{"id":281022,"date":"2023-06-06T09:00:12","date_gmt":"2023-06-06T08:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=281022"},"modified":"2023-05-04T13:44:17","modified_gmt":"2023-05-04T12:44:17","slug":"por-quem-choras-tu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/por-quem-choras-tu\/","title":{"rendered":"Por quem choras tu?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Gostaria hoje de poder partilhar convosco uma reflex\u00e3o que, na realidade, h\u00e1 muito tempo tenho ruminado em mim mesmo. A pergunta \u201cpor quem choras tu\u201d surgiu quando preparava a homilia do V Domingo do Tempo da Quaresma (ano A).<\/p>\n<p>Nesse domingo, o Evangelho sugerido pela sagrada liturgia \u00e9 o denominado epis\u00f3dio da \u201cressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro\u201d (Jo 11, 1-45). A chave de leitura deste epis\u00f3dio b\u00edblico n\u00e3o \u00e9, nem pode ser, o facto real da ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro, mas o trajecto de convers\u00e3o que Marta \u2013 irm\u00e3 de L\u00e1zaro \u2013 faz at\u00e9 \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o do seu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo come\u00e7a com Marta a recordar que se o Senhor \u201ctivesses estado aqui, meu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido\u201d (Jo 11, 21). Neste in\u00edcio de conversa, o Senhor, na sua divina pedagogia, conduziu o cora\u00e7\u00e3o de Marta para cora\u00e7\u00e3o de Deus. Marta \u00e9 amic\u00edssima de Jesus, n\u00e3o haja d\u00favidas. Mas ser\u00e1 que o ama? Na verdade, n\u00e3o. Marta \u00e9 amiga, ainda, mas s\u00f3 depois desta conversa com o Senhor Jesus e com o milagre da ressurrei\u00e7\u00e3o do seu irm\u00e3o \u00e9 que ela passa da amizade para o amor.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o porque \u00e9 que Marta \u00e9 importante nesta quest\u00e3o do choro? A sua import\u00e2ncia deve-se ao facto de que, no decorrer deste acontecimento, o Senhor Jesus apresenta uma faceta nunca antes vista. Diz o texto sagrado que \u201cJesus, ao v\u00ea-la (Maria, irm\u00e3 de Marta e de L\u00e1zaro) chorar, e vendo chorar tamb\u00e9m os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se\u201d (Jo 11, 33) e, ainda, \u201cJesus chorou\u201d (Jo 11, 35). Jesus chora, Deus chora. Isto \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o fabulosa do amor de Deus. Como pode Deus chorar por mim!?<\/p>\n<p>O Santo Padre, o Papa Francisco, escreveu lindamente a prop\u00f3sito deste tema. Diz ele: &#8220;quem ama preocupa-se por quem falta, sente nostalgia de quem est\u00e1 ausente, procura aquele que se perdeu, espera por aquele que se afastou. Pois deseja que ningu\u00e9m se perca. (&#8230;) Sofre, freme no \u00edntimo; e p\u00f5e-se em movimento para ir \u00e0 nossa procura, at\u00e9 nos reconduzir aos seus bra\u00e7os. O Senhor n\u00e3o calcula as perdas e os riscos, tem um cora\u00e7\u00e3o de pai e de m\u00e3e, e sofre pela falta dos filhos amados. &#8216;Mas por que sofre se este filho \u00e9 um desventurado, foi embora?&#8217; Sofre, sofre. Deus sofre pela nossa dist\u00e2ncia, e quando nos desviamos, espera o nosso regresso. Lembremo-nos: Deus est\u00e1 sempre \u00e0 nossa espera de bra\u00e7os abertos, seja qual for a situa\u00e7\u00e3o na vida em que estamos perdidos&#8221; (<em>Angelus,<\/em> 11 de setembro de 2022).<\/p>\n<p>Regressemos ao tema. Afinal, quando \u00e9 que n\u00f3s choramos? Das duas uma: ou quando temos uma dor ou quando sofremos por algu\u00e9m. Compreendemos, portanto, que chorar por algu\u00e9m implica inevitavelmente amar (e amar muit\u00edssimo!) esse algu\u00e9m. E se o Senhor Jesus chora por algu\u00e9m (e, aten\u00e7\u00e3o, esse algu\u00e9m sou eu!), compreendemos que Ele, de forma t\u00e3o desconcertante e perturbante, o ama e me ama. Aqui chegados, compreendemos a pergunta suscitada neste pobre artigo de opini\u00e3o: por quem choras tu? Esta quest\u00e3o deve inquirir-me se eu choro ou n\u00e3o por Jesus, por Deus Nosso Senhor.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo que Jesus teve com Marta, que a levou da amizade ao amor, \u00e9 o mesmo di\u00e1logo e convite que Ele tem \u2013 e quer ter \u2013 com cada um de n\u00f3s. Se dizemos que amamos, mas somos incapazes de sofrer por Ele e com Ele, de chorar com Ele e por Ele, ent\u00e3o o nosso dito amor n\u00e3o \u00e9 amor. Quanto muito pode ser uma simp\u00e1tica ou uma agrad\u00e1vel e interessante rela\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio ou qualquer outra esp\u00e9cie de interesse. Pode, at\u00e9, ser uma af\u00e1vel amizade, mas nunca ser\u00e1 amor.<\/p>\n<p>Recordemo-nos que \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (cf. 1 Jo 4, 8) e Ele n\u00e3o quer outra coisa que n\u00e3o o nosso amor. Ali\u00e1s, quem ama algu\u00e9m, o que espera ela da pessoa amada? N\u00e3o quer ela ser retribu\u00edda nessa mesm\u00edssima medida de amor? Se assim \u00e9, ent\u00e3o por que raz\u00e3o n\u00e3o retribu\u00edmos dessa forma ao amor de Deus Nosso Senhor?<\/p>\n<p>Gostaria que o estimado leitor se pudesse debru\u00e7ar sobre estas perguntas, deixando-se questionar e inquietar por elas. Convido a que, pela ora\u00e7\u00e3o e devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Sagrada Eucaristia, fa\u00e7a este processo de convers\u00e3o, em que pudesse passar da amizade ao aut\u00eantico e verdadeiro amor. Absurdamente, Deus quer que soframos com Ele, mostrando desta forma a nossa cordial liga\u00e7\u00e3o. Na verdade, quem somos n\u00f3s, que n\u00e3o passamos de meras cinzas e p\u00f3 para que Ele precise de n\u00f3s? N\u00e3o somos nada, na realidade. Por\u00e9m, Ele, porque nos ama, louca e perdidamente, quer que com Ele comunguemos a sua dor e o seu amor. Pe\u00e7amos, pois, ao Senhor Jesus que nos d\u00ea a luz e o discernimento para dizermos, sem reservas ou remorsos, \u2018sim\u2019 a Ele. E Ele, na sua divina bondade, dar-nos uma nova e definitiva oportunidade de sermos livres e autenticamente livres por meio do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. O Cardeal D. Tolentino Mendon\u00e7a, como que em epit\u00e1fio, sintetiza que \u201co perd\u00e3o abre portas dentro de n\u00f3s. E ent\u00e3o desistimos de carregar os pesos de ontem, para descobrirmos as asas de hoje\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-281022","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=281022"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281022\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=281022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=281022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=281022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}