{"id":28003,"date":"2007-11-06T11:28:52","date_gmt":"2007-11-06T11:28:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/06\/e-depois-da-visita-ad-limina\/"},"modified":"2007-11-06T11:28:52","modified_gmt":"2007-11-06T11:28:52","slug":"e-depois-da-visita-ad-limina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-depois-da-visita-ad-limina\/","title":{"rendered":"E depois da visita Ad Limina?"},"content":{"rendered":"<p>Cada bispo \u00e9 princ\u00edpio da unidade e da abertura da Igreja local \u00e0 comunh\u00e3o com as outras Igrejas <!--more--> A Igreja \u00e9 a matriz da f\u00e9, em que se nasce para habitar o mundo pela linguagem da comunh\u00e3o. E, numa bela express\u00e3o dos prim\u00f3rdios, compete \u00e0 Igreja de Roma &#8220;presidir \u00e0 universal comunh\u00e3o da caridade&#8221; na cultura de cada Igreja particular. &#8220;A cultura da caridade tem um \u00fanico c\u00f3digo: o amor dos irm\u00e3os&#8221;. E, &#8220;o que faz com que um grupo de homens e mulheres sejam a Igreja num determinado lugar \u00e9 exactamente o que faz com que outro grupo o seja num lugar distinto: uma mesma comunh\u00e3o de vida, que permite a um cat\u00f3lico descobrir &#8216;uma fraternidade de resposta comum&#8217; por cima de todas as culturas&#8221;. Por seu lado, a comunh\u00e3o, como cultura, acontece &#8220;numa frater-nidade assim de confiss\u00f5es e confid\u00eancias &#8230; (e) s\u00f3 depois de bem avaliar as suas caracter\u00edsticas particulares e de as caldear a seguir no grande lume universal, pode um qualquer ser ao mesmo tempo um cidad\u00e3o de (um lugar) e cidad\u00e3o do mundo&#8221;, em que &#8220;o universal \u00e9 o local sem paredes&#8221;. Uma fraternidade de resposta comum, num mundo pleno de desafios e, tamb\u00e9m, de possibilidades, \u00e9 o que Karl Rahner e Miguel Torga prometem na afirma\u00e7\u00e3o do local e universal que uma visita ad limina pode evocar.  A Igreja, que &#8220;preside \u00e0 caridade&#8221; evoca um mundo transparente que deve manter-se a caminho, em atitude de \u00eaxodo; procurando parceiros de alian\u00e7as para uma &#8216;fraternidade de resposta comum&#8217;, torna-se o mundo, como mundo de capital social e cidadania, habit\u00e1vel. A caminho do Reino, &#8220;onde Deus ser\u00e1 tudo em todos&#8221;, a Igreja local &#8216;ensaia&#8217; como em laborat\u00f3rio respostas aos grandes problemas que nos amea\u00e7am: a pobreza das pessoas, a pobreza das ideias e a pobreza do planeta. Uma racionalidade culta, plural, na era da complexidade, faz-nos descobrir cidad\u00e3os a caminho, inter-agindo, \u00e0 procura de respostas.  A Igreja local, que &#8220;se define pela sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo&#8221;, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o activa dos crist\u00e3os que se unem &#8220;com estima e caridade&#8221; aos homens da sua regi\u00e3o, participantes da &#8220;vida cultural e social&#8221;(AG, 11, 15). A converg\u00eancia de revolu\u00e7\u00e3o copernicana na concep\u00e7\u00e3o da Igreja, como Igreja local, e da pessoa, rela\u00e7\u00e3o com os outros, urge o recurso ao argumento dos meios e m\u00e9todos das ci\u00eancias; este permite como plaus\u00edvel &#8220;pensar em termos de livre comunh\u00e3o e desinteressada fraternidade o mundo redondo&#8221; como sentido. E a identidade eclesial, na cultura, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o disposi-tiva, pois &#8220;n\u00e3o pode ser salvo sen\u00e3o aquilo que \u00e9 assumido&#8221;. O modelo \u00e9 o Reino, para vir, e tem em conta que a comunh\u00e3o para o Reino \u00e9 o caminho para o mesmo. Deste, a lideran\u00e7a prof\u00e9tica da Igreja leva a &#8216;ensaiar&#8217;, agora, um mundo com os outros em perspectiva abrangente, que \u00e9 o amor. A co-responsabilidade, que afecta toda comunidade, \u00e9 o &#8216;ensaio&#8217; da comunh\u00e3o, em que &#8220;todos somos Igreja&#8221;. Como &#8220;o conhecimento do conhecimento obriga&#8221; e a Igreja \u00e9 semper reformanda, &#8216;ensaio&#8217; para tornar-se o que \u00e9, a comunh\u00e3o deve ser pensada como compromisso por uma adequada pedagogia de participa\u00e7\u00e3o. E, num jogo de rela\u00e7\u00f5es Igrejas particulares &#8211; Igreja universal, a comunh\u00e3o \u00e9 tarefa e dom, espa\u00e7o da aprendizagem como caminho e meta.  O Bispo leva a voz da sua diocese ao Papa, em interc\u00e2mbio que enriquece o desenvolvimento tanto da realidade como da doutrina sobre a Igreja; este interc\u00e2mbio \u00e9 um dar e receber m\u00fatuos, em resposta urgente aos problemas, e urgente, porque nunca como hoje houve tantas possibilidades de solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. De facto, &#8220;&#8230; nunca foi t\u00e3o aberta possibilidade de compreender as m\u00faltiplas dimens\u00f5es da vida&#8230; (e) apesar da &#8216;nova ordem pol\u00edtica do mundo&#8217; ter mais caos do que ordem, a possibilidade de os seres humanos constru\u00edrem o seu destino e serem verdadeiramente livres nunca foi t\u00e3o grande&#8230; (por) uma nova ci\u00eancia integrada, que reunir\u00e1 a biologia geral, a neuroci\u00eancia, e os produtos mais avan\u00e7ados da cultura human\u00edstica&#8221;. Por outro lado, a rela\u00e7\u00e3o de &#8220;m\u00fatua interioridade&#8221; da Igreja particular com a Igreja universal situa-se num tempo de &#8220;coexist\u00eancia entre culturas extraordinariamente evolu\u00eddas&#8221; e de desenvolvimento cient\u00edfico. Face aos grandes desafios da conviv\u00eancia de culturas, o conceito de comunh\u00e3o como &#8220;sa\u00fade&#8221; de culturas diferentes deve expressar-se particularmente naquela que se apresenta como sacramento de salva\u00e7\u00e3o para o mundo; e as grandes quest\u00f5es teol\u00f3gicas n\u00e3o podem alhear-se das grandes quest\u00f5es dos homens, da cultura, pela qual o homem habita o mundo.  Cada bispo \u00e9 princ\u00edpio da unidade e da abertura da Igreja local \u00e0 comunh\u00e3o com as outras Igrejas, e o Papa \u00e9, tamb\u00e9m, cabe\u00e7a de uma Igreja local, a Igreja-M\u00e3e de Roma, fundamento e princ\u00edpio da unidade da Igreja universal (LG, 23). A Igreja, em condi\u00e7\u00e3o permanente de \u00eaxodo, em busca da forma definitiva, nunca encontrada no deserto do mundo, pelas culturas, onde nunca deixamos de estar, acolhe um convite para o \u00eaxodo de si mesma para ir ao encontro dos homens, na fidelidade ao Esp\u00edrito; esta viagem, de si para si, \u00e9 a convers\u00e3o. Como referia Jo\u00e3o Paulo II, &#8220;sem esta caminhada espiritual, de pouco servir\u00e3o os instrumentos exteriores da comunh\u00e3o (que) revelar-se-iam mais como estruturas sem alma, m\u00e1scaras de comunh\u00e3o, do que como vias para a sua express\u00e3o e crescimento&#8221;. Por isso, &#8220;as nossas comunidades eclesiais s\u00e3o chamadas a ser verdadeiras escolas de comunh\u00e3o&#8221; no mundo para descobrir &#8216;uma fraternidade de resposta comum&#8217; &#8220;numa fraternidade de confiss\u00f5es e confid\u00eancias (onde) pode um qualquer ser ao mesmo tempo um cidad\u00e3o de (um lugar) e cidad\u00e3o do mundo universal (que) \u00e9 o local sem paredes&#8221;. A visita Ad Sacra Limina processa, num duplo movimento, a partilha da autoridade e da responsabilidade apost\u00f3licas; esta surge como &#8220;uma voz clara no meio do ru\u00eddo confuso das diferentes ideologias&#8221;, presente no sensus fidei e consensus fidelium, traduzidos na co-responsabilidade, como a ar que se respira, e refor\u00e7ada na era da complexidade, em que o todo est\u00e1 na parte, que est\u00e1 no todo. O Papa exerce o minist\u00e9rio de &#8220;fazer circular a caridade&#8221;(Paulo VI) entre as Igrejas ao servi\u00e7o da esperan\u00e7a da humanidade num futuro digno.  <i>M. M. Costa Santos(UCP-Braga)<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada bispo \u00e9 princ\u00edpio da unidade e da abertura da Igreja local \u00e0 comunh\u00e3o com as outras Igrejas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[172,237,321,327],"class_list":["post-28003","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-de-braga","tag-joao-paulo-ii","tag-ucp","tag-visita-ad-limina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28003"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28003\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}