{"id":2822,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-pastores-gregis\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal PASTORES GREGIS"},"content":{"rendered":"<p>cap\u00edtulo VI <!--more--> (continua\u00e7\u00e3o)  CAP\u00cdTULO VI NA COMUNH\u00c3O DAS IGREJAS \u00abO cuidado de todas as Igrejas  \u00bb (2 Cor 11, 28) 55. Ao escrever aos crist\u00e3os de Corinto, o ap\u00f3stolo Paulo recorda tudo o que padeceu pelo Evangelho: \u00ab  Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus concidad\u00e3os, perigos dos pag\u00e3os, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre os falsos irm\u00e3os. Trabalhos e fadigas, repetidas vig\u00edlias, com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez! E, al\u00e9m de tudo isto, a minha obsess\u00e3o de cada dia: O cuidado de todas as Igrejas!  \u00bb (2 Cor 11, 26-28). E conclui com uma quest\u00e3o que traduz sua solid\u00e1ria compaix\u00e3o: \u00ab  Quem \u00e9 fraco, sem que eu tamb\u00e9m o seja? Quem trope\u00e7a, que eu n\u00e3o me consuma com a febre?  \u00bb (2 Cor 11, 29). A mesma quest\u00e3o interpela a consci\u00eancia de cada Bispo, como membro do Col\u00e9gio Episcopal. Recorda-o expressamente o Conc\u00edlio Vaticano II quando diz que todos os Bispos, enquanto membros do Col\u00e9gio Episcopal e leg\u00edtimos sucessores dos Ap\u00f3stolos, est\u00e3o obrigados, por institui\u00e7\u00e3o e preceito de Cristo, a estender a sua solicitude a toda a Igreja. \u00ab  Todos os Bispos devem, com efeito, promover e defender a unidade da f\u00e9 e disciplina comum a toda a Igreja; formar os fi\u00e9is no amor pelo Corpo m\u00edstico de Cristo, principalmente pelos membros pobres, sofredores e que padecem persegui\u00e7\u00e3o por amor da justi\u00e7a (Mt 5,10); devem, finalmente, promover todas as actividades que s\u00e3o comuns a toda a Igreja, sobretudo para que a f\u00e9 se difunda e a luz da verdade total nas\u00e7a para todos os homens. Ali\u00e1s, \u00e9 certo que, governando bem a pr\u00f3pria Igreja, como por\u00e7\u00e3o da Igreja universal, concorrem eficazmente para o bem de todo o Corpo m\u00edstico, que \u00e9 tamb\u00e9m o corpo das Igrejas  \u00bb.206 Desta forma, cada Bispo est\u00e1 relacionado simultaneamente com a sua Igreja particular e com a Igreja universal. De facto, o mesmo Bispo, que \u00e9 princ\u00edpio vis\u00edvel e fundamento da unidade na pr\u00f3pria Igreja particular, \u00e9 tamb\u00e9m o la\u00e7o vis\u00edvel da comunh\u00e3o eclesi\u00e1stica entre a sua Igreja particular e a Igreja universal. Assim, todos os Bispos, residindo nas respectivas Igrejas particulares espalhadas pelo mundo mas conservando sempre a comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com a Cabe\u00e7a do Col\u00e9gio Episcopal e com o mesmo Col\u00e9gio, d\u00e3o consist\u00eancia e express\u00e3o \u00e0 catolicidade da Igreja e, ao mesmo tempo, conferem \u00e0 sua Igreja particular esta nota de catolicidade. Deste modo, cada Bispo \u00e9 de certo forma ponto de conjun\u00e7\u00e3o da sua Igreja particular com a Igreja universal e testemunho vis\u00edvel da presen\u00e7a da \u00fanica Igreja de Cristo na sua Igreja particular. Portanto, na comunh\u00e3o das Igrejas o Bispo representa a sua Igreja particular e, nesta, representa a comunh\u00e3o das Igrejas. De facto, por meio do minist\u00e9rio episcopal, as portiones Ecclesi\u00e6 participam na totalidade da Una-Santa, enquanto esta, sempre atrav\u00e9s de tal minist\u00e9rio, se torna presente em cada Ecclesi\u00e6 portio 207. A dimens\u00e3o universal do minist\u00e9rio episcopal manifesta-se e realiza-se plenamente quando todos os Bispos, em comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com o Romano Pont\u00edfice, actuam como Col\u00e9gio. Reunidos solenemente num Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico ou espalhados pelo mundo, mas sempre em comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com o Romano Pont\u00edfice, eles constituem a continua\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Apost\u00f3lico.208 Mas h\u00e1 ainda outras formas pelas quais todos os Bispos colaboram entre si e com o Romano Pont\u00edfice in bonum totius Ecclesi\u00e6, e isto primariamente para que o Evangelho seja anunciado em toda a terra e tamb\u00e9m para enfrentar os v\u00e1rios problemas que afligem as diversas Igrejas particulares. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio do Sucessor de Pedro em benef\u00edcio da Igreja inteira e de cada Igreja particular e ainda a ac\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio enquanto tal constituem uma v\u00e1lida ajuda para que, nas Igrejas particulares confiadas ao cuidado pastoral de cada um dos Bispos diocesanos, sejam salvaguardadas a unidade da f\u00e9 e a disciplina comum a toda a Igreja. Na C\u00e1tedra de Pedro, os Bispos, tanto individualmente como unidos entre si em Col\u00e9gio, encontram o princ\u00edpio e fundamento perp\u00e9tuo e vis\u00edvel da unidade da f\u00e9 e da comunh\u00e3o.209  O Bispo diocesano na sua rela\u00e7\u00e3o com a suprema autoridade 56. O Conc\u00edlio Vaticano II ensina que \u00ab  aos Bispos, como sucessores dos Ap\u00f3stolos, compete de direito, na diocese a cada um confiada, todo o poder ordin\u00e1rio, pr\u00f3prio e imediato, que \u00e9 necess\u00e1rio para o exerc\u00edcio do seu cargo pastoral (munus pastorale), salvaguardado sempre em tudo o poder que, em raz\u00e3o do seu m\u00fanus, o Romano Pont\u00edfice tem de reservar causas a si ou a outra autoridade  \u00bb.210 Na aula sinodal algu\u00e9m levantou a quest\u00e3o se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tratar a rela\u00e7\u00e3o entre o Bispo e a suprema autoridade \u00e0 luz do princ\u00edpio de subsidiariedade, especialmente no que se refere \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre o Bispo e a C\u00faria Romana, esperando que tais rela\u00e7\u00f5es, em sintonia com uma eclesiologia de comunh\u00e3o, se processem no respeito das compet\u00eancias de cada um e, consequentemente, actuando uma maior descentraliza\u00e7\u00e3o. Foi tamb\u00e9m solicitado que se estude a possibilidade de aplicar tal princ\u00edpio \u00e0 vida da Igreja, sempre salvaguardando o facto de que o princ\u00edpio constitutivo do exerc\u00edcio da autoridade episcopal \u00e9 a comunh\u00e3o hier\u00e1rquica de cada um dos Bispos com o Romano Pont\u00edfice e com o Col\u00e9gio Episcopal. Como \u00e9 sabido, o princ\u00edpio de subsidiariedade foi formulado pelo meu predecessor de veneranda mem\u00f3ria Pio XI para a sociedade civil.211 O Conc\u00edlio Vaticano II, que nunca usou o termo \u00ab  subsidiariedade  \u00bb, contudo encorajou a partilha entre os organismos da Igreja, iniciando uma nova reflex\u00e3o sobre a teologia do Episcopado que est\u00e1 a dar os seus frutos na aplica\u00e7\u00e3o concreta \u00e0 comunh\u00e3o eclesial do princ\u00edpio da colegialidade. Os padres sinodais, por sua vez, consideraram que o conceito de subsidiariedade aplicado ao exerc\u00edcio da autoridade episcopal resulta amb\u00edguo e insistiram para que seja aprofundada teologicamente a natureza da autoridade episcopal \u00e0 luz do princ\u00edpio de comunh\u00e3o.212 Na assembleia sinodal, falou-se diversas vezes do princ\u00edpio de comunh\u00e3o.213 Trata-se duma comunh\u00e3o org\u00e2nica, que se inspira na imagem do Corpo de Cristo, de que fala o Ap\u00f3stolo Paulo pondo em destaque as fun\u00e7\u00f5es de complementaridade e m\u00fatua ajuda entre os diversos membros no \u00fanico corpo (cf. 1 Cor 12, 12-31). Assim, para que seja feito de modo correcto e eficaz o recurso ao princ\u00edpio de comunh\u00e3o, h\u00e1 alguns pontos de refer\u00eancia que s\u00e3o inevit\u00e1veis. Antes de mais nada, h\u00e1 que ter em conta o facto de que, na sua Igreja particular, o Bispo diocesano possui todo o poder ordin\u00e1rio, pr\u00f3prio e imediato, necess\u00e1rio para o cumprimento do seu minist\u00e9rio pastoral. Compete-lhe, pois, um \u00e2mbito pr\u00f3prio de exerc\u00edcio aut\u00f3nomo de tal autoridade, \u00e2mbito reconhecido e tutelado pela legisla\u00e7\u00e3o universal.214 Mas, por outro lado, o poder do Bispo coexiste com o poder supremo do Romano Pont\u00edfice, tamb\u00e9m este episcopal, ordin\u00e1rio e imediato sobre todas e cada uma das dioceses e reuni\u00e3o delas, sobre todos os pastores e os fi\u00e9is.215 Outro ponto fora de quest\u00e3o que se deve ter presente: a unidade da Igreja est\u00e1 radicada na unidade do Episcopado, o qual, para ser uno, requer uma Cabe\u00e7a do Col\u00e9gio. De forma an\u00e1loga a Igreja, para ser una, exige uma Igreja como Cabe\u00e7a das Igrejas, a de Roma, cujo Bispo \u2013 Sucessor de Pedro \u2013 \u00e9 a Cabe\u00e7a do Col\u00e9gio.216 Assim, \u00ab  para que cada Igreja particular seja plenamente Igreja, isto \u00e9, presen\u00e7a particular da Igreja universal com todos os seus elementos essenciais, constitu\u00edda portanto \u00e0 imagem da Igreja universal, nela deve estar presente, como elemento pr\u00f3prio, a suprema autoridade da Igreja [&#8230;]. O primado do Bispo de Roma e o Col\u00e9gio Episcopal s\u00e3o elementos pr\u00f3prios da Igreja universal, \u201cn\u00e3o derivados da particularidade das Igrejas\u201d mas interiores a cada Igreja particular. [&#8230;] O facto do minist\u00e9rio do Sucessor de Pedro ser interior a cada Igreja particular \u00e9 express\u00e3o necess\u00e1ria dessa fundamental e m\u00fatua interioridade entre Igreja universal e Igreja particular  \u00bb.217 A Igreja de Cristo, na sua nota de catolicidade, realiza-se plenamente em cada Igreja particular, a qual recebe todos os meios naturais e sobrenaturais para cumprir a miss\u00e3o, que Deus confiou \u00e0 Igreja para a realizar no mundo. Entre esses meios, est\u00e1 tamb\u00e9m o poder ordin\u00e1rio, pr\u00f3prio e imediato do Bispo, requerido para o exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio pastoral (munus pastorale); mas tal exerc\u00edcio est\u00e1 sujeito \u00e0s leis universais e \u00e0s reservas \u2013 estabelecidas pelo direito ou por um decreto do Sumo Pont\u00edfice \u2013 \u00e0 suprema autoridade ou a outra autoridade eclesi\u00e1stica.218 A capacidade de governo pr\u00f3prio, incluindo tamb\u00e9m o exerc\u00edcio do magist\u00e9rio aut\u00eantico,219 que pertence intrinsecamente ao Bispo na sua diocese, entra dentro daquela realidade m\u00edstica da Igreja que faz com que na Igreja particular esteja imanente a Igreja universal e se torne presente a suprema autoridade, ou seja, o Romano Pont\u00edfice e o Col\u00e9gio dos Bispos com o seu poder supremo, pleno, ordin\u00e1rio e imediato sobre todos os fi\u00e9is e pastores.220 Segundo a doutrina do Conc\u00edlio Vaticano II, deve-se afirmar que as fun\u00e7\u00f5es de ensinar (munus docendi) e de governar (munus regendi) \u2013 e correlativo poder de magist\u00e9rio e de governo \u2013 na Igreja particular s\u00e3o, por sua natureza, exercidas por cada Bispo diocesano na comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com a Cabe\u00e7a do Col\u00e9gio e com o pr\u00f3prio Col\u00e9gio.221 Isto n\u00e3o enfraquece a autoridade episcopal, antes refor\u00e7a-a, visto que os v\u00ednculos da comunh\u00e3o hier\u00e1rquica que unem os Bispos \u00e0 S\u00e9 Apost\u00f3lica requerem necessariamente uma coordena\u00e7\u00e3o da responsabilidade do Bispo diocesano com a da suprema autoridade, imposta pela pr\u00f3pria natureza da Igreja. \u00c9 o pr\u00f3prio direito divino que coloca os limites do exerc\u00edcio duma e doutra responsabilidade. Por isso, o poder dos Bispos \u00ab  n\u00e3o \u00e9 diminu\u00eddo pela autoridade suprema e universal, mas antes, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 por ela assegurado, fortificado e defendido, dado que o Esp\u00edrito Santo conserva indefectivelmente a forma de governo estabelecida por Cristo Nosso Senhor na Igreja  \u00bb.222 O Papa Paulo VI, ao abrir o terceiro per\u00edodo do Conc\u00edlio Vaticano II, justamente afirmou: \u00ab  Como v\u00f3s, vener\u00e1veis Irm\u00e3os no episcopado, espalhados pela terra, tendes necessidade dum centro, dum princ\u00edpio de unidade na f\u00e9 e na comunh\u00e3o \u2013 para dar consist\u00eancia e express\u00e3o \u00e0 verdadeira catolicidade da Igreja \u2013 e isso exactamente encontrais na c\u00e1tedra de Pedro; assim N\u00f3s temos necessidade que v\u00f3s estejais sempre ao Nosso lado, para dardes cada vez mais ao rosto desta S\u00e9 Apost\u00f3lica a sua verdadeira fisionomia, a sua realidade humana e hist\u00f3rica, e at\u00e9 mesmo para lhe oferecerdes concord\u00e2ncia com a sua f\u00e9, o exemplo no cumprimento dos seus deveres e o conforto nas suas tribula\u00e7\u00f5es  \u00bb .223 A realidade da comunh\u00e3o, que est\u00e1 na base de todas as rela\u00e7\u00f5es intra-eclesiais224 e que foi posta em evid\u00eancia tamb\u00e9m na discuss\u00e3o sinodal, constitui uma rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade entre o Romano Pont\u00edfice e os Bispos. Com efeito, se por um lado o Bispo, para exprimir cabalmente o seu pr\u00f3prio m\u00fanus e fundar a catolicidade da sua Igreja, deve exercer o poder de governo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio (munus regendi) na comunh\u00e3o hier\u00e1rquica com o Romano Pont\u00edfice e com o Col\u00e9gio Episcopal, por outro lado o Romano Pont\u00edfice, Cabe\u00e7a do Col\u00e9gio, no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio de supremo pastor da Igreja (munus supremi Ecclesiae pastoris), age sempre na comunh\u00e3o com todos os outros Bispos, antes com toda a Igreja.225 Ent\u00e3o, na comunh\u00e3o eclesial, tal como o Bispo n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 mas faz cont\u00ednua refer\u00eancia ao Col\u00e9gio e \u00e0 sua Cabe\u00e7a e por eles \u00e9 apoiado, assim tamb\u00e9m o Romano Pont\u00edfice n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 mas sempre faz refer\u00eancia aos Bispos e \u00e9 por eles apoiado. Este \u00e9 outro motivo pelo qual o exerc\u00edcio do supremo poder do Romano Pont\u00edfice n\u00e3o anula, mas, pelo contr\u00e1rio, afirma, corrobora e reivindica o poder ordin\u00e1rio, pr\u00f3prio e imediato do Bispo na sua Igreja particular.  As visitas \u00ab  ad limina Apostolorum  \u00bb 57. Simultaneamente manifesta\u00e7\u00e3o e meio de comunh\u00e3o entre os Bispos e a C\u00e1tedra de Pedro s\u00e3o as visitas ad limina Apostolorum.226 De facto, estas comp\u00f5em-se de tr\u00eas momentos principais, cada um deles com o seu significado pr\u00f3prio.227 Em primeiro lugar, a peregrina\u00e7\u00e3o ao sepulcro dos dois pr\u00edncipes dos Ap\u00f3stolos para indicar a liga\u00e7\u00e3o \u00e0quela \u00fanica f\u00e9 de que deram testemunho em Roma com o seu mart\u00edrio S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo. Relacionado com este est\u00e1 o segundo momento: o encontro com o Sucessor de Pedro. De facto, por ocasi\u00e3o da visita ad limina, os Bispos re\u00fanem-se em redor dele e praticam, segundo o princ\u00edpio de catolicidade, uma comunica\u00e7\u00e3o de dons dentre todos os bens que, por obra do Esp\u00edrito Santo, existem na Igreja, tanto a n\u00edvel particular e local como a n\u00edvel universal.228 O que ent\u00e3o se verifica n\u00e3o se reduz a uma mera informa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, mas \u00e9 sobretudo a afirma\u00e7\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o da colegialidade (collegialis conformatio) no corpo da Igreja, pela qual se constitui a unidade na diversidade, gerando uma esp\u00e9cie de perichoresis (intercompenetra\u00e7\u00e3o) entre a Igreja universal e as Igrejas particulares, que se pode comparar ao movimento do sangue que parte do cora\u00e7\u00e3o para as extremidades do corpo e destas volta ao cora\u00e7\u00e3o.229 A seiva vital, que vem de Cristo, une todas as partes, como a seiva da videira que chega at\u00e9 \u00e0s varas (cf. Jo 15, 5). Isto torna-se particularmente evidente na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dos Bispos com o Papa. De facto, toda a Eucaristia \u00e9 celebrada em comunh\u00e3o com o Bispo pr\u00f3prio, com o Romano Pont\u00edfice e com o Col\u00e9gio Episcopal e, atrav\u00e9s deles, com os fi\u00e9is da Igreja particular e da Igreja inteira, de tal modo que a Igreja universal est\u00e1 presente na Igreja particular e esta est\u00e1 inserida, com as outras Igrejas particulares, na comunh\u00e3o da Igreja universal. Desde os primeiros s\u00e9culos, a refer\u00eancia suprema da comunh\u00e3o \u00e9 a Igreja de Roma, onde Pedro e Paulo deram o seu testemunho de f\u00e9. Com ela, pela sua posi\u00e7\u00e3o mais excelente, deve necessariamente estar de acordo toda a Igreja, porque isto \u00e9 a garantia \u00faltima de integridade da tradi\u00e7\u00e3o transmitida pelos Ap\u00f3stolos.230 De facto, a Igreja de Roma preside \u00e0 comunh\u00e3o universal da caridade,231 tutela as leg\u00edtimas diversidades e ao mesmo tempo vigia para que as particularidades sirvam a unidade e de forma alguma a prejudiquem.232 Tudo isto sup\u00f5e a necessidade da comunh\u00e3o das v\u00e1rias Igrejas com a Igreja de Roma, para que todas se possam encontrar na integridade da Tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e na unidade da disciplina can\u00f3nica para a conserva\u00e7\u00e3o da f\u00e9, dos sacramentos e do caminho concreto para a santidade. Esta comunh\u00e3o das Igrejas \u00e9 expressa pela comunh\u00e3o hier\u00e1rquica entre cada um dos Bispos e o Romano Pont\u00edfice.233 Da comunh\u00e3o cum Petro et sub Petro de todos os Bispos, praticada na caridade, surge o dever da colabora\u00e7\u00e3o de todos com o Sucessor de Pedro, para o bem da Igreja inteira e consequentemente de cada Igreja particular. A visita ad limina tem precisamente esta finalidade. O terceiro aspecto das visitas ad limina \u00e9 constitu\u00eddo pelo encontro com os respons\u00e1veis dos dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana: tratando com eles, os Bispos t\u00eam acesso directo aos problemas de compet\u00eancia de cada dicast\u00e9rio e assim s\u00e3o introduzidos nos v\u00e1rios aspectos da solicitude pastoral comum. A este respeito, os padres sinodais pediram que, sob o signo do m\u00fatuo conhecimento e confian\u00e7a, se tornem mais frequentes os contactos entre Bispos \u2013 individualmente ou unidos nas Confer\u00eancias Episcopais \u2013 e dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana,234 para que estes, informados directamente dos problemas concretos das Igrejas, possam realizar melhor o seu servi\u00e7o universal. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que as visitas ad limina, juntamente com o relat\u00f3rio quinquenal sobre o estado da diocese,235 s\u00e3o meios eficazes para responder \u00e0 exig\u00eancia de conhecimento rec\u00edproco, que brota da pr\u00f3pria realidade da comunh\u00e3o entre os Bispos e o Romano Pont\u00edfice. Mais, a presen\u00e7a dos Bispos em Roma para a visita pode ser ocasi\u00e3o oportuna, por um lado, para apressar a resposta \u00e0s quest\u00f5es que apresentaram aos dicast\u00e9rios e, por outro, para favorecer \u2013 conforme desejo por eles manifestado \u2013 uma consulta individual ou colectiva tendo em vista a prepara\u00e7\u00e3o de documentos de relevante import\u00e2ncia geral; nessa altura, poder-se-ia al\u00e9m disso ilustrar convenientemente aos mesmos Bispos eventuais documentos, antes da sua publica\u00e7\u00e3o, que a Santa S\u00e9 tivesse em mente dirigir \u00e0 Igreja no seu todo ou especificamente \u00e0s suas Igrejas particulares.  O S\u00ednodo dos Bispos 58. Por experi\u00eancia j\u00e1 consolidada, cada assembleia geral do S\u00ednodo dos Bispos \u2013 de qualquer modo representativa do Episcopado \u2013 mostra de forma peculiar o esp\u00edrito de comunh\u00e3o que une os Bispos com o Romano Pont\u00edfice e os Bispos entre si, permitindo exprimir, sob a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, um profundo ju\u00edzo eclesial sobre os v\u00e1rios problemas que preocupam a vida da Igreja.236 Como \u00e9 sabido, durante o Conc\u00edlio Vaticano II sentiu-se a exig\u00eancia de que os Bispos pudessem ajudar melhor o Romano Pont\u00edfice no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio. Em considera\u00e7\u00e3o disto mesmo, o meu predecessor de veneranda mem\u00f3ria Paulo VI instituiu o S\u00ednodo dos Bispos,237 sem esquecer, por\u00e9m, a contribui\u00e7\u00e3o que prestava j\u00e1 ao Romano Pont\u00edfice o Conselho dos Cardeais. Assim, atrav\u00e9s do novo organismo, podia-se exprimir mais eficazmente o afecto colegial e a solicitude dos Bispos pelo bem de toda a Igreja. Os anos transcorridos mostraram como os Bispos, em uni\u00e3o de f\u00e9 e de caridade, possam com o seu conselho prestar uma v\u00e1lida ajuda ao Romano Pont\u00edfice no exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio apost\u00f3lico tanto para a salvaguarda da f\u00e9 e dos costumes, como para a observ\u00e2ncia da disciplina eclesi\u00e1stica. De facto, a troca de informa\u00e7\u00f5es sobre as Igrejas particulares, facilitando a concord\u00e2ncia de senten\u00e7as mesmo sobre quest\u00f5es doutrinais, \u00e9 um modo v\u00e1lido para refor\u00e7ar a comunh\u00e3o.238 Cada assembleia geral do S\u00ednodo dos Bispos \u00e9 uma forte experi\u00eancia eclesial, embora possa ser sempre aperfei\u00e7oada nas modalidades dos seus procedimentos.239 Os Bispos reunidos no S\u00ednodo representam antes de mais nada as pr\u00f3prias Igrejas, mas t\u00eam em conta tamb\u00e9m as contribui\u00e7\u00f5es das Confer\u00eancias Episcopais que os designaram fazendo-os portadores dos seus pareceres sobre as quest\u00f5es a tratar. Eles exprimem assim o voto do corpo hier\u00e1rquico da Igreja e, de algum modo, o do povo crist\u00e3o de quem s\u00e3o os pastores. O S\u00ednodo \u00e9 um acontecimento onde se torna particularmente evidente que o Sucessor de Pedro, no cumprimento do seu m\u00fanus, est\u00e1 sempre unido em comunh\u00e3o com os outros Bispos e com toda a Igreja.240 A prop\u00f3sito, o C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico estabelece: \u00ab  Compete ao S\u00ednodo dos Bispos discutir acerca dos assuntos a tratar e expressar os seus votos; n\u00e3o por\u00e9m derimi-los nem fazer decretos acerca dos mesmos, a n\u00e3o ser que, em certos casos, lhe tenha sido dado poder deliberativo pelo Romano Pont\u00edfice, a quem neste caso pertence ratificar as decis\u00f5es sinodais  \u00bb.241 O facto de o S\u00ednodo ter normalmente uma fun\u00e7\u00e3o apenas consultiva, n\u00e3o diminui a sua import\u00e2ncia. Com efeito, na Igreja a finalidade de qualquer \u00f3rg\u00e3o colegial, seja ele consultivo ou deliberativo, \u00e9 sempre a busca da verdade ou do bem da Igreja. E quando se trata mesmo da verifica\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria f\u00e9, o consensus Ecclesi\u00e6 n\u00e3o resulta da contagem dos votos, mas \u00e9 fruto da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, alma da \u00fanica Igreja de Cristo. Precisamente porque o S\u00ednodo est\u00e1 ao servi\u00e7o da verdade e da Igreja, como express\u00e3o da verdadeira corresponsabilidade por parte de todo o Episcopado em uni\u00e3o com a sua Cabe\u00e7a em vista do bem da Igreja, ao darem o voto, consultivo ou deliberativo, os Bispos, juntamente com os outros membros do S\u00ednodo n\u00e3o revestidos do car\u00e1cter episcopal, exprimem assim mesmo a participa\u00e7\u00e3o no governo da Igreja universal. Como o meu predecessor de veneranda mem\u00f3ria Paulo VI, tamb\u00e9m eu quis arrecadar o tesouro das propostas e pareceres expressos pelos padres sinodais, fazendo-os confluir no processo de elabora\u00e7\u00e3o do documento que recolhe os resultados do S\u00ednodo e por isso mesmo \u00e9 designado como \u00ab  p\u00f3s-sinodal  \u00bb.  A comunh\u00e3o entre os Bispos e entre as Igrejas a n\u00edvel local 59. Al\u00e9m do n\u00edvel universal, muitas e variadas s\u00e3o as formas poss\u00edveis e reais de exprimir a comunh\u00e3o episcopal e, consequentemente, a solicitude por todas as Igrejas irm\u00e3s. Mais ainda, os contactos rec\u00edprocos dos Bispos superam amplamente os seus encontros institucionais. A consci\u00eancia profunda da dimens\u00e3o colegial do minist\u00e9rio que lhes foi confiado deve impeli-los a realizarem entre si, sobretudo no \u00e2mbito da Confer\u00eancia Episcopal, tanto a n\u00edvel da Prov\u00edncia como da Regi\u00e3o Eclesi\u00e1stica, as m\u00faltiplas express\u00f5es da fraternidade sacramental, desde o acolhimento e estima m\u00fatuos \u00e0s variadas delicadezas de caridade e colabora\u00e7\u00e3o concreta. Como tive ocasi\u00e3o de escrever, \u00ab  depois do Conc\u00edlio Vaticano II, j\u00e1 muito se fez nomeadamente quanto \u00e0 reforma da C\u00faria Romana, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos S\u00ednodos, ao funcionamento das Confer\u00eancias Episcopais; mas certamente h\u00e1 ainda muito que fazer para valorizar o melhor poss\u00edvel as potencialidades destes instrumentos da comunh\u00e3o, hoje particularmente necess\u00e1rios tendo em vista a exig\u00eancia de dar resposta pronta e eficaz aos problemas que a Igreja tem de enfrentar nas r\u00e1pidas mudan\u00e7as do nosso tempo  \u00bb.242 Ent\u00e3o, este novo s\u00e9culo deve ver a todos ainda mais empenhados em valorizar e desenvolver os \u00e2mbitos e os instrumentos que servem para assegurar e garantir a comunh\u00e3o entre os Bispos e entre as Igrejas. Cada ac\u00e7\u00e3o do Bispo realizada no exerc\u00edcio do pr\u00f3prio minist\u00e9rio pastoral \u00e9 sempre uma ac\u00e7\u00e3o feita no Col\u00e9gio Episcopal. Quer se trate de exerc\u00edcio do minist\u00e9rio da Palavra ou do governo na pr\u00f3pria Igreja particular, ou ent\u00e3o duma decis\u00e3o tomada com os outros Irm\u00e3os no episcopado relativamente \u00e0s outras Igrejas particulares da mesma Confer\u00eancia Episcopal, em \u00e2mbito provincial ou regional, permanece sempre uma ac\u00e7\u00e3o no Col\u00e9gio Episcopal, enquanto realizada mantendo a comunh\u00e3o com todos os outros Bispos e com a Cabe\u00e7a do Col\u00e9gio e tamb\u00e9m empenhando a sua responsabilidade pastoral. Ora, tudo isso se realiza, n\u00e3o j\u00e1 por uma conveni\u00eancia humana de coordena\u00e7\u00e3o, mas por uma solicitude pelas outras Igrejas, que deriva do facto de cada Bispo estar inserido e unido num Corpo ou Col\u00e9gio. De facto, cada Bispo \u00e9 respons\u00e1vel simultaneamente, embora de modo diverso, da Igreja particular, das Igrejas irm\u00e3s mais pr\u00f3ximas e da Igreja universal. Nesta linha, os padres sinodais lembraram oportunamente que, \u00ab  vivendo na comunh\u00e3o episcopal, cada Bispo sinta como pr\u00f3prias as dificuldades e sofrimentos dos seus Irm\u00e3os no episcopado. E, para que esta comunh\u00e3o episcopal se intensifique e torne mais forte, os Bispos individualmente e as diversas Confer\u00eancias Episcopais ponderem atentamente as possibilidades que as suas Igrejas t\u00eam de ajudar as mais pobres  \u00bb.243 Sabemos que tal pobreza pode consistir quer numa grande escassez de sacerdotes ou doutros agentes pastorais, quer numa grave car\u00eancia de recursos materiais. Tanto num caso como noutro, quem padece \u00e9 o an\u00fancio do Evangelho. Por isso, prosseguindo na senda inculcada pelo Conc\u00edlio Vaticano II,244 os padres sinodais fizeram votos de que sejam favorecidas as rela\u00e7\u00f5es de solidariedade fraterna entre as Igrejas de antiga evangeliza\u00e7\u00e3o e as chamadas \u00ab  jovens Igrejas  \u00bb, inclusive estabelecendo \u00ab  gemina\u00e7\u00f5es  \u00bb que se concretizem na comunh\u00e3o de experi\u00eancias e de agentes pastorais e tamb\u00e9m de ajudas pecuni\u00e1rias. Isto corrobora efectivamente a imagem da Igreja como \u00ab  fam\u00edlia de Deus  \u00bb, na qual os mais fortes apoiam os mais d\u00e9beis para o bem de todos.245 Desta forma se traduz na comunh\u00e3o da Igreja a comunh\u00e3o dos Bispos, a qual se exprime ainda na solicitude pelos Pastores que foram ou continuam ainda a ser provados pelo sofrimento, mais do que outros Irm\u00e3os e por motivos ligados sobretudo a situa\u00e7\u00f5es locais e na maioria das vezes compartilhando os sofrimentos dos seus fi\u00e9is. Uma categoria de Pastores merecedora de particular aten\u00e7\u00e3o, pelo n\u00famero cada vez maior dos que entram a fazer parte dela, \u00e9 a dos Bispos em\u00e9ritos; deles fiz men\u00e7\u00e3o por diversas vezes na liturgia de encerramento da X Assembleia Geral Ordin\u00e1ria, juntamente com os padres sinodais. A Igreja inteira tem grande considera\u00e7\u00e3o por estes Irm\u00e3os bem-amados, que permanecem membros importantes do Col\u00e9gio Episcopal, e est\u00e1-lhes agradecida pelo servi\u00e7o pastoral que realizaram e realizam ainda colocando a sua sabedoria e experi\u00eancia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da comunidade. A autoridade competente n\u00e3o deixe de valorizar este patrim\u00f3nio espiritual pessoal deles, no qual se conserva depositada tamb\u00e9m uma parte preciosa da mem\u00f3ria das Igrejas que eles guiaram durante anos. \u00c9 for\u00e7oso colocar todo o empenho para assegurar-lhes condi\u00e7\u00f5es de serenidade espiritual e econ\u00f3mica no ambiente humano por eles razoavelmente desejado. Al\u00e9m disso, estudem-se as possibilidades de uma maior utiliza\u00e7\u00e3o das suas compet\u00eancias no \u00e2mbito dos v\u00e1rios organismos da Confer\u00eancia Episcopal.246  As Igrejas Cat\u00f3licas Orientais 60. Na mesma perspectiva da comunh\u00e3o entre os Bispos e entre as Igrejas, os padres sinodais reservaram uma aten\u00e7\u00e3o muito particular \u00e0s Igrejas Cat\u00f3licas Orientais, voltando a considerar as venerandas e antigas riquezas das suas tradi\u00e7\u00f5es, que constituem um tesouro vivo que coexiste com an\u00e1logas express\u00f5es da Igreja Latina. Umas e outras unidas iluminam ainda mais a unidade cat\u00f3lica do Povo santo de Deus.247 N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que as Igrejas Cat\u00f3licas do Oriente, em virtude da sua afinidade espiritual, hist\u00f3rica, teol\u00f3gica, lit\u00fargica e disciplinar com as Igrejas Ortodoxas e as outras Igrejas Orientais que n\u00e3o est\u00e3o ainda em plena comunh\u00e3o com a Igreja Cat\u00f3lica, t\u00eam um t\u00edtulo muito especial para promover a unidade dos crist\u00e3os, sobretudo do Oriente. E isto mesmo s\u00e3o chamadas a fazer, como ali\u00e1s todas as Igrejas, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e da vida crist\u00e3 exemplar; depois, como contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica delas, s\u00e3o chamadas a unir a sua devotada fidelidade \u00e0s antigas tradi\u00e7\u00f5es orientais.248  As Igrejas Patriarcais e o seu S\u00ednodo 61. Entre as institui\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias das Igrejas Cat\u00f3licas Orientais, sobressaem as Igrejas Patriarcais. Estas pertencem \u00e0queles agrupamentos de Igrejas que no decorrer do tempo \u2013 como afirma o Conc\u00edlio Vaticano II 249 \u2013 por divina Provid\u00eancia, se foram organicamente constituindo e que gozam quer de disciplina e de usos lit\u00fargicos pr\u00f3prios, quer de um patrim\u00f3nio teol\u00f3gico e espiritual comum, conservando sempre a unidade da f\u00e9 e da \u00fanica divina constitui\u00e7\u00e3o da Igreja universal. A sua dignidade particular deve-se ao facto de elas, como matrizes de f\u00e9, terem gerado outras Igrejas, que s\u00e3o de certo modo suas filhas, tendo ficado at\u00e9 aos nossos tempos ligadas por um v\u00ednculo mais estreito de caridade na vida sacramental e no m\u00fatuo respeito dos direitos e dos deveres. Esta institui\u00e7\u00e3o patriarcal \u00e9 muito antiga na Igreja. Testemunhada j\u00e1 no primeiro Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico de Niceia, foi reconhecida desde os primeiros conc\u00edlios ecum\u00e9nicos sendo ainda hoje a forma tradicional de governo na Igrejas Orientais.250 Assim, na sua origem e estrutura particular, aquela \u00e9 de institui\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica. Por isso mesmo, o Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II expressou o desejo de que \u00ab  onde for necess\u00e1rio, se erijam novos Patriarcados, cuja continua\u00e7\u00e3o \u00e9 reservada ao Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico ou ao Romano Pont\u00edfice  \u00bb.251 Todo aquele que det\u00e9m, nas Igrejas Orientais, um poder supra-episcopal e supra-local \u2013 como os Patriarcas e os S\u00ednodos dos Bispos das Igrejas Patriarcais \u2013, participa da suprema autoridade que o Sucessor de Pedro tem sobre toda a Igreja, e exerce este seu poder no respeito n\u00e3o s\u00f3 do primado do Romano Pont\u00edfice,252 mas tamb\u00e9m do m\u00fanus de cada Bispo, sem invadir o campo da sua compet\u00eancia nem limitar o livre exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias. De facto, as rela\u00e7\u00f5es entre os Bispos de uma Igreja Patriarcal e o Patriarca, que por sua vez \u00e9 o Bispo da eparquia patriarcal, desenrolam-se sobre a base estabelecida j\u00e1 na antiguidade na obra C\u00e2nones dos Ap\u00f3stolos: \u00ab  \u00c9 necess\u00e1rio que os Bispos de cada na\u00e7\u00e3o saibam quem dentre eles \u00e9 o primeiro e o considerem como seu chefe, n\u00e3o fazendo nada de importante sem o seu consentimento; cada qual ocupar-se-\u00e1 somente daquilo que se refere ao seu distrito e aos territ\u00f3rios que dele dependem; mas, ele mesmo n\u00e3o fa\u00e7a nada sem o consentimento de todos; assim reinar\u00e1 a conc\u00f3rdia e Deus ser\u00e1 glorificado, por Cristo no Esp\u00edrito Santo  \u00bb.253 Este c\u00e2none exprime a antiga praxe da sinodalidade nas Igrejas do Oriente, dando ao mesmo tempo o seu fundamento teol\u00f3gico e significado doxol\u00f3gico, visto que se afirma claramente que a ac\u00e7\u00e3o sinodal dos Bispos na conc\u00f3rdia d\u00e1 culto e gl\u00f3ria a Deus Trino. Na vida sinodal das Igrejas Patriarcais, portanto, deve ser reconhecida uma realiza\u00e7\u00e3o efectiva da dimens\u00e3o colegial do minist\u00e9rio episcopal. Todos os Bispos legitimamente consagrados participam no S\u00ednodo da sua Igreja Patriarcal enquanto pastores duma por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus. Todavia, a fun\u00e7\u00e3o do primeiro, ou seja, do Patriarca \u00e9 reconhecida como um elemento a seu modo constituinte da ac\u00e7\u00e3o colegial. Com efeito, n\u00e3o se verifica qualquer ac\u00e7\u00e3o colegial, antes de haver um \u00ab  primeiro  \u00bb reconhecido como tal. Por outro lado, a sinodalidade n\u00e3o destr\u00f3i nem diminui a leg\u00edtima autonomia de cada Bispo no governo da sua Igreja; mas assegura o afecto colegial dos Bispos correspons\u00e1veis de todas as Igrejas particulares inclu\u00eddas no Patriarcado. Ao S\u00ednodo Patriarcal \u00e9 reconhecido um verdadeiro poder de governo. De facto, elege o Patriarca e os Bispos para os cargos dentro do territ\u00f3rio da Igreja patriarcal, e ainda os candidatos ao episcopado para os cargos fora dos limites da Igreja Patriarcal que ser\u00e3o propostos ao Romano Pont\u00edfice para a nomea\u00e7\u00e3o.254 Al\u00e9m do consentimento ou do parecer necess\u00e1rios para a validade de determinados actos de compet\u00eancia do Patriarca, compete ao S\u00ednodo tamb\u00e9m emanar as leis, que vigoram dentro \u2013 e, no caso de leis lit\u00fargicas, mesmo fora \u2013 dos limites da Igreja Patriarcal.255 Al\u00e9m disso, ressalvada a compet\u00eancia da S\u00e9 Apost\u00f3lica, o S\u00ednodo \u00e9 o tribunal superior dentro dos limites da pr\u00f3pria Igreja Patriarcal.256 Para a gest\u00e3o dos assuntos mais importantes, especialmente quando se trata da actualiza\u00e7\u00e3o das formas e modos de apostolado e da disciplina eclesi\u00e1stica, o Patriarca e tamb\u00e9m o S\u00ednodo Patriarcal servem-se da colabora\u00e7\u00e3o consultiva da Assembleia Patriarcal, que o Patriarca convoca pelo menos de cinco em cinco anos.257  A organiza\u00e7\u00e3o metropolitana e das Prov\u00edncias eclesi\u00e1sticas 62. Um modo concreto para favorecer a comunh\u00e3o entre os Bispos e a solidariedade entre as Igrejas \u00e9 revitalizar a antiqu\u00edssima institui\u00e7\u00e3o das Prov\u00edncias eclesi\u00e1sticas, onde os Metropolitas s\u00e3o instrumento e sinal tanto da fraternidade entre os Bispos da Prov\u00edncia como da sua comunh\u00e3o com o Romano Pont\u00edfice.258 Com efeito, pela semelhan\u00e7a dos problemas que afligem os diversos Bispos e tamb\u00e9m pelo facto do seu n\u00famero limitado permitir um acordo maior e mais eficaz, um trabalho pastoral comum ser\u00e1 certamente melhor programado nas assembleias dos Bispos da mesma Prov\u00edncia e sobretudo nos Conc\u00edlios provinciais. Onde se considerar oportuno para o bem comum a erec\u00e7\u00e3o das Regi\u00f5es eclesi\u00e1sticas, tal fun\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser desempenhada pelas assembleias dos Bispos da mesma Regi\u00e3o ou, em todo o caso, pelos Conc\u00edlios plen\u00e1rios. Vem a prop\u00f3sito reiterar o voto formulado pelo Conc\u00edlio Vaticano II: \u00ab  A veneranda institui\u00e7\u00e3o dos S\u00ednodos e Conc\u00edlios retome novo rigor, para se prover mais adequada e eficazmente ao incremento da f\u00e9 e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da disciplina nas v\u00e1rias Igrejas, segundo as exig\u00eancias dos tempos  \u00bb.259 A\u00ed, os Bispos poder\u00e3o intervir manifestando n\u00e3o s\u00f3 a comunh\u00e3o entre eles, mas tamb\u00e9m com todas as partes que formam a por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus a eles confiada; tais partes s\u00e3o representadas nos Conc\u00edlios nos termos do direito. Com efeito, nos Conc\u00edlios particulares, onde tomam parte tamb\u00e9m presb\u00edteros, di\u00e1conos, religiosos, religiosas e leigos, embora somente com voto consultivo, exprime-se de modo imediato n\u00e3o s\u00f3 a comunh\u00e3o entre os Bispos, mas tamb\u00e9m a comunh\u00e3o entre as Igrejas. Al\u00e9m disso, como solene momento eclesial que s\u00e3o, os Conc\u00edlios particulares requerem uma diligente reflex\u00e3o na prepara\u00e7\u00e3o, que comprometa todas as categorias de fi\u00e9is, de tal modo que se tornem sede adequada para as decis\u00f5es mais importantes, especialmente as que dizem respeito \u00e0 f\u00e9. Assim, o lugar dos Conc\u00edlios particulares n\u00e3o pode ser ocupado pelas Confer\u00eancias Episcopais, como especifica o Conc\u00edlio Vaticano II ao desejar que os Conc\u00edlios particulares retomem novo vigor. Contudo as Confer\u00eancias Episcopais podem ser um v\u00e1lido instrumento para a prepara\u00e7\u00e3o dos Conc\u00edlios plen\u00e1rios.260  As Confer\u00eancias Episcopais 63. N\u00e3o se pretende de forma alguma, com isso, calar a import\u00e2ncia e utilidade das Confer\u00eancias dos Bispos, que receberam no \u00faltimo Conc\u00edlio uma configura\u00e7\u00e3o institucional pr\u00f3pria, especificada posteriormente no C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico e no recente Motu proprio Apostolos suos.261 Nas Igrejas Cat\u00f3licas Orientais, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es an\u00e1logas as Assembleias dos Hierarcas de diversas Igrejas sui iuris previstas pelo C\u00f3digo dos C\u00e2nones das Igrejas Orientais \u00ab  para que, num elucidativo interc\u00e2mbio de prud\u00eancia e experi\u00eancia e atrav\u00e9s duma compara\u00e7\u00e3o de pareceres, nas\u00e7a uma santa uni\u00e3o de for\u00e7as pelo bem comum das Igrejas, pela qual se possa favorecer a unidade de ac\u00e7\u00e3o, ajudar as ac\u00e7\u00f5es comuns, promover mais rapidamente o bem da religi\u00e3o e ainda observar mais eficazmente a disciplina eclesi\u00e1stica  \u00bb.262 Hoje estas assembleias de Bispos, como o reconheciam tamb\u00e9m os padres sinodais, s\u00e3o um v\u00e1lido instrumento para manifestar o esp\u00edrito colegial dos Bispos e lev\u00e1-lo \u00e0 pratica. Por isso, as Confer\u00eancias Episcopais devem ser ainda mais valorizadas em todas as suas potencialidades.263 De facto, \u00ab  desenvolveram-se notavelmente, ocupando o lugar de \u00f3rg\u00e3o preferido dos Bispos duma na\u00e7\u00e3o ou de determinado territ\u00f3rio para o interc\u00e2mbio de opini\u00f5es, consulta\u00e7\u00e3o rec\u00edproca e colabora\u00e7\u00e3o em favor do bem comum da Igreja: elas tornaram-se nestes anos uma realidade concreta, viva e eficaz em todas as partes do mundo. A sua import\u00e2ncia resulta do facto de contribu\u00edrem eficazmente para a unidade entre os Bispos e, consequentemente, para a unidade da Igreja, sendo um instrumento muito v\u00e1lido para robustecer a comunh\u00e3o eclesial  \u00bb.264 Uma vez que s\u00e3o membros das Confer\u00eancias Episcopais apenas os Bispos e todos aqueles que no direito s\u00e3o equiparados aos Bispos diocesanos, apesar de n\u00e3o estar revestidos do car\u00e1cter episcopal,265 o fundamento teol\u00f3gico das mesmas \u00e9, diversamente dos Conc\u00edlios particulares, imediatamente a dimens\u00e3o colegial da responsabilidade do governo episcopal; e s\u00f3 indirectamente a comunh\u00e3o entre as Igrejas. Em todo o caso, sendo as Confer\u00eancias Episcopais um \u00f3rg\u00e3o permanente que se re\u00fane periodicamente, a sua fun\u00e7\u00e3o ser\u00e1 eficaz se aparecer como auxiliar relativamente \u00e0quela que cada Bispo desempenha, por direito divino, na sua Igreja. Com efeito, a n\u00edvel da sua Igreja, o Bispo diocesano apascenta em nome do Senhor o rebanho que lhe foi confiado como pastor pr\u00f3prio, ordin\u00e1rio e imediato e a sua ac\u00e7\u00e3o \u00e9 estritamente pessoal, n\u00e3o colegial, embora animada pelo esp\u00edrito de comunh\u00e3o. Portanto, a n\u00edvel de agrupamentos de Igrejas particulares por zonas geogr\u00e1ficas (na\u00e7\u00e3o, regi\u00e3o, etc.), os Bispos, que a eles presidem, n\u00e3o exercem conjuntamente o seu m\u00fanus pastoral atrav\u00e9s de actos colegiais iguais aos do Col\u00e9gio Episcopal, o qual, como sujeito teol\u00f3gico, \u00e9 indivis\u00edvel.266 Por isso, os Bispos da mesma Confer\u00eancia Episcopal reunidos em assembleia exercem conjuntamente para bem dos seus fi\u00e9is \u2013 nos limites das compet\u00eancias que lhes foram atribu\u00eddas pelo direito ou por um mandato da S\u00e9 Apost\u00f3lica \u2013 s\u00f3 algumas das fun\u00e7\u00f5es que derivam do seu minist\u00e9rio pastoral (munus pastorale).267 \u00c9 verdade que as Confer\u00eancias Episcopais mais numerosas, para realizarem precisamente o seu servi\u00e7o em favor de cada um dos Bispos que as constituem e consequentemente das respectivas Igrejas, requerem uma complexa organiza\u00e7\u00e3o. Em todo o caso \u00ab  evite-se a burocratiza\u00e7\u00e3o dos of\u00edcios e comiss\u00f5es activas no per\u00edodo entre as reuni\u00f5es plen\u00e1rias  \u00bb.268 De facto, \u00ab  as Confer\u00eancias Episcopais, com as suas comiss\u00f5es e of\u00edcios, existem para ajudar os Bispos, n\u00e3o para ocupar o lugar deles  \u00bb,269 e menos ainda para constituir uma estrutura interm\u00e9dia entre a S\u00e9 Apost\u00f3lica e cada um dos Bispos. As Confer\u00eancias Episcopais podem prestar uma v\u00e1lida ajuda \u00e0 S\u00e9 Apost\u00f3lica, dando o seu parecer sobre problemas espec\u00edficos de car\u00e1cter mais geral.270 As Confer\u00eancias Episcopais exprimem e p\u00f5em em pr\u00e1tica o esp\u00edrito colegial que une os Bispos e consequentemente a comunh\u00e3o entre as v\u00e1rias Igrejas, estabelecendo entre elas, sobretudo entre as mais pr\u00f3ximas, estreitas rela\u00e7\u00f5es para se alcan\u00e7ar um bem maior.271 Isto pode-se conseguir de diversas maneiras, atrav\u00e9s de conselhos, simp\u00f3sios, federa\u00e7\u00f5es. De not\u00e1vel relevo s\u00e3o sobretudo as reuni\u00f5es continentais dos Bispos; mas n\u00e3o assumem nunca as compet\u00eancias que s\u00e3o reconhecidas \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais. Tais reuni\u00f5es s\u00e3o de grande ajuda para fomentar entre as Confer\u00eancias Episcopais das diversas na\u00e7\u00f5es aquela colabora\u00e7\u00e3o que, neste tempo de \u00ab  globaliza\u00e7\u00e3o  \u00bb, se revela particularmente necess\u00e1ria para enfrentar os seus desafios e realizar uma verdadeira \u00ab  globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade  \u00bb.272  A unidade da Igreja e o di\u00e1logo ecum\u00e9nico 64. A ora\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus pela unidade entre todos os seus disc\u00edpulos (ut unum sint: Jo 17, 21) constitui, para cada Bispo, um veemente apelo para um dever apost\u00f3lico concreto. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esperar esta unidade como fruto dos nossos esfor\u00e7os; trata-se principalmente de um dom da Sant\u00edssima Trindade \u00e0 Igreja. Mas isto n\u00e3o dispensa os crist\u00e3os de empenhar-se a fundo, come\u00e7ando pela ora\u00e7\u00e3o, para apressar o caminho para a plena unidade. Correspondendo \u00e0s preces e intentos do Senhor e \u00e0 sua obla\u00e7\u00e3o na Cruz para trazer \u00e0 unidade os filhos dispersos (cf. Jo 11, 52), a Igreja Cat\u00f3lica sente-se irreversivelmente comprometida no di\u00e1logo ecum\u00e9nico, do qual depende a efic\u00e1cia do seu testemunho no mundo. \u00c9 preciso, pois, perseverar no caminho do di\u00e1logo da verdade e do amor. Muitos padres sinodais lembraram a voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que cada Bispo tem de promover na pr\u00f3pria diocese este di\u00e1logo e de o realizar in veritate et caritate (cf. Ef 4, 15). Com efeito, o esc\u00e2ndalo da divis\u00e3o entre os crist\u00e3os \u00e9 sentido por todos como um sinal contr\u00e1rio \u00e0 esperan\u00e7a crist\u00e3. Entre as formas concretas para esta promo\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo ecum\u00e9nico conta-se um melhor conhecimento rec\u00edproco entre a Igreja Cat\u00f3lica e as outras Igrejas e Comunidades eclesiais que n\u00e3o est\u00e3o em plena comunh\u00e3o com ela, encontros e iniciativas apropriados, e sobretudo o testemunho da caridade. Na realidade, existe um ecumenismo da vida quotidiana, feito de acolhimento, escuta e colabora\u00e7\u00e3o rec\u00edprocos, que possui uma efic\u00e1cia singular. Por outro lado, os padres sinodais chamaram a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para o risco de gestos pouco ponderados, sinais dum \u00ab  ecumenismo impaciente  \u00bb, que podem causar dano ao caminho que se est\u00e1 a fazer para a plena unidade. Por conseguinte, \u00e9 muito importante que todos conhe\u00e7am e ponham em pr\u00e1tica os rectos princ\u00edpios do di\u00e1logo ecum\u00e9nico; insista-se sobre eles nos semin\u00e1rios com os candidatos ao minist\u00e9rio sagrado, nas par\u00f3quias e noutras estruturas eclesiais. A pr\u00f3pria vida interna da Igreja deve dar um testemunho de unidade no respeito e na abertura de espa\u00e7os cada vez maiores onde as grandes tradi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, espirituais, lit\u00fargicas e disciplinares sejam acolhidas e desenvolvam as suas grandes riquezas.273  A missionariedade no minist\u00e9rio episcopal 65. Enquanto membros do Col\u00e9gio Episcopal, os Bispos s\u00e3o consagrados n\u00e3o s\u00f3 em benef\u00edcio duma diocese, mas para a salva\u00e7\u00e3o de todos os homens.274 Esta doutrina exposta no Conc\u00edlio Vaticano II foi recordada pelos padres sinodais, para p\u00f4r em evid\u00eancia o facto de que todo o Bispo deve estar consciente da \u00edndole mission\u00e1ria do seu pr\u00f3prio minist\u00e9rio pastoral. Assim, toda a sua ac\u00e7\u00e3o pastoral se deve caracterizar por um esp\u00edrito mission\u00e1rio, para suscitar e conservar no esp\u00edrito dos fi\u00e9is o zelo pela difus\u00e3o do Evangelho. Por isso, o Bispo deve suscitar, promover e orientar, na respectiva diocese, actividades e iniciativas mission\u00e1rias, mesmo sob o ponto de vista econ\u00f3mico.275 Mas, n\u00e3o menos importante \u2013 como foi afirmado no S\u00ednodo \u2013 \u00e9 estimular a dimens\u00e3o mission\u00e1ria dentro da pr\u00f3pria Igreja particular, promovendo, segundo as diversas situa\u00e7\u00f5es, valores fundamentais, tais como o reconhecimento do pr\u00f3ximo, o respeito da diversidade cultural, uma saud\u00e1vel interac\u00e7\u00e3o entre as diferentes culturas. De facto, o car\u00e1cter cada vez mais pluricultural das cidades e das sociedades, resultante sobretudo das migra\u00e7\u00f5es internacionais, cria novas situa\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em um particular desafio mission\u00e1rio. Na aula sinodal, houve tamb\u00e9m interven\u00e7\u00f5es que puseram em destaque algumas quest\u00f5es conexas com as rela\u00e7\u00f5es entre os Bispos diocesanos e as congrega\u00e7\u00f5es religiosas mission\u00e1rias, sublinhando a necessidade duma reflex\u00e3o mais profunda sobre isso. Simultaneamente, reconheceu-se a grande contribui\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia que uma Igreja particular pode receber das congrega\u00e7\u00f5es de vida consagrada para manter viva a dimens\u00e3o mission\u00e1ria entre os fi\u00e9is. No seu zelo, o Bispo apresente-se como servo e testemunha da esperan\u00e7a. A miss\u00e3o \u00e9, sem d\u00favida, o indicador exacto da f\u00e9 em Cristo e no seu amor por n\u00f3s: 276 por ela, o homem de todos os tempos \u00e9 levado a uma vida nova, animada pela esperan\u00e7a. Ora, anunciando Cristo ressuscitado, os crist\u00e3os apresentam Aquele que inaugura uma nova era da hist\u00f3ria e proclamam ao mundo a boa nova duma salva\u00e7\u00e3o integral e universal, que nela cont\u00e9m o penhor dum novo mundo, onde o sofrimento e a injusti\u00e7a dar\u00e3o lugar \u00e0 alegria e \u00e0 beleza. Ao in\u00edcio dum novo mil\u00e9nio, quando \u00e9 mais viva a consci\u00eancia da universalidade da salva\u00e7\u00e3o e se experimenta a necessidade de renovar cada dia o an\u00fancio do Evangelho, da assembleia sinodal chega o convite a n\u00e3o diminuir o empenhamento mission\u00e1rio, mas antes ampli\u00e1-lo numa coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria cada vez mais profunda.   CAP\u00cdTULO VII O BISPO PERANTE OS DESAFIOS ACTUAIS \u00ab  Tende confian\u00e7a! Eu venci o mundo  \u00bb (Jo 16, 33) 66. Na Sagrada Escritura, a Igreja \u00e9 comparada a um rebanho, \u00ab  do qual o pr\u00f3prio Deus predisse que seria o pastor, e cujas ovelhas, ainda que governadas por pastores humanos, s\u00e3o contudo guiadas e alimentadas sem cessar pelo pr\u00f3prio Cristo, Bom Pastor e pr\u00edncipe dos pastores  \u00bb.277 Porventura n\u00e3o foi o pr\u00f3prio Jesus que qualificou os seus disc\u00edpulos como pusillus grex (cf. Lc 12, 32) e que os exortou a n\u00e3o temerem, mas a cultivarem a esperan\u00e7a? Esta exorta\u00e7\u00e3o, repetiu-a Jesus v\u00e1rias vezes aos seus disc\u00edpulos: \u00ab  No mundo tereis afli\u00e7\u00f5es, mas tende confian\u00e7a! Eu venci o mundo  \u00bb (Jo 16, 33). E quando estava para voltar ao Pai, depois de ter lavado os p\u00e9s aos Ap\u00f3stolos, disse-lhes: \u00ab  N\u00e3o se turve o vosso cora\u00e7\u00e3o  \u00bb e acrescentou: \u00ab  Eu sou o Caminho [&#8230;]. Ningu\u00e9m vem ao Pai sen\u00e3o por Mim  \u00bb (Jo 14, 1.6). Por este caminho que \u00e9 Cristo, encaminhou os seus passos o pequenino rebanho \u2013 a Igreja \u2013, sendo guiado por Ele, o Bom Pastor, que, \u00ab  depois de fazer sair todas as ovelhas, vai diante delas e as ovelhas seguem-No, porque conhecem a sua voz  \u00bb (Jo 10, 4). \u00c0 imagem de Jesus Cristo e seguindo as suas pegadas, tamb\u00e9m o Bispo sai para O anunciar ao mundo como Salvador do homem, de cada homem. Mission\u00e1rio do Evangelho, actua em nome da Igreja, perita em humanidade e solid\u00e1ria com os homens do nosso tempo. Por isso, animado pela radicalidade evang\u00e9lica, ele tem o dever de desmascarar as falsas antropologias, resgatar os valores espezinhados pelos processos ideol\u00f3gicos e discernir a verdade. Sabe que pode repetir com o Ap\u00f3stolo: \u00ab  Se nos afadigamos e recebemos ultrajes, \u00e9 porque pusemos a nossa esperan\u00e7a em Deus vivo, Salvador de todos os homens, principalmente dos fi\u00e9is  \u00bb (1 Tim 4, 10). Assim a ac\u00e7\u00e3o do Bispo h\u00e1-de caracterizar-se por aquela parresia que \u00e9 fruto da interven\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito (cf. Act 4, 31); deste modo, saindo de si pr\u00f3prio para anunciar Jesus Cristo, ele assume com confian\u00e7a e coragem a sua miss\u00e3o, factus pontifex, constitu\u00eddo verdadeiramente \u00ab  ponte  \u00bb ao encontro de cada homem. Com paix\u00e3o de pastor, sai \u00e0 procura das ovelhas, imitando Jesus que diz: \u00ab  Ainda tenho outras ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste aprisco e tamb\u00e9m tenho de as conduzir; ouvir\u00e3o a minha voz e haver\u00e1 um s\u00f3 rebanho e um s\u00f3 Pastor  \u00bb (Jo 10, 16).  O Bispo, obreiro de justi\u00e7a e de paz 67. No \u00e2mbito desta missionariedade, os padres sinodais viram o Bispo como um profeta de justi\u00e7a. A guerra dos poderosos contra os d\u00e9beis tem aberto, de dia para dia, profundas divis\u00f5es entre ricos e pobres. Os pobres s\u00e3o in\u00fameros! Dentro dum sistema econ\u00f3mico injusto, com discrep\u00e2ncias estruturais muito acentuadas, os marginalizados sentem a sua situa\u00e7\u00e3o agravar-se de dia para dia. Em muitas partes da terra, hoje grassa a fome, enquanto noutras h\u00e1 opul\u00eancia. E as v\u00edtimas destas dram\u00e1ticas desigualdades s\u00e3o sobretudo os pobres, os jovens, os refugiados. Tamb\u00e9m a mulher, em muitos lugares, \u00e9 vexada na sua dignidade de pessoa, v\u00edtima duma cultura hedonista e materialista. Diante \u2013 e muitas vezes dentro \u2013 destas situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a que abrem inevitavelmente a porta aos conflitos e \u00e0 morte, o Bispo \u00e9 o defensor dos direitos do homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Prega a doutrina moral da Igreja, em defesa do direito da vida, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao seu termo natural; prega tamb\u00e9m a doutrina social da Igreja, cujo fundamento est\u00e1 no Evangelho, e toma a peito a defesa de quem \u00e9 d\u00e9bil, dando voz a quem a n\u00e3o tem para fazer valer os seus direitos. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que a doutrina social da Igreja \u00e9 capaz de suscitar esperan\u00e7a mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis, porque, se n\u00e3o houver esperan\u00e7a para os pobres, n\u00e3o a haver\u00e1 para ningu\u00e9m, nem mesmo para os chamados ricos. Os Bispos condenaram vigorosamente o terrorismo e o genoc\u00eddio e levantaram a sua voz em favor dos que choram por causa de injusti\u00e7as, que est\u00e3o sujeitos a persegui\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o desempregados, em prol das crian\u00e7as humilhadas de maneiras diversas mas sempre grav\u00edssimas. Como a santa Igreja \u00e9 no mundo sacramento de \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano,278 tamb\u00e9m o Bispo \u00e9 defensor e pai dos pobres, \u00e9 zeloso da justi\u00e7a e dos direitos humanos, \u00e9 portador de esperan\u00e7a.279 Expl\u00edcita e forte foi a mensagem dos padres sinodais, unida \u00e0 minha. \u00ab  Durante o S\u00ednodo, n\u00e3o pudemos deixar de escutar o eco de muitos outros dramas colectivos. [&#8230;] \u00c9 urgente uma mudan\u00e7a de ordem moral [&#8230;]. Alguns males end\u00e9micos, subestimados por demasiado tempo, podem levar popula\u00e7\u00f5es inteiras ao desespero. Como \u00e9 que nos podemos calar, diante do drama persistente da fome e da pobreza extrema, numa \u00e9poca que a humanidade tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, hoje mais do que nunca, os instrumentos para uma partilha equitativa? N\u00e3o podemos deixar de expressar a nossa solidariedade para com as multid\u00f5es de refugiados e dos imigrantes que, por causa das guerras e devido \u00e0 opress\u00e3o pol\u00edtica ou \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, s\u00e3o obrigados a abandonar a sua terra e partir em busca de um trabalho e na esperan\u00e7a da paz. Os desastres causados pela mal\u00e1ria, o aumento da SIDA, o analfabetismo, a falta de um futuro para numerosas crian\u00e7as e jovens abandonados na rua, a explora\u00e7\u00e3o das mulheres, a pornografia, a intoler\u00e2ncia, a instrumentaliza\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel da religi\u00e3o para finalidades violentas, o tr\u00e1fico de drogas e o com\u00e9rcio de armamentos&#8230; O cat\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 completo! E todavia, apesar de todas estas dificuldades, os humildes voltam a erguer a cabe\u00e7a. O Senhor olha para eles e apoia-os: \u00ab  Por causa da afli\u00e7\u00e3o dos humildes e dos gemidos dos pobres, levantar-me-ei \u2013 diz o Senhor  \u00bb (Sal 12\/11, 6)  \u00bb.280 Do quadro dram\u00e1tico aqui delineado, segue-se com \u00f3bvia urg\u00eancia o apelo e o compromisso pela paz. Com efeito, permanecem activos os focos de conflito herdados do s\u00e9culo e mil\u00e9nio passados. N\u00e3o faltam tamb\u00e9m conflitos locais, que criam profundas dilacera\u00e7\u00f5es entre as culturas e as nacionalidades. E ser\u00e1 poss\u00edvel n\u00e3o falar dos fundamentalismos religiosos, sempre inimigos do di\u00e1logo e da paz? Em muitas regi\u00f5es do mundo, a terra mais parece um paiol, pronto a explodir causando na fam\u00edlia humana enormes sofrimentos. Nesta situa\u00e7\u00e3o, a Igreja continua a anunciar a paz de Cristo, que no serm\u00e3o da montanha proclamou bem-aventurados \u00ab  os pacificadores  \u00bb (Mt 5, 9). A paz \u00e9 uma responsabilidade universal, que passa atrav\u00e9s de mil e um actos humildes da vida de cada dia. Ela aguarda os seus profetas e construtores, que n\u00e3o podem faltar antes de mais nada nas comunidades eclesiais, cujo pastor \u00e9 o Bispo. A exemplo de Jesus, que veio para anunciar a liberdade aos oprimidos e proclamar o ano de gra\u00e7a do Senhor (cf. Lc 4, 16-21), ele sempre estar\u00e1 pronto a mostrar que a esperan\u00e7a crist\u00e3 est\u00e1 intimamente unida ao zelo pela promo\u00e7\u00e3o integral do homem e da sociedade, como ensina a doutrina social da Igreja. Se eventualmente se encontrar no meio de situa\u00e7\u00f5es de conflito armado, n\u00e3o raras infelizmente, o Bispo, ao mesmo tempo que exorta o povo a fazer valer os seus direitos, n\u00e3o cesse de advertir que, para um crist\u00e3o, \u00e9 for\u00e7oso em todo o caso p\u00f4r de parte a vingan\u00e7a e abrir-se ao perd\u00e3o e ao amor dos inimigos.281 De facto, n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a sem perd\u00e3o. Embora dif\u00edcil de aceitar, a seguinte afirma\u00e7\u00e3o aparece aos olhos de toda a pessoa sensata como evidente: uma verdadeira paz s\u00f3 se torna poss\u00edvel pelo perd\u00e3o.282  O di\u00e1logo interreligioso, a bem sobretudo da paz no mundo 68. Como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de afirmar em diversas circunst\u00e2ncias, o di\u00e1logo entre as religi\u00f5es deve estar ao servi\u00e7o da paz entre os povos. De facto, as tradi\u00e7\u00f5es religiosas possuem os recursos necess\u00e1rios para superar as divis\u00f5es e favorecer a rec\u00edproca amizade e o respeito entre os povos. O S\u00ednodo lan\u00e7ou o apelo aos Bispos para que se fa\u00e7am promotores de encontros, incluindo representantes dos povos, para reflectir atentamente sobre os lit\u00edgios e as guerras que dilaceram o mundo, a fim de individuar caminhos percorr\u00edveis para chegar a um compromisso comum de justi\u00e7a, conc\u00f3rdia e paz. Os padres sinodais sublinharam com \u00eanfase a import\u00e2ncia que o di\u00e1logo interreligioso tem para a paz, e pediram aos Bispos que se empenhem em tal sentido nas respectivas dioceses. Podem ser abertas novas estradas para a paz, atrav\u00e9s da afirma\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa, de que falou o Conc\u00edlio Vaticano II no Decreto Dignitatis humanae, e tamb\u00e9m atrav\u00e9s da obra educativa em prol das novas gera\u00e7\u00f5es, e do correcto uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.283 O horizonte do di\u00e1logo interreligioso, por\u00e9m, \u00e9 seguramente mais amplo; por esse motivo, os padres sinodais reafirmaram que tal di\u00e1logo \u00e9 parte da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, sobretudo nestes tempos \u2013 mais do que no passado \u2013 em que, nas mesmas regi\u00f5es, nas mesmas cidades, nos lugares de trabalho da vida quotidiana convivem pessoas pertencentes a diversas religi\u00f5es. Assim, o di\u00e1logo interreligioso \u00e9 exigido pela vida quotidiana de muitas fam\u00edlias crist\u00e3s, devendo tamb\u00e9m por isso os Bispos, como mestres da f\u00e9 e pastores do Povo de Deus, dedicar-lhe uma justa aten\u00e7\u00e3o. Deste contexto de conviv\u00eancia com pessoas doutras religi\u00f5es, nasce para os crist\u00e3os um especial dever de testemunhar a unicidade e universalidade do mist\u00e9rio salv\u00edfico de Jesus Cristo e a consequente necessidade da Igreja como instrumento de salva\u00e7\u00e3o para toda a humanidade. \u00ab  Esta verdade de f\u00e9 nada tira ao facto de a Igreja nutrir pelas religi\u00f5es do mundo um sincero respeito, mas ao mesmo tempo exclui de forma radical a mentalidade indiferentista imbu\u00edda de um relativismo religioso que leva a pensar que \u201ctanto vale uma religi\u00e3o como outra\u201d  \u00bb.284 \u00c9 claro, pois, que o di\u00e1logo interreligioso nunca pode substituir o an\u00fancio e propaga\u00e7\u00e3o da f\u00e9, os quais constituem a finalidade priorit\u00e1ria da prega\u00e7\u00e3o, da catequese e da miss\u00e3o da Igreja. Afirmar com desassombro e sem ambiguidade que a salva\u00e7\u00e3o do homem depende da reden\u00e7\u00e3o operada por Cristo n\u00e3o impede o di\u00e1logo com as outras religi\u00f5es. E, na perspectiva da profiss\u00e3o da esperan\u00e7a crist\u00e3, n\u00e3o se h\u00e1-de esquecer que \u00e9 precisamente aquela que fundamenta o di\u00e1logo interreligioso. De facto, como se afirma na Declara\u00e7\u00e3o conciliar Nostra \u00e6tate, \u00ab  os homens constituem todos uma s\u00f3 comunidade; todos t\u00eam a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro g\u00e9nero humano; t\u00eam tamb\u00e9m todos um s\u00f3 fim \u00faltimo, Deus, que a todos estende a sua provid\u00eancia, seus testemunhos de bondade e seus des\u00edgnios de salva\u00e7\u00e3o at\u00e9 que os eleitos se re\u00fanam na cidade santa, iluminada pela gl\u00f3ria de Deus e onde todos os povos caminhar\u00e3o na sua luz  \u00bb.285  A vida civil, social e econ\u00f3mica 69. Na ac\u00e7\u00e3o pastoral do Bispo, n\u00e3o pode faltar uma particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias de amor e de justi\u00e7a que derivam das condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas das pessoas mais pobres, abandonadas, maltratadas, em cada uma das quais o crente v\u00ea um \u00edcone especial de Jesus. A sua presen\u00e7a nas comunidades eclesiais e civis p\u00f5e \u00e0 prova a autenticidade da nossa f\u00e9 crist\u00e3. Gostaria de dedicar algumas palavras ao complexo fen\u00f3meno da chamada globaliza\u00e7\u00e3o, uma das caracter\u00edsticas do mundo actual. Existe efectivamente uma \u00ab  globaliza\u00e7\u00e3o  \u00bb da economia, da finan\u00e7a e tamb\u00e9m da cultura, que se vai progressivamente consolidando gra\u00e7as aos r\u00e1pidos progressos das tecnologias inform\u00e1ticas. Como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de dizer noutras ocasi\u00f5es, aquela requer um atento discernimento com o objectivo de individuar os seus aspectos positivos e negativos e as v\u00e1rias consequ\u00eancias que da\u00ed podem derivar para a Igreja e para o g\u00e9nero humano inteiro. Para tal discernimento, \u00e9 importante a contribui\u00e7\u00e3o dos Bispos, que sempre h\u00e3o-de recordar a urg\u00eancia de se chegar a uma globaliza\u00e7\u00e3o na caridade, sem marginaliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m os padres sinodais lembraram o dever de promover uma \u00ab  globaliza\u00e7\u00e3o da caridade  \u00bb, considerando neste mesmo contexto as quest\u00f5es relativas ao perd\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica externa, que compromete as economias de popula\u00e7\u00f5es inteiras, travando o seu progresso social e pol\u00edtico.286 N\u00e3o podendo retomar aqui toda esta grave problem\u00e1tica, limito-me a repetir alguns pontos fundamentais, expostos j\u00e1 noutros lugares: nesta mat\u00e9ria, a vis\u00e3o da Igreja tem tr\u00eas pontos de refer\u00eancia essenciais e concomitantes que s\u00e3o a dignidade da pessoa humana, a solidariedade e a subsidiariedade. E, por conseguinte, \u00ab  a economia globalizada deve ser analisada \u00e0 luz dos princ\u00edpios da justi\u00e7a social, respeitando a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, que devem ser colocados em condi\u00e7\u00f5es de defender-se numa economia globalizada, e as exig\u00eancias do bem comum internacional  \u00bb.287 Inserida no dinamismo da solidariedade, a globaliza\u00e7\u00e3o deixa de ser marginalizadora. De facto, a globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade \u00e9 consequ\u00eancia directa daquela caridade universal que \u00e9 a alma do Evangelho.  O respeito pelo ambiente e a salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o 70. Os padres sinodais lembraram tamb\u00e9m os aspectos \u00e9ticos do problema ecol\u00f3gico.288 De facto, o sentido profundo do apelo para globalizar a solidariedade tem a ver tamb\u00e9m, e urgentemente, com a quest\u00e3o da salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o e dos recursos da terra. O \u00ab  gemido das criaturas  \u00bb, a que alude o Ap\u00f3stolo (cf. Rom 8, 22), hoje parece verificar-se numa perspectiva invertida, porque se trata, n\u00e3o j\u00e1 duma tens\u00e3o escatol\u00f3gica na expectativa da revela\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus (cf. Rom 8, 19), mas dum espasmo de morte que tende a agarrar o pr\u00f3prio homem para o destruir. Com efeito, \u00e9 aqui que se manifesta, na sua forma mais insidiosa e perversa, o problema ecol\u00f3gico. Na realidade, \u00ab  o \u00edndice mais profundo e mais grave das implica\u00e7\u00f5es morais, situadas na problem\u00e1tica ecol\u00f3gica, \u00e9 constitu\u00eddo pela falta de respeito pela vida, como se pode verificar em muitos comportamentos inquinantes. Muitas vezes as raz\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o prevalecem sobre a dignidade do trabalhador, e os interesses econ\u00f3micos s\u00e3o postos acima do bem de cada pessoa, sen\u00e3o mesmo acima do bem de popula\u00e7\u00f5es inteiras. Nestes casos, o inquinamento e a destrui\u00e7\u00e3o do ambiente s\u00e3o fruto de uma vis\u00e3o redutiva e artificial que, algumas vezes, denota um verdadeiro desprezo do homem  \u00bb.289 \u00c9 evidente que est\u00e1 em jogo n\u00e3o s\u00f3 uma ecologia f\u00edsica, ou seja, preocupada com tutelar o habitat dos v\u00e1rios seres vivos, mas tamb\u00e9m uma ecologia humana, que proteja o bem radical da vida em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es e prepare para as futuras gera\u00e7\u00f5es um ambiente o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do projecto do Criador. H\u00e1 necessidade, pois, duma convers\u00e3o ecol\u00f3gica, para a qual os Bispos h\u00e3o-de dar a sua contribui\u00e7\u00e3o ensinando a correcta rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza. \u00c0 luz da doutrina sobre Deus-Pai, criador do c\u00e9u e da terra, v\u00ea-se que se trata duma rela\u00e7\u00e3o \u00ab  ministerial  \u00bb: o homem est\u00e1 efectivamente colocado no centro da cria\u00e7\u00e3o, como ministro do Criador.  O minist\u00e9rio do Bispo em prol da sa\u00fade 71. A solicitude pelo homem leva o Bispo a imitar Jesus, o verdadeiro \u00ab  bom samaritano  \u00bb, cheio de compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia, que cuida do homem sem discrimina\u00e7\u00e3o alguma. A defesa da sa\u00fade ocupa lugar destacado entre os desafios actuais. Muitas s\u00e3o ainda, infelizmente, as formas de doen\u00e7a presentes nas v\u00e1rias partes do mundo e, embora a ci\u00eancia humana avance de modo vertiginoso na procura de novas solu\u00e7\u00f5es ou ajude a enfrent\u00e1-las melhor, aparecem sempre novas situa\u00e7\u00f5es onde acaba minada a sa\u00fade f\u00edsica e ps\u00edquica. No \u00e2mbito da pr\u00f3pria diocese, cada Bispo, com a ajuda de pessoas qualificadas, \u00e9 chamado a fazer com que seja integralmente anunciado o \u00ab  Evangelho da vida  \u00bb. O empenho em humanizar a medicina e a assist\u00eancia aos doentes por crist\u00e3os, que solicitamente testemunham a sua solidariedade a quem sofre, despertam no esp\u00edrito de cada um a figura de Jesus, m\u00e9dico dos corpos e das almas. Entre as instru\u00e7\u00f5es dadas aos seus Ap\u00f3stolos, n\u00e3o deixou de inserir a exorta\u00e7\u00e3o a curar os enfermos (cf. Mt 10, 8).290 Assim, a organiza\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o duma adequada pastoral para os agentes sanit\u00e1rios merecem verdadeiramente uma prioridade no cora\u00e7\u00e3o dum Bispo. De modo particular, os padres sinodais sentiram a necessidade de manifestar bem alto a sua solicitude pela promo\u00e7\u00e3o duma aut\u00eantica \u00ab  cultura da vida  \u00bb na sociedade contempor\u00e2nea: \u00ab  Talvez o que mais surpreende o nosso cora\u00e7\u00e3o de pastores sejam o desprezo pela vida, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao seu ocaso, e a desagrega\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. O n\u00e3o da Igreja ao aborto e \u00e0 eutan\u00e1sia \u00e9 um sim \u00e0 vida, um sim \u00e0 bondade origin\u00e1ria da cria\u00e7\u00e3o, um sim que pode alcan\u00e7ar cada ser humano no santu\u00e1rio da sua consci\u00eancia, um sim \u00e0 fam\u00edlia, primeira c\u00e9lula de esperan\u00e7a em que Deus Se compraz a ponto de cham\u00e1-la a tornar-se igreja dom\u00e9stica  \u00bb.291  O cuidado pastoral do Bispo pelos migrantes 72. Os movimentos dos povos assumiram hoje propor\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, apresentando-se como movimentos de massa que envolvem um n\u00famero enorme de pessoas. Entre elas, h\u00e1 muitas expulsas ou em fuga do seu pa\u00eds por causa de conflitos armados, de prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, de lutas pol\u00edticas, \u00e9tnicas e sociais, de cat\u00e1strofes naturais. Todas estas migra\u00e7\u00f5es, apesar da sua diversidade, colocam s\u00e9rias quest\u00f5es \u00e0s nossas comunidades, relacionadas com problemas pastorais como a evangeliza\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo interreligioso. Por isso, conv\u00e9m que, nas dioceses, se providencie \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de estruturas pastorais concretas para o acolhimento e o cuidado pastoral destas pessoas, adequado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que se encontram. \u00c9 preciso tamb\u00e9m fomentar a colabora\u00e7\u00e3o entre dioceses lim\u00edtrofes para se garantir um servi\u00e7o mais eficiente e competente, cuidando tamb\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes e agentes laicais particularmente generosos e dispon\u00edveis para este servi\u00e7o exigente, sobretudo quanto aos problemas de natureza legal que possam aparecer na inser\u00e7\u00e3o destas pessoas no novo ordenamento social.292 Neste contexto, os padres sinodais origin\u00e1rios das Igrejas Cat\u00f3licas Orientais puseram outra vez o problema \u2013 novo em certos aspectos e de graves consequ\u00eancias na vida concreta \u2013 da emigra\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is das suas Comunidades. Na realidade, h\u00e1 um n\u00famero bastante significativo de fi\u00e9is vindos das Igrejas Cat\u00f3licas Orientais que residem habitual e estavelmente fora das terras de origem e das sedes das Hierarquias Orientais. Trata-se, como \u00e9 compreens\u00edvel, duma situa\u00e7\u00e3o que diariamente interpela a responsabilidade dos pastores. Por isso, o S\u00ednodo dos Bispos considerou necess\u00e1rio um exame mais profundo sobre os modos como poderiam as Igrejas Cat\u00f3licas, tanto Orientais como Ocidentais, estabelecer as estruturas pastorais oportunas e apropriadas, capazes de satisfazer as exig\u00eancias destes fi\u00e9is que vivem em condi\u00e7\u00f5es de \u00ab  di\u00e1spora  \u00bb.293 De qualquer forma, \u00e9 um dever dos Bispos do lugar, n\u00e3o obstante a diversidade de rito, serem verdadeiros pais para estes fi\u00e9is de rito oriental, garantindo-lhes, no cuidado pastoral, a salvaguarda dos valores religiosos e culturais espec\u00edficos, nos quais nasceram e receberam a sua forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 inicial. Estes s\u00e3o apenas alguns dos \u00e2mbitos onde o testemunho crist\u00e3o e o minist\u00e9rio episcopal s\u00e3o reclamados com particular urg\u00eancia. A assun\u00e7\u00e3o de responsabilidades que dizem respeito ao mundo, aos seus problemas, aos seus desafios, \u00e0s suas expectativas pertence \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de anunciar o Evangelho da esperan\u00e7a. De facto, est\u00e1 em jogo o futuro do homem, enquanto \u00ab  ser de esperan\u00e7a  \u00bb. Com a acumula\u00e7\u00e3o dos desafios a que est\u00e1 exposta a esperan\u00e7a, \u00e9 bem compreens\u00edvel que surja a tenta\u00e7\u00e3o do cepticismo e do des\u00e2nimo. Mas, o crist\u00e3o sabe que pode enfrentar mesmo as situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis, porque o fundamento da sua esperan\u00e7a est\u00e1 no mist\u00e9rio da Cruz e da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. S\u00f3 da\u00ed \u00e9 poss\u00edvel haurir a for\u00e7a necess\u00e1ria para se colocar e permanecer ao servi\u00e7o de Deus, que quer a salva\u00e7\u00e3o e a liberta\u00e7\u00e3o integral do homem.   CONCLUS\u00c3O 73. \u00c0 vista de cen\u00e1rios humanamente t\u00e3o complexos para o an\u00fancio do Evangelho, vem \u00e0 mem\u00f3ria quase espontaneamente o relato da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es narrado nos evangelhos. Os disc\u00edpulos referem a Jesus as suas perplexidades a respeito da multid\u00e3o que, faminta da sua palavra, O seguiu at\u00e9 ao deserto, propondo-Lhe: \u00ab  Dimitte turbas&#8230; Despede a multid\u00e3o&#8230;  \u00bb (Lc 9, 12). Talvez tenham medo de n\u00e3o conseguir verdadeiramente saciar a fome de tamanha multid\u00e3o de pessoas. An\u00e1loga atitude poderia irromper no nosso esp\u00edrito, descoro\u00e7oado pela grandeza dos problemas que interpelam as Igrejas e pessoalmente a n\u00f3s, Bispos. Neste caso, \u00e9 preciso recorrer \u00e0quela nova fantasia da caridade que deve explicitar-se n\u00e3o s\u00f3 nem sobretudo na efici\u00eancia das ajudas prestadas, mas na capacidade de ser solid\u00e1rio com quem padece necessidade, fazendo com que os pobres sintam cada comunidade crist\u00e3 como a sua pr\u00f3pria casa.294 Por\u00e9m, Jesus tem o seu modo pr\u00f3prio de resolver os problemas. Como se quisesse provocar os Ap\u00f3stolos, diz-lhes: \u00ab  Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer  \u00bb (Lc 9, 13). J\u00e1 conhecemos a conclus\u00e3o da narra\u00e7\u00e3o: \u00ab  Todos comeram e ficaram saciados; e ainda apanharam o que lhes tinha sobrado: doze cestos cheios de fragmentos  \u00bb (Lc 9, 17). Aquela abund\u00e2ncia at\u00e9 sobrar ainda hoje aparece na vida da Igreja! Pede-se aos Bispos do terceiro mil\u00e9nio que fa\u00e7am o que muitos santos Bispos souberam fazer ao lo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cap\u00edtulo VI<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,295,127,144,154,168,188,189,191,192,206,246,258,261,268,285,291,294,297,311,314,326,327],"class_list":["post-2822","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-biblia","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-direito-canonico","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-ecumenismo","tag-familia","tag-liturgia","tag-migracoes","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao","tag-patrimonio","tag-refugiados","tag-sacramentos","tag-santa-se","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade","tag-vida-consagrada","tag-visita-ad-limina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2822\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}