{"id":281125,"date":"2023-05-07T09:31:36","date_gmt":"2023-05-07T08:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=281125"},"modified":"2023-05-05T14:00:15","modified_gmt":"2023-05-05T13:00:15","slug":"sociedade-nem-sempre-os-empregadores-sao-sensiveis-aos-desafios-de-quem-e-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-nem-sempre-os-empregadores-sao-sensiveis-aos-desafios-de-quem-e-mae\/","title":{"rendered":"Sociedade: \u00abNem sempre os empregadores s\u00e3o sens\u00edveis\u00bb aos desafios de quem \u00e9 m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p><em>Neste Dia da M\u00e3e, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, Teresa Correia, professora e presidente da dire\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida, em Aveiro, que h\u00e1 mais de 20 anos se dedica ao apoio local das jovens m\u00e3es, dos seus beb\u00e9s e suas fam\u00edlias<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_281128\" aria-describedby=\"caption-attachment-281128\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-281128\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/P1010281.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-281128\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ADAV-Aveiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00c9 consensual que, nos primeiros anos de vida, se joga o futuro. A ADAV apoiou mais de 700 m\u00e3es e fam\u00edlias, ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Que trabalho tem sido feito, junto destas pessoas?<\/em><\/p>\n<p>De facto mais de 700, j\u00e1 estamos em mais de 800, atualizando aqui um pouco os dados. O trabalho tem sido feito junto de m\u00e3es gr\u00e1vidas, de outras m\u00e3es que j\u00e1 tinham tido os seus beb\u00e9s e nos procuram, por situa\u00e7\u00f5es diversas de dificuldades familiares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando at\u00e9 para atualiza\u00e7\u00e3o dos dados, sente que que essas dificuldades se agravaram de alguma forma nos \u00faltimos tempos?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 sempre dificuldades, n\u00e3o \u00e9? Talvez se tenham agravado um pouco nestes \u00faltimos tempos, tendo em conta a crise que estamos a passar e que come\u00e7ou um pouco antes da pandemia. Essa crise tamb\u00e9m tem consequ\u00eancias a n\u00edvel, por exemplo, de habita\u00e7\u00e3o, de emprego e, portanto, h\u00e1 cada vez mais dificuldades e n\u00f3s tentamos responder a essas dificuldades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De que regi\u00f5es s\u00e3o as m\u00e3es e crian\u00e7as que apoiam? H\u00e1 um maior n\u00famero de imigrantes a bater \u00e0 vossa porta, tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Sim. A nossa institui\u00e7\u00e3o foi criada em 2000, para o Distrito de Aveiro. N\u00f3s apoiamos m\u00e3es de v\u00e1rias localidades de Aveiro, claro &#8211; o Concelho de Aveiro \u00e9 aquele que tem maior n\u00famero de apoios e de pedidos, tendo em conta tamb\u00e9m a proximidade, n\u00e3o \u00e9? Mas temos pessoas tamb\u00e9m dos concelhos lim\u00edtrofes: \u00cdlhavo, Estarreja Ovar, Oliveira do Bairro, Vagos, Albergaria e \u00c1gueda. Quanto \u00e0 proveni\u00eancia das m\u00e3es, de h\u00e1 uns anos para c\u00e1, temos tido muitos pedidos a n\u00edvel da imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De alguns pa\u00edses em particular?<\/em><\/p>\n<p>Sim, tem variado, mas, no ano passado, 26% do apoio que n\u00f3s prestamos foi a fam\u00edlias de origem brasileira, seguindo-se fam\u00edlias de origem angolana, s\u00e3o-tomense e venezuelana. Depois tamb\u00e9m a Guin\u00e9, portanto, v\u00e1rias pessoas provenientes dos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa. Este ano temos mais fam\u00edlias provenientes da Ucr\u00e2nia e, claro, portuguesas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa experi\u00eancia de fragilidade deve ser particularmente complicada para uma m\u00e3e que se encontra longe de casa\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, algumas destas fam\u00edlias, mesmo algumas portuguesas, n\u00e3o t\u00eam retaguarda nenhuma a n\u00edvel familiar, digamos. N\u00f3s tentamos orientar e ajudar naquilo que \u00e9 especificidade da ADAV-Aveiro, muitas vezes orientamos, por exemplo, para consultas no centro de sa\u00fade ou no hospital. Temos tido a colabora\u00e7\u00e3o muito importante de juntas de freguesia, de centros sociais, que nos ajudam e nos dizem a melhor forma de orientar essas m\u00e3es que nos procuram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Disse, noutra entrevista, que j\u00e1 se deparou com casos de m\u00e3es que v\u00e3o para o hospital e n\u00e3o t\u00eam nada. Como \u00e9 que se vivem essas situa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, \u00e9 muito complicado. N\u00f3s temos dois tipos de situa\u00e7\u00f5es: uma, em que o pr\u00f3prio hospital nos contacta e nos pede apoio, porque chegou uma gr\u00e1vida mesmo no final de tempo e, no hospital, os Servi\u00e7os Sociais verificam que a m\u00e3e n\u00e3o tem o enxoval m\u00ednimo para o beb\u00e9.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m temos a situa\u00e7\u00e3o de outras m\u00e3es que nos procuram, ou por e-mail ou por redes sociais, tamb\u00e9m atrav\u00e9s dos Centros Sociais e que nos pedem essa ajuda. Temos tido muitas, cada vez mais aumenta o n\u00famero de m\u00e3es nestas circunst\u00e2ncias, que n\u00e3o t\u00eam o enxoval, todas as roupas e o ovo tamb\u00e9m que \u00e9 preciso levar para o hospital.<\/p>\n<p>O ovo \u00e9 aquele habit\u00e1culo, uma cadeirinha especial, onde o beb\u00e9 est\u00e1 e durante o primeiro ano de vida, normalmente, depende tamb\u00e9m da evolu\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Alguns beb\u00e9s s\u00e3o muito grandes, mas normalmente o ovo dura at\u00e9 aos 12 meses. Uma das nossas regras \u00e9 que as crian\u00e7as n\u00e3o podem sair do hospital sem terem sem os pais terem um ovo, por prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9-nos doado, aceitamos esse tipo de bens de puericultura e depois emprestamos, ao hospital diretamente, que o vem buscar &#8211; aconteceu, por exemplo, no primeiro ano em que estivemos confinados e era imposs\u00edvel dirigimo-nos aos hospitais, foi mesmo algu\u00e9m do Hospital de Aveiro, o motorista, que foi buscar o ovo e o enxoval necess\u00e1rio para esse beb\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que a associa\u00e7\u00e3o tem conseguido manter a ajuda a estas m\u00e3es? Os apoios e patroc\u00ednios t\u00eam diminu\u00eddo, por causa da crise?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o. As pessoas s\u00e3o generosas e, se calhar, num momento de crise, as pessoas &#8211; apesar de tamb\u00e9m estarem a sofrer com a recess\u00e3o e situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis da sua vida -acabam por colaborar. Como \u00e9 que n\u00f3s sobrevivemos e como \u00e9 que ajudamos? N\u00e3o compramos estes bens, como lhe disse, porque o ovo e tudo isso acaba por ser dispendioso. Temos uma rede muito grande de amigos e benfeitores que, quando n\u00e3o precisam desses carrinhos, ovos, banheiras, outras coisas, nos d\u00e3o. Funcionamos por empr\u00e9stimo: as m\u00e3es, a partir do momento em que precisam, n\u00f3s fazemos um documento de empr\u00e9stimo e as pessoas responsabilizam-se. Depois, a partir do momento em que n\u00e3o lhes serve, trazem para, \u00e0s vezes, trocar por um carrinho maior, ou para devolver.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos aconteceu emprestarmos todo esse material necess\u00e1rio, a uma gr\u00e1vida, e no dia seguinte essa mesma gr\u00e1vida voltar para entregar muitos bens, porque algum familiar lhos tinha dado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A ADAV assume-se como uma organiza\u00e7\u00e3o que defende a vida, seja em que circunst\u00e2ncia for, sem posi\u00e7\u00f5es pol\u00edtica, partid\u00e1rias nem religiosas. Essa ajuda \u00e9 fundamental para quem se prepara para a maternidade e encontra apoio para prosseguir o seu projeto, superando situa\u00e7\u00f5es de risco e exclus\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. N\u00f3s n\u00e3o olhamos a credos religiosos nem posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou partid\u00e1rias, como disse, n\u00e3o \u00e9 isso que nos interessa. O que nos interessa \u00e9 a vida, o dom da vida. Sabemos perfeitamente que se n\u00e3o houver condi\u00e7\u00f5es, f\u00edsicas, monet\u00e1rias e psicol\u00f3gicas, a situa\u00e7\u00e3o de risco aumenta. Da\u00ed n\u00f3s queremos e podermos, gra\u00e7as a tantos contributos, apoiar. Temos tido, por exemplo, casos tamb\u00e9m que nos chegam da CPCJ, que s\u00e3o casos orientados, com quem n\u00f3s colaboramos e temos tido muitos casos de sucesso.<\/p>\n<p>Eu penso que isso \u00e9 muito importante tamb\u00e9m ser dito. Temos muitas m\u00e3es que, a partir do momento em que conseguem, por exemplo, um emprego, mesmo que sejam poucas horas, conseguem estabilizar a sua vida em termos econ\u00f3micos. Dizem-nos: \u201cobrigada, neste momento j\u00e1 consigo organizar-me. O apoio que me foi prestado foi important\u00edssimo, num determinado momento da minha vida, mas nesta altura vou prescindir desse apoio\u201d. Para n\u00f3s, isso \u00e9 um \u00e9 um sucesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_281129\" aria-describedby=\"caption-attachment-281129\" style=\"width: 161px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa_18MARCO2023.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-281129\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa_18MARCO2023-161x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"161\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa_18MARCO2023-161x260.jpeg 161w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa_18MARCO2023.jpeg 344w\" sizes=\"(max-width: 161px) 100vw, 161px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-281129\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ADAV-Aveiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Que rela\u00e7\u00f5es \u00e9 que se criam ao longo desta d\u00e9cada este trabalho com as mais e as fam\u00edlias que ajuda? Porque tamb\u00e9m imagino que se torna uma figura de refer\u00eancia para elas?<\/em><\/p>\n<p>Eu muitas vezes estou na retaguarda. N\u00f3s temos grupos de volunt\u00e1rias que mensalmente apoiam, e recebem as m\u00e3es. Eu tamb\u00e9m fa\u00e7o esse trabalho, mas aqui, o que interessa mesmo \u00e9 apoiar e ajudar as m\u00e3es. Eu penso que n\u00f3s somos uma refer\u00eancia para muitas m\u00e3es e isto talvez o consigamos perceber em duas vertentes. Uma \u00e9 que, quando essas m\u00e3es t\u00eam algu\u00e9m conhecido e que precisa de ajuda, encaminham esses amigos para n\u00f3s.\u00a0 Portanto, \u00e9 porque consideram que o apoio que lhes prestamos foi essencial. Outro \u00e9 que temos tamb\u00e9m v\u00e1rias m\u00e3es que passaram pelas nossas instala\u00e7\u00f5es, que connosco estabeleceram como estava a dizer uma certa rela\u00e7\u00e3o de amizade mesmo, e que pontualmente nos visitam ou at\u00e9, por exemplo, quando h\u00e1 uma campanha ou a caminhada solid\u00e1ria, como aconteceu e acorrem a essas a\u00e7\u00f5es, e colaboram, por sua vez, o que \u00e9 bonito, n\u00e3o \u00e9? J\u00e1 precisaram do nosso apoio; agora j\u00e1 n\u00e3o precisam e colaboraram connosco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para a realidade nacional; na \u00faltima semana ficamos a saber, entre<\/em><\/p>\n<p><em>outras medidas, que os pais v\u00e3o passar a ter direito a mais 3 meses de licen\u00e7a de trabalho em part-time, com o apoio da seguran\u00e7a social. \u00c9 uma medida importante para quem acaba de ter um filho? <\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, \u00e9 important\u00edssimo. E aqui assim quando falamos; falamos tamb\u00e9m do<\/p>\n<p>pai figura masculina, n\u00e3o \u00e9? E de facto, n\u00f3s temos tido essa presen\u00e7a, o que \u00e9 muito bom. Temos v\u00e1rias fam\u00edlias monoparentais, mas tamb\u00e9m temos fam\u00edlias constitu\u00eddas por pai e m\u00e3e. E, \u00e9 muito importante que os pais tenham a possibilidade de assumir essa responsabilidade de estar com os seus filhos, e, com as m\u00e3es das crian\u00e7as para poderem, n\u00e3o s\u00f3 participar na beleza que \u00e9 a vida, mas tamb\u00e9m darem todo o apoio necess\u00e1rio nesta fase.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Apesar da legisla\u00e7\u00e3o, h\u00e1 mulheres que negoceiam licen\u00e7as de maternidade, mas gozam a licen\u00e7a com medo de perder o emprego e a pergunta \u00e9 mesmo nesse sentido: O que \u00e9 que o que \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio fazer para alterar mentalidades e, sobretudo, assegurar os direitos que j\u00e1<\/em><\/p>\n<p><em>existem neste campo?<\/em><\/p>\n<p>Se calhar as mentalidades demoram algum tempo a ser alterado. Eu sou professora e, portanto, sei que se come\u00e7a cedo. Quanto mais cedo na idade n\u00f3s come\u00e7amos a falar sobre este assunto \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens melhor.\u00a0Eu digo muitas vezes aos meus alunos, quando voc\u00eas forem adultos e tiverem responsabilidades de neg\u00f3cios, forem empregadores, n\u00e3o deixem de contratar uma senhora, porque ela est\u00e1 gr\u00e1vida.\u00a0Ou n\u00e3o a despe\u00e7am porque ela est\u00e1 gr\u00e1vida. Porque infelizmente isso acontece muito. E n\u00f3s temos essa situa\u00e7\u00e3o em muitas m\u00e3es. H\u00e1 muito a ideia de que as pessoas n\u00e3o querem trabalhar, que as pessoas preferem viver de subs\u00eddios.\u00a0N\u00f3s temos esse tipo de situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na associa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o ser\u00e1 a maior parte. A maior parte das pessoas e das m\u00e3es que n\u00f3s acompanhamos e pais s\u00e3o pessoas que querem um emprego, querem trabalhar. No entanto, apesar da legisla\u00e7\u00e3o, como disse, nem sempre os empregadores s\u00e3o sens\u00edveis a toda a situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 acompanhar um beb\u00e9. E, portanto, penso que \u00e9 muito importante que se fale sobre o assunto que se denunciem os problemas.\u00a0 Como me perguntou: h\u00e1 muitas m\u00e3es que acabam por n\u00e3o querer gozar a licen\u00e7a total de maternidade ou mesmo pais, com medo de irem para a rua, (desculpe a express\u00e3o) e realmente isto \u00e9 para mim \u00e9 incr\u00edvel. E para todas as pessoas que lidam nesta \u00e1rea social e que se apercebem de que isso acontece com frequ\u00eancia, temos de denunciar os casos. N\u00f3s muitas vezes dizemos \u00e0s senhoras, olhe, mas isso n\u00e3o pode ser; a senhora tem direito a acompanhar o seu filho, por exemplo a tratamentos&#8230;. Ah, mas \u00e9 que se eu for depois v\u00e3o p\u00f4r outra pessoa no meu lugar.<\/p>\n<p>Quando as pessoas est\u00e3o gr\u00e1vidas, a maior parte das empresas n\u00e3o contrata porque sabe que da\u00ed a algum tempo a pessoa vai precisar de sair.\u00a0 Vai ter oportunidade de gozar a licen\u00e7a de maternidade e realmente as pessoas muitas vezes s\u00e3o empurradas para viver de subs\u00eddios por causa da nossa forma de pensar. A forma de pensar de muitos empregadores. Claro que n\u00e3o s\u00e3o todos assim&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Queria colocar outra quest\u00e3o que est\u00e1 relacionado com isto, sem fazer ju\u00edzos de valor sobre ningu\u00e9m. Muitas vezes o problema est\u00e1 do lado do empregador, mas tamb\u00e9m est\u00e1 do lado de quem trabalha <\/em><em>e de quem tem uma carreira e at\u00e9 de figuras p\u00fablicas, que passam<\/em><\/p>\n<p><em>a ideia de que as pessoas, quanto mais depressa regressarem ao trabalho depois do parto melhor. E isto vai ao <\/em><em>encontro da pergunta que eu lhe fazia sobre a quest\u00e3o de mudar mentalidades.\u00a0 Tendo em considera\u00e7\u00e3o o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 chegar a este direito da licen\u00e7a de maternidade e de paternidade; n\u00e3o seria preciso que quem pode dar o exemplo tamb\u00e9m o fa\u00e7a, e defenda intransigentemente este direito a estar em casa junto do seu filho depois do seu Nascimento?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Eu penso que j\u00e1 est\u00e1 impl\u00edcita a resposta, n\u00e3o \u00e9. Eu penso que sim. N\u00f3s vivemos numa sociedade em que, ou fazemos, ou somos \u00fateis \u00e0 sociedade ou ent\u00e3o n\u00e3o somos importantes.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 isso que se passa ou n\u00e3o deveria ser assim. N\u00f3s temos outros pa\u00edses em que essa legisla\u00e7\u00e3o existe at\u00e9 bastante mais ben\u00e9fica e \u00e9 cumprida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas al\u00e9m da quest\u00e3o da mentalidade, e se a legisla\u00e7\u00e3o existe e n\u00e3o \u00e9 cumprida, tamb\u00e9m n\u00e3o falta por parte de quem inspeciona uma maior vigil\u00e2ncia? <\/em><\/p>\n<p>Falta, claro que sim, mas tamb\u00e9m j\u00e1 tem muito a ver com a legisla\u00e7\u00e3o e com a forma dela ser cumprida, n\u00e3o \u00e9? Eu preferia n\u00e3o ir por esse lado porque tamb\u00e9m n\u00e3o estou muito a par do que do que se passa em termos de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Existe a inspe\u00e7\u00e3o do trabalho\u2026. <\/em><\/p>\n<p>Pois, eu sei, mas n\u00e3o sei como \u00e9 que ela funciona e, portanto, preferia n\u00e3o me alongar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vamos ent\u00e3o terminar. Portugal vive um problema de natalidade.<\/em><em>\u00a0<\/em><em>Significa que as medidas adotadas n\u00e3o t\u00eam sido eficazes? Da sua experi\u00eancia. Que apostas<\/em><\/p>\n<p><em>deviam ser feitas?<\/em><em>\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>As m\u00e3es t\u00eam filhos cada vez mais tarde na sua idade, n\u00e3o \u00e9? N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o queiram\u00a0ter filhos. E esta \u00e9 uma realidade que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Portugal, isto \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o europeia pelo menos. Eu penso que se a legisla\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em vigor fosse cumprida, se houvesse maior facilidade, por exemplo, em termos de creches.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Governo avan\u00e7ou com as creches gratuitas\u2026. <\/em><\/p>\n<p>A creche gratuita, ou mesmo lugares de creche.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_281130\" aria-describedby=\"caption-attachment-281130\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-281130\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa-400x180.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa-400x180.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa-1024x461.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa-768x346.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa-1536x691.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Teresa.jpeg 2000w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-281130\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ADAV-Aveiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>N\u00e3o h\u00e1 lugares suficientes? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 lugares suficientes, apesar de ter sido anunciado que eles iriam ser criados. Eu sei que h\u00e1 alguns s\u00edtios em que houve j\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de mais vagas, mas s\u00e3o precisas muito mais. E havendo<\/p>\n<p>lugar para que os beb\u00e9s estejam e que convivam tamb\u00e9m \u00e9 importante. Por exemplo estamos agora a acompanhar algumas m\u00e3es que tiveram beb\u00ea h\u00e1 pouco tempo e que t\u00eam crian\u00e7as de 3 e 4 anos e para as quais ainda n\u00e3o conseguiram ou creche ou mesmo pr\u00e9-escola. Era muito importante que houvesse esses lugares n\u00e3o s\u00f3 para estas fam\u00edlias, porque era tamb\u00e9m uma forma de criar mais emprego, abrindo mais lugares nas creches e as pr\u00f3prias fam\u00edlias teriam onde deixar as crian\u00e7as, que a\u00ed sim tamb\u00e9m se desenvolvem, como sabemos, n\u00e3o \u00e9. A creche, infant\u00e1rio e a pr\u00e9-escola s\u00e3o important\u00edssimos para o desenvolvimento social e pessoal de cada crian\u00e7a e, portanto, voltando \u00e0 sua pergunta, o que \u00e9 que \u00e9 preciso fazer?\u00a0N\u00e3o vale a pena dizer que h\u00e1 e depois n\u00e3o concretizar. Eu penso que \u00e9 important\u00edssimo concretizarmos, arranjarmos mais pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o que sejam efetivamente poss\u00edveis de chegar \u00e0s pessoas. As creches, sem d\u00favida, s\u00e3o necess\u00e1rias e depois tamb\u00e9m h\u00e1 bocadinho, falou da fiscaliza\u00e7\u00e3o, e eu tamb\u00e9m penso que dever\u00e1 haver alguma fiscaliza\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito dos subs\u00eddios que s\u00e3o atribu\u00eddos.\u00a0Portanto, as pessoas t\u00eam subs\u00eddios at\u00e9 certo ponto e depois era important\u00edssimo que fossem trabalhar. Portanto, aqui \u00e9 toda uma conjuga\u00e7\u00e3o. Eu<\/p>\n<p>sei que isto \u00e9 muito complicado a n\u00edvel pol\u00edtico, mas as m\u00e3es querem trabalhar, muitas mulheres querem ter filhos, mas precisam realmente que haja alguma sustentabilidade a n\u00edvel politico, a n\u00edvel econ\u00f3mico, e tamb\u00e9m n\u00edvel pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Dia da M\u00e3e, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, Teresa Correia, professora e presidente da dire\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida, em Aveiro, que h\u00e1 mais de 20 anos se dedica ao apoio local das jovens m\u00e3es, dos seus beb\u00e9s e suas 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