{"id":280686,"date":"2023-05-02T14:40:48","date_gmt":"2023-05-02T13:40:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=280686"},"modified":"2023-05-02T14:40:48","modified_gmt":"2023-05-02T13:40:48","slug":"a-cruz-escondida-231","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-231\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>F\u00e1tima Castro, leiga mission\u00e1ria de Braga em Ocua, Cabo Delgado<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/cFatima_Castro_OCUA-8.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-280687\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/cFatima_Castro_OCUA-8.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/cFatima_Castro_OCUA-8.jpeg 1600w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/cFatima_Castro_OCUA-8-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/cFatima_Castro_OCUA-8-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/cFatima_Castro_OCUA-8-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/cFatima_Castro_OCUA-8-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>\u201cProcuro ser porto de abrigo\u201d<\/h4>\n<p>Sabe onde fica a 552\u00aa par\u00f3quia da Arquidiocese de Braga? Fica muito longe, a mais de 11 mil quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. \u00c9 na Diocese de Pemba, em Cabo Delgado, a regi\u00e3o mais pobre de Mo\u00e7ambique, que vamos encontrar a Par\u00f3quia de Santa Cec\u00edlia de Ocua. \u00c9 a\u00ed tamb\u00e9m que vamos ao encontro de F\u00e1tima Castro. Todos os dias esta jovem leiga mission\u00e1ria portuguesa procura \u201cmudar os pequeninos mundos de algu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Ocua \u00e9 um ponto quase impercept\u00edvel no mapa. Mas \u00e9 muito importante para a vida da Igreja. Desde Outubro de 2014 que a Arquidiocese de Braga apadrinhou esta par\u00f3quia situada na Diocese de Pemba, em Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique. O projecto Salama tem levado at\u00e9 Ocua v\u00e1rios jovens mission\u00e1rios leigos e tamb\u00e9m sacerdotes. Eles s\u00e3o uma presen\u00e7a solid\u00e1ria numa regi\u00e3o marcada pela pobreza e, desde 2017, tamb\u00e9m pela viol\u00eancia do terrorismo. A 552\u00aa par\u00f3quia da Arquidiocese de Braga \u00e9 mesmo um mundo \u00e0 parte. S\u00e3o 98 comunidades, algumas bem distantes, onde s\u00f3 se chega por verdadeiras picadas que p\u00f5em \u00e0 prova a resist\u00eancia das pessoas e dos autom\u00f3veis. Mas os que vivem por ali n\u00e3o t\u00eam carro. Nem electricidade, nem \u00e1gua canalizada. A pobreza est\u00e1 presente em todo o lado, em todos os rostos. F\u00e1tima Castro, uma jovem mission\u00e1ria leiga portuguesa oriunda de Santo Emili\u00e3o, uma pequena aldeia em P\u00f3voa de Lanhoso, est\u00e1 em Ocua desde Agosto de 2021. \u201cVivo esta experi\u00eancia como uma humilde tentativa de viver o Evangelho. Cedo percebi que n\u00e3o iria mudar o mundo, mas que podia mudar os pequeninos mundos de algu\u00e9m\u201d, explica, \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS. F\u00e1tima faz um balan\u00e7o positivo desta experi\u00eancia, destacando a import\u00e2ncia da presen\u00e7a junto dos que mais sofrem, dos que n\u00e3o t\u00eam quase nada nem ningu\u00e9m. \u201cAprendi que, \u00e0s vezes, o mais importante \u00e9 estar. Estar com outro e ser para o outro. Mais do que fazer muitas coisas, procuro ser presen\u00e7a, ser ajuda, ser porto de abrigo, ser a m\u00e3o estendida para ir ao encontro\u2026\u201d<\/p>\n<h4>Enganar a fome<\/h4>\n<p>E como tem sido importante ser uma m\u00e3o estendida e ter um sorriso para oferecer! Desde o final de 2017 que Cabo Delgado vive em sobressalto por causa dos ataques terroristas. T\u00eam sido anos de viol\u00eancia, com mais de 4 mil mortos e quase um milh\u00e3o de deslocados. Muitos dos que vivem em Ocua, ou que passam pela miss\u00e3o, nem precisam de trazer no olhar a inquieta\u00e7\u00e3o de quem viveu de perto o medo provocado pelos terroristas. Basta a pobreza. F\u00e1tima Castro encontra todos os dias pessoas com olhos suplicantes por comida, m\u00e3es inquietas com o choro de fome dos seus filhos. F\u00e1tima Castro sabe todos os dias como \u00e9 dif\u00edcil a vida em Ocua, a 160 km da cidade de Pemba. \u201c\u00c9 frequente, nos \u00faltimos tempos, chegarem \u00e0 miss\u00e3o beb\u00e9s que s\u00e3o alimentados com farinha de milho nos primeiros meses de vida, porque as mam\u00e3s n\u00e3o conseguem amamentar porque tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam o que comer. Uma das mam\u00e3s j\u00e1 n\u00e3o comia h\u00e1 dois dias! Os pap\u00e1s v\u00e3o apanhando todo o tipo de folhas para conseguir sobreviver e alimentar a fam\u00edlia. Muitas crian\u00e7as enganam a fome roendo pau de mandioca seca ou chupando cana-de-a\u00e7\u00facar.\u201d<\/p>\n<h4>Colheitas a apodrecer<\/h4>\n<p>Ocua \u00e9 um ponto quase impercept\u00edvel no mapa. \u00c0 sua volta h\u00e1 ainda lugares mais min\u00fasculos, mas onde vivem pessoas. Esta \u00e9 uma zona rural, demasiado distante da cidade, das coisas mais b\u00e1sicas. \u201cEm Ocua a electricidade p\u00fablica ainda n\u00e3o chegou e s\u00f3 encontramos \u00e1gua nos po\u00e7os comunit\u00e1rios\u201d, relata a mission\u00e1ria de P\u00f3voa de Lanhoso. \u201cAo po\u00e7o da miss\u00e3o chegam-nos mais de 50 mam\u00e3s todos os dias para tirar \u00e1gua. Este \u00e9 o retrato de toda a par\u00f3quia. O meio de subsist\u00eancia deste povo passa pelo trabalho nas machambas (hortas) onde, em tempos \u2018abastados\u2019, conseguem cultivar mandioca, milho, feij\u00e3o e gergelim. Mas n\u00e3o ser\u00e1 a realidade deste ano. As pragas e o per\u00edodo das chuvas foram t\u00e3o intensos que muitas das colheitas est\u00e3o a apodrecer.\u201d Ser mission\u00e1ria em Ocua significa ter coragem e disponibilidade, ter os bra\u00e7os sempre abertos. \u201cCada dia \u00e9 um novo dia e l\u00e1 vou encontrando for\u00e7as para cuidar, com caridade, das preocupa\u00e7\u00f5es e do olhar deste povo que expressa, tantas vezes, um grito silenciado pelas dificuldades enfrentadas. \u00c9 um olhar de sofrimento. De dor. De incerteza pelo dia de amanh\u00e3.\u201d F\u00e1tima Castro gosta de citar S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, gosta de dizer que a solidariedade prova que nenhum povo est\u00e1 sozinho ou abandonado. \u201cNeste cantinho da Diocese de Pemba, vou sentindo que h\u00e1 muitas pessoas que n\u00e3o s\u00f3 abra\u00e7am as causas, mas tornam-se parte delas, at\u00e9 porque quando falamos de sofrimento humano n\u00e3o olhamos a ra\u00e7as, religi\u00f5es, cores, etnias\u2026 somos todos irm\u00e3os.\u201d Obrigado, F\u00e1tima!<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1tima Castro, leiga mission\u00e1ria de Braga em Ocua, Cabo 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