{"id":28163,"date":"2007-11-15T12:13:08","date_gmt":"2007-11-15T12:13:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/15\/portugal-precisa-do-espirito-critico-proporcionado-pela-filosofia\/"},"modified":"2007-11-15T12:13:08","modified_gmt":"2007-11-15T12:13:08","slug":"portugal-precisa-do-espirito-critico-proporcionado-pela-filosofia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-precisa-do-espirito-critico-proporcionado-pela-filosofia\/","title":{"rendered":"Portugal precisa do esp\u00edrito cr\u00edtico proporcionado pela Filosofia"},"content":{"rendered":"<p>Os directores da Faculdade de Filosofia da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e do curso de Filosofia da Universidade do Minho consideram que Portugal precisa do pensamento cr\u00edtico proporcionado por esta disciplina. Alfredo Dinis e Jos\u00e9 Manuel Curado defendem o investimento nesta \u00e1rea como a chave para fazer o pa\u00eds avan\u00e7ar. A Filosofia est\u00e1 hoje em destaque, com a comemora\u00e7\u00e3o do seu Dia Mundial. Alfredo Dinis explica que a celebra\u00e7\u00e3o deste dia foi decretada pela Unesco, como forma de combater uma tend\u00eancia internacional de desvaloriza\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea e de salientar a sua import\u00e2ncia na promo\u00e7\u00e3o do pensamento cr\u00edtico. Este respons\u00e1vel subscreve as preocupa\u00e7\u00f5es da Unesco quando a organiza\u00e7\u00e3o internacional sublinha que o pensamento cr\u00edtico \u00abincomoda os pol\u00edticos\u00bb e que \u00abas autoridades dispensam bem o incentivo do pensar cr\u00edtico\u00bb. \u00abA Unesco instituiu este dia mundial para n\u00e3o deixar cair esta ideia de que \u00e9 necess\u00e1rio que as pessoas pensem criticamente. Isto n\u00e3o quer necessariamente dizer que todos tenham de tirar um curso de Filosofia, mas que o esp\u00edrito cr\u00edtico \u00e9 indispens\u00e1vel em todas as \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o\u00bb, afirma. Para o acad\u00e9mico, sem esp\u00edrito cr\u00edtico \u00abaprendem-se as coisas de uma forma passiva, como se n\u00e3o existissem problemas\u00bb. Esta postura contrasta com a Filosofia, que tem \u00abna sua matriz fundamental interrogar e nunca se sentir satisfeita com as respostas\u00bb. O acad\u00e9mico insere tamb\u00e9m esta quest\u00e3o num contexto de \u00abcrise de educa\u00e7\u00e3o\u00bb e num cen\u00e1rio marcado pela \u00abcultura audiovisual e inform\u00e1tica\u00bb, muito baseada \u00abna manipula\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos e de m\u00e1quinas\u00bb. Na sua opini\u00e3o, a falta de investimento nestas \u00e1reas ter\u00e1, necessariamente reflexos a m\u00e9dio e longo prazo. \u00abEm Portugal temos um sistema democr\u00e1tico, em que se pode falar sem que as pessoas sejam postas na cadeia, mas isso n\u00e3o acontece em todos os pa\u00edses. A\u00ed torna-se ainda mais urgente a liberdade de pensamento e o esp\u00edrito cr\u00edtico\u00bb, frisa. <b>Filosofia associada ao desenvolvimento<\/b> Jos\u00e9 Manuel Curado destaca, por seu turno, que a \u00abFilosofia \u00e9 um patrim\u00f3nio com mais de 25 s\u00e9culos na Europa\u00bb, estando associada \u00abaos pa\u00edses de maior desenvolvimento no planeta\u00bb. \u00abOs pa\u00edses mais desenvolvidos t\u00eam comunidades extraordin\u00e1rias de pessoas interessadas em Filosofia. A Am\u00e9rica, o Reino Unido, a Fran\u00e7a e a Alemanha s\u00e3o os exemplos \u00f3bvios. Com que pa\u00edses Portugal se quer assemelhar? Com o Burkina Faso? Com a Coreia do Norte? Veja-se o exemplo not\u00e1vel de Espanha. Tem um n\u00edvel de desenvolvimento muito superior ao nosso e, curiosamente, tem tamb\u00e9m uma actividade de fil\u00f3sofos muito superior \u00e0 nossa. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, pois n\u00e3o? Se calhar precisamos todos de ler uns livrinhos de Filosofia para perceber o que est\u00e1 em causa\u00bb, afirma. Em seu entender, \u00e9 \u00f3bvio que \u00aba Filosofia pode contribuir para o desenvolvimento do pa\u00eds\u00bb. \u00abUm pa\u00eds s\u00f3 se desenvolve se inventar coisas novas. Que tipo de desenvolvimento \u00e9 que se consegue a chover permanentemente no molhado e a trabalhar e a viver com conceitos que t\u00eam d\u00e9cadas? Provavelmente estenderemos a m\u00e3o a algum pa\u00eds ou grupo de pa\u00edses e pediremos esmola sob a forma de uma receita. E isso \u00e9 um desenvolvimento emprestado\u00bb, diz. O professor universit\u00e1rio sublinha que, de um modo geral, o pa\u00eds precisa \u00abde pensamento cr\u00edtico, de ter capacidade de olhar para os assuntos de formas alternativas\u00bb. \u00abA Filosofia \u00e9 uma ferramenta incr\u00edvel para nos auxiliar a pensar de maneiras alternativas, n\u00e3o can\u00f3nicas, n\u00e3o congeladas no tempo, n\u00e3o mineralizadas\u00bb, sustenta, advertindo: \u00abA aus\u00eancia de pessoas que pensam filosoficamente \u00e9 o melhor sinal de que uma sociedade n\u00e3o ir\u00e1 fazer nada de interessante\u00bb. O docente frisa que esta disciplina deve ser transversal. \u00abEncontrei um destes dias o grande cientista de computa\u00e7\u00e3o portugu\u00eas, o professor Lu\u00eds Moniz Pereira. Ele disse-me que at\u00e9 os engenheiros s\u00e3o excessivamente conservadores porque n\u00e3o cultivam o pensamento cr\u00edtico. Este \u00e9 um diagn\u00f3stico perfeito. Qual \u00e9 a terapia? S\u00f3 h\u00e1 uma actividade intelectual que nos obriga a pensar e a fazer deliberadamente problemas. Tem um nome. Chama-se Filosofia. Quem n\u00e3o faz problemas tamb\u00e9m n\u00e3o faz mais nada de interessante. \u00c9 como tudo o resto na vida\u00bb, declara. \u00abOs pa\u00edses que inventam o futuro dos outros t\u00eam de ter ideias novas e cr\u00edtica de ideias velhas. As ideias que os pa\u00edses t\u00eam assemelham-se aos objectos da nossa vida: se estamos habituados a eles, n\u00e3o queremos outra coisa. Com a actividade de pensamento cr\u00edtico, a Filosofia \u00e9 um motor poderoso para que a sociedade invente um futuro melhor\u00bb, acrescenta. <b>Cursos com n\u00fameros diferentes<\/b> Alfredo Dinis refere o decr\u00e9scimo do n\u00famero de alunos na \u00e1rea da Filosofia. O respons\u00e1vel da Cat\u00f3lica afirma que \u00aba procura dos cursos de Filosofia tem descido dramaticamente, n\u00e3o s\u00f3 na Faculdade de Filosofia, mas em todas as universidades. \u00abTemos um grupo muito reduzido. Normalmente temos 15 alunos por ano, sendo que 30 a 40 por cento s\u00e3o estudantes Jesu\u00edtas, que depois se preparam para estudar Teologia. Isso significa que, neste momento, dos 50 alunos que temos no total da Filosofia, 18 s\u00e3o jesu\u00edtas\u00bb, diz. Por seu turno, Jos\u00e9 Manuel Curado diz que a licenciatura em Filosofia da Universidade do Minho, que vai no terceiro ano, tem \u00abfeito sempre o pleno em todos os contingentes de candidatos: geral, mais de vinte e tr\u00eas anos, titulares de cursos m\u00e9dios e superiores e transfer\u00eancias (internas e externas)\u00bb. No contingente geral, este ano, o curso teve 199 manifesta\u00e7\u00f5es de vontade para 30 vagas. Metade dos alunos escolheu o curso como primeira op\u00e7\u00e3o e a outra metade como segunda op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os directores da Faculdade de Filosofia da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e do curso de Filosofia da Universidade do Minho consideram que Portugal precisa do pensamento cr\u00edtico proporcionado por esta disciplina. Alfredo Dinis e Jos\u00e9 Manuel Curado defendem o investimento nesta \u00e1rea como a chave para fazer o pa\u00eds avan\u00e7ar. 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