{"id":281635,"date":"2023-05-11T09:00:41","date_gmt":"2023-05-11T08:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=281635"},"modified":"2023-05-10T15:59:36","modified_gmt":"2023-05-10T14:59:36","slug":"palavras-de-dois-papas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/palavras-de-dois-papas\/","title":{"rendered":"Palavras de dois papas"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-271042 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Enquanto escrevo, neste momento do dia 8 de Maio, h\u00e1 milhares de peregrinos a caminho de F\u00e1tima. E lembro o dia de ontem, o \u201cDia da M\u00e3e\u201d, o dia em que muitos destes peregrinos ter\u00e3o deixado as suas terras e se lan\u00e7aram a caminho. Entre eles, certamente muitas m\u00e3es a pensar nos filhos e por eles rezar, e muitos filhos a pensar nas suas m\u00e3es e por ela rezar.<\/p>\n<p>E ser\u00e1 assim nestes dias pr\u00f3ximos. As nossas estradas vestem-se de caminhantes coloridos. Em marcha da f\u00e9 e em marcha da esperan\u00e7a. E em marcha da caridade. Porque \u00e9 tamb\u00e9m uma marcha em comunidade, onde se espelha a fraternidade.<\/p>\n<p>Nestes dias n\u00e3o haver\u00e1 cidade alguma de Portugal de onde n\u00e3o saia um grupo de caminhantes peregrinando em direc\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima. E a 12 e 13 ser\u00e1 um mar de gente a encher aquele recinto.<\/p>\n<p>\u00c9 assim todos os anos. E foi assim que aquele Santu\u00e1rio recebeu j\u00e1 quatro papas, vindos de Roma, tamb\u00e9m em peregrina\u00e7\u00e3o. Foi assim que me vi envolvido por uma atmosfera orante, meia do c\u00e9u e meia da terra, como se ali aflu\u00edsse toda a Humanidade, com gente de todas as na\u00e7\u00f5es, com a presen\u00e7a do Papa Bento XVI, em 2010 e com o Papa Francisco em 2017. O primeiro no 10.\u00ba anivers\u00e1rio da beatifica\u00e7\u00e3o de Jacinta e Francisco, os pastorinhos de F\u00e1tima. O segundo, no centen\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es, para os canonizar. E vi ent\u00e3o l\u00e1grimas em muitos rostos. N\u00e3o de quem chora. Mas l\u00e1grimas de quem vive um momento sereno de transcendente intensidade, humanamente imposs\u00edvel de conter. Ser\u00e3o l\u00e1grimas de f\u00e9. E, talvez, l\u00e1grimas de penit\u00eancia, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>De Bento XVI, evoco aqui palavras no encontro com os jornalistas durante o voo para Portugal. Foi no dia 11 de Maio. O texto ser\u00e1 longo, mas aqui fica para reflex\u00e3o, agora, passados treze anos. Assim falou o Papa, respondendo a uma pergunta feita pelo Padre Lombardi:<\/p>\n<p>\u00ab<em>O Senhor nos disse que a Igreja seria sempre sofredora, de diversos modos, at\u00e9 ao fim do mundo. O importante \u00e9 que a mensagem, a resposta de F\u00e1tima, n\u00e3o vai substancialmente na dire\u00e7\u00e3o de devo\u00e7\u00f5es particulares, mas precisamente na resposta fundamental, ou seja, a convers\u00e3o permanente, a penit\u00eancia, a ora\u00e7\u00e3o, e as tr\u00eas virtudes teologais: f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade. (\u2026) A novidade que podemos descobrir hoje, nesta mensagem, reside tamb\u00e9m no facto que os ataques ao Papa e \u00e0 Igreja v\u00eam n\u00e3o s\u00f3 de fora, mas que os sofrimentos da Igreja v\u00eam justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Tamb\u00e9m isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior persegui\u00e7\u00e3o da Igreja n\u00e3o vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de re-aprender a penit\u00eancia, de aceitar a purifica\u00e7\u00e3o, de aprender por um lado o perd\u00e3o, mas tamb\u00e9m a necessidade de justi\u00e7a. O perd\u00e3o n\u00e3o substitui a justi\u00e7a<\/em>.\u00bb<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se, ent\u00e3o, teremos ouvido bem o Papa Bento XVI. Ou se lhe prest\u00e1mos a necess\u00e1ria aten\u00e7\u00e3o. Mas verdade \u00e9 que as suas palavras s\u00e3o hoje bem mais pesadas do que ter\u00e3o sido, \u00e0 altura, para a Igreja em Portugal. Entusiasmada com a visita do mensageiro, ter\u00e1 passado ao lado da mensagem. E elas ressoam, agora, na Igreja como um pesadelo a apelar \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia.<\/p>\n<p>Igreja santa? Sim, mas tamb\u00e9m pecadora. Igreja santa e pecadora? Seja ela tamb\u00e9m penitente. Penitente a rezar e a pedir perd\u00e3o. Mas penitente tamb\u00e9m na pr\u00e1tica da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Do segundo, do Papa Francisco, evoco as memor\u00e1veis palavras da homilia do dia 13 de Maio de 2017: \u00ab<em>Queridos peregrinos, temos M\u00e3e, temos M\u00e3e!<\/em>\u00bb E aquela assembleia de muitos milhares de peregrinos, que enchia por completo aquele imenso recinto, explodiu, emocionada, em prolongada salva de palmas que, subindo, ressoou chegando aos c\u00e9us. Depois seguiu-se um contrastante sil\u00eancio absoluto a pedir a Francisco para continuar. E o Papa continuou: \u00ab<em>Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperan\u00e7a que assenta em Jesus, pois, como ouv\u00edamos na Segunda Leitura, \u00abaqueles que recebem com abund\u00e2ncia a gra\u00e7a e o dom da justi\u00e7a reinar\u00e3o na vida por meio de um s\u00f3, Jesus Cristo<\/em>\u00bb (Rm\u00a05, 17).<\/p>\n<p>Digamos que j\u00e1 noutras ocasi\u00f5es teremos ouvido e dito com f\u00e9 e esperan\u00e7a aquelas palavras. Mas aquele presente verbal da frase singela \u00ab<em>Temos M\u00e3e<\/em>\u00bb, dita e ouvida naquelas circunst\u00e2ncias vividas no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, transporta-nos para al\u00e9m do tempo. \u00abTemos\u00bb, verbalmente falando, \u00e9 a primeira pessoa do plural do presente do indicativo. Mas \u00e9 um presente do indicativo continuado no tempo at\u00e9 \u00e0 eternidade. \u00abTemos\u00bb, eu, tu, n\u00f3s, eles, todos. Os que ali se encontravam e que se encontravam perto ou longe deste lugar. Dos que t\u00eam m\u00e3e, dos j\u00e1 a perderam e daqueles que nunca a conheceram. Porque tamb\u00e9m os h\u00e1. Dos viventes de hoje e dos que viveram antes e j\u00e1 partiram.<\/p>\n<p>\u00c9 um \u00ab<em>temos<\/em>\u00bb que abarca a Humanidade. Um plural que abarca toda a Igreja. Ela \u00e9 a \u00ab<em>M\u00e3e da Igreja<\/em>\u00bb. Mesmo pecadora e penitente. \u00c9 um \u00ab<em>Temos M\u00e3e<\/em>\u00bb que abrange, pois, a Igreja. Esta Igreja sofredora a navegar em \u00e1guas revoltas. Esta Igreja que, neste presente vivido dos tempos conturbados, bem precisa dos cuidados de \u00abM\u00e3e\u00bb.<\/p>\n<p>Guarda, 8 de Maio de 2023<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-281635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=281635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281635\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=281635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=281635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=281635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}