{"id":281331,"date":"2023-05-10T09:00:42","date_gmt":"2023-05-10T08:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=281331"},"modified":"2023-05-08T10:49:42","modified_gmt":"2023-05-08T09:49:42","slug":"o-tempo-da-desesperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-tempo-da-desesperanca\/","title":{"rendered":"O Tempo da desesperan\u00e7a\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-size: medium;\"><i>Lu\u00edsa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/i><\/span><\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-270501 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Ela anda por a\u00ed. Assume v\u00e1rias formas e feitios, cores e tonalidades. O problema \u00e9 que nunca ou quase nunca se fala dela. Temos medo de nos envolver, de dar de caras com a nossa pr\u00f3pria desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Vem isto a prop\u00f3sito de mais uma vida que se perdeu. Uma jovem que, impedida uma primeira vez de por termo \u00e0 sua passagem por este mundo, voltou ao local e concretizou aquilo que certamente para ela fazia mais sentido naquele momento.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou entrar em pormenores, primeiro porque n\u00e3o conhe\u00e7o o caso a fundo, depois porque h\u00e1 uma fam\u00edlia que sofre com a trag\u00e9dia. Por\u00e9m, h\u00e1 quest\u00f5es que sempre se levantam nestas ocasi\u00f5es. Perguntas que sempre vamos colocar e que, na maior parte das vezes, v\u00e3o continuar sem resposta.<\/p>\n<p>A primeira, neste caso, \u00e9 o que leva uma jovem, bonita, porque o era, a querer deixar o mundo desta forma. J\u00e1 tinha problemas do foro psicol\u00f3gico? Estava a ser acompanhada\/vigiada cl\u00ednica e familiarmente. Os amigos mais pr\u00f3ximos n\u00e3o se aperceberam de um sinal que pudesse ter evitado um fim t\u00e3o tr\u00e1gico. E claro, ao sabermos que esta j\u00e1 era a segunda tentativa, questionamos a \u201calta\u201d dos servi\u00e7os de sa\u00fade, para onde a jovem foi levada.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m deu pela sua falta de esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>H\u00e1 coisas que n\u00e3o se resolvem com chazinhos ou paninhos quentes. Mas temos medo. Medo de que o outro ache que estamos a invadir a sua privacidade, que estamos a ver coisas onde elas n\u00e3o existem. Medo!<\/p>\n<p>E o medo faz com que tenhamos as atitudes de sempre, que n\u00e3o duvido sejam bem-intencionadas, mas que n\u00e3o resolvem nada. Primeiro porque a pessoa n\u00e3o recebe o \u2018aban\u00e3o\u2019 de que precisa e continua no seu canto a achar que aquilo que vive e sente n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois porque a pr\u00f3pria pessoa entende que, receber sempre as mesmas respostas e conselhos \u00e9 \u2018bater no ceguinho\u2019, e fecha-se ainda mais na sua concha.<\/p>\n<p>Um erro que considero ainda maior e que todos n\u00f3s, pelo menos uma vez j\u00e1 cometemos, \u00e9 dizer, \u00e0s vezes at\u00e9 com pouca convic\u00e7\u00e3o, que tudo vai ficar bem. Que tudo se vai resolver e que h\u00e1 que ter esperan\u00e7a, quando o que invadiu aquele ser humano foi precisamente a desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>E a desesperan\u00e7a mata. A falta de esperan\u00e7a, infelizmente, \u00e9 uma realidade cada vez mais frequente entre jovens e menos jovens. A desesperan\u00e7a \u00e9 um estado emocional que rouba a perspetiva de futuro. Os n\u00fameros confirmam isso mesmo e confirmam que, cada vez mais, vivemos entre extremos.<\/p>\n<p>Uma esp\u00e9cie de exist\u00eancia que deambula entre 8 e o 88. Que s\u00f3 reconhece o bom e o mau. A noite e o dia. O calor e o frio. A plan\u00edcie e o abismo. A sorte e o azar.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 c\u00e1 meio-termo para apreciar uma flor, o canto de um p\u00e1ssaro, um p\u00f4r do sol, uma brisa que nos toca a face, um tempo para nos lembrarmos de Deus.<\/p>\n<p>Tudo isto \u00e9 dif\u00edcil, dizemos! \u00c9 verdade! Quem sou eu para questionar! Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que precisamos andar mais atentos \u00e0 nossa sa\u00fade, especialmente mental, e \u00e0 daqueles que nos rodeiam. Se os sinais, que os h\u00e1, forem sendo ignorados, dificilmente conseguiremos viver no meio termo da vida.<\/p>\n<p>Que neste m\u00eas de maio em particular Nossa Senhora de F\u00e1tima cubra com seu manto todos aqueles que, de alguma forma, acham que a sua vida n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>Que Ela lhes d\u00ea a f\u00e9 e a for\u00e7a de acreditar que o Seu filho n\u00e3o abandona ningu\u00e9m, muito menos aqueles que verdadeiramente precisam da sua ajuda. E nos ajude a n\u00f3s a perceber quando o sorriso esconde a dor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-281331","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=281331"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281331\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=281331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=281331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=281331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}