{"id":28206,"date":"2007-11-17T10:22:17","date_gmt":"2007-11-17T10:22:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/17\/a-alegria-de-ser-igreja\/"},"modified":"2007-11-17T10:22:17","modified_gmt":"2007-11-17T10:22:17","slug":"a-alegria-de-ser-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-alegria-de-ser-igreja\/","title":{"rendered":"A alegria de ser Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Uma Vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o vocacional, integrada em plena Semana dos Semin\u00e1rios e a acontecer poucos dias ap\u00f3s a Visita ad Limina que o Episcopado Portugu\u00eas efectuou, pode ser oportunidade para uma partilha de sentimentos e, particularmente, prop\u00f3sitos. Pessoalmente, gostaria que a Arquidiocese de Braga fosse capaz de assumir a mensagem que o S. Padre nos confiou. Ela foi interpretada duma maneira facciosa e parcial. Importa entend\u00ea-la na globalidade e n\u00e3o extrair uma afirma\u00e7\u00e3o dum contexto, dando-lhe um atributo de principal inten\u00e7\u00e3o do Papa quando se trata duma confirma\u00e7\u00e3o dos projectos que temos vindo a delinear e concretizar.  Numa Semana dos Semin\u00e1rios e neste ambiente de ora\u00e7\u00e3o posso procurar sintetizar a referida mensagem para que se torne programa para todos os crist\u00e3os. Como Arcebispo, terei de investir na confirma\u00e7\u00e3o dos desejos que sempre delineei para o meu servi\u00e7o episcopal e que comuniquei no chamado Relat\u00f3rio Quinquenal; os sacerdotes devem aceitar este momento para intensificar a renova\u00e7\u00e3o que os tempos actuais exigem; os Religiosos e Religiosas ter\u00e3o de se integrar sempre mais com a riqueza dos seus carismas; os leigos devem reconhecer que a sua inicia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 n\u00e3o pode ser considerada encerrada mas que se trata dum processo permanente.  E os Semin\u00e1rios? Vejo-os como portadores duma novidade que entusiasma e motiva, preparando Sacerdotes para a radicalidade evang\u00e9lica e entrega incondicional ao servi\u00e7o do Reino. Deste modo, os nossos crist\u00e3os n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se afastar\u00e3o mas testemunhar\u00e3o novo esp\u00edrito de ades\u00e3o a Cristo e \u00e0 Igreja.  Eis, ent\u00e3o, o percurso do S. padre, transcrito num resumo l\u00f3gico e bem ordenado.  1 \u2013 Depois do Jubileu do Ano 2.000 fomos convidados \u201ca entrar e a permanecer em Cristo como a casa dos seus desejos mais profundos e verdadeiros\u201d e \u201ca medir at\u00e9 onde j\u00e1 se fizeram realidade tais desejo, isto \u00e9, at\u00e9 onde a vida e o ser de cada um encarna o Verbo de Deus\u201d.  Eis o ponto de partida e base de exame de consci\u00eancia a efectuar por todos como apelo de Deus: Entrar e permanecer em Cristo para encarnar o Verbo de Deus. Trata-se de algo tremendamente exigente mas motivador.  2 \u2013 Esta encarna\u00e7\u00e3o tem um sinal muito eloquente que nunca se pode ignorar \u201co transbordar para os outros da vida de Cristo que irrompe em mim\u201d. O cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o do livro, ou seja, duma Palavra te\u00f3rica ou meramente discursiva. Trata-se duma vida que todos podem ver, porque transborda, ou seja, nasce da interioridade. H\u00e1 algo de mais moderno?  3 \u2013 Tudo isto acontece num contexto determinado. O S. Padre serve-se de S. Ambr\u00f3sio para explicitar e dissipar d\u00favidas: \u201cTu permaneces comigo (com Deus), se permaneceres na Igreja\u201d; \u201conde est\u00e1 a Igreja, a\u00ed encontras o ponto de apoio mais firme para a tua mente\u2026 a\u00ed est\u00e1 o alicerce da tua alma\u201d.  Nenhum crist\u00e3o o pode ser sem este sentido de perten\u00e7a. Deus encontra-se ou deve encontrar-se na Igreja e a sua \u201cverdadeira miss\u00e3o\u201d consiste em n\u00e3o falar \u201cprimariamente de si mesma, mas de Deus\u201d.  A linguagem usada \u00e9 muito clara e desmascara muitas atitudes amb\u00edguas por parte dos crist\u00e3os que pensam caminhar por sua livre vontade, assim como centraliza o papel da Igreja no aqui e agora.  Haver\u00e1 interpela\u00e7\u00e3o mais exigente para quem se contenta em ser baptizado e exigir os sacramentos? Haver\u00e1 programa mais sublime do que apresentar, em contra-corrente Deus como sentido da vida?  4 &#8211; Esta simbiose \u00e9 explicada pela Papa atrav\u00e9s dum coment\u00e1rio de S. Ambr\u00f3sio ao epis\u00f3dio de Abra\u00e3o e da sar\u00e7a ardente. \u201cEu te apareci na Igreja, como outrora na sar\u00e7a ardente. Tu \u00e9s a sar\u00e7a, Eu o fogo; fogo na sar\u00e7a, sou Eu na tua carne. Por isso, Eu sou fogo: para te iluminar, para destruir os teus espinhos, os teus pecados, e te manifestar a minha benevol\u00eancia\u201d.  A salva\u00e7\u00e3o, como sin\u00f3nimo de felicidade, \u00e9, sempre, Deus. S\u00f3 que Ele manifesta-se atrav\u00e9s de media\u00e7\u00f5es, sinais que, simultaneamente, s\u00e3o pessoais e comunit\u00e1rias. O que importa \u00e9 que sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas, membros de movimentos, leigos empenhados em servi\u00e7os eclesiais \u2013 uns diocesanos, outros paroquiais \u2013 sejam sar\u00e7a n\u00e3o seca mas que se deixa atear pelo fogo de Deus. Que vale a sar\u00e7a sem o fogo? Que faz o fogo sem a sar\u00e7a?  Eis o grande mist\u00e9rio da Igreja e a tremenda \u2013 mas fascinante \u2013 responsabilidade dos crist\u00e3os. \u00c9 mais f\u00e1cil ser sar\u00e7a onde n\u00e3o chega o fogo. Aqui est\u00e1 o verdadeiro problema da Igreja. N\u00e3o faltam estruturas e estrat\u00e9gias. N\u00e3o circula entre elas o \u201c\u00f3leo\u201d daquele amor capaz de tornar as comunidades sinal dum Deus de \u201cagora\u201d que n\u00e3o \u00e9 desconsiderado perante outras \u201cofertas\u201d mais f\u00e1ceis ou \u201cusado\u201d em ocasi\u00f5es formais ou sociais e quase sempre como simples exig\u00eancia de servi\u00e7os.  5 \u2013 Nesta ordem de ideia, aparece uma car\u00eancia que os Bispos Portugueses reconhecem e que a Carta do Papa Bento XVI, Deus Caritas est, veio tornar mais permente. Deus est\u00e1 na comunh\u00e3o como vida e como articula\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. E se, por outro lado, Deus permanece na Igreja esta tem de ser comunh\u00e3o.  Maravilhosa \u00e9, assim, a express\u00e3o do Papa: \u201cA palavra de ordem era, e \u00e9, construir caminhos de comunh\u00e3o\u201d. Esta pequena fase encerra o n\u00facleo duro de tudo quanto o Santo Padre quer dizer \u00e0 Igreja que peregrina em Portugal e que todos os crist\u00e3os devem aceitar como programa pessoal. E \u00e9 neste contexto que aparece a fase que alguns fazedores de opini\u00e3o interpretaram como reprimenda, quando se trata dum mero confirmar de tantas inten\u00e7\u00f5es manifestadas por todos os bispos. Como seria bom que a Igreja em Portugal a assumisse como program\u00e1tica para os anos que se aproximam. \u00c9 verdade que necessitamos de continuar a \u201cmudar o estilo de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros\u201d. Este apelo a reassumir a \u201ceclesiologia da comunh\u00e3o como senda do concilio\u201d, ou como \u201crota certa a seguir\u201d, nada encerra de novidade a n\u00e3o ser o dever de efectuar, cada um, um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia para verificar se tem sido empecilho, escolho ou ajuda e contribui\u00e7\u00e3o activa.  Pessoalmente, rezo para que este convite ecoe bem profundamente no cora\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os da Arquidiocese e aos Seminaristas agrade\u00e7o um empenho especial. Sei que sereis capazes de o efectuar e que n\u00e3o vos limitareis a responsabilizar outros. Todos, mesmo todos, somos respons\u00e1veis por esta visibiliza\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s do Amor entre pessoas e estruturas. A Pastoral Vocacional deve centralizar-se neste testemunho e a comunh\u00e3o nunca estar\u00e1 plenamente realizada; somos oriundos desta fonte e caminhamos para ela.  6 \u2013 O Santo Padre terminou duma maneira magn\u00edfica. Recorda-nos que F\u00e1tima, e nesta todos os Santu\u00e1rios, s\u00e3o uma \u201cescola de f\u00e9\u201d onde Maria tem a sua c\u00e1tedra para a\u00ed se aprender as \u201cverdades eternas e a arte de orar, crer e amar\u201d.  Sim, Maria \u00e9 a disc\u00edpula e ap\u00f3stola como, em nome de todos os portugueses, recordei ao Santo Padre. Como tal, ela est\u00e1 a ensinar o fundamental que s\u00e3o as verdades eternas e particularmente a arte de orar, crer e amar.  Nesta semana dos Semin\u00e1rios entrego-lhe todas as comunidades e pe\u00e7o-lhe que a todas anuncie os caminhos de Seu Filho, motivando jovens para a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, atrav\u00e9s duma viv\u00eancia da comunh\u00e3o. Esta \u00e9 a novidade para os tempos actuais.  Nesta Vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es e, particularmente, pelos Semin\u00e1rios, quis deixar a mensagem do Papa \u00e0 Igreja em Portugal. Creio que fui fiel ao seu pensamento que gostaria que os crist\u00e3os da Arquidiocese de Braga conhecessem n\u00e3o se deixando imbuir por quanto alguma comunica\u00e7\u00e3o social pretendeu transmitir. A inten\u00e7\u00e3o do Papa foi s\u00f3 um apelo encorajante para um trabalho, com as limita\u00e7\u00f5es que todos reconhecemos, est\u00e1 a ser realizado. H\u00e1 quem n\u00e3o queira ver e olhe s\u00f3 para as lacunas. Devemos estar do outro lado e prosseguir a caminhada com muita ousadia e serenidade.  Na escola de Maria saberemos orar, acreditar e amar. Deus continuar\u00e1 a acender a sar\u00e7a, que muitos consideram ou querem considerar ressequida e morta. Com Ele a luz resplandecer\u00e1.  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=noticia.asp?noticiaid=52888> Semana dos Semin\u00e1rios<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o vocacional, integrada em plena Semana dos Semin\u00e1rios e a acontecer poucos dias ap\u00f3s a Visita ad Limina que o Episcopado Portugu\u00eas efectuou, pode ser oportunidade para uma partilha de sentimentos e, particularmente, prop\u00f3sitos. Pessoalmente, gostaria que a Arquidiocese de Braga fosse capaz de assumir a mensagem que o S. 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