{"id":281157,"date":"2023-05-07T09:00:50","date_gmt":"2023-05-07T08:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=281157"},"modified":"2023-05-05T15:17:50","modified_gmt":"2023-05-05T14:17:50","slug":"pela-sonolencia-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pela-sonolencia-da-guerra\/","title":{"rendered":"Pela sonol\u00eancia da guerra"},"content":{"rendered":"<p><em>Madalena Abreu, Diocese de Coimbra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/madalena_abreu.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-281164 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/madalena_abreu-260x260.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/madalena_abreu-260x260.jpg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/madalena_abreu-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/madalena_abreu-300x300.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/madalena_abreu.jpg 525w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a>A guerra parece dar sono.<\/p>\n<p>Pode at\u00e9 ser um rem\u00e9dio para as ins\u00f3nias!<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante a rapidez com que nos acostumamos com a guerra. Qual de n\u00f3s ainda se lembra que est\u00e1 uma guerra a acontecer na S\u00edria? E n\u00e3o nos faltariam outros epis\u00f3dios tr\u00e1gicos dos nossos dias para perceber a voracidade trucidante das not\u00edcias. \u00c9 o mundo a dissolver-se nos \u00e9crans mais perto de n\u00f3s a cada minuto que passa.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 isto a banaliza\u00e7\u00e3o do mal de que falava Hannah Arendt? As guerras do nosso tempo continuam a suceder-se, a cruzar fronteiras e mares; continuam a devastar terras, a engolir casas e pessoas. E, agora, com maior for\u00e7a no seu impacto tentacular atrav\u00e9s das redes de comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 a propaga\u00e7\u00e3o das imagens, considerada como informa\u00e7\u00e3o \u201ca que todos t\u00eam direito\u201d. E pergunto: n\u00e3o ser\u00e1 esta comunica\u00e7\u00e3o mais um motivo de grande preocupa\u00e7\u00e3o?!<\/p>\n<p>Precisamos olhar para isto com seriedade. Devemos colocar a quest\u00e3o sempre dif\u00edcil e amarga de a quanta informa\u00e7\u00e3o devemos aceder? E qual? E em que moldes?<\/p>\n<p>Qualquer que seja a resposta que cada um atira, todos concordamos num ponto: a nossa aten\u00e7\u00e3o tem de ser educada. Este \u00e9 um princ\u00edpio fundamental de sobreviv\u00eancia! E, pelo menos, por duas raz\u00f5es fundamentais. Mas primeiro partimos de um pressuposto para nos entendermos: vivemos com a viol\u00eancia e a guerra diariamente. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social v\u00e3o-nos apresentando este mundo cravejado de horrores com uma fatalidade \u00e0 qual n\u00e3o se pode fingir ou fugir.<\/p>\n<p>Primeira raz\u00e3o para educar a nossa aten\u00e7\u00e3o: porque somos sistematicamente arrasados por estas imagens, tendemos a torn\u00e1-la banal. Banalizamos a viol\u00eancia e a guerra ao ponto de os tornar fen\u00f3menos banais e inevit\u00e1veis. Mas a guerra n\u00e3o pode ser banalizada.<\/p>\n<p>Segunda raz\u00e3o para educar a aten\u00e7\u00e3o: ao sermos bombardeados diariamente com imagens e sons de guerra, enquanto acontecimento social fatal aos quais n\u00e3o se pode fugir, somos empurrados para um ambiente mole, para a passividade. Quer dizer, esta enxurrada de informa\u00e7\u00e3o sobre realidades t\u00e3o cru\u00e9is, as quais n\u00e3o podemos controlar e pensar, pode desencadear em n\u00f3s uma contrarrea\u00e7\u00e3o de quietude e at\u00e9 adormecimento! Portanto, mais vale educar a aten\u00e7\u00e3o a deixar-se ficar hipnotizado.<\/p>\n<p>E porque senti eu a necessidade de falar da educa\u00e7\u00e3o pela paz?<\/p>\n<p>Por estes dias passei por Vars\u00f3via, e, numa nesga de tempo, mergulhei num dos museus desta fant\u00e1stica e martirizada cidade: o Rising Museum. Aqui se v\u00ea e cheira a persegui\u00e7\u00e3o daquele povo. A tentativa de liberdade, paz e democracia em 1944. Dentro de portas, a ocupa\u00e7\u00e3o nazi. Os sovi\u00e9ticos do outro lado. Fiquei esmagada. Fico sempre ao fazer mem\u00f3ria de epis\u00f3dios t\u00e3o cru\u00e9is e monstruosos como s\u00e3o o holocausto e o regime estalinista e os gulags.<\/p>\n<p>Os Museus e memoriais dos horrores cometidos s\u00e3o ant\u00eddoto para um poss\u00edvel mal futuro. S\u00e3o hist\u00f3rias a contar, dentro de par\u00e2metros de respeito, de cr\u00f3nicas bem contadas nas quais a finalidade \u00e9 clara e transparente: pretende-se prevenir e redimir. A maior parte das vezes incomoda-nos brutalmente, mas com a oportunidade de criar um bem maior. Estes locais de inc\u00f4modo s\u00e3o caminhos para a paz pretendida.<\/p>\n<p>Se o espa\u00e7o informativo dos cen\u00e1rios de guerra nos pode deixar anestesiados, os lugares guardados e cuidados para fazer mem\u00f3ria viva aparecem como poss\u00edveis espa\u00e7os de reden\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA edifica\u00e7\u00e3o da paz \u00e9 lenta, e est\u00e1 longe de ser o pr\u00e9mio j\u00e1 obtido. O pr\u00f3prio Jesus alertou que a paz n\u00e3o existe por si pr\u00f3pria. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o trabalhosa, muitas vezes em cen\u00e1rios de contradi\u00e7\u00e3o, clamando por di\u00e1logo num ch\u00e3o de muita disc\u00f3rdia. Trata-se da paz em constru\u00e7\u00e3o que passa pela luta pelo desarmamento e preserva\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana, desde logo do seu direito \u00e0 vida. Ou por temas pelos quais se tem batido o Papa Francisco como o combate \u00e0 escravatura, a necessidade de vencer a indiferen\u00e7a, a n\u00e3o-viol\u00eancia como pol\u00edtica, a prote\u00e7\u00e3o aos homens e mulheres em busca de ref\u00fagio, ou a pol\u00edtica como servi\u00e7o \u00e0 coletividade humana.<\/p>\n<p>Educar para a cultura da paz n\u00e3o significa toler\u00e2ncia passiva. Como acabou de se ver, muito pelo contr\u00e1rio. Exige educar a aten\u00e7\u00e3o, exige reflex\u00e3o, exige empenho e trabalho na constru\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Exige responder \u00e0 quest\u00e3o: trabalho na cultura da paz ou na sonol\u00eancia da guerra?!<\/p>\n<p>Sonhamos com a paz! Sempre.<\/p>\n<p><em>Madalena Abreu<br \/>\nComiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz (Coimbra)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madalena Abreu, Diocese de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":281165,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-281157","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=281157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281157\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/281165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=281157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=281157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=281157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}