{"id":280472,"date":"2023-04-30T09:00:24","date_gmt":"2023-04-30T08:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=280472"},"modified":"2023-04-30T01:18:32","modified_gmt":"2023-04-30T00:18:32","slug":"entrevista-a-credibilidade-da-igreja-vem-da-busca-da-verdade-das-coisas-para-se-encontrar-solu%c3%a7%c3%b5es","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-a-credibilidade-da-igreja-vem-da-busca-da-verdade-das-coisas-para-se-encontrar-solu%c3%a7%c3%b5es\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u00abA credibilidade da Igreja vem da busca da verdade das coisas para se encontrar solu\u00e7\u00f5es\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em style=\"font-size: 16px;\">D. Jos\u00e9 Ornelas foi reeleito na \u00faltima Assembleia Plen\u00e1ria dos bispos de Portugal como Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa e analisa, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia e Ag\u00eancia Lusa, o impacto do estudo sobre os abusos sexuais, valoriza a JMJ e a sua prepara\u00e7\u00e3o e diz que \u00e9 necess\u00e1rio \u00abrever\u00bb a democracia em Portugal<\/em><em>\u00a0<\/em><!--more--><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_77837\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/INLH-j5jHM0?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>(Entrevista conduzida por Paulo Rocha, da Ag\u00eancia Ecclesia e Jo\u00e3o Gomes, da Ag\u00eancia Lusa)<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Inicia o segundo mandato como presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), ap\u00f3s tr\u00eas anos que ficam ligados \u00e0 iniciativa de investigar os casos de abuso sexual. No pr\u00f3ximo tri\u00e9nio, o que \u00e9 que vai acontecer, que atitude proativa a CEP vai ter para combater, erradicar e prevenir os casos de abuso sexual no ambiente de Igreja?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 evidente que aquilo que estamos a fazer neste campo dos abusos sexuais \u00e9 uma iniciativa que foi julgada absolutamente necess\u00e1ria na \u00e9poca em que vivemos com o objetivo de permitir conhecer a realidade, concretamente na Igreja. A nossa perspetiva era de conhecer para melhor intervir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E era necess\u00e1ria essa reconcilia\u00e7\u00e3o com o passado?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante para que n\u00e3o estejamos constantemente a levantar hipot\u00e9ticos fantasmas ou preconceitos para conhecer a realidade. Eu dizia desde o in\u00edcio que, pior do que possa vir a conhecer-se, \u00e9 n\u00e3o conhecer o que temos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E o trabalho que foi feito permitiu esse conhecimento?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que deu um passo muito significativo. Foi feito por pessoas competentes, pessoas que tinham capacidade para o fazer, que planearam muito bem &#8211; seja a constitui\u00e7\u00e3o da equipa, seja na metodologia seguida &#8211; permitiu tamb\u00e9m organizar e articular todo o esfor\u00e7o t\u00e9cnico com a realidade das dioceses; n\u00e3o s\u00f3 a busca de eventuais casos de abuso, mas tamb\u00e9m com recurso aos arquivos diocesanos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O senhor D. Jos\u00e9 ficou surpreendido com os n\u00fameros apresentados?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu dizia desde o in\u00edcio, mas essa tamb\u00e9m foi sempre a minha atitude an\u00edmica&#8230; Eu n\u00e3o posso dizer se os tais quinhentos e tal casos de pessoas que contactaram a comiss\u00e3o s\u00e3o muitos ou poucos. Eu s\u00f3 sei que qualquer um \u00e9 um drama. Da experi\u00eancia que j\u00e1 tinha, de pessoas que foram abusadas, o que nos interessava era conhecer a realidade em si, sabendo que por tr\u00e1s podem estar outros casos. O que \u00e9 importante \u00e9 conhecer e determinar o perfil destas coisas: conhecer a realidade para que possamos atuar melhor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como \u00e9 que l\u00ea as cr\u00edticas que vieram a p\u00fablico, principalmente alguns setores tidos como mais conservadores dentro da Igreja e que tentaram em diversas fases descredibilizar o trabalho da pr\u00f3pria Comiss\u00e3o Independente?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu posso entender o desconforto de pessoas que dizem: bom, porque \u00e9 que a Igreja \u00e9 que tomou a iniciativa de destapar esta caixa de Pandora? Mas eu contraponho sempre a ideia: a verdade \u00e9 mais significativa, mais importante, sobretudo quando queremos atuar sobre a realidade para n\u00e3o trabalharmos sobre ideias fant\u00e1sticas ou c\u00f3modas, mas sobre a realidade concreta. Mais: era importante particularmente porque estamos a tratar de pessoas, sobre as quais foram cometidas injusti\u00e7as muito graves. Ir ao encontro destas pessoas s\u00f3 poderia ser assim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Porque \u00e9 que cheg\u00e1mos tamb\u00e9m a esta Comiss\u00e3o Independente? J\u00e1 t\u00ednhamos as equipas diocesanas, a coordena\u00e7\u00e3o nacional que come\u00e7ou a projetar e a trabalhar. Entretanto, isto foi no meio da pandemia e teve os problemas que n\u00f3s conhecemos, mas, mesmo assim, cheg\u00e1mos rapidamente \u00e0 conclus\u00e3o, e isto por express\u00e3o das pr\u00f3prias v\u00edtimas, que, pelo menos naquela fase, para quebrar o gelo relativamente \u00e0s quest\u00f5es de abuso, as comiss\u00f5es diocesanas n\u00e3o eram significativas para essa finalidade. Foram e v\u00e3o continuar a ser determinantes, mas para uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o da Igreja por parte das v\u00edtimas, tem alguns obst\u00e1culos. Concretamente as pessoas diziam: eu n\u00e3o gostaria de me manifestar perante uma Comiss\u00e3o onde est\u00e1 um vizinho, uma vizinha. Isto n\u00e3o tira nada da compet\u00eancia dessas pessoas e ali\u00e1s, repito, isso vai ser a base da interven\u00e7\u00e3o. Mas para esta fase, para quebrar este gelo, era muito importante que tiv\u00e9ssemos algu\u00e9m que de fora, garantisse o anonimato e esta primeira fase, pelo menos, de descri\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>H\u00e1 aspetos que poder\u00e3o n\u00e3o ter sido cuidados, como os dados pessoais que foi necess\u00e1rio trabalhar durante a investiga\u00e7\u00e3o, e o que \u00e9 feito agora desses dados recolhidos durante a investiga\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os dados recolhidos v\u00e3o ser devidamente acautelados para que permane\u00e7am, e s\u00e3o um dado da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas s\u00e3o da CEP?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A CEP foi quem ordenou, quem pediu e custeou este trabalho. Sem tirar nada ao <em>copyright <\/em>daqueles que trabalharam e com metodologia pr\u00f3pria, etc, mas \u00e9 bom que permane\u00e7am, mas devidamente acautelados, para que os dados que foram recolhidos, onde t\u00eam identifica\u00e7\u00e3o de pessoas, at\u00e9 pela pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o de dados que isso significa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Antes de falarmos sobre o Grupo Vita, perguntava-lhe ainda sobre este processo que a CEP est\u00e1 a levar por diante sob a sua lideran\u00e7a: que acompanhamento est\u00e1 a ser feito por parte do Vaticano, nomeadamente a Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia de Prote\u00e7\u00e3o de Menores?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta \u00e9 uma iniciativa da CEP. N\u00f3s sempre tivemos contacto com as inst\u00e2ncias que tratam estes assuntos na Santa S\u00e9, concretamente o Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9. Foi o local onde fomos, com quem discutimos este processo e de onde recebemos tamb\u00e9m todo o apoio para o continuar e para levar a seu termo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Gravamos esta entrevista antes da divulga\u00e7\u00e3o dos dados relativamente aos casos de religiosos &#8211; teremos a\u00ed novamente um cap\u00edtulo com algumas ambiguidades, como aconteceu nas dioceses, com den\u00fancias feitas sobre sacerdotes j\u00e1 falecidos e outros que at\u00e9 nem estavam na diocese. Que processo vai ser este, agora?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Bem, essa quest\u00e3o de nomes carece de um par\u00eantesis bastante mais longo. Para j\u00e1, espero que esta fase seja mais trabalhada na medida em que, a primeira fase da comunica\u00e7\u00e3o destes casos foi \u00e0s dioceses e j\u00e1 um ulterior trabalho foi feito. Penso que isso agora vai estar mais normalizado. Mas, para j\u00e1, o que isso significa \u00e9 algo de muito interessante e caracter\u00edstico desta iniciativa da Igreja em Portugal: isto abrange toda a Igreja. As congrega\u00e7\u00f5es quiseram ser parte tamb\u00e9m deste estudo, porque s\u00f3 assim temos a realidade no seu conjunto e isso foi muito interessante e muito importante que todos &#8211; sejam as dioceses, sejam as congrega\u00e7\u00f5es &#8211; nos pusemos claramente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para fazer, sem entraves, o estudo e ir buscar todos os dados dispon\u00edveis para se encontrar a realidade em que n\u00f3s estamos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A segunda coisa \u00e9 que, estes nomes que foram dados, s\u00e3o nomes que n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o in\u00f3cuos: s\u00e3o nomes que v\u00e3o ser cruzados com informa\u00e7\u00f5es que as congrega\u00e7\u00f5es e as dioceses j\u00e1 t\u00eam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quanto \u00e0s pessoas eventualmente abusadoras j\u00e1 mortas, n\u00e3o foi por desleixo nem por falta de aten\u00e7\u00e3o que eles l\u00e1 figuram. A maior parte destas pessoas j\u00e1 falecidas tem a ver com o facto de as v\u00edtimas estarem vivas e, por uma quest\u00e3o de justi\u00e7a para com essas pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<figure id=\"attachment_280110\" aria-describedby=\"caption-attachment-280110\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-280110\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023a-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023a-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023a.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-280110\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Se por acaso, come\u00e7ar a haver processos em tribunal para pedidos de indemniza\u00e7\u00e3o, a Igreja portuguesa ou as dioceses est\u00e3o preparadas para o pagamento dessas indemniza\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma quest\u00e3o. A outra, anunciou em F\u00e1tima que j\u00e1 h\u00e1 trinta v\u00edtimas a serem apoiadas pela Igreja, nomeadamente para a sua reabilita\u00e7\u00e3o, para o seu acompanhamento m\u00e9dico. Foram as v\u00edtimas que se dirigiram \u00e0 Igreja a pedir esse apoio ou foi a pr\u00f3pria Igreja que disponibilizou o apoio?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o conhe\u00e7o caso a caso e era preciso ver caso a caso. O que interessa \u00e9 o seguinte: houve um contacto com as v\u00edtimas ou por parte da Igreja, se j\u00e1 era conhecido, ou porque algu\u00e9m que se dirigiu \u00e0 Igreja e poderia ter sido n\u00e3o diretamente para pedir ajuda&#8230; Era para se fazer \u00e0 medida que se iam conhecendo casos destes. E foi-se dizendo &#8211; e isso \u00e9 muito claro para todos &#8211; que n\u00f3s queremos ser parte da reabilita\u00e7\u00e3o, liberta\u00e7\u00e3o, feita por profissionais, para ir ao encontro destas pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que n\u00f3s dizemos \u00e9 o seguinte, para clarificar a outra quest\u00e3o, a no\u00e7\u00e3o de indemniza\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 por isso que n\u00f3s temos evitado o termo &#8211; porque indemniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um termo jur\u00eddico. Chega-se \u00e0 indemniza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um processo jur\u00eddico: se algu\u00e9m puser um processo, vai-se seguir a lei. A lei diz que quem \u00e9 respons\u00e1vel pelo mal praticado \u00e9 a pessoa que o praticou. O que n\u00f3s dizemos \u00e9 que ningu\u00e9m vai ficar sem ajuda para aquilo que \u00e9 justo e para a sua vida, mesmo que, ou porque n\u00e3o se fez um processo ou porque o abusador n\u00e3o tem meios para isso. O que n\u00f3s vamos fazer \u00e9 disponibilizar ajuda! \u00c9 por isso que n\u00e3o pomos em termos jur\u00eddicos. Se for em termos jur\u00eddicos, \u00e9 evidente que vai haver um processo e \u00e9 evidente que n\u00f3s n\u00e3o estamos acima da lei. Qualquer institui\u00e7\u00e3o vai seguir o processo legal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o estou a ligar isto simplesmente a processos. Estou a dizer que as pessoas que foram abusadas, em ambiente de Igreja, v\u00e3o ter a ajuda necess\u00e1ria. Isso est\u00e1 esclarecido da nossa parte. Claro que as dioceses v\u00e3o assumir os casos que est\u00e3o ligados a elas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Sobre o grupo Vita, o que \u00e9 que a CEP pede a este grupo agora constitu\u00eddo? Ele estar\u00e1 na linha da frente para receber eventuais den\u00fancias ou mediar o trabalho que as comiss\u00f5es diocesanas est\u00e3o a fazer?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um bocadinho de tudo isso e mais&#8230; Para o grupo Vita, a ideia fundamental da CEP n\u00e3o \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o independente de estudo, mas faz parte do processo operativo que se segue \u00e0s conclus\u00f5es do estudo, do relat\u00f3rio feito, das recomenda\u00e7\u00f5es e daquilo que n\u00f3s pr\u00f3prios fomos vendo com o processo que a Igreja est\u00e1 a fazer. Entramos num processo operativo e, por isso, este grupo que, nos pr\u00f3ximos dois ou tr\u00eas anos, vai ser uma parte muito significativa da interven\u00e7\u00e3o porque vai preparar a Igreja para estar atenta, para acolher casos eventuais que v\u00e3o acontecendo, para trat\u00e1-los convenientemente, para ir ao encontro dessas pessoas e dos outros que v\u00eam do passado. Mas tamb\u00e9m, e sobretudo, para preparar tipos de preven\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o de pessoas, sobretudo dos agentes que est\u00e3o em contacto com crian\u00e7as. Isso feito por pessoas competentes. Por isso n\u00e3o pode ficar fora da preocupa\u00e7\u00e3o e do prop\u00f3sito da Igreja tirar conclus\u00f5es daquilo que se conheceu e agir preventivamente e agir durante, em face de qualquer caso que apare\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>N\u00e3o teme que haja alguma retra\u00e7\u00e3o por parte de eventuais v\u00edtimas de se dirigirem a este grupo, uma vez que ele vai trabalhar em liga\u00e7\u00e3o direta com a equipa nacional de coordena\u00e7\u00e3o das comiss\u00f5es diocesanas muito dependente da pr\u00f3pria Igreja?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O termo que est\u00e1 l\u00e1 \u00e9 \u2018articulado\u2019. Articula\u00e7\u00e3o significa que se articulam \u00f3rg\u00e3os que fazem movimentos diferentes, mas que t\u00eam articula\u00e7\u00f5es e elas s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias. Quando se trata de chegar \u00e0s v\u00edtimas, n\u00e3o pode haver essa rutura&#8230; At\u00e9 agora era muito importante o anonimato, a quest\u00e3o das listas\u2026 a confus\u00e3o das listas vem da\u00ed. O anonimato garantia que junt\u00e1vamos dados de v\u00e1rias pessoas, n\u00e3o estando ligado a esta ou \u00e0quela, para caracterizar e estudar. Agora se se trata de falar e de ajudar pessoas, n\u00e3o se tratam as siglas que caracterizavam cada caso, n\u00e3o se trata de siglas mas de pessoas concretas. Esta articula\u00e7\u00e3o, e fala-se de articula\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que ao mesmo tempo tem autonomia, n\u00e3o independ\u00eancia, porque se forem duas coisas desligadas n\u00e3o funcionam. O que eu gostaria era que as pessoas que sofreram abusos entendam precisamente isto: estas pessoas v\u00e3o ter uma caracteriza\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia e de profissionalismo, que tamb\u00e9m t\u00eam as comiss\u00f5es, mas as comiss\u00f5es, tendo pessoas competentes est\u00e3o dentro do territ\u00f3rio, podem ter sempre essa dificuldade adicional&#8230; Quando se trata de encontrar essas pessoas, podem ser encaminhadas diretamente pelo grupo Vita que vai sugerir modos de tratamento, mas tamb\u00e9m em liga\u00e7\u00e3o com as pessoas que precisam desse tratamento e que ter\u00e3o liberdade, obviamente de escolher quem queiram. Mas as pessoas n\u00e3o v\u00e3o vir de Viana do Castelo ao Algarve para serem tratadas e, para isso, este contacto com as equipas diocesanas vai ser importante na fase operativa. Ali\u00e1s, j\u00e1 h\u00e1 equipas implicadas nestes tratamentos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Pode especificar?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sei que h\u00e1 porque sei de algumas&#8230; Psic\u00f3logos, etc&#8230; Uma coisa que quero dizer \u00e9 o seguinte: este \u00e9 um trabalho que se vai fazer com toda a descri\u00e7\u00e3o que exige e isso \u00e9 o abc do sucesso, mas tamb\u00e9m de justi\u00e7a para com estas pessoas. Passar por estes processos n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e tem de se garantir que isto \u00e9 feito com a descri\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria que estas situa\u00e7\u00f5es requerem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Com este grupo Vita a Igreja poder\u00e1 falar mais a uma s\u00f3 voz a respeito destes casos? Ter uma estrat\u00e9gia conjunta?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s gostar\u00edamos, n\u00e3o s\u00f3 o grupo Vita, mas todo este processo. O grupo Vita deu a si pr\u00f3prio um per\u00edodo de atividade por dois anos e meio, tr\u00eas anos, para montar um sistema que fique na Igreja. Depois \u00e9 evidente que algo de semelhante vai ter de ser assumido, por exemplo por um setor da Comiss\u00e3o Nacional. Agora, para este campo de abusos, de caso horr\u00edveis que aconteceram e eu gostaria de dizer que n\u00e3o v\u00e3o voltar a acontecer mas n\u00e3o podemos estar seguros, temos de ter uma estrutura a funcionar, feita por pessoas capazes, que j\u00e1 existe nas comiss\u00f5es diocesanas, que existe na coordena\u00e7\u00e3o nacional porque v\u00eam dessas comiss\u00f5es, e que sejam eles, antes de mais e n\u00e3o diretamente os bispos, a intervir, que sejam eles a determinar este caminho, sabendo que por tr\u00e1s ir\u00e3o ter\u00e3o sempre os bispos, que sob o ponto de vista can\u00f3nico \u00e9 importante que o fa\u00e7am &#8211; cada bispo na sua diocese e todos no seu conjunto mas, quem est\u00e1 \u00e0 frente destas coisas t\u00eam de ser pessoas profissionais e \u00e9 isso que n\u00f3s queremos. Ter uma organiza\u00e7\u00e3o preferentemente laical e competente para tratar destes casos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Todo este processo ter\u00e1 ferido a pr\u00f3pria credibilidade da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal. Acha que vai demorar a recuperar essa credibilidade?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Houve tanto fumo nos Media e nem sempre de boa qualidade. Posso diz\u00ea-lo com toda a franqueza &#8211; reconhecendo que os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social s\u00e3o fundamentais para o di\u00e1logo com a sociedade, e agrade\u00e7o todo o trabalho feito com muita compet\u00eancia, interesse e paix\u00e3o. Mas tamb\u00e9m houve muita desinforma\u00e7\u00e3o no meio disto tudo, ao passar a ideia de que isto na Igreja \u00e9 tudo um covil de abusadores. Os pr\u00f3prios n\u00fameros, por maiores que sejam, d\u00e3o isso: existem e existiram casos que ainda est\u00e3o a ser tratados e n\u00f3s n\u00e3o fechamos os olhos, n\u00e3o olhamos para o outro lado e temos consci\u00eancia de que temos que melhorar o nosso sistema.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 que a Igreja tenha mais abusadores do que outras situa\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 duplamente grave, tamb\u00e9m para n\u00f3s. A credibilidade mais importante \u00e9 a que est\u00e1 dentro de n\u00f3s. N\u00e3o me preocupa o esc\u00e2ndalo, preocupa-me que tenham existido esses casos. A credibilidade vem da\u00ed, n\u00e3o \u00e9 de se conhecerem, \u00e9 de existirem. Ter a coragem de chamar as coisas pelo seu nome e de agir, n\u00e3o \u00e9 falta de credibilidade&#8230; \u00c9 quando eu posso dizer \u2018errei\u2019. Isto n\u00e3o me tira a credibilidade! O pior seria eu cometer uma asneirada e para me defender continuar a encobri-la ou simplesmente dissimul\u00e1-la. Quem quiser outro tipo de credibilidade v\u00e1 \u00e0 vontade, comigo n\u00e3o pega. A credibilidade vem da busca da verdade das coisas para se encontrar solu\u00e7\u00f5es. A atual fase \u00e9 precisamente a da interven\u00e7\u00e3o e \u00e9 para isso que a\u00ed estamos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 pessoas que agradecem, h\u00e1 grupos na Igreja que acham que isto foi tudo muito mau porque veio levantar problemas que podiam nem sequer ser conhecidos e que se poderiam tratar discretamente. N\u00e3o, casos destes precisam de ser tratados abertamente porque s\u00e3o um problema social aqui em Portugal, no mundo e dentro da Igreja. S\u00f3 chamando pelo nome, falando sobre isto tomando atitudes corretas, \u00e9 que n\u00f3s podemos inverter esta situa\u00e7\u00e3o. Isto para mim chama-se credibilidade &#8211; se outros t\u00eam outra no\u00e7\u00e3o de credibilidade eu n\u00e3o a sigo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Presid\u00eancia da CEP<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Foi eleito para um novo mandato na presid\u00eancia da CEP. Parafraseando outros eleitos, podemos afirmar que \u00e9 o presidente de todos os bispos de Portugal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pois, eu n\u00e3o conhe\u00e7o outro&#8230; Numa elei\u00e7\u00e3o, imagine que fosse por unanimidade&#8230; Eu tamb\u00e9m teria votado em mim e seria uma coisa pouco simp\u00e1tica. \u00c9 natural que alguns pensem noutros, mas isso faz parte do jogo da pr\u00f3pria busca de quem s\u00e3o as pessoas indicadas para o lugar. Tamb\u00e9m se p\u00f5e a quest\u00e3o de saber se h\u00e1 candidaturas: n\u00e3o h\u00e1 candidaturas nenhumas. H\u00e1 aquilo que s\u00e3o pessoas que s\u00e3o indicadas pelos outros bispos, numa elei\u00e7\u00e3o normal, e depois dizem que sim ou que n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nesta situa\u00e7\u00e3o poderia ter dito, e n\u00e3o para ter uma vida mais c\u00f3moda, porque este foi um ano, n\u00e3o direi dif\u00edcil, mas desafiador e que exigiu tempo e muitos contactos, mas vale a pena. Se h\u00e1 problemas \u00e9 preciso enfrent\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Chegou a colocar a hip\u00f3tese de n\u00e3o estar dispon\u00edvel para um novo mandato?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A mim pr\u00f3prio sim! A mim pr\u00f3prio sim, porque eu tenho uma diocese para cuidar e a diocese tamb\u00e9m se ressente se o bispo est\u00e1 muito tempo fora. Isso nem sempre \u00e9 simp\u00e1tico. \u00c9 por isso que estamos a viver uma Igreja sinodal, que vai dar trabalho para se movimentar nessa dire\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 para a\u00ed que vamos. H\u00e1 certas coisas que \u00e9 o bispo que faz e outros podem fazer. A estrutura\u00e7\u00e3o do meu pr\u00f3prio trabalho e dos colaboradores se ajustarem a mim e eu a eles, \u00e9 uma aprendizagem que vamos fazendo, mas merece a pena trabalharmos para isso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<figure id=\"attachment_280109\" aria-describedby=\"caption-attachment-280109\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-280109\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023b-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023b-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023b-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023b-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023b-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jose-ornelas-abril2023b.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-280109\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Relativamente ao funcionamento da pr\u00f3pria estrutura da CEP: h\u00e1 um pouco a sensa\u00e7\u00e3o de que a CEP reage tardiamente aos problemas da sociedade, em termos p\u00fablicos. N\u00e3o h\u00e1 tomada de posi\u00e7\u00e3o em tempo real. T\u00eam v\u00e1rias comiss\u00f5es episcopais, setoriais, mas n\u00e3o se v\u00ea, no dia-a-dia, um acompanhamento da atividade social por parte dessas comiss\u00f5es, pelo menos em termos de imagem p\u00fablica. H\u00e1 muito a trabalhar neste campo, est\u00e1 alguma coisa pensada?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 muito a trabalhar nesse sentido e de articula\u00e7\u00e3o. Hoje temos que trabalhar mais em rede, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Este caminho de sinodalidade que estamos a fazer em toda a Igreja, a partir da base das par\u00f3quias, das dioceses, dos continentes e de toda a Igreja, deve sentir mais nas confer\u00eancias episcopais. Mesmo ao n\u00edvel da Igreja &#8211; resta ao n\u00edvel da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da Igreja altera\u00e7\u00f5es no C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico que permitem mais isso. As confer\u00eancias episcopais nascem do Vaticano II e no Direito Can\u00f3nico est\u00e3o quase ausentes em termos estruturais. Claro que os bispos podem, e \u00e9 essa a tend\u00eancia e boa: a realidade andou muito mais adiante do que o Direito, mas agora \u00e9 preciso sustent\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o vamos perder a no\u00e7\u00e3o de que a diocese \u00e9 a c\u00e9lula base onde, no terreno, est\u00e3o as par\u00f3quias, est\u00e3o as vigararias, etc. Dentro de uma Igreja com o seu bispo, essa \u00e9 a c\u00e9lula estruturante da Igreja, mas isso n\u00e3o pode ser coutada fechada. Trabalhar em rede vem do Vaticano II e temos que aperfei\u00e7oar, como diz, quanto \u00e0 visibilidade etc.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas temos de ter em conta o seguinte: muita dessa visibilidade faz-se, voc\u00ea falou das comiss\u00f5es, mas h\u00e1 tantas outras institui\u00e7\u00f5es da Igreja &#8211; C\u00e1ritas, a n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o &#8211; que est\u00e3o a trabalhar constantemente. A articula\u00e7\u00e3o com as dioceses e a visibilidade de tudo isto para a Igreja, para fazer com que tenhamos maior identifica\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sitos &#8211; desde as par\u00f3quias at\u00e9 ao topo da hierarquia crist\u00e3 e das lideran\u00e7as crist\u00e3s &#8211; isso \u00e9 muito importante. Esse caminho sinodal, que estamos a fazer, no qual eu tenho muita confian\u00e7a, de que vai trazer \u00e0 Igreja um movimento que come\u00e7ou e que vai continuar. Mas dou-lhe raz\u00e3o, temos a\u00ed um caminho a continuar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Dizia que \u00e9 necess\u00e1rio alterar o Direito Can\u00f3nico para que assim aconte\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um grupo de canonistas que est\u00e1 a seguir o S\u00ednodo e a apontar, a partir das sugest\u00f5es que v\u00e3o sendo feitas, quais s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es que se devem fazer no pr\u00f3prio Direito. Por exemplo: na diocese (de Set\u00fabal), nomeei uma senhora como a chanceler da diocese &#8211; normalmente o chanceler em \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos da diocese devem estar l\u00e1, mas se depois diz que deviam ser padres, j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 para p\u00f4r l\u00e1 \u00e0 face do Direito&#8230; Pode-se pedir a exce\u00e7\u00e3o a Roma, mas isto significa que o Direito tamb\u00e9m tem de acompanhar isto, promover o que j\u00e1 est\u00e1 a acontecer e dar-lhe normas de direito de funcionamento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Por exemplo em Portugal, nota-se a necessidade da Igreja Cat\u00f3lica ter um interlocutor para falar com a sociedade e n\u00e3o 20 de acordo com as suas dioceses&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que isso tem raz\u00e3o de ser, e nestes dias falou-se muito sobre isso. Em alguns casos houve uma certa cacofonia, podemos dizer, mas por outro lado tamb\u00e9m n\u00e3o temos de passar o mesmo trombone de um para o outro. A diversidade de modos de express\u00e3o \u00e9 mais do que leg\u00edtima e n\u00f3s n\u00e3o queremos uma Igreja monot\u00f3nica. Agora, termos um trabalho mais assertivo do ponto de vista comunicativo parece-me que sim. Ali\u00e1s est\u00e3o-se a dar passos nesse sentido, com a participa\u00e7\u00e3o de leigos e de leigas competentes. Por exemplo o secret\u00e1rio da CEP n\u00e3o tem de ser um bispo. Primeiro era pressuposto que fosse um bispo, agora o padre Manuel Barbosa n\u00e3o \u00e9 bispo, e amanh\u00e3 pode ser um leigo. S\u00e3o movimentos que v\u00e3o acontecendo na Igreja e que precisam ser feitos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>J\u00e1 houve tempos em que o secret\u00e1rio da CEP funcionava muito como o porta-voz da CEP. Colocava-se uma quest\u00e3o e ele respondia em nome da CEP. Neste momento n\u00e3o est\u00e1 a acontecer. Acha que v\u00e3o ser dados passos nesse sentido?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s temos assessorias de comunica\u00e7\u00e3o, mas precisamos de ter um secretariado mais organizado. Alguns passos j\u00e1 foram dados neste sentido, outros v\u00e3o acontecer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Elei\u00e7\u00e3o de novos bispos<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>No discurso de abertura da Assembleia Plen\u00e1ria apelou \u00e0 disponibilidade dos bispos, caso fossem eleitos, para os diferentes cargos, e aconteceu essa elei\u00e7\u00e3o durante a Assembleia. Mas falava desta disponibilidade sobretudo por causa da nomea\u00e7\u00e3o de bispos para Portugal. Tem sido not\u00edcia a manifesta\u00e7\u00e3o da indisponibilidade por parte de alguns que s\u00e3o indicados para bispo: \u00e9 isso que est\u00e1 a causar demora na nomea\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei. Tenho lido isso nos jornais e n\u00e3o tenho elementos para dizer sim ou n\u00e3o. Quando uma pessoa \u00e9 contactada para lhe dizerem \u2018o Papa nomeou-te bispo\u2019, j\u00e1 \u00e9 no fim de um processo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas se ele recusar, o processo come\u00e7a de novo&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O processo come\u00e7a de novo&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Poder\u00e1 ser isso que est\u00e1 a atrasar a nomea\u00e7\u00e3o para algumas dioceses?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o creio. Daquilo que sei, algumas coisas t\u00eam demorado demasiado tempo para serem enviados os processos para Roma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que acho \u00e9 o seguinte: este processo que n\u00f3s temos n\u00e3o est\u00e1 a funcionar. N\u00f3s termos neste momento duas dioceses que j\u00e1 h\u00e1 um ano e tal est\u00e3o sem bispo, uma j\u00e1 quase h\u00e1 um ano e meio, isto n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel a meu ver.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Significa que, numa Igreja sinodal, o processo de elei\u00e7\u00e3o dos bispos que n\u00e3o \u00e9 para p\u00f4r na pra\u00e7a p\u00fablica e fazer candidaturas &#8211; n\u00e3o \u00e9 nada disso, isso n\u00e3o pode ser; mas, por outro lado, acho que n\u00f3s precisamos de rever este processo para agiliz\u00e1-lo e para o tornar mais participativo para se para se encontrar caminhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 mais um caso em que o decurso do S\u00ednodo pode levar a mudan\u00e7as no Direito Can\u00f3nico?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu penso que algumas coisas podem mudar agora. O papel do Papa na nomea\u00e7\u00e3o dos bispos de todo o mundo \u00e9 muito importante, porque isso \u00e9 t\u00edpico da Igreja cat\u00f3lica. Neste momento j\u00e1 h\u00e1 uma grande participa\u00e7\u00e3o em termos de consulta de pessoas &#8211; leigos, padres, bispos &#8211; mas, a meu ver, isto pode ser organizado de outra forma, agilizando melhor, tornando mais r\u00e1pido e eficiente o processo de escolha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Ainda relativamente \u00e0 quest\u00e3o da nomea\u00e7\u00e3o dos bispos: a confirmarem-se estas recusas por parte de alguns padres, isso n\u00e3o \u00e9 um pouco contradit\u00f3rio com a disponibilidade para o compromisso, para estar na disposi\u00e7\u00e3o para fazer aquilo que a Igreja lhe pede?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu fui nomeado bispo e tamb\u00e9m tive d\u00favidas quando me chamaram e compreendo que sim, que outros tamb\u00e9m as possam ter. \u00c9 um discernimento que se tem de fazer, um discernimento na disponibilidade. Mas tamb\u00e9m posso aceitar que algu\u00e9m diga: n\u00e3o, eu realmente n\u00e3o sinto. Pode n\u00e3o ser simplesmente uma quest\u00e3o de comodidade ou n\u00e3o querer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ser bispo hoje, \u00e9 de fato, mas sempre foi&#8230; S\u00f3 quem quiser fazer isso em termos muito pessoais e de prest\u00edgio pessoal, que \u00e9 aquilo que o Papa dizia ser um grande perigo. Aqueles que querem \u00e9 bom que n\u00e3o sejam &#8211; os que desejam muito como uma promo\u00e7\u00e3o social e \u00e9 bom que n\u00e3o sejam. Tamb\u00e9m estou de acordo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Novidades do S\u00ednodo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Voltando ainda \u00e0 quest\u00e3o do S\u00ednodo: a s\u00edntese da CEP apontava para a dificuldade em acolher e aceitar a diversidade, como casais em segunda uni\u00e3o, pessoas com atra\u00e7\u00e3o pelo mesmo sexo ou uni\u00f5es homossexuais, tens\u00f5es em temas ditos fraturantes, acesso da mulher ao sacramento da Ordem, a ordena\u00e7\u00e3o de homens casados, a identidade sexual e de g\u00e9nero&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tudo aquilo que est\u00e1 na ordem do dia da discuss\u00e3o dentro da Igreja e na sociedade. Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio Papa colocou \u00e0 Igreja estes temas dizendo: primeiro estas pessoas precisam de ser acolhidas e isso \u00e9 verdade clara. Jesus nunca recusou ningu\u00e9m por nenhuma dessas quest\u00f5es \u2013 e nem se punham essas quest\u00f5es nessa linguagem. Mas hoje temos quest\u00f5es novas que o Papa Francisco diz \u2018n\u00e3o busquem simplesmente solu\u00e7\u00f5es do passado para os problemas de hoje\u2019, n\u00e3o vai dar certo. N\u00f3s temos quest\u00f5es que n\u00e3o podemos verdadeiramente ignorar: sabemos que grande parte dos casais, tamb\u00e9m dos matrim\u00f3nios que se fazem na Igreja, acabam em separa\u00e7\u00e3o -essas pessoas s\u00e3o simplesmente postas fora? Caminhos que o pr\u00f3prio Papa Francisco foi abrindo sobre as quest\u00f5es de matrim\u00f3nio e precisam ser repensadas e ajustadas, n\u00e3o simplesmente como uma quest\u00e3o de Direito, mas abertura para com as pessoas, ajud\u00e1-las a fazer um caminho de verdade e discernimento sobre a sua pr\u00f3pria vida. \u00c9 isso que o pr\u00f3prio Papa Francisco diz, para que cada um se realize a seu modo e na medida da sua possibilidade. A Igreja n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 gente perfeita! \u00c9 de gente que, \u00e0s vezes, vive situa\u00e7\u00f5es onde uma solu\u00e7\u00e3o normal n\u00e3o chega! Ent\u00e3o, tem de se fazer o que aconteceu no Evangelho: tiveram de \u2018descapotar\u2019 a casa para que um doente chegasse \u00e0 beira de Jesus. Isto \u00e9 importante: encontrar solu\u00e7\u00f5es novas! Para essas solu\u00e7\u00f5es novas \u00e9 preciso desestruturar algumas coisas para que se encontrem os caminhos novos. Isto, para mim, \u00e9 muito claro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Algumas coisas est\u00e3o em franca discuss\u00e3o, como a ordena\u00e7\u00e3o de padres casados&#8230; N\u00e3o \u00e9 novidade nenhuma. A Igreja greco-cat\u00f3lica do leste europeu, por exemplo, tem padres casados e alguns vivem aqui entre n\u00f3s com a sua fam\u00edlia e est\u00e3o ativamente no minist\u00e9rio. Para eles, causa uma estranheza porque \u00e9 que a Igreja Latina, a partir do Conc\u00edlio de Trento, acabou com os padres casados. Isso \u00e9 uma quest\u00e3o disciplinar \u2013 ainda h\u00e1 dias o Papa o repetiu \u2013 \u00e9 uma quest\u00e3o disciplinar, n\u00e3o \u00e9 dogm\u00e1tica, que deve ser discutida, aceite e implementada pela Igreja no seu todo e n\u00e3o simplesmente porque cada um.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Falou do sacerd\u00f3cio das mulheres: isso para mim \u00e9 um tema que est\u00e1 em cima da mesa. N\u00e3o se p\u00f5e ao mesmo n\u00edvel dos outros, \u00e9 mais complexo. Em termos culturais \u00e9 algo diferente e n\u00e3o temos de olhar simplesmente para a Igreja na Europa, mas para a Igreja que est\u00e1 em todo o mundo, em diferentes culturas. E se chegar a essa conclus\u00e3o, a Igreja deve ser preparada para tal e deve fazer o seu caminho, na totalidade da vida da Igreja (e, quem diz isso, diz outros problemas). Por outro lado, n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma quest\u00e3o de moda, mas de ir ao encontro de uma sociedade que mudou e de uma cultura que est\u00e1 a mudar e encontrar a linguagem e caminhos novos para ir ao encontro dessa cultura. Foi sempre assim na Igreja!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Quando foi conhecida a s\u00edntese da CEP alguns padres vieram a p\u00fablico dizer \u2018esta s\u00edntese n\u00e3o sei como foi feita, por que a minha par\u00f3quia n\u00e3o teve estas conclus\u00f5es\u2019. N\u00e3o h\u00e1 um movimento que pode contrariar tudo isto?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem pensasse que mudan\u00e7as destas n\u00e3o iam suscitar opini\u00f5es diversas&#8230; Eu recebo constantemente coisas dessas e \u00e9 natural que seja assim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O contradit\u00f3rio \u00e9 muito importante porque, num projeto que se leva t\u00e3o alegremente para a frente, as raz\u00f5es contra devem-nos fazer pensar claramente o projeto para evitar coisas m\u00e1s. Quando n\u00f3s pensamos em Igreja, temos de aceitar esta discuss\u00e3o e depois temos de ter a coragem prof\u00e9tica de dizer: agora \u00e9 preciso ir para a frente!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>F\u00e1tima e as crian\u00e7as do mundo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Enquanto presidente da CEP e bispo de Leiria-F\u00e1tima, acredito que um dossier que tenha sobre a mesa seja o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima. Que projeto tem para este Santu\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 uma das coisas que, agora que foi renomeado o reitor, com quem estou constantemente em di\u00e1logo &#8211; alguma coisa vou conhecendo ap\u00f3s um ano na diocese, algumas din\u00e2micas v\u00e3o sendo importantes &#8211; mas o Santu\u00e1rio tem uma din\u00e2mica que est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o, a encontrar respostas novas para tempos novos. Eu n\u00e3o me sinto ainda confort\u00e1vel para dizer: esta \u00e9 a linha. Mas algumas coisas s\u00e3o importantes. E uma das coisas que acho que \u00e9 importante para o Santu\u00e1rio, tamb\u00e9m com a canoniza\u00e7\u00e3o dos pastorinhos Francisco e Jacinta e o processo da Irm\u00e3 L\u00facia, \u00e9 focar, n\u00e3o apenas do ponto de vista de reflex\u00e3o e espiritual, mas de a\u00e7\u00e3o concreta, a aten\u00e7\u00e3o aos mais pequenos, concretamente \u00e0s crian\u00e7as. Quando vemos que no mundo morrem, todos os dias, muitas crian\u00e7as, em n\u00fameros horrorosos, de fome, crian\u00e7as que s\u00e3o abusadas a todos os n\u00edveis, crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam a escola&#8230; Isto n\u00e3o pode passar ao lado do Santu\u00e1rio. Maria veio precisamente para estas crian\u00e7as! Al\u00e9m disso, encontrar um Evangelho para os mais pequenos, para aqueles que, precisamente, est\u00e3o fora&#8230; Os pastorinhos n\u00e3o iam \u00e0 escola: interessante que Nossa Senhora mandou-os ir \u00e0 escola. Viviam no meio do mundo que lhes mete medo e a linguagem que eles utilizam \u00e9 infantil, \u00e9 a linguagem da guerra, da pandemia (dois deles foram v\u00edtimas da pandemia da gripe espanhola).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tomar a s\u00e9rio a Mensagem de F\u00e1tima significa dar ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima uma perspetiva nesta dire\u00e7\u00e3o. Estamos a come\u00e7ar a dar alguns passos, mas tem de ser mais fundo. F\u00e1tima tem de ser isto para que n\u00e3o corra o risco, como Santu\u00e1rio, de ser um nicho onde se vai fazer devo\u00e7\u00f5es e depois se volta e tudo continua na mesma. Mas seja algo que mexa com as pessoas! \u00c9 essa a fun\u00e7\u00e3o dos Santu\u00e1rios! Dada a proje\u00e7\u00e3o internacional do Santu\u00e1rio, pode fazer uma diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Tamb\u00e9m neste momento da hist\u00f3ria em que a Igreja Cat\u00f3lica combate os casos de abuso sexual? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando se fala de crian\u00e7as e de abusos&#8230; A fome \u00e9 o maior abuso! A fome, a mis\u00e9ria, a falta de educa\u00e7\u00e3o, a falta de \u00e1gua que sofrem muitas crian\u00e7as&#8230; N\u00f3s fizemos um caminho na nossa sociedade&#8230; Eu quando era pequeno, uma das fun\u00e7\u00f5es era ir buscar \u00e1gua para casa porque n\u00e3o t\u00ednhamos \u00e1gua corrente. Quando isto acontece em quil\u00f3metros, como em tantos lugares do mundo, onde crian\u00e7as v\u00e3o buscar \u00e1gua para casa a duas horas de dist\u00e2ncia, alguma coisa tem de mexer. F\u00e1tima n\u00e3o pode ficar estranha a toda esta linguagem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>F\u00e1tima, no contexto da diocese, j\u00e1 est\u00e1 tudo pacificado entre o clero da diocese?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pacificado neste sentido: uma institui\u00e7\u00e3o como o Santu\u00e1rio dentro de uma diocese, que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o grande, evidente que tem um peso e que \u00e9 preciso equacionar bem e ir solucionando os problemas que vamos encontrando. Mas o Santu\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, para o pa\u00eds e para aquela diocese do ponto de vista espiritual, da din\u00e2mica de vida para mais novos e mais velhos, da pr\u00f3pria proje\u00e7\u00e3o da diocese e abertura de caminhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquadrar isto tudo, a come\u00e7ar pelos padres da diocese, que tem um clero que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 numeroso, onde alguns se dedicam ao Santu\u00e1rio, a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o do bispo, que n\u00e3o \u00e9 de condicionamento, porque o Santu\u00e1rio tem a sua vida&#8230; \u00c9 uma realidade que outras dioceses n\u00e3o t\u00eam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Referia-me tamb\u00e9m \u00e0s divis\u00f5es que h\u00e1 entre o pr\u00f3prio clero, nomeadamente porque consideram que o clero que est\u00e1 no Santu\u00e1rio \u00e9 privilegiado em termos de remunera\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acho que \u00e9 um problema que j\u00e1 est\u00e1 bastante mais redimensionado e que n\u00f3s estamos a discutir para toda a diocese as novas normas. Ali\u00e1s, j\u00e1 encontrei isto a caminho. Isso tamb\u00e9m est\u00e1 acautelado, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio, mas padres que podem ter outra remunera\u00e7\u00e3o por outras fun\u00e7\u00f5es que t\u00eam fora do \u00e2mbito da diocese. H\u00e1 formas de compensar tudo isso. \u00c9 importante ter uma base que seja justa para todos, seja para o bispo seja para os sacerdotes, que tenha estipulado quais s\u00e3o os tetos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A JMJ est\u00e1 \u00e0 porta. O que espera deste acontecimento e o que espera que fique no p\u00f3s-Jornada para a Igreja em Portugal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso vem do que est\u00e1 acontecendo agora! Houve um esfor\u00e7o muito grande de encontrar pessoas jovens, e alguns n\u00e3o jovens, para o que se est\u00e1 a fazer, que \u00e9 t\u00e3o importante como a pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que se fez est\u00e1 a ser um esfor\u00e7o muito interessante, dentro da Igreja e fora dela: a articula\u00e7\u00e3o com autoridades, com institui\u00e7\u00f5es, processos em curso, n\u00e3o s\u00f3 da log\u00edstica mas muito mais, de interesse, de motiva\u00e7\u00e3o de pessoas. Isto \u00e9, para mim, o mais v\u00e1lido que est\u00e1 a acontecer porque implica pessoas. Depois, basta que toda a gente n\u00e3o entre na ressaca p\u00f3s-jornada, que finalmente acabou.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isto criou um movimento que, se n\u00e3o parte de dentro, se n\u00e3o motivou pessoas a levantar-se (que \u00e9 o tema da jornada), sair do sof\u00e1 das comodidades, individualizar e criar cada um o seu grupo e a sua Igreja, para estar em liga\u00e7\u00e3o com os outros&#8230; Esta \u00e9 a cultura que \u00e9 preciso que passe para a Igreja, particularmente na nossa juventude, e tamb\u00e9m para o mundo. \u00c9 isso que o Papa est\u00e1 a desejar!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A vinda de pessoas aqui e abertura Internacional espero tamb\u00e9m que seja algo que fique.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Espero sobretudo que fique, a n\u00edvel de cada diocese, a estrutura que fizemos: onde \u00e0s vezes par\u00f3quias que nem sequer tinham um grupo de jovens, agora t\u00eam, o COP (Comit\u00e9 Organizador Paroquial), e as vigararias t\u00eam o COV (Comit\u00e9 Organizador Vicarial)&#8230; Se n\u00f3s conseguirmos manter esta rede capilar de jovens, para mim \u00e9 uma rede fundamental e luminosa! Depois, aprendemos a dar responsabilidade a estes jovens, a p\u00f4-los a gerir estas coisas. \u00c9 isto que me interessa! Os nossos jovens n\u00e3o podem ser considerados nas nossas par\u00f3quias s\u00f3 como destinat\u00e1rios de servi\u00e7os, organiza\u00e7\u00e3o, processos, discursos, etc. T\u00eam de estar dentro da feitura de tudo isto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Voltando \u00e0 Igreja sinodal, diz-se por todo o lado que os jovens participaram pouco&#8230; Isto \u00e9 algo que, com as Jornadas e o processo sinodal da Igreja, \u00e9 muito importante. E seria um dos pontos, para mim, mais importantes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Para que a ressaca e o esvaziar do bal\u00e3o n\u00e3o aconte\u00e7a depois do esfor\u00e7o de prepara\u00e7\u00e3o, h\u00e1 quem sugira que se defina um plano para a p\u00f3s-jornada. Adiantou essa rede capilar que existe, de COPs, COVs, CODs. Pode ser a Confer\u00eancia Episcopal a definir o plano para as p\u00f3s-jornadas?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s vamos ter as Jornadas de forma\u00e7\u00e3o do episcopado sobre esse tema e certamente que esta \u00e9 uma das virtualidades da jornadas que \u00e9 preciso avan\u00e7ar, para al\u00e9m da carga da experi\u00eancia. Os s\u00edmbolos das jornadas v\u00e3o chegar a Leiria no fim deste m\u00eas e o que tem acontecido por a\u00ed a baixo s\u00e3o vagas interessantes&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dos eventos significativos, dos acontecimentos em curso, e se v\u00e3o intensificar naquelas duas a tr\u00eas semanas, que depois t\u00eam o centro em Lisboa, mas que isto possa ser algo que fique e que d\u00ea um el\u00e3 novo \u00e0 nossa juventude<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Quando estiver com o Papa Francisco, em Lisboa e em F\u00e1tima, se estiver confirmado, qual \u00e9 a mensagem que vai transmitir?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Primeiro vou escutar a mensagem que ele tem para nos trazer. Antes de mais, gostaria de pedir que continuasse o seu minist\u00e9rio, como ele tem feito. Tem sido um Papa que tem inspirado muito os nossos jovens, apesar da sua idade, tem apresentado caminhos novos para a sua Igreja. Quando a gente pensa que a Igreja institucional \u00e9 pesada, \u00e9 mon\u00f3tona, e os profetas s\u00e3o aqueles que est\u00e3o um bocado mais \u00e0 margem&#8230; Tem verdade tudo isso, mas olhem que profeta como um Papa como este&#8230; O Papa Jo\u00e3o Paulo II sem d\u00favida foi um profeta na Igreja, mudou tantas coisas. Estes \u00faltimos papas tiveram uma dimens\u00e3o prof\u00e9tica muito grande! E \u00e9 esta mudan\u00e7a que est\u00e1 em curso que \u00e9 preciso confirmar e fazer com que tenha resili\u00eancia na Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Tem alguma indica\u00e7\u00e3o de quando haver\u00e1 programa para a sua visita a Portugal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso tem os seus tempos determinados. As coisas devem estar equacionadas e t\u00eam sido diariamente faladas. S\u00e3o constantes as comunica\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m no que diz respeito ao Santu\u00e1rio. Estamos em comunica\u00e7\u00e3o para solucionar os problemas e verificar as condi\u00e7\u00f5es. Tem o seu tempo! Roma tem a experi\u00eancia das visitas papais e das Jornadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Democracia em Portugal<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O D. Jos\u00e9 Ornelas esteve na rece\u00e7\u00e3o ao presidente brasileiro Lula da Silva, tamb\u00e9m na sess\u00e3o evocativa do 25 de Abril. Neste contexto dos 50 anos do 25 de Abril que diagn\u00f3stico que faz da democracia em Portugal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu estava aqui perto, vivi o 25 de abril em Lisboa, a partir de Alfragide, e sem d\u00favida foi um dos dias mais felizes da minha vida. E mais o processo que se seguiu, porque depois nesse ver\u00e3o passei em Angola quando j\u00e1 tinham come\u00e7ado os dist\u00farbios, depois fui para Mo\u00e7ambique e estive l\u00e1 na independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique, voltei em 76 para continuar o estudo da Teologia e isso marcou toda a minha vida. Para mim o 25 de Abril \u00e9 sempre uma data muito importante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Recordo que na tarde do 25 de Abril de 74, quando j\u00e1 as coisas pareciam estar confirmadas, n\u00f3s t\u00ednhamos um radiozinho de ondas curtas e segu\u00edamos as transmiss\u00f5es das colunas militares que eram enviadas para aqui e para ali, e quando aquilo j\u00e1 parecia seguro, depois da rendi\u00e7\u00e3o do Carmo, um padre italiano que tinha vivido o tempo do fascismo dizia-me: Ornelas, uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um dia muito bonito, voc\u00eas v\u00e3o recordar sempre, mas agora \u00e9 que come\u00e7a a quest\u00e3o de construir a democracia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A revolu\u00e7\u00e3o fez-se, com pouco custo de sangue, mas depois \u00e9 preciso construir a democracia e isso n\u00e3o est\u00e1 feito de um dia para o outro, levou tempo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Presidente da Rep\u00fablica falou disso e das diversas conce\u00e7\u00f5es que se tinha e que se foram manifestando para ajustar o caminho. Os dois, tr\u00eas primeiros anos foram cruciais, mas tivemos gente \u00e0 altura. Agora hoje, com a mudan\u00e7a radical deste mundo, com as dificuldades que n\u00f3s temos e com a evolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m geoestrat\u00e9gica que est\u00e1 em curso, n\u00f3s precisamos de rever de novo a nossa democracia e os perigos est\u00e3o a\u00ed \u00e0 vista. Eu acho que a nossa democracia est\u00e1 formalmente consolidada, ningu\u00e9m pensa voltar para o fascismo, mas h\u00e1 movimentos na sociedade que n\u00e3o deixam de preocupar. Acho que \u00e9 para isso tamb\u00e9m que estamos a\u00ed e \u00e9 preciso que tenhamos consci\u00eancia de que esta corrup\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o de desencanto da popula\u00e7\u00e3o, isto pode ser muito grave para a democracia. Preocupa-me sobretudo que os mais jovens n\u00e3o tenham apet\u00eancia para se comprometer na pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como \u00e9 que v\u00ea o facto de termos em Portugal &#8211; ainda recentemente no Parlamento se viu isso \u2013 um l\u00edder de um partido utilizar uma cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica para defender as suas ideias, que recorre v\u00e1rias vezes \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de cat\u00f3lico ou de crist\u00e3o e inclusivamente publicando imagens a rezar numa igreja? N\u00e3o o preocupa este tipo de a\u00e7\u00e3o de um respons\u00e1vel pol\u00edtico?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu penso que toda a gente tem o direito de fazer a sua leitura segundo a ideia que tem at\u00e9 da sua pr\u00f3pria f\u00e9. Mas esse filme j\u00e1 o vi muitas vezes aqui, quando eu estava convencido que est\u00e1vamos de facto em \u00c1frica a defender a f\u00e9 e o imp\u00e9rio. Isso foi a ideologia que me foi trazida. Foi preciso refazer tudo isso, dentro da Igreja e dentro da sociedade. Quando chegou o 25 de Abril estava j\u00e1 numa outra mentalidade. Mas \u00e9 muito f\u00e1cil as pessoas deixarem-se ajustar por crit\u00e9rios que s\u00e3o de regresso ao passado e dizer \u2018est\u00e1vamos muito melhor antes\u2019. A manipula\u00e7\u00e3o da f\u00e9 \u00e9 tr\u00e1gica. \u00c9 leg\u00edtimo dizer \u2018eu inspiro-me nisto para&#8230;\u2019 Mas, antes de mais, \u00e9 preciso que isso seja visto dentro da comunidade e saber se as consequ\u00eancias da leitura da B\u00edblia \u00e9 aceit\u00e1vel dentro da comunidade. Se n\u00e3o, cada um tem o seu Deus e tem os seus devotos e isso tamb\u00e9m pode ser manipula\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria imagem de Deus. Quando &#8211; e eu n\u00e3o digo que seja errado &#8211; levavam todos os soldados a F\u00e1tima para receberem a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora para irem combater: rezar para que os soldados fossem \u00e0 guerra e voltassem \u00e9 muito certo! Mas dizer que Nossa Senhora aben\u00e7oa aqueles que v\u00e3o para a guerra e para aquela guerra, isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ontem [na sess\u00e3o do 25 de Abril no Parlamento, ndr] foi dito que Deus est\u00e1 connosco, \u00e9 preciso ver: connosco quem, e em que sentido \u00e9 que Deus est\u00e1 connosco? Cada um pode ter as suas convic\u00e7\u00f5es, mas depois \u00e9 a palavra Deus que nos julga e n\u00e3o n\u00f3s julgarmos a palavra de Deus e manipul\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A situa\u00e7\u00e3o atual do pa\u00eds, de v\u00e1rios pa\u00edses, est\u00e1 em crise econ\u00f3mica que se est\u00e1 a abater sobre as fam\u00edlias, e em Portugal, nos \u00faltimos meses, isso tem sido particularmente vis\u00edvel. O D. Jos\u00e9 em F\u00e1tima, na semana passada, falou da necessidade das medidas serem adequadas&#8230; Acha que o Governo deveria ter outras medidas? Aquelas que tem posto em pr\u00e1tica s\u00e3o as adequadas ou que caminhos \u00e9 que poderiam ser seguidos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se algu\u00e9m soubesse, neste pa\u00eds, assim com clareza e que pudesse dar indica\u00e7\u00f5es&#8230; Isso \u00e9 um exerc\u00edcio de pol\u00edtica no sentido nobre que eu lhe dou. N\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma da dificuldade que \u00e9 gerir um pa\u00eds neste momento. Gerir o pa\u00eds, gerir a Igreja e mesmo opinar sobre coisas destas. Temos a\u00ed todos os conflitos a n\u00edvel dos sindicatos e das diversas categorias laborais com problemas s\u00e9rios e problemas que o pr\u00f3prio governo reconhece que s\u00e3o justos. Para encontrar medidas para ir ao encontro dessas injusti\u00e7as, ou pelo menos das quest\u00f5es que ficam em aberto, e para encontrar boas solu\u00e7\u00f5es e colocar os partidos de acordo \u00e9 mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na luta pol\u00edtica, eu aceito tamb\u00e9m e n\u00e3o tenho dificuldade nisso, seria completamente fora de m\u00e3o estar a pensar que isto se faz s\u00f3 com boas inten\u00e7\u00f5es. \u00c9 claro que a defesa do pr\u00f3prio partido, das pr\u00f3prias ideias tem de ser defendido. Mas a minha quest\u00e3o \u00e9 saber o que \u00e9 que se p\u00f5e na ordem das prioridades: resolver os problemas do pa\u00eds e ceder aqui e ali porque \u00e9 o pa\u00eds que est\u00e1 em causa ou encontrar simplesmente a l\u00f3gica do meu partido, a l\u00f3gica da minha corpora\u00e7\u00e3o, a l\u00f3gica do meu sindicato, a l\u00f3gica do meu patr\u00e3o ou o que for? Este \u00e9 o objetivo da pol\u00edtica: encontrar caminhos de converg\u00eancias para que os problemas sejam resolvidos e que n\u00e3o fiquem franjas da popula\u00e7\u00e3o sempre deixadas para tr\u00e1s. Quando eu falo de cuidar dos mais d\u00e9beis e fr\u00e1geis, t\u00eam aqui um caminho muito especial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>As institui\u00e7\u00f5es da Igreja tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o a sentir a crise?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em todo o lado e particularmente aquelas que est\u00e3o ao servi\u00e7o de pessoas com dificuldades econ\u00f3micas. A Caritas fez um balan\u00e7o do aumento de pedidos que tem registado, mas as IPSS e outras institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ao servi\u00e7o dos mais carenciados da sociedade, como isso aumentou! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Igreja, \u00e9 por todo o lado, mas como a Igreja est\u00e1 muito pr\u00f3xima, sente-o muito bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Ornelas foi reeleito na \u00faltima Assembleia Plen\u00e1ria dos bispos de Portugal como Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa e analisa, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia e Ag\u00eancia Lusa, o impacto do estudo sobre os abusos sexuais, valoriza a JMJ e a sua prepara\u00e7\u00e3o e diz que \u00e9 necess\u00e1rio \u00abrever\u00bb a democracia em Portugal\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":280109,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[147],"class_list":["post-280472","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-conferencia-episcopal-portuguesa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280472\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/280109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}