{"id":282268,"date":"2023-05-15T12:23:46","date_gmt":"2023-05-15T11:23:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=282268"},"modified":"2023-05-15T12:23:46","modified_gmt":"2023-05-15T11:23:46","slug":"um-dia-15-com-a-familia-ao-colo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-dia-15-com-a-familia-ao-colo\/","title":{"rendered":"Um dia 15 com a Fam\u00edlia ao colo"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Dia Internacional da Fam\u00edlia \u00e9 celebrado, desde 1994, a 15 de maio. Esta data, escolhida pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, tem como objetivos, entre outros, destacar e chamar a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da fam\u00edlia. De facto, \u00e9 bom que todas as inst\u00e2ncias locais, nacionais, supranacionais e toda a sociedade civil se interessem cada vez mais pela fam\u00edlia, pela sua verdade, pela sua solidez, pela sua estabilidade, pelos seus direitos, pela sua qualidade de vida com tudo o que isso implica. Tudo quanto se possa fazer &#8211; de bem -, pela fam\u00edlia \u00e9 sempre muito pouco, pouqu\u00edssimo em rela\u00e7\u00e3o ao que ela merece e precisa. De promessas, blabl\u00e1 e de quem a agrida \u00e9 que ela n\u00e3o precisa mesmo.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 o fundamento da vida das pessoas, &#8216;o prot\u00f3tipo de todo o ordenamento social&#8217;, a primeira e fundamental estrutura a favor da \u2018ecologia humana\u2019. \u00c9 no seio da fam\u00edlia que a pessoa recebe as primeiras e mais importantes no\u00e7\u00f5es acerca da verdade e do bem, aprende o que significa amar e ser amado, o que quer dizer &#8216;ser pessoa&#8217;. \u00c9 o primeiro espa\u00e7o onde se fomenta a cultura do di\u00e1logo, do acolhimento, da toler\u00e2ncia, da partilha, do respeito m\u00fatuo, da afetividade, da aten\u00e7\u00e3o ao outro, do cuidar do diferente, da corresponsabilidade e da alegria do encontro, do saber ser e estar. \u00c9 o primeiro espa\u00e7o que tamb\u00e9m educa e fortalece para saber ultrapassar as dificuldades, as tens\u00f5es e as contrariedades da vida, ou, quando isso \u00e9 de todo imposs\u00edvel, devido \u00e0 doen\u00e7a, ao sofrimento, \u00e0 fragilidade humana e \u00e0 pr\u00f3pria morte, mesmo que custe, a\u00ed se aprende que a vida engloba tudo isso. N\u00e3o \u00e9 como desejar\u00edamos que fosse, \u00e9 o que \u00e9, \u201cum caminho din\u00e2mico de crescimento e realiza\u00e7\u00e3o\u201d percorrido na humildade da sua realidade concreta, com realismo.<\/p>\n<p>Sujeito titular de direitos pr\u00f3prios e origin\u00e1rios, \u00e9 a mais pequenina e a primeira sociedade humana, tem a sua legitima\u00e7\u00e3o na natureza humana, n\u00e3o no reconhecimento do Estado. \u00c9 anterior \u00e0 sociedade e ao Estado e n\u00e3o \u00e9 para a sociedade nem para o Estado, o Estado e a sociedade \u00e9 que s\u00e3o para a fam\u00edlia (DSI214). Reconhecidas e responsabilizadas na sua integridade, as pessoas t\u00eam a\u00ed, na fam\u00edlia, com os seus defeitos e as suas virtudes, a primeira e insubstitu\u00edvel escola de humaniza\u00e7\u00e3o, de sociabilidade, de cidadania. Nela se faz a experi\u00eancia de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, inspirada e guiada pela lei da gratuidade. A\u00ed se guardam, vivem, defendem e transmitem virtudes e valores (FC42). E a fam\u00edlia, tanto mais contribuir\u00e1, de modo \u00fanico e insubstitu\u00edvel, para o bem da sociedade e do Estado quanto mais a sociedade e o Estado a defenderem, apoiarem e promoverem. Sem fam\u00edlias fortes e est\u00e1veis no compromisso, sem fam\u00edlias saud\u00e1veis e felizes, os povos banalizam-se, degradam-se, destroem-se.<\/p>\n<p>Sabemos que a evolu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es familiares e da sua ordena\u00e7\u00e3o jur\u00eddica foram sempre influenciadas pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, econ\u00f3micas, culturais e religiosas. A fam\u00edlia vive no espa\u00e7o e no tempo. Tem sido a\u00ed, apesar de todas as dificuldades que enfrenta, que ela tem mostrado a sua for\u00e7a e a sua grandeza. E qu\u00e3o grande foi o contributo do cristianismo para a concretiza\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana no contexto da fam\u00edlia. Foi e continua a ser esse o projeto ou modelo de fam\u00edlia que anunciamos e propomos, isto \u00e9, a fam\u00edlia fundada no casamento entre um homem e uma mulher, monog\u00e2mico, aberto aos filhos, verdadeira comunidade de vida e de amor. Uma comunidade fundada no reconhecimento da igualdade e das diferen\u00e7as entre homem e mulher, em verdadeira comunh\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o ativa, sem rela\u00e7\u00e3o de poder ou de\u00a0 dom\u00ednio. Mais do que um contrato, a fam\u00edlia \u00e9 uma alian\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros modelos de fam\u00edlia, sim, h\u00e1, e n\u00e3o temos dificuldade em considerar os valores que, porventura, em alguns deles possam existir ou existam mesmo. Estes novos cen\u00e1rios familiares, por\u00e9m, fruto de escolhas pessoais e muitas vezes provis\u00f3rias, \u00e0s quais, \u00e0 falta de outra palavra se continua a chamar fam\u00edlia, enfraquece a uni\u00e3o matrimonial e enfraquece a fam\u00edlia como institui\u00e7\u00e3o, chegando-se a afirmar que n\u00e3o \u00e9 a fam\u00edlia que est\u00e1 em crise, mas que em crise est\u00e1 sim o modelo de fam\u00edlia est\u00e1vel e harmoniosa, de homem\/mulher e filhos.<\/p>\n<p>Alguns desses modelos nascem a pretexto dum pretenso conflito entre f\u00e9 e progresso. Outros surgem em obedi\u00eancia a ideologias e em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia tradicional. Outros ser\u00e3o fruto dos modos de pensar e viver a liberdade, hoje, nesta sociedade l\u00edquida, do usa e deita fora. Outros emergem s\u00f3 porque sim, por afirma\u00e7\u00e3o light. Na base das leis de alguns pa\u00edses j\u00e1 est\u00e1 subjacente a ideia do alargamento do conceito de fam\u00edlia a novas formas ou modelos. Olhando-os com olhos de ver, por\u00e9m, alguns desses modelos n\u00e3o s\u00f3 contradizem o verdadeiro conceito de fam\u00edlia, n\u00e3o s\u00f3 negam a identidade da fam\u00edlia, mas at\u00e9 se op\u00f5em ao conceito de cultura e de progresso cultural. E fazem-nos valer como inevit\u00e1vel consequ\u00eancia do progresso cultural e social, logo apelidando de retr\u00f3grados, conservadores e contra as leis do progresso quem discorda, quem n\u00e3o se conforma nem se cala! O progresso aut\u00eantico n\u00e3o se desvincula da sua liga\u00e7\u00e3o com a natureza. Tem como objetivo o desenvolvimento dos seus pr\u00f3prios valores. Supera as contradi\u00e7\u00f5es criadas pela sua din\u00e2mica e desenvolvimento. N\u00e3o entra por uma conce\u00e7\u00e3o relativista e contradit\u00f3ria da natureza, da vida e da pessoa, desumanizando e destruindo a identidade pessoal e social. O Conc\u00edlio Vaticano II lembra-nos que \u201c\u00c9 pr\u00f3prio da pessoa humana n\u00e3o ter acesso a uma verdadeira e plena condi\u00e7\u00e3o humana, sen\u00e3o pela cultura, isto \u00e9, cultivando os bens e os valores da natureza. Por isso, sempre que se trata da vida humana, a natureza e a cultura est\u00e3o intimamente ligadas\u201d (GS53).<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de numerosas fam\u00edlias, ao perto e ao longe, \u00e9 muito sofrida e quase s\u00f3 sujeita de deveres. Institui\u00e7\u00f5es e leis ignoram os seus direitos inviol\u00e1veis, agridem-na com viol\u00eancia nos seus valores e nas suas exig\u00eancias fundamentais. V\u00edtima de injusti\u00e7as, ina\u00e7\u00e3o, atrasos e lentid\u00e3o nas interven\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia, \u2018patrim\u00f3nio da humanidade\u2019, em muitos lugares, geme e grita, mas em v\u00e3o (cf. FC46).<\/p>\n<p>Qualquer modelo social que se leve a s\u00e9rio e pretenda servir o bem comum n\u00e3o pode prescindir da centralidade da fam\u00edlia e de agir com responsabilidade em prol da mesma. Melhor: poder pode, mas n\u00e3o ir\u00e1 longe nem pelos melhores caminhos. Acho mesmo que temos aqui uma exce\u00e7\u00e3o a confirmar a regra: neste caso, nem todos os caminhos levam a Roma!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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