{"id":282,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-formula-1-das-bombas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-formula-1-das-bombas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-formula-1-das-bombas\/","title":{"rendered":"A F\u00f3rmula 1 das bombas"},"content":{"rendered":"<p>A F\u00f3rmula 1 das bombas Falar outra vez sobre a guerra? N\u00e3o estar\u00e1 tudo dito? N\u00e3o estar\u00e3o todos fartos?  Mat\u00e9ria delicada, esta. As pessoas desabafam o seu cansa\u00e7o e todavia n\u00e3o conseguem desenvencilhar-se do que as cerca, preocupa e referencia em todos os momentos. Mesmo quando detestam a morte n\u00e3o conseguem, diante do morto, mudar de registo. Ou fogem uns instantes para de novo l\u00e1 regressarem. A vida tem destas coisas que n\u00e3o sabemos explicar, mas sabemos que existem. Haver\u00e1 algo de m\u00f3rbido nesta repeti\u00e7\u00e3o circular das coisas, mesmo intercalada por um jogo de futebol ou uma hist\u00f3ria emocional, fict\u00edcia ou n\u00e3o, que entret\u00e9m os s\u00f3t\u00e3os das imagina\u00e7\u00f5es ensombradas de medos. Os media sabem disso e n\u00e3o largam um tema, doloroso embora, que ande a roer o \u00edntimo das pessoas. (No meu pequeno r\u00e1dio ou\u00e7o, ao fundo, um rep\u00f3rter entusiasta que deve estar a falar da guerra. Mas a m\u00fasica do seu linguajar podia ser de um relato de futebol ou de um desfile de misses). Anda longe e perto, esta guerra. Pagamos alto o pre\u00e7o da informa\u00e7\u00e3o. O desassossego dos nossos cora\u00e7\u00f5es faz-nos andar de Pilatos para Caif\u00e1s sem saber onde paira a verdade e a justi\u00e7a. Chovem opini\u00f5es, pareceres, senten\u00e7as in\u00fameras sobre os nossos esp\u00edritos conturbados. Entre comentador, cabo e comandante, cada qual debita a sua senten\u00e7a sobre o pol\u00edtico e o militar, o \u00e9tico e o moral, o aplaudido e o reprov\u00e1vel, o princ\u00edpio e a pr\u00e1tica.  Precisamos, talvez, de acontecimentos semelhantes aos que agora decorrem para recentrarmos as nossas vidas e percebermos por onde anda o nosso cora\u00e7\u00e3o. Continuam roubos, corrup\u00e7\u00f5es, crimes, injusti\u00e7as, entre n\u00f3s e no resto do planeta. Mas o ru\u00eddo da guerra \u00e9 mais alto e catalisador dos nossos sentimentos. De tal forma que, face ao espect\u00e1culo, perdemos o sentido do que, na exist\u00eancia, ocupa o primeiro ou o \u00faltimo plano. Bom tempo este para uma reflex\u00e3o sobre a vida, os valores, a raz\u00e3o, a solidariedade, a dist\u00e2ncia e a proximidade da nossa hist\u00f3ria com outras hist\u00f3rias j\u00e1 vividas e repetidas. E para os crist\u00e3os a premente quest\u00e3o do projecto de Deus acerca do mundo, deste e do outro, referido sempre ao mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizado e ainda n\u00e3o acontecido em plenitude, nesta complexa luta entre o tempo e a urg\u00eancia da reden\u00e7\u00e3o. A guerra n\u00e3o pertence apenas aos militares e aos pol\u00edticos. \u00c9 um prolongamento do batimento comum do cora\u00e7\u00e3o humano. Por \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9ricas, pa\u00edses e povos haver\u00e1 inteiramente alheios a este pr\u00e9lio, relatado pelos ricos como se fora um jogo de futebol ou uma estridente corrida de F\u00f3rmula 1. Mas todos vamos pagar caro este jogo mesmo que, de momento, possa trazer alguns lucros de bilheteira. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A F\u00f3rmula 1 das bombas Falar outra vez sobre a guerra? N\u00e3o estar\u00e1 tudo dito? N\u00e3o estar\u00e3o todos fartos? Mat\u00e9ria delicada, esta. 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