{"id":280900,"date":"2023-05-03T08:25:41","date_gmt":"2023-05-03T07:25:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=280900"},"modified":"2023-05-03T13:28:30","modified_gmt":"2023-05-03T12:28:30","slug":"dorsal-atlantica-os-cem-dias-de-dom-armando-esteves-domingues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dorsal-atlantica-os-cem-dias-de-dom-armando-esteves-domingues\/","title":{"rendered":"Dorsal Atl\u00e2ntica &#8211; Os cem dias de Dom Armando Esteves Domingues"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre J\u00falio Rocha, Diocese de Angra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-265482 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cComo n\u00e3o conhe\u00e7o a Diocese, o primeiro desafio ser\u00e1 conhecer-vos e dar-me a conhecer. N\u00e3o se caminha com quem n\u00e3o se conhece\u201d. Estas palavras fazem parte da primeira mensagem de Dom Armando Esteves Domingues quando, a quatro de novembro de 2022, o mundo soube que ele seria o quadrag\u00e9simo Bispo de Angra. Hoje, pouco mais de cem dias depois da sua entrada na Diocese, ainda recordo as suas palavras, aquando da entrada na Diocese: \u201ca minha porta, a comunica\u00e7\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o estar\u00e3o sempre abertos para todos.\u201d Muitos o conhecem como \u201co Bispo da porta aberta\u201d. Esta atitude de fundo tem marcado os seus primeiros meses de episcopado, nesta que \u00e9, de longe, a maior Diocese de Portugal: s\u00e3o seiscentos e cinquenta quil\u00f3metros de Santa Maria ao Corvo, nove ilhas com as dimens\u00f5es mais d\u00edspares, umas populosas, outras quase desertas, esta cordilheira de vulc\u00f5es que atravessa, na diagonal, o dorso do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Em 2013, o Papa Francisco pedia que se evitassem \u201co esc\u00e2ndalo de serem bispos de aeroporto&#8221;, numa clara refer\u00eancia aos prelados que viajam muito e abandonam seu rebanho. Lembro-me de, nessa altura, Dom Ant\u00f3nio Braga, em tom de brincadeira, nos dizer que ia convidar o Papa a vir aos A\u00e7ores e ver como \u00e9 que se conseguia estar com o rebanho sem ser \u201cbispo de aeroporto\u201d. Dom Armando j\u00e1 conhece sete ilhas, num p\u00e9riplo marcado pelo estar, escutar, conhecer.<\/p>\n<p>Numa conversa informal, logo no in\u00edcio do seu minist\u00e9rio em Angra, tive a oportunidade de desejar a Dom Armando que o in\u00edcio do seu episcopado n\u00e3o fosse t\u00e3o dram\u00e1tico como o de Dom Ant\u00f3nio Braga, que entrou em 1996. Logo nesse ano foram as inunda\u00e7\u00f5es na Povoa\u00e7\u00e3o; em 1997, a trag\u00e9dia do desabamento de terras na Ribeira Quente, que matou 29 pessoas; em 1998, o sismo no Faial; em 1999, a queda do avi\u00e3o da Sata em S\u00e3o Jorge; em 2000 a quase fal\u00eancia econ\u00f3mica da Diocese. Dom Armando arregalou os olhos num sorriso meio s\u00e9rio e disse esperar n\u00e3o ter uma sequ\u00eancia dessas. Meio dito, meio feito: um m\u00eas depois da sua entrada em Angra, a Comiss\u00e3o Independente divulgava o resultado das investiga\u00e7\u00f5es e deixava Portugal espantado com a real dimens\u00e3o da hecatombe dos abusos de menores e pessoas vulner\u00e1veis no seio da Igreja. Logo no in\u00edcio, um drama que se revelaria t\u00e3o pesado como todos os dramas consecutivos de Dom Ant\u00f3nio.<\/p>\n<p>Havia que agir. A quatro de Mar\u00e7o, a Confer\u00eancia Episcopal pronunciou-se e n\u00e3o foi feliz. Ficaram muitos esqueletos no arm\u00e1rio, revelaram-se algumas divis\u00f5es internas, medos, retic\u00eancias, tudo isso que j\u00e1 sabemos. Tr\u00eas dias depois de ter recebido as conclus\u00f5es da Comiss\u00e3o Independente referentes a Angra, Dom Armando j\u00e1 tinha um comunicado na rua: dos oito nomes referidos pela Comiss\u00e3o, quatro j\u00e1 tinham falecido, dois foram considerados irrelevantes pela pr\u00f3pria Comiss\u00e3o. Dom Armando falou com os outros dois sacerdotes e, em conjunto, acordaram que os sacerdotes em causa ficariam impedidos do exerc\u00edcio p\u00fablico do minist\u00e9rio at\u00e9 ao final do processo de investiga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. O Bispo de Angra conclu\u00eda: \u00abEsta decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma assun\u00e7\u00e3o de culpa dos pr\u00f3prios nem uma condena\u00e7\u00e3o por parte do Bispo diocesano. Trata-se de seguir aquilo que o Papa Francisco tem recomendado como norma e pr\u00e1tica da Igreja em mat\u00e9ria de abusos.\u00bb No comunicado ainda se pode ler: \u00abA prioridade da Igreja deve continuar a ser as v\u00edtimas, que durante anos sofreram em sil\u00eancio aquilo que nenhum de n\u00f3s poderia ter feito ou sequer ocultado, garantindo-lhes o direito \u00e0 justi\u00e7a e ao cuidado, sem enjeitar meios t\u00e9cnicos, humanos e financeiros para a repara\u00e7\u00e3o do mal infligido.\u00bb Exemplar.<\/p>\n<p>Dom Armando falou-nos de tr\u00eas prioridades no in\u00edcio do seu m\u00fanus pastoral. Duas t\u00eam a l\u00f3gica do tempo e da oportunidade: o S\u00ednodo Universal da Igreja e os jovens que se preparam para a Jornada Mundial da Juventude. A outra prioridade at\u00e9 pode parecer um vago prop\u00f3sito mas \u00e9 bem mais do que isso: acolher e valorizar as pessoas. E, sendo adverso ao clericalismo, como j\u00e1 o referiu v\u00e1rias vezes, a sua primeira preocupa\u00e7\u00e3o foram os seus padres. A comunh\u00e3o presbiteral \u00e9, nos A\u00e7ores, um desafio permanente. Com uma ilha que tem mais de cinquenta padres, outra mais de trinta, v\u00e1rias com tr\u00eas, dois, e uma com um, a dispers\u00e3o e a dist\u00e2ncia s\u00e3o um peso pesado que cai sobre a vida dos padres das ilhas. Um fardo que, n\u00e3o raras vezes, comporta solid\u00e3o, desilus\u00e3o, abandono. Dom Armando j\u00e1 afirmou v\u00e1rias vezes que quer os \u201cseus\u201d padres felizes e tudo far\u00e1 por isso.<\/p>\n<p>Dom Armando enfrenta desafios exigentes no seu novo minist\u00e9rio: a dolorosa disparidade das ilhas, que j\u00e1 referimos; uma Diocese que, em termos de pr\u00e1tica religiosa, apresenta, h\u00e1 anos a esta parte, um franco decr\u00e9scimo; o drama da solid\u00e3o de alguns padres, entre outros problemas; a estrutura\u00e7\u00e3o de uma Igreja que precisa renova\u00e7\u00e3o. Mas Dom Amando tem um esp\u00edrito que se espelha no seu rosto: alegre, positivo, empenhado, como confirmou na homilia do domingo de P\u00e1scoa: \u201cComo as santas mulheres, p\u00e9s ao caminho! Como os ap\u00f3stolos, toca a correr! O mundo precisa da alegria em cada lugar de escurid\u00e3o, de uma palavra nova, positiva, animadora e cheia do esp\u00edrito que conforta.\u201d<\/p>\n<p>Havia ainda muitas coisas para dizer. Baste-nos a esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre J\u00falio Rocha, Diocese de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":265482,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-280900","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280900\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/265482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}