tais como a celebra\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio da sua dedica\u00e7\u00e3o e as festas dos Santos Padroeiros da diocese. Estas e outras ocasi\u00f5es, segundo o calend\u00e1rio lit\u00fargico de cada diocese, s\u00e3o momentos preciosos para fortalecer os v\u00ednculos de comunh\u00e3o com os presb\u00edteros, as pessoas consagradas e os fi\u00e9is leigos, e para estimular o zelo mission\u00e1rio entre todos os membros da Igreja particular. Por isso, o C\u00e6remoniale Episcoporum p\u00f5e em evid\u00eancia a import\u00e2ncia, que t\u00eam a igreja catedral e as celebra\u00e7\u00f5es a\u00ed realizadas, para o bem e o exemplo de toda a Igreja particular.134  O Bispo, moderador da liturgia enquanto pedagogia da f\u00e9 35. Tendo em vista as circunst\u00e2ncias actuais, os padres sinodais quiseram chamar a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia do minist\u00e9rio da santifica\u00e7\u00e3o desempenhado na liturgia; esta, por\u00e9m, deve realizar-se de forma a exercer toda a sua efic\u00e1cia did\u00e1ctica e educativa.135 Isto requer que as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas sejam verdadeiramente epifania do mist\u00e9rio. Assim h\u00e3o-de exprimir claramente a natureza do culto divino, reflectindo o sentido genu\u00edno da Igreja que reza e celebra os mist\u00e9rios divinos. Se as celebra\u00e7\u00f5es forem convenientemente participadas por todos, segundo os v\u00e1rios minist\u00e9rios, n\u00e3o deixar\u00e3o de resplandecer em dignidade e beleza. Eu mesmo, no exerc\u00edcio do meu minist\u00e9rio, quis que as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas constitu\u00edssem uma prioridade, n\u00e3o s\u00f3 em Roma mas tamb\u00e9m durante as minhas viagens apost\u00f3licas pelos diversos continentes e na\u00e7\u00f5es. Fazendo brilhar a beleza e a dignidade da liturgia crist\u00e3 em todas as suas express\u00f5es, procurei fomentar o sentido genu\u00edno da santifica\u00e7\u00e3o do nome de Deus para educar o sentimento religioso dos fi\u00e9is e abri-lo \u00e0 transcend\u00eancia. Certo disto, exorto os meus irm\u00e3os Bispos, enquanto mestres da f\u00e9 e participantes do supremo sacerd\u00f3cio de Cristo, a que se empenhem com todas as for\u00e7as na aut\u00eantica promo\u00e7\u00e3o da liturgia. Esta exige que, no modo de a celebrar, se anuncie com clareza a verdade revelada, se transmita fielmente a vida divina, se exprima sem ambiguidades a genu\u00edna natureza da Igreja. Que todos estejam conscientes da import\u00e2ncia das celebra\u00e7\u00f5es sagradas dos mist\u00e9rios da f\u00e9 cat\u00f3lica. A verdade da f\u00e9 e da vida crist\u00e3 transmite-se n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s das palavras, mas tamb\u00e9m dos sinais sacramentais e do conjunto dos ritos lit\u00fargicos. \u00c9 bem conhecido um antigo axioma, a este respeito, que vincula estritamente a lex credendi \u00e0 lex orandi.136 Deste modo, cada Bispo seja exemplar na arte de presidir, ciente de tractare mysteria; possua tamb\u00e9m uma profunda vida teologal, que inspire o seu comportamento no contacto com o Povo santo de Deus; seja capaz de transmitir o sentido sobrenatural das palavras, das ora\u00e7\u00f5es e dos ritos, a fim de implicar a todos na participa\u00e7\u00e3o dos santos mist\u00e9rios. Al\u00e9m disso o Bispo deve, atrav\u00e9s duma promo\u00e7\u00e3o concreta e apropriada da pastoral lit\u00fargica na diocese, fazer com que os ministros e o povo adquiram uma aut\u00eantica compreens\u00e3o e experi\u00eancia da liturgia, para permitir que os fi\u00e9is alcancem aquela participa\u00e7\u00e3o plena, consciente, activa e frutuosa nos santos mist\u00e9rios, desejada pelo Conc\u00edlio Vaticano II.137 Assim as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, especialmente as presididas pelo Bispo na sua catedral, h\u00e3o-de ser proclama\u00e7\u00f5es claras da f\u00e9 da Igreja, momentos privilegiados em que o Pastor apresenta o mist\u00e9rio de Cristo aos fi\u00e9is e os ajuda a entrar nele progressivamente para fazerem uma consoladora experi\u00eancia do mesmo e testemunh\u00e1-lo depois nas obras de caridade (cf. Gal 5, 6). Vista a import\u00e2ncia duma correcta transmiss\u00e3o da f\u00e9 na sagrada liturgia da Igreja, o Bispo n\u00e3o deixe, a bem dos fi\u00e9is, de vigiar cuidadosamente por que sejam observadas sempre, por todos e em toda a parte, as normas lit\u00fargicas em vigor. Isto inclui tamb\u00e9m uma correc\u00e7\u00e3o firme e tempestiva dos abusos e a elimina\u00e7\u00e3o de qualquer arbitrariedade no campo lit\u00fargico. O Bispo por si mesmo, naquilo que dele depender, ou em colabora\u00e7\u00e3o com as Confer\u00eancias Episcopais e as relativas Comiss\u00f5es Lit\u00fargicas, cuide por que a mesma dignidade e verdade das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas seja observada nas transmiss\u00f5es radiof\u00f3nicas e televisivas.  A centralidade do Dia do Senhor e do ano lit\u00fargico 36. A vida e o minist\u00e9rio do Bispo devem estar de certo modo permeados pela presen\u00e7a do Senhor no seu mist\u00e9rio. De facto, o crescimento em toda a diocese da convic\u00e7\u00e3o acerca da centralidade espiritual, catequ\u00e9tica e pastoral da liturgia depende em grande parte do exemplo do Bispo. Ao centro do seu minist\u00e9rio, aparece a celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal de Cristo no domingo, o Dia do Senhor. Como j\u00e1 disse v\u00e1rias vezes, mesmo recentemente, para se dar um sinal forte da identidade crist\u00e3 no nosso tempo \u00e9 preciso restituir a centralidade \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor e, nele, \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. O domingo \u00e9 um dia que deve ser sentido como \u00ab  um dia especial da f\u00e9, dia do Senhor ressuscitado e do dom do Esp\u00edrito, verdadeira P\u00e1scoa da semana  \u00bb.138 A presen\u00e7a do Bispo, que ao domingo \u2013 tamb\u00e9m Dia da Igreja \u2013 preside \u00e0 Eucaristia na sua catedral ou nas par\u00f3quias da diocese, pode ser um sinal exemplar de fidelidade ao mist\u00e9rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o e um motivo de esperan\u00e7a para o Povo de Deus na sua peregrina\u00e7\u00e3o, de domingo para domingo, at\u00e9 ao oitavo dia sem ocaso da P\u00e1scoa eterna.139 Ao longo do ano lit\u00fargico, a Igreja revive todo o mist\u00e9rio de Cristo, desde a Encarna\u00e7\u00e3o e Nascimento do Senhor at\u00e9 \u00e0 Ascens\u00e3o, ao dia de Pentecostes e \u00e0 expectativa em jubilosa esperan\u00e7a do regresso glorioso do Senhor.140 Naturalmente o Bispo reservar\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o do Tr\u00edduo Pascal, n\u00facleo do ano lit\u00fargico inteiro, com a solene Vig\u00edlia de P\u00e1scoa e o seu prolongamento pelos cinquenta dias pascais. Com a sua cad\u00eancia c\u00edclica, o ano lit\u00fargico pode ser convenientemente valorizado para uma programa\u00e7\u00e3o pastoral da vida da diocese \u00e0 volta do mist\u00e9rio de Cristo, na expectativa da sua vinda gloriosa. Neste itiner\u00e1rio de f\u00e9, a Igreja \u00e9 sustentada pela recorda\u00e7\u00e3o da Virgem Maria, a qual, no c\u00e9u, \u00ab  glorificada j\u00e1 em corpo e alma [&#8230;], brilha como sinal de esperan\u00e7a segura e de consola\u00e7\u00e3o para o Povo de Deus ainda peregrinante  \u00bb.141 A alimentar a referida esperan\u00e7a contribui tamb\u00e9m a mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires e outros santos, \u00ab  os quais, tendo pela gra\u00e7a multiforme de Deus atingido a perfei\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7ado a salva\u00e7\u00e3o eterna, cantam hoje a Deus no c\u00e9u o louvor perfeito e intercedem por n\u00f3s  \u00bb.142  O Bispo ministro da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica 37. No centro do munus sanctificandi do Bispo est\u00e1 a Eucaristia, que ele mesmo oferece ou providencia para que seja oferecida, e nela de modo especial se manifesta o seu of\u00edcio de \u00ab  administrador  \u00bb ou ministro da gra\u00e7a do supremo sacerd\u00f3cio.143 \u00c9 que o Bispo contribui para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, mist\u00e9rio de comunh\u00e3o e miss\u00e3o, sobretudo quando preside \u00e0 assembleia eucar\u00edstica. De facto, a Eucaristia \u00e9 o princ\u00edpio essencial da vida n\u00e3o s\u00f3 de cada um dos fi\u00e9is, mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria comunidade em Cristo. Os fi\u00e9is, congregados pela prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, formam comunidades, nas quais est\u00e1 verdadeiramente presente a Igreja de Cristo; ora isto transparece com singular evid\u00eancia precisamente na celebra\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico.144 A tal respeito, \u00e9 conhecida a doutrina do Conc\u00edlio Vaticano II: \u00ab  Em qualquer comunidade que participa do altar sob o minist\u00e9rio sagrado do Bispo, \u00e9 manifestado o s\u00edmbolo do amor e da unidade do Corpo m\u00edstico, sem o que n\u00e3o pode haver salva\u00e7\u00e3o. Nestas comunidades, embora muitas vezes pequenas e pobres, ou dispersas, est\u00e1 presente Cristo, por cujo poder se unifica a Igreja una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica. Pois outra coisa n\u00e3o faz a participa\u00e7\u00e3o no corpo e sangue de Cristo, do que transformar-nos naquilo que recebemos  \u00bb.145 Al\u00e9m disso, \u00e9 da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, \u00ab  fonte e coroa de toda a evangeliza\u00e7\u00e3o  \u00bb,146 que brota tamb\u00e9m todo o esfor\u00e7o mission\u00e1rio da Igreja, tendente a manifestar a outros, pelo testemunho da vida, o mist\u00e9rio vivido na f\u00e9. Dentre todos os encargos do minist\u00e9rio pastoral do Bispo, o mais imperioso e importante \u00e9 a responsabilidade pela celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Compete-lhe, de facto, como um dos seus deveres principais, providenciar para que os fi\u00e9is tenham a possibilidade de aceder \u00e0 mesa do Senhor, sobretudo ao domingo que, como h\u00e1 pouco recordei, \u00e9 o dia em que a Igreja \u2013 comunidade e fam\u00edlia dos filhos de Deus \u2013 descobre a sua peculiar identidade crist\u00e3 ao redor dos presb\u00edteros.147 Sucede por\u00e9m que, em certas regi\u00f5es, devido \u00e0 escassez de sacerdotes ou por outras raz\u00f5es graves e persistentes, n\u00e3o se consegue garantir a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica com a devida normalidade. Isto agrava o dever do Bispo, enquanto pai de fam\u00edlia e ministro da gra\u00e7a, de preocupar-se continuamente por discernir as reais necessidades e a gravidade das situa\u00e7\u00f5es. Ser\u00e1 necess\u00e1rio proceder a uma sensata distribui\u00e7\u00e3o dos membros do presbit\u00e9rio de modo que, mesmo em tais emerg\u00eancias, as comunidades n\u00e3o fiquem muito tempo privadas da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Na falta da Santa Missa, o Bispo procure que a comunidade, embora vivendo sempre na expectativa da plenitude do encontro com Cristo na celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal, possa contar, pelo menos aos domingos e dias santos, com uma celebra\u00e7\u00e3o especial. Os fi\u00e9is, dirigidos por ministros responsabilizados para esta situa\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o usufruir do dom da Palavra proclamada e da comunh\u00e3o eucar\u00edstica, gra\u00e7as \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o prevista para o efeito das assembleias dominicais na aus\u00eancia do presb\u00edtero.148  O Bispo, respons\u00e1vel da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 38. Nas circunst\u00e2ncias actuais da Igreja e do mundo, tanto nas Igrejas jovens como nos pa\u00edses onde o cristianismo se estabeleceu h\u00e1 s\u00e9culos, tem-se revelado providencial a recupera\u00e7\u00e3o da disciplina da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, sobretudo para adultos, que goza na Igreja de grande tradi\u00e7\u00e3o. Foi uma previdente decis\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II,149 que quis deste modo oferecer um caminho de encontro com Cristo e com a Igreja a tantos homens e mulheres, tocados pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito e desejosos de entrar em comunh\u00e3o com o mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o em Cristo, morto e ressuscitado por n\u00f3s. Atrav\u00e9s do itiner\u00e1rio da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, os catec\u00famenos s\u00e3o introduzidos progressivamente no conhecimento do mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja, numa certa analogia com a origem, crescimento e sustento da vida natural. Tendo renascido no Baptismo, que os torna participantes do sacerd\u00f3cio real, os fi\u00e9is s\u00e3o corroborados na Confirma\u00e7\u00e3o \u2013 cujo ministro primeiro \u00e9 o Bispo \u2013 com uma especial efus\u00e3o de dons do Esp\u00edrito. Depois, participando na Eucaristia, s\u00e3o nutridos com o alimento da vida eterna e plenamente inseridos na Igreja, o Corpo m\u00edstico de Cristo. Deste modo, os fi\u00e9is, \u00ab  por estes sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, recebem cada vez mais riquezas da vida divina e avan\u00e7am para a perfei\u00e7\u00e3o da caridade  \u00bb.150 Os Bispos, tendo em conta as circunst\u00e2ncias actuais, h\u00e3o-de p\u00f4r em pr\u00e1tica as prescri\u00e7\u00f5es do Rito da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 dos Adultos. Por isso ter\u00e3o a peito que haja em cada diocese as estruturas e os agentes pastorais necess\u00e1rios para garantirem, no modo mais digno e eficaz poss\u00edvel, a actua\u00e7\u00e3o das normativas e da disciplina lit\u00fargica, catequ\u00e9tica e pastoral da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, adaptada \u00e0s necessidades dos nossos tempos. Por sua pr\u00f3pria natureza de progressivo inserimento no mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja, mist\u00e9rio este que vive e actua em cada Igreja particular, o itiner\u00e1rio da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 requer a presen\u00e7a e o minist\u00e9rio do Bispo diocesano, especialmente na fase culminante do caminho, ou seja, na administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos do Baptismo, da Confirma\u00e7\u00e3o e da Eucaristia, que tem lugar normalmente na Vig\u00edlia Pascal. O Bispo tem ainda a obriga\u00e7\u00e3o de disciplinar, segundo as leis da Igreja, tudo o que diz respeito \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 das crian\u00e7as e dos jovens, determinando o que \u00e9 conveniente para a sua prepara\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica e gradual empenho na vida da comunidade. Dever\u00e1 tamb\u00e9m vigiar por que eventuais percursos de catecumenado, ou de retoma e potenciamento dos caminhos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ou ent\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o aos fi\u00e9is que se afastaram da vida de f\u00e9 normal e comunit\u00e1ria, se realizem segundo as normas da Igreja e em plena sintonia com a vida das comunidades paroquiais na diocese. Relativamente ao sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o, o Bispo, enquanto seu ministro primeiro, procurar\u00e1 ser ele pr\u00f3prio normalmente a administr\u00e1-la. A sua presen\u00e7a no meio da comunidade paroquial, que, em virtude da fonte baptismal e da mesa eucar\u00edstica, constitui o lugar natural e ordin\u00e1rio do caminho da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, evoca eficazmente o mist\u00e9rio do Pentecostes e revela-se sumamente \u00fatil para robustecer os v\u00ednculos da comunh\u00e3o eclesial entre pastor e fi\u00e9is.  A responsabilidade do Bispo na disciplina penitencial 39. Os padres sinodais reservaram, nas suas interven\u00e7\u00f5es, particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 disciplina penitencial, ressaltando a sua import\u00e2ncia e pondo em evid\u00eancia o cuidado especial que os Bispos, como sucessores dos Ap\u00f3stolos, devem prestar \u00e0 pastoral e \u00e0 disciplina do sacramento da Penit\u00eancia. Foi com alegria que os ouvi repetir algo que \u00e9 profunda convic\u00e7\u00e3o minha, isto \u00e9, que deve ser atribu\u00edda a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o pastoral a este sacramento da Igreja, fonte de reconcilia\u00e7\u00e3o, paz e alegria para todos n\u00f3s que necessitamos da miseric\u00f3rdia do Senhor e da cura das feridas do pecado. Ao Bispo, como primeiro respons\u00e1vel da disciplina penitencial na sua Igreja particular, compete antes de mais nada a obriga\u00e7\u00e3o de fazer o convite kerygmatico \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia. \u00c9 seu dever proclamar, com liberdade evang\u00e9lica, a triste e ruinosa presen\u00e7a do pecado na vida dos homens e na hist\u00f3ria das comunidades. Simultaneamente deve anunciar o mist\u00e9rio insond\u00e1vel da miseric\u00f3rdia que Deus nos concedeu na cruz e ressurrei\u00e7\u00e3o do seu Filho, Jesus Cristo, e na efus\u00e3o do Esp\u00edrito para a remiss\u00e3o dos pecados. Um tal an\u00fancio, que \u00e9 tamb\u00e9m convite \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e apelo \u00e0 esperan\u00e7a, est\u00e1 no \u00e2mago do Evangelho. \u00c9 o primeiro an\u00fancio dos Ap\u00f3stolos no dia de Pentecostes, um an\u00fancio no qual se revela o sentido da gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o, comunicada atrav\u00e9s dos sacramentos. Sempre que necess\u00e1rio, o Bispo seja um ministro exemplar do sacramento da Penit\u00eancia, e a este recorra ass\u00eddua e fielmente tamb\u00e9m ele mesmo. N\u00e3o deixe de exortar os seus sacerdotes a terem em grande estima o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o recebido na ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, encorajando-os a exerc\u00ea-lo com generosidade e sentido sobrenatural, imitando o Pai, que acolhe os que voltam \u00e0 casa paterna, e Cristo Bom Pastor, que carrega sobre os seus ombros a ovelha perdida.151 A responsabilidade do Bispo inclui tamb\u00e9m o dever de vigiar por que n\u00e3o se verifique o recurso \u00e0 absolvi\u00e7\u00e3o geral fora das normas do direito. A este respeito sublinhei, na carta apost\u00f3lica Misericordia Dei, que os Bispos t\u00eam o dever de lembrar a disciplina em vigor, segundo a qual a confiss\u00e3o individual e \u00edntegra e a absolvi\u00e7\u00e3o constituem o \u00fanico modo ordin\u00e1rio de o fiel, consciente de pecado grave, se reconciliar com Deus e com a Igreja. Somente a impossibilidade f\u00edsica ou moral dispensa desta forma ordin\u00e1ria, podendo ent\u00e3o obter-se a reconcilia\u00e7\u00e3o por outros meios. O Bispo n\u00e3o deixar\u00e1 de recordar, a todos aqueles que, em raz\u00e3o do of\u00edcio, \u00e9 requerido o cuidado das almas, o dever de oferecer aos fi\u00e9is a oportunidade de se abeirarem da confiss\u00e3o individual.152 Encarregar-se-\u00e1 de verificar tamb\u00e9m que sejam efectivamente dadas aos fi\u00e9is as maiores facilita\u00e7\u00f5es para poderem confessar-se. Considerado \u00e0 luz da Tradi\u00e7\u00e3o e do Magist\u00e9rio da Igreja o la\u00e7o \u00edntimo que existe entre o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia, sente-se hoje uma necessidade cada vez maior de formar a consci\u00eancia dos fi\u00e9is para participarem digna e frutuosamente no Banquete eucar\u00edstico, abeirando-se em estado de gra\u00e7a.153 Al\u00e9m disso, \u00e9 \u00fatil lembrar que pertence tamb\u00e9m ao Bispo o dever de regular, de modo conveniente e com uma cuidadosa selec\u00e7\u00e3o de ministros apropriados, a disciplina que preside ao exerc\u00edcio dos exorcismos e \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o para obter as curas, no respeito dos recentes documentos da Santa S\u00e9.154  Sens\u00edveis \u00e0 piedade popular 40. Os padres sinodais reafirmaram a import\u00e2ncia que tem a piedade popular na transmiss\u00e3o e progresso da f\u00e9. De facto, como sustentava o meu predecessor de veneranda mem\u00f3ria Paulo VI, ela \u00e9 rica de valores relativamente a Deus e aos irm\u00e3os,155 constituindo um verdadeiro e pr\u00f3prio tesouro de espiritualidade na vida da comunidade crist\u00e3. Tamb\u00e9m no nosso tempo, marcado por crescente sede de espiritualidade que frequentemente motiva a ades\u00e3o de muitos a seitas religiosas ou a outras formas de vago espiritualismo, os Bispos s\u00e3o chamados a discernir e favorecer os valores e as formas da verdadeira piedade popular. Continuam actuais as seguintes palavras da Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii nuntiandi: \u00ab  A caridade pastoral h\u00e1-de ditar, a todos aqueles que o Senhor colocou como chefes de comunidades eclesiais, as normas de procedimento em rela\u00e7\u00e3o a esta realidade, ao mesmo tempo t\u00e3o rica e t\u00e3o vulner\u00e1vel. Antes de mais importa ser sens\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o a ela, saber aperceber-se das suas dimens\u00f5es interiores e dos seus ineg\u00e1veis valores, estar disposto a ajud\u00e1-la a superar os seus perigos de desvio. Bem orientada, esta religiosidade popular pode vir a ser cada vez mais, para as nossas massas populares, um verdadeiro encontro com Deus em Jesus Cristo  \u00bb.156 Assim \u00e9 preciso orientar esta religiosidade, purificando, se necess\u00e1rio, as suas manifesta\u00e7\u00f5es segundo os princ\u00edpios da f\u00e9 e da vida crist\u00e3. Atrav\u00e9s da piedade popular, os fi\u00e9is devem ser induzidos ao encontro pessoal com Cristo, \u00e0 comunh\u00e3o com a Bem-aventurada Virgem Maria e os Santos, especialmente atrav\u00e9s da escuta da palavra de Deus, do recurso \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, da participa\u00e7\u00e3o na vida sacramental, do testemunho da caridade e das obras de miseric\u00f3rdia.157 Para uma reflex\u00e3o mais ampla sobre o assunto, podendo contar a\u00ed com uma preciosa s\u00e9rie de sugest\u00f5es teol\u00f3gicas, pastorais e espirituais, tenho o gosto de remeter para os documentos emanados por esta S\u00e9 Apost\u00f3lica, onde, para al\u00e9m do mais, se lembra que todas as manifesta\u00e7\u00f5es da piedade popular est\u00e3o sob a responsabilidade do Bispo, na pr\u00f3pria diocese. Compete-lhe regulament\u00e1-las, estimul\u00e1-las na sua fun\u00e7\u00e3o de ajudar os fi\u00e9is na pr\u00f3pria vida crist\u00e3, purific\u00e1-las no que for necess\u00e1rio, e evangeliz\u00e1-las.158  A promo\u00e7\u00e3o da santidade de todos os fi\u00e9is 41. O minist\u00e9rio de santifica\u00e7\u00e3o do Bispo tem por objectivo a santidade do Povo de Deus, que \u00e9 dom da gra\u00e7a divina e manifesta\u00e7\u00e3o do primado de Deus na vida da Igreja. Por isso, no seu minist\u00e9rio, deve fomentar incansavelmente uma verdadeira e pr\u00f3pria pastoral e pedagogia da santidade, de tal modo que se realize o programa, proposto no cap\u00edtulo quinto da Constitui\u00e7\u00e3o Lumen gentium, sobre a voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade. Foi este programa que quis, ao in\u00edcio do terceiro mil\u00e9nio, propor a toda a Igreja como prioridade pastoral e fruto do grande Jubileu da Encarna\u00e7\u00e3o.159 \u00c9 que a santidade constitui, ainda hoje, um sinal dos tempos, uma prova da verdade do cristianismo que resplandece nos seus melhores expoentes, tanto naqueles que em grande n\u00famero foram elevados \u00e0s honras dos altares, como naqueles \u2013 ainda mais numerosos \u2013 que de forma velada fecundaram e continuam a fecundar a hist\u00f3ria dos homens com a santidade humilde e alegre do quotidiano. Mesmo no nosso tempo, n\u00e3o faltam realmente preciosos testemunhos de formas de santidade, pessoal e comunit\u00e1ria, que constituem um sinal de esperan\u00e7a para todos, inclusive para as novas gera\u00e7\u00f5es. Assim, para fazer despontar o testemunho da santidade, exorto os meus Irm\u00e3os Bispos a procurarem identificar e p\u00f4r em evid\u00eancia os sinais da santidade e das virtudes her\u00f3icas que ainda hoje se manifestam, especialmente quando se trata de fi\u00e9is leigos das suas dioceses, em particular c\u00f4njuges crist\u00e3os. No caso em que tal resultasse verdadeiramente conveniente, encorajo-os a promoverem os relativos processos de canoniza\u00e7\u00e3o.160 Isso poder\u00e1 constituir um sinal de esperan\u00e7a para todos e um motivo de encorajamento, para a caminhada do Povo de Deus, no testemunho que oferece ao mundo sobre a presen\u00e7a permanente da gra\u00e7a no tecido dos acontecimentos humanos.   CAP\u00cdTULO V O GOVERNO PASTORAL DO BISPO \u00ab  Dei-vos o exemplo  \u00bb (Jo 13, 15) 42. Quando trata do dever de governar a fam\u00edlia de Deus e assumir o cuidado quotidiano e habitual do rebanho do Senhor Jesus, o Conc\u00edlio Vaticano II ensina que os Bispos, no exerc\u00edcio do seu m\u00fanus de pai e pastor, devem comportar-se entre os seus fi\u00e9is como \u00ab  quem serve  \u00bb, tendo sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor que veio, n\u00e3o para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pelas ovelhas (cf. Mt 20, 28; Mc 10, 45; Lc 22, 26-27; Jo 10, 11).161 Esta imagem de Jesus, modelo supremo do Bispo, encontra uma eloquente express\u00e3o no gesto do lava-p\u00e9s, narrado no evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00ab  Antes da festa da P\u00e1scoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele que amara os seus que estavam no mundo, levou at\u00e9 ao extremo o seu amor por eles. E, no decorrer da ceia, [&#8230;] levantou-Se da mesa, tirou as vestes e, tomando uma toalha, colocou-a \u00e0 cinta. Depois, deitou \u00e1gua numa bacia e come\u00e7ou a lavar os p\u00e9s aos disc\u00edpulos e a enxug\u00e1-los com a toalha que pusera \u00e0 cinta. [&#8230;] Depois de lhes lavar os p\u00e9s, de retomar as suas vestes e de Se p\u00f4r de novo \u00e0 mesa, disse-lhes: \u201c[&#8230;] Dei-vos o exemplo, para que, como Eu vos fiz, fa\u00e7ais v\u00f3s tamb\u00e9m\u201d  \u00bb (Jo 13, 1-15). Ent\u00e3o contemplemos Jesus enquanto realiza este gesto que parece dar-nos a chave para compreendermos o seu pr\u00f3prio ser e a sua miss\u00e3o, a sua vida e a sua morte. Contemplemos tamb\u00e9m o amor de Jesus, que se traduz em obras, em gestos concretos. Contemplemos Jesus que assume profundamente, com radicalidade absoluta, a forma de servo (cf. Fil 2, 7). Ele, Mestre e Senhor em cujas m\u00e3os o Pai depositara todas as coisas, amou-nos at\u00e9 ao extremo, chegando a entregar-Se totalmente nas m\u00e3os dos homens, deles aceitando tudo o que haveriam de fazer-Lhe depois. Aquele gesto de Jesus \u00e9 um gesto de amor realizado no \u00e2mbito da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia e claramente na perspectiva da paix\u00e3o e da morte. Trata-se dum gesto que, se manifesta o sentido da Encarna\u00e7\u00e3o, revela ainda mais a pr\u00f3pria ess\u00eancia de Deus. Deus \u00e9 amor, e por isso assumiu a condi\u00e7\u00e3o de servo: Deus p\u00f4s-Se ao servi\u00e7o do homem, para levar o homem \u00e0 plena comunh\u00e3o com Ele. Ora se tal \u00e9 o Mestre e Senhor, ent\u00e3o o sentido do minist\u00e9rio e do pr\u00f3prio ser de quem, como os Doze, \u00e9 chamado a entrar na maior intimidade com Jesus, s\u00f3 pode consistir numa disponibilidade total e sem condi\u00e7\u00f5es aos outros, quer j\u00e1 perten\u00e7am ao aprisco, quer ainda n\u00e3o (cf. Jo 10, 16).  A autoridade de servi\u00e7o pastoral do Bispo 43. O Bispo \u00e9 enviado, em nome de Cristo, como pastor para cuidar duma determinada por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus. Por meio do Evangelho e da Eucaristia, deve faz\u00ea-la crescer como realidade de comunh\u00e3o no Esp\u00edrito Santo.162 Disto deriva para o Bispo a representa\u00e7\u00e3o e o governo da Igreja que lhe foi confiada \u2013 com o poder necess\u00e1rio para exercer o minist\u00e9rio pastoral recebido sacramentalmente (munus pastorale) \u2013 como participa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria consagra\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o de Cristo.163 Em virtude disso, \u00ab  os Bispos governam as Igrejas particulares que lhes foram confiadas como vig\u00e1rios e legados de Cristo, por meio de conselhos, persuas\u00f5es, exemplos, mas tamb\u00e9m com autoridade e poder sagrado, que exercem unicamente para edificar o pr\u00f3prio rebanho na verdade e na santidade, lembrados de que aquele que \u00e9 maior se deve fazer como o menor, e o que preside como aquele que serve (cf. Lc 22, 26-27)  \u00bb.164 Este texto conciliar \u00e9 uma s\u00edntese admir\u00e1vel da doutrina cat\u00f3lica a prop\u00f3sito do governo pastoral do Bispo, sendo retomado no rito da sua Ordena\u00e7\u00e3o: \u00ab  O episcopado significa trabalho, n\u00e3o honra; e o Bispo, mais do que presidir, tem obriga\u00e7\u00e3o de servir. Segundo o ensinamento do Mestre, o que \u00e9 maior seja como o mais pequeno, e o que preside como quem serve  \u00bb.165 Est\u00e1 aqui o princ\u00edpio fundamental segundo o qual a autoridade na Igreja \u2013 assim o afirma S. Paulo \u2013 tem como finalidade a edifica\u00e7\u00e3o do Povo de Deus, n\u00e3o a sua ru\u00edna (cf. 2 Cor 10, 8). A edifica\u00e7\u00e3o da grei de Cristo na verdade e na santidade, como diversas vezes foi dito na aula sinodal, requer da parte do Bispo algumas qualidades, entre as quais se contam a vida exemplar, a capacidade de rela\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e construtiva com as pessoas, a predisposi\u00e7\u00e3o para estimular e desenvolver a coopera\u00e7\u00e3o, a amabilidade e a paci\u00eancia, a compreens\u00e3o e a compaix\u00e3o pelas mis\u00e9rias da alma e do corpo, a indulg\u00eancia e o perd\u00e3o. Trata-se efectivamente de exprimir do melhor modo poss\u00edvel o modelo supremo, que \u00e9 Jesus Bom Pastor. O poder do Bispo \u00e9 um verdadeiro poder, mas iluminado pela luz do Bom Pastor e moldado segundo o seu modelo. Exercido em nome de Cristo, este poder \u00e9 \u00ab  pr\u00f3prio, ordin\u00e1rio e imediato, embora o seu exerc\u00edcio seja superiormente regulado pela suprema autoridade da Igreja e possa ser circunscrito dentro de certos limites para utilidade da Igreja ou dos fi\u00e9is. Por virtude deste poder, t\u00eam os Bispos o sagrado direito e o dever, perante o Senhor, de promulgar leis para os seus s\u00fabditos, de julgar e de orientar todas as coisas que pertencem \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o do culto e do apostolado  \u00bb.166 Assim, em virtude do of\u00edcio que lhe foi confiado, o Bispo est\u00e1 investido de poder jur\u00eddico objectivo, destinado a exprimir-se em actos de poder pelos quais realiza o minist\u00e9rio de governo (munus pastorale) recebido no sacramento. Mas o governo do Bispo s\u00f3 ser\u00e1 pastoralmente eficaz \u2013 importa lembr\u00e1-lo tamb\u00e9m neste caso \u2013, se gozar do apoio duma boa credibilidade moral, que deriva da sua santidade de vida. Tal credibilidade predispor\u00e1 as mentes para acolherem o Evangelho anunciado por ele na sua Igreja e tamb\u00e9m as normas que ele estabelecer para o bem do Povo de Deus. Por isso, Santo Ambr\u00f3sio admoestava: \u00ab  Nos sacerdotes, n\u00e3o se procure nada de vulgar, nada tem de comum com as aspira\u00e7\u00f5es, os h\u00e1bitos, os costumes do povo rude. A dignidade sacerdotal reivindica para si pr\u00f3pria uma pondera\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m afastada dos tumultos, uma vida austera e uma singular credibilidade  \u00bb.167 O exerc\u00edcio da autoridade na Igreja n\u00e3o pode ser concebido como algo de impessoal e burocr\u00e1tico, precisamente porque se trata duma autoridade que nasce do testemunho. Em tudo o que o Bispo diz e faz, deve ser revelada a autoridade da palavra e da ac\u00e7\u00e3o de Cristo. Se faltasse a credibilidade da santidade de vida do Bispo, isto \u00e9, o seu testemunho de f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade, dificilmente o seu governo poderia ser sentido pelo Povo de Deus como manifesta\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a operante de Cristo na sua Igreja. Ministros, por vontade do Senhor, da apostolicidade da Igreja e revestidos com a for\u00e7a do Esp\u00edrito do Pai, que governa e guia (Spiritus principalis), os Bispos s\u00e3o sucessores dos Ap\u00f3stolos n\u00e3o apenas na autoridade e no poder sagrado, mas tamb\u00e9m na forma de vida apost\u00f3lica, nos sofrimentos que padecem por causa do an\u00fancio e difus\u00e3o do Evangelho, no cuidado terno e misericordioso dos fi\u00e9is que lhe est\u00e3o confiados, na defesa dos mais d\u00e9beis, na solicitude constante pelo Povo de Deus. Na aula sinodal, foi lembrado como, depois do Conc\u00edlio Vaticano II, o exerc\u00edcio da autoridade na Igreja se revelou frequentemente \u00e1rduo. Apesar de parecerem superadas algumas das dificuldades mais extremas, tal situa\u00e7\u00e3o perdura ainda; a quest\u00e3o que se coloca \u00e9 como tornar melhor compreendido, aceite e cumprido o servi\u00e7o necess\u00e1rio da autoridade. Uma primeira resposta ao problema prov\u00e9m precisamente da natureza da autoridade eclesial: esta \u00e9 \u2013 e deve manifestar-se o mais claramente poss\u00edvel \u2013 uma participa\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o de Cristo que h\u00e1-de ser vivida e exercida na humildade, na dedica\u00e7\u00e3o e no servi\u00e7o. A valoriza\u00e7\u00e3o da autoridade do Bispo adv\u00e9m, n\u00e3o das suas exterioridades, mas do aprofundamento do significado teol\u00f3gico, espiritual e moral do seu minist\u00e9rio, fundado no carisma da apostolicidade. Quanto foi dito na aula sinodal acerca do \u00edcone do lava-p\u00e9s e sobre o relacionamento da figura do servo com a do pastor, ajuda a compreender que o episcopado \u00e9 verdadeiramente uma honra quando \u00e9 servi\u00e7o. Por isso, cada Bispo deve aplicar a si pr\u00f3prio a palavra de Jesus: \u00ab  Sabeis como os governantes das na\u00e7\u00f5es fazem sentir o seu dom\u00ednio sobre elas e os magnates, a sua autoridade. N\u00e3o deve ser assim entre v\u00f3s. Quem quiser ser grande entre v\u00f3s, fa\u00e7a-se vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre v\u00f3s, fa\u00e7a-se escravo de todos. Porque o Filho do Homem tamb\u00e9m n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos  \u00bb (Mc 10, 42-45). Recordando-se destas palavras do Senhor, o Bispo governa com o cora\u00e7\u00e3o do servo humilde e do pastor afectuoso, que guia o seu rebanho procurando a gl\u00f3ria de Deus e a salva\u00e7\u00e3o das almas (cf. Lc 22, 26-27). Se assim for vivida, a forma de governo do Bispo ser\u00e1 verdadeiramente \u00fanica no mundo. J\u00e1 foi citado o texto da Lumen gentium que afirma que os Bispos regem as Igrejas particulares a eles confiadas como vig\u00e1rios e legados de Cristo, \u00ab  por meio de conselhos, persuas\u00f5es e exemplos  \u00bb.168 N\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o entre estas palavras e as que o mesmo documento conciliar acrescenta a seguir: \u00e9 verdade que os Bispos governam por meio de conselhos, persuas\u00f5es e exemplos \u00ab  mas tamb\u00e9m com autoridade e poder sagrado  \u00bb.169 Trata-se efectivamente dum \u00ab  poder sagrado  \u00bb, cujas ra\u00edzes assentam na credibilidade moral de que se reveste o Bispo pela sua santidade de vida. \u00c9 esta precisamente que facilita o bom acolhimento de toda a sua ac\u00e7\u00e3o de governo e a torna eficaz.  Estilo pastoral de governo e comunh\u00e3o diocesana 44. A viv\u00eancia da comunh\u00e3o eclesial levar\u00e1 o Bispo a um estilo pastoral cada vez mais aberto \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de todos. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de circularidade entre aquilo que o Bispo tem a responsabilidade pessoal de decidir para o bem da Igreja confiada aos seus cuidados e o contributo que os fi\u00e9is lhe podem oferecer atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os consultivos, tais como o s\u00ednodo diocesano, o conselho presbiteral, o conselho episcopal, o conselho pastoral.170 Os padres sinodais n\u00e3o deixaram de fazer refer\u00eancia a estas modalidades no exerc\u00edcio do governo episcopal, pelas quais se organiza a ac\u00e7\u00e3o pastoral na diocese.171 De facto, a Igreja particular n\u00e3o faz refer\u00eancia apenas ao tr\u00edplice minist\u00e9rio episcopal (munus episcopale), mas tamb\u00e9m \u00e0 tr\u00edplice fun\u00e7\u00e3o \u2013 prof\u00e9tica, sacerdotal e real \u2013 de todo o Povo de Deus; em virtude do Baptismo, todos os fi\u00e9is participam, segundo o modo pr\u00f3prio de cada um, do tr\u00edplice munus de Cristo. A sua real igualdade quanto a dignidade e actua\u00e7\u00e3o faz com que todos sejam chamados a cooperar para a edifica\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo e, consequentemente, a cumprir a miss\u00e3o que Deus confiou \u00e0 Igreja no mundo, segundo a condi\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias de cada um.172 Qualquer g\u00e9nero de distin\u00e7\u00e3o entre os fi\u00e9is, com base na diferen\u00e7a de carismas, fun\u00e7\u00f5es, minist\u00e9rios, tem em vista o servi\u00e7o dos outros membros do Povo de Deus. A distin\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica-funcional, que coloca o Bispo \u00ab  perante  \u00bb os outros fi\u00e9is devido \u00e0 plenitude do sacramento da Ordem recebido, faz dele um ser para os outros fi\u00e9is, sem por isso o desenraizar do seu ser com eles. A Igreja \u00e9 uma comunh\u00e3o org\u00e2nica, que se realiza atrav\u00e9s da coordena\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios carismas, minist\u00e9rios e servi\u00e7os em ordem \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o do fim comum que \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o. O Bispo \u00e9 respons\u00e1vel pela realiza\u00e7\u00e3o desta unidade na diversidade, procurando, como ficou dito na assembleia sinodal, favorecer de tal modo a sinergia entre os diversos agentes que seja poss\u00edvel percorrerem juntos o caminho comum de f\u00e9 e miss\u00e3o.173 Dito isto, \u00e9 necess\u00e1rio, por\u00e9m, acrescentar que o minist\u00e9rio do Bispo n\u00e3o se pode absolutamente reduzir \u00e0 tarefa de um simples moderador. Por sua natureza, o munus episcopale implica um claro e inequ\u00edvoco direito-dever de governo, no qual est\u00e1 inclu\u00edda tamb\u00e9m a componente jurisdicional. Os pastores s\u00e3o testemunhas p\u00fablicas e a sua potestas testandi fidem alcan\u00e7a a sua plenitude na potestas iudicandi: o Bispo \u00e9 chamado n\u00e3o s\u00f3 a testemunhar a f\u00e9, mas tamb\u00e9m a avaliar e a disciplinar as suas manifesta\u00e7\u00f5es nos crentes confiados aos seus cuidados pastorais. No cumprimento deste seu dever, far\u00e1 todo o poss\u00edvel por ter o consenso dos seus fi\u00e9is, mas em \u00faltima an\u00e1lise h\u00e1-de saber assumir-se a responsabilidade das decis\u00f5es que resultarem necess\u00e1rias \u00e0 sua consci\u00eancia de pastor, preocupado sobretudo com o ju\u00edzo futuro de Deus. A comunh\u00e3o org\u00e2nica eclesial chama em causa a responsabilidade pessoal do Bispo, mas sup\u00f5e tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de todas as categorias de fi\u00e9is, enquanto correspons\u00e1veis do bem da Igreja particular que eles mesmos formam. O que garante a autenticidade da referida comunh\u00e3o org\u00e2nica \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, que age quer na responsabilidade pessoal do Bispo, quer na participa\u00e7\u00e3o que nela tomam os fi\u00e9is. Com efeito o Esp\u00edrito, fundamento tanto da igualdade baptismal de todos os fi\u00e9is como da diversidade carism\u00e1tica e ministerial de cada um, pode actuar eficazmente a comunh\u00e3o. \u00c9 sobre a base destes princ\u00edpios que se regem os s\u00ednodos diocesanos, cujo perfil can\u00f3nico \u2013 estabelecido nos c\u00e2nones 460-468 do C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico \u2013 foi especificado pela Instru\u00e7\u00e3o interdicasterial de 19 de Mar\u00e7o de 1997.174 E dever\u00e3o ater-se \u00e0 subst\u00e2ncia de tais normas tamb\u00e9m as outras assembleias diocesanas, que o Bispo presidir\u00e1 sem nunca abdicar da sua espec\u00edfica responsabilidade. Se no Baptismo cada crist\u00e3o recebe o amor de Deus atrav\u00e9s da efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o Bispo \u2013 como oportunamente lembrou a assembleia sinodal \u2013 pelo sacramento da Ordem recebe no seu cora\u00e7\u00e3o a caridade pastoral de Cristo. Esta caridade pastoral tem como finalidade criar a comunh\u00e3o.175 Antes de traduzir em directrizes de ac\u00e7\u00e3o este amor-comunh\u00e3o, o Bispo deve esfor\u00e7ar-se por torn\u00e1-lo presente no seu cora\u00e7\u00e3o e no cora\u00e7\u00e3o da Igreja atrav\u00e9s duma vida autenticamente espiritual. Se a comunh\u00e3o exprime a ess\u00eancia da Igreja, \u00e9 normal que a espiritualidade de comunh\u00e3o tenda a manifestar-se quer no \u00e2mbito pessoal quer no comunit\u00e1rio, suscitando sempre novas formas de participa\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade nas v\u00e1rias categorias de fi\u00e9is. Por isso, o Bispo esfor\u00e7ar-se-\u00e1 por suscitar, na sua Igreja particular, estruturas de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, que permitam escutar o Esp\u00edrito que vive e fala nos fi\u00e9is e, depois, orient\u00e1-los a fim de porem em pr\u00e1tica o que o mesmo Esp\u00edrito sugere para o verdadeiro bem da Igreja.  As articula\u00e7\u00f5es da Igreja particular 45. Numerosas interven\u00e7\u00f5es dos padres sinodais referiram-se aos v\u00e1rios aspectos e momentos da vida da diocese. Assim, foi justamente dedicada aten\u00e7\u00e3o \u00e0 c\u00faria diocesana, enquanto estrutura de que o Bispo se serve para manifestar a caridade pastoral nos seus v\u00e1rios aspectos; 176 concretamente foi lembrada a conveni\u00eancia de confiar a administra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da diocese a pessoas competentes mas tamb\u00e9m honestas, de tal modo que se possa prop\u00f4-la como exemplo de transpar\u00eancia a todas as outras institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas an\u00e1logas. Se se vive uma espiritualidade de comunh\u00e3o na diocese, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel deixar de prestar uma aten\u00e7\u00e3o privilegiada \u00e0s par\u00f3quias e comunidades mais pobres, e de procurar al\u00e9m disso reservar uma parte das disponibilidades econ\u00f3micas para as Igrejas mais carecidas, especialmente nas terras de miss\u00e3o e de migra\u00e7\u00e3o.177 No entanto, foi sobre a par\u00f3quia que os padres sinodais acharam conveniente deter a sua aten\u00e7\u00e3o, lembrando que o primeiro respons\u00e1vel desta comunidade, que sobressai entre todas as existentes numa diocese, \u00e9 o Bispo: a ela sobretudo deve reservar a sua solicitude.178 De facto, a par\u00f3quia \u2013 como v\u00e1rias vozes afirmaram \u2013 permanece ainda o n\u00facleo fundamental na vida quotidiana da diocese.  A visita pastoral 46. \u00c9 precisamente nesta perspectiva que emerge em toda a sua import\u00e2ncia a visita pastoral, verdadeiro tempo de gra\u00e7a e momento especial, antes \u00fanico, para o encontro e o di\u00e1logo do Bispo com os fi\u00e9is.179 O Bispo Bartolomeu dos M\u00e1rtires \u2013 que beatifiquei poucos dias depois da conclus\u00e3o do S\u00ednodo \u2013 na sua obra cl\u00e1ssica Stimulus Pastorum, muito apreciada pelo pr\u00f3prio S. Carlos Borromeu, define a visita pastoral quasi anima episcopalis regiminis e descreve-a significativamente como uma expans\u00e3o da presen\u00e7a espiritual do Bispo entre os seus fi\u00e9is.180 Na sua visita pastoral \u00e0 par\u00f3quia o Bispo, deixando a outros delegados o exame das quest\u00f5es de car\u00e1cter administrativo, privilegie o encontro com as pessoas, a come\u00e7ar pelo p\u00e1roco e demais sacerdotes. Este \u00e9 o momento em que ele mais de perto exerce a favor do seu povo o minist\u00e9rio da palavra, da santifica\u00e7\u00e3o e da guia pastoral, entrando em contacto mais directo com as ang\u00fastias e preocupa\u00e7\u00f5es, as alegrias e as expectativas do povo, podendo dirigir a todos um convite \u00e0 esperan\u00e7a. E a\u00ed sobretudo o Bispo tem o contacto directo com as pessoas mais pobres, os idosos e os doentes. Assim realizada, a visita pastoral aparece como \u00e9: um sinal <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>capitulo III e IV<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,127,144,154,168,188,193,199,206,246,261,268,275,285,292,294,297,326],"class_list":["post-2823","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-direito-canonico","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-liturgia","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-patrimonio","tag-religiosidade-popular","tag-sacramentos","tag-santa-se","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2823"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2823\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}