{"id":28030,"date":"2007-11-06T18:00:34","date_gmt":"2007-11-06T18:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/06\/comunicacao-social-e-protagonista-no-crescimento-das-criancas\/"},"modified":"2007-11-06T18:00:34","modified_gmt":"2007-11-06T18:00:34","slug":"comunicacao-social-e-protagonista-no-crescimento-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicacao-social-e-protagonista-no-crescimento-das-criancas\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 protagonista no crescimento das crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Inf\u00e2ncia, Cidadania e Jornalismo est\u00e3o em debate na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian. Um semin\u00e1rio, que termina amanh\u00e3, e pretende aprofundar, com base num estudo cient\u00edfico, a forma como as crian\u00e7as recebem os meios de comunica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o neles retratadas e, a partir deste quadro, envolver entidades para a promo\u00e7\u00e3o do seu crescimento e direitos.  Nuno Leandro, da Comiss\u00e3o Organizadora do Semin\u00e1rio admite ser essencial envolver as crian\u00e7as na discuss\u00e3o sobre os riscos que correm com os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Numa sociedade globalizada, complexa e mutante, \u201cuma sociedade que \u00e9 de risco em muitos aspectos\u201d, a comunica\u00e7\u00e3o social tem uma influencia determinante \u201cna interioriza\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o dos direitos da crian\u00e7a e na contribui\u00e7\u00e3o para que essa concep\u00e7\u00e3o de direitos se traduza na concretiza\u00e7\u00e3o em cada crian\u00e7a\u201d, refere ao programa ECCLESIA.   Este semin\u00e1rio permite reflectir, com base cient\u00edfica, sobre as not\u00edcias que t\u00eam como objecto a crian\u00e7a, para que \u201ca partir da realidade j\u00e1 interpretada cientificamente, possamos elaborar pol\u00edticas, estrat\u00e9gicas e ac\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com essa necessidade\u201d, aponta o respons\u00e1vel.  A crian\u00e7a \u00e9 um sujeito de direito, logo \u201co seu direito \u00e0 imagem e \u00e0 privacidade deve ser respeitado\u201d. Veiculada est\u00e1 tamb\u00e9m a ideia de que a crian\u00e7a \u201cn\u00e3o \u00e9 passiva, estando cada vez mais presente a sua participa\u00e7\u00e3o e interactividade\u201d. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio \u201cdar-lhe a palavra, ouvir os seus interesses e possibilitar um respeito grande, coloc\u00e1-la no centro da nossa preocupa\u00e7\u00e3o, afast\u00e1-la de circunst\u00e2ncias que afectam o seu desenvolvimento, como a pobreza, a disfuncionalidade familiar, ou outras formas de exclus\u00e3o\u201d.   Foram lan\u00e7adas desafios de educa\u00e7\u00e3o para a auto protec\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e auto desenvolvimento, sem ser apenas objecto de protec\u00e7\u00e3o, aponta Nuno Leandro, que acrescenta ser de evitar a \u00abhisteria colectiva\u00bb que alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o social fazem nascer.   \u201cOs casos negativos devem ser noticiados\u201d, mas enquadrados num contexto que a investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica fornece, proporcionando uma reflex\u00e3o que evite preconceitos, \u201cdesenvolvam o dever de cidadania e promovam os direitos da crian\u00e7a\u201d. \u201cN\u00e3o actuarmos com base em medos mas com afectos e responsabilidades\u201d, acrescenta.  A coordenadora do \u201cProjecto de Investiga\u00e7\u00e3o Crian\u00e7as e Jovens em Not\u00edcia\u201d explica que se pretendeu fazer um trabalho exaustivo centrado num ano de not\u00edcias. \u201cNo dia a dia n\u00e3o h\u00e1 percep\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es das not\u00edcias, mas \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo num ano\u201d, afirma Cristina Ponte, professora da Universidade Nova e do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Media e Jornalismo &#8211; CIMJ, que analisou mais de seis mil itens noticiosos de jornais impressos e televisionados portugueses do ano de 2005, que abordavam temas como educa\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00f5es de risco social, sa\u00fade, assist\u00eancia, seguran\u00e7a, entre outros.  O Projecto de Investiga\u00e7\u00e3o Crian\u00e7as e Jovens em Not\u00edcia \u00e9 financiado pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia (FCT) e desenvolvido pelo Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Media e Jornalismo (CIMJ) e pelo Instituto de Apoio \u00e0 Crian\u00e7a (IAC) com a colabora\u00e7\u00e3o da Direc\u00e7\u00e3o-Geral da Reinser\u00e7\u00e3o Social do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, do Centro Distrital de Seguran\u00e7a Social de Lisboa do Minist\u00e9rio do Trabalho e de Solidariedade Social, de estabelecimentos de ensino do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e da Associa\u00e7\u00e3o \u201cCrescer Ser\u201d.   <b>Maior maturidade para os media<\/b> Este estudo teve como objectivo dar uma aten\u00e7\u00e3o a tudo quanto saiu sobre crian\u00e7as e jovens at\u00e9 aos 18 anos e dar conta dos temas mais e menos recorrentes, chamando a aten\u00e7\u00e3o para essas lacunas e para uma \u201ccerta hegemonia\u201d, pois os temas s\u00e3o muito poucos e recorrentes. \u201c\u00c9 interessante dar conta desta realidade aos jornalistas, a quem est\u00e1 na sociedade e a quem trabalha com direitos de crian\u00e7as e jovens\u201d, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de terem \u201cuma atitude mais pro activa, fazendo chegar aos jornalistas mat\u00e9rias que podem ser alvo de um tratamento mais profundo e interessante\u201d.  O medo \u00e9 o assunto mais retratado nas not\u00edcias. As preocupa\u00e7\u00f5es dos pais com a falta de seguran\u00e7a, \u00e9 outra quest\u00e3o abordada, mas n\u00e3o exclusivamente portuguesa.  \u201cA forma como o jornalismo se cinge a uma pequena not\u00edcia sem procurar alternativas e enquadramentos que capacitem as pessoas para enfrentem situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, alimenta esse discurso do medo\u201d, explica a docente da Universidade Nova.   Sobre a viol\u00eancia sexual, um tema que \u201caparecia menos em 2000 do que em 2005\u201d, alimenta-se a ideia de que \u201cexiste quase um ped\u00f3filo em cada esquina\u201d. \u00c9 evidente que o problema da viol\u00eancia sexual \u201c\u00e9 grave, mas deve ser tratado do ponto de vista complementar\u201d, abordando a educa\u00e7\u00e3o dos filhos e preparando-os  para que saibam identificar as situa\u00e7\u00f5es em que est\u00e3o a ser abusados e fornecendo informa\u00e7\u00f5es sobre as den\u00fancias, \u201cnuma cobertura jornal\u00edstica que seja mais do que a mera exposi\u00e7\u00e3o\u201d.  Acerca de maus tratos infantis, Cristina Ponte recorda, em 2005, alguns casos dram\u00e1ticos e da parte do jornalismo \u201chouve interpreta\u00e7\u00e3o sobre o que est\u00e1 a corre mal no sistema de protec\u00e7\u00e3o, demonstrando um trabalho que n\u00e3o ficou pela exposi\u00e7\u00e3o do facto, mas procurou dar uma perspectiva mais explicativa e mais interpelativa das responsabilidades p\u00fablicas e pol\u00edticas\u201d.  A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 outro tema muito presente na agenda, mas as crian\u00e7as s\u00e3o apresentadas enquanto alunos e \u201cservem para colorir as pe\u00e7as\u201d. O coordenadora do projecto avan\u00e7a que seria interessante dar conta de \u201ctodo o ambiente escolar, onde as crian\u00e7as chegam com culturas e l\u00ednguas diferentes, apresentando-a como uma local de integra\u00e7\u00e3o\u201d, pois acredita que a \u201cagenda pode ser mais aberta, diversificada e interessante do que a que encontramos\u201d.   Pede-se por isso uma \u201cmaior maturidade aos media, uma maior sensibilidade, onde a \u00e9tica tem um papel fundamental\u201d, na defesa das imagens de crian\u00e7as que est\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de risco social e que n\u00e3o devem ser expostas, \u201cuma maior interpela\u00e7\u00e3o da sociedade para que n\u00e3o espere sempre as mesmas fontes, que em geral s\u00e3o as oficiais\u201d.  Este projecto, que ouviu crian\u00e7as e jovens sobre not\u00edcias, deu conta que \u201celas n\u00e3o vivem alheados das not\u00edcias\u201d, aponta Cristina Ponte, \u201cacompanham not\u00edcias que os preocupam e \u00e9 importante que haja, da parte da sociedade, uma maior aten\u00e7\u00e3o dos jornalistas para a forma como alguns temas s\u00e3o cobertos para contrariar esse discurso do medo\u201d.   <b>Aproximar jornalistas e realidade<\/b> Maria Jo\u00e3o Malho, em representa\u00e7\u00e3o do Instituto de Apoio \u00e0 Crian\u00e7a &#8211; IAC, aponta que uma das conclus\u00f5es apontadas \u00e9 a pouca visibilidade da crian\u00e7a portuguesa na comunica\u00e7\u00e3o social. \u201cH\u00e1 muitas not\u00edcias sobre crian\u00e7as mas sempre sobre o mesmo assunto\u201d, explica, ficando de fora \u201ca parte positiva que queremos mostrar, com o outro lado de projectos de interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, que defendem e promovem as leis de protec\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, levar para o p\u00fablico em geral, a no\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e o que se passa em Portugal sobre a crian\u00e7a\u201d, defende.   Da\u00ed a import\u00e2ncia que o IAC atribui a esta parceria com o CIMJ e na divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos dados recolhidos por uma pesquisa cient\u00edfica.  No semin\u00e1rio, a decorrer at\u00e9 amanh\u00e3, ser\u00e3o ainda apresentados resultados de estudos explorat\u00f3rios onde as crian\u00e7as foram ouvidas, na zona de Lisboa e Castelo Branco, que se encontram em institui\u00e7\u00f5es tutelares e centros de acolhimento.  \u201cFomos conversar com as crian\u00e7as sobre o que elas pensam sobre as not\u00edcias que falam delas, qual a percep\u00e7\u00e3o que t\u00eam de um jornalista, como se escreve uma not\u00edcia\u201d, explica a Maria Jo\u00e3o Malho. \u201cDemos conta que a maioria das crian\u00e7as v\u00ea os telejornais mas n\u00e3o conversa com ningu\u00e9m sobre as not\u00edcias\u201d.  Em 2008 o IAC vai organizar, em parceria com a Comiss\u00e3o Nacional e com o CIMJ, oficinas ou workshops para estabelecer rela\u00e7\u00f5es com jornalistas \u201ce vice versa\u201d, pois Maria Jo\u00e3o Malho aponta a necessidade de se aprender a linguagem r\u00e1pida, concisa e eficiente, \u201cmas os jornalistas t\u00eam que nos saber escutar e saber interpretar os dados cient\u00edficos\u201d, sublinhando ainda que \u201ceste \u00e9 um percurso que deve ser feito em conjunto para bem das crian\u00e7as, para uma sociedade melhor, onde os direitos da crian\u00e7a e humanos sejam respeitados\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inf\u00e2ncia, Cidadania e Jornalismo est\u00e3o em debate na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian. 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