{"id":28185,"date":"2007-11-16T11:42:51","date_gmt":"2007-11-16T11:42:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/16\/democracia-em-perigo-na-venezuela\/"},"modified":"2007-11-16T11:42:51","modified_gmt":"2007-11-16T11:42:51","slug":"democracia-em-perigo-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/democracia-em-perigo-na-venezuela\/","title":{"rendered":"Democracia em perigo na Venezuela"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista a Dom Baltasar Porras, vice-presidente do CELAM <!--more--> Numa entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Zenit, D. Baltasar Porras, ex-presidente da Confer\u00eancia Episcopal da Venezuela e actual primeiro vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), lan\u00e7ou uma alerta sobre as amea\u00e7as \u00e0 democracia, ao que se chama de ideologia socialista-bolivariana.  D. Baltasar, Arcebispo de M\u00e9rida, capital do estado de M\u00e9rida \u2013 no nordeste da Venezuela, a 1.600 metros de altura \u2013, encontra-se actualmente em Roma para visitar Bento XVI, com a presid\u00eancia do CELAM.   <b>O presidente venezuelano prop\u00f5e uma reforma constitucional em 30 artigos, aos que a Assembleia Nacional acrescentou outros 30; tudo isso ser\u00e1 objecto de um referendo que suscita fortes reac\u00e7\u00f5es. Em que consiste e por que tanta preocupa\u00e7\u00e3o?<\/b>  <b>D. Baltasar:<\/b> Podemos dizer que o que ser\u00e1 submetido a referendo n\u00e3o \u00e9 uma revis\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, mas uma nova Constitui\u00e7\u00e3o que, de facto, confere praticamente plenos poderes ao presidente e ao governo, expropriando, apesar das apar\u00eancias, os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o do povo.   Tamb\u00e9m as propostas podem ser aceitas ou rejeitadas s\u00f3 em bloco e n\u00e3o selectivamente, impedindo assim qualquer discernimento entre os diversos artigos.   <b>Um recente documento da Confer\u00eancia Episcopal da Venezuela (CEV), expressa uma forte preocupa\u00e7\u00e3o sobre a proposta de reforma, chegando a defini-la como \u00abmoralmente inaceit\u00e1vel\u00bb. O senhor poderia coment\u00e1-lo?<\/b>  <b>D. Baltasar:<\/b> As recentes declara\u00e7\u00f5es da Igreja, tanto da hierarquia como das comunidades religiosas e laicas, s\u00e3o bem acolhidas e agradecidas pelo povo, que percebe a posi\u00e7\u00e3o de defesa dos direitos de todos, e n\u00e3o s\u00f3 de quem tem o poder e actua com a for\u00e7a.   Os bispos em especial definiram como \u00abmoralmente inaceit\u00e1vel\u00bb esta proposta por quatro raz\u00f5es: porque mais que uma reforma, fragiliza a tutela dos direitos humanos, aumentando a falta de credibilidade do Governo, pede a vota\u00e7\u00e3o de 60 artigos agrupados em dois blocos o que impede toda elei\u00e7\u00e3o selectiva, limitando de fato a liberdade de express\u00e3o da vontade popular e porque a campanha eleitoral \u00e9 fortemente manipulada, prev\u00ea possibilidades muito diversas de informa\u00e7\u00e3o entre propaganda governamental, oposi\u00e7\u00e3o e sociedade civil.   <b>A ag\u00eancia France Presse (AFP) deu recentemente uma not\u00edcia de uma manifesta\u00e7\u00e3o, definida como de massa, a favor do Governo. O que pode dizer sobre isso?<\/b>  <b>D. Baltasar:<\/b> Deve levar-se em conta que a participa\u00e7\u00e3o, nas manifesta\u00e7\u00f5es promovidas pelo Governo, \u00e9 obrigat\u00f3ria para todos os empregados p\u00fablicos, aos que asseguram a disponibilidade de meios de transporte, proporcionando tamb\u00e9m alimenta\u00e7\u00e3o e reconhecendo aos participantes uma \u00abindemniza\u00e7\u00e3o\u00bb econ\u00f3mica. Tudo isso porque o que interessa ao Governo \u00e9 o efeito nos media, perseguido atrav\u00e9s dos principais meios de informa\u00e7\u00e3o.   As condi\u00e7\u00f5es para a oposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito diferentes: deve enfrentar dificuldades log\u00edsticas de v\u00e1ria ordem, e as possibilidades de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito mais limitadas.   <b>A ag\u00eancia Associated Press (AP) fala de uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para pedir ao Tribunal Supremo que prorrogue o tempo dispon\u00edvel para informar sobre o texto e difundir os motivos de oposi\u00e7\u00e3o. A manifesta\u00e7\u00e3o desenvolveu-se pacificamente, mas na \u00e1rea universit\u00e1ria, houve graves ataques por pessoas, estudantes&#8230;, armados e apoiados por elementos pr\u00f3ximos do Governo. Quais s\u00e3o suas considera\u00e7\u00f5es?<\/b>  <b>D. Baltasar:<\/b> \u00c9 verdade. Hoje, na Venezuela, h\u00e1 muita gente armada, a pol\u00edcia assegura impunidade, e isso aumenta a inseguran\u00e7a e o medo. A viol\u00eancia suscitada por infiltra\u00e7\u00f5es na \u00e1rea universit\u00e1ria justifica a interven\u00e7\u00e3o do Governo contra a autonomia da Universidade.   <b>Duas express\u00f5es do servi\u00e7o informativo da AP s\u00e3o preocupantes. A primeira afirma que o resultado positivo do referendo iria enfraquecer as liberdades civis; a segunda fala do risco de arrastar a Venezuela numa aventura que ningu\u00e9m deseja.<\/b>  <b>D. Baltasar:<\/b>Enfraquece os direitos civis porque limita as liberdades e aumenta a falta de credibilidade do poder: quem n\u00e3o \u00e9 socialista-bolivariano n\u00e3o \u00e9 um bom venezuelano e, portanto, pode ser perseguido. Tamb\u00e9m a experi\u00eancia comunista de Castro \u00e9-nos estranha, por isso ningu\u00e9m assegura aventuras deste g\u00e9nero; as posi\u00e7\u00f5es que se remetem ao Che Guevara s\u00e3o percebidas como viol\u00eancia e injusti\u00e7a.   <b>Se o referendo tivesse resultado positivo, quer dizer que a maioria do povo est\u00e1 com Ch\u00e1vez e compartilha das suas propostas, logo deveria aceitar-se uma elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. O senhor compartilha esta afirma\u00e7\u00e3o?<\/b>  <b>D. Baltasar:<\/b>N\u00e3o, n\u00e3o seria de qualquer forma uma elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Basta pensar que 80% do tempo na r\u00e1dio e televis\u00e3o est\u00e1 dirigido pelo poder actual, enquanto apenas 20% do tempo, obviamente nos hor\u00e1rios de menor audi\u00eancia, pertence \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 outro grave problema que se refere ao acompanhamento s\u00e9rio e independente da campanha eleitoral, insubstitu\u00edvel fun\u00e7\u00e3o de controle para garantir a democracia, que devemos reconhecer que falta na Venezuela.   \u00c9 preciso reconhecer tamb\u00e9m que a oposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 dividida e n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer uma proposta \u00fanica. As alternativas propostas v\u00e3o desde a absten\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o com voto contr\u00e1rio, mas isso cria incerteza.   Devo dizer que, para o nosso pa\u00eds, lamentavelmente, n\u00e3o vejo um futuro de pacifica\u00e7\u00e3o, mas de contrastes, um futuro de conflito. O comunismo de Castro n\u00e3o faz parte do panorama que o povo venezuelano deseja.   <b>A situa\u00e7\u00e3o que nos descreveu influ\u00eancia a vida da Igreja e das comunidades crist\u00e3s do pa\u00eds? Como?<\/b>  <b>D. Baltasar:<\/b>O resultado imprevis\u00edvel desta situa\u00e7\u00e3o pede um forte sentido de unidade dentro da Igreja, e entre a Igreja Cat\u00f3lica e outras confiss\u00f5es. Esperavam dividir a Igreja por dentro e, ao contr\u00e1rio, apesar de poucos sacerdotes que fazem muito barulho na r\u00e1dio e na televis\u00e3o, bispos, sacerdotes e leigos est\u00e3o muito unidos e solid\u00e1rios.  Enquanto uma pequena minoria de crist\u00e3os \u00e9 partid\u00e1ria do Governo, em aspectos de defesa da liberdade, direitos humanos, paz interna e externa, produz-se uma grande consist\u00eancia, sublinhada por um aumento de voca\u00e7\u00f5es e convers\u00f5es. Tudo isso acontece enquanto contamos cerca de 200 assassinatos todas as semana, sem contar a pris\u00e3o de ref\u00e9ns, intimida\u00e7\u00f5es, etc., com a conivente indiferen\u00e7a do poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a Dom Baltasar Porras, vice-presidente do CELAM<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,189],"class_list":["post-28185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}