{"id":279972,"date":"2023-04-26T23:38:31","date_gmt":"2023-04-26T22:38:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=279972"},"modified":"2023-04-26T23:38:31","modified_gmt":"2023-04-26T22:38:31","slug":"caminhos-da-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caminhos-da-felicidade\/","title":{"rendered":"Caminhos da felicidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_152027\" aria-describedby=\"caption-attachment-152027\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-152027 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-152027\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Todos desejamos viver felizes. Mas n\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula da felicidade. Como seres livres, escolhemos caminhos diferentes para melhorar os n\u00edveis de bem-estar e de satisfa\u00e7\u00e3o com a vida. A felicidade \u00e9 um estado de esp\u00edrito que depende mais das nossas atitudes do que das circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>As pessoas felizes n\u00e3o se deixam cair nas armadilhas do prazer e do dinheiro. E sabem que os caminhos da felicidade passam pelo amor aut\u00eantico, vivido e partilhado nas rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O prazer<\/strong><\/p>\n<p>Na sociedade de consumo, marcada por uma cultura individualista e hedonista, facilmente confundimos a felicidade com o prazer. Um engano. \u00c9 verdade que a felicidade se alimenta dos prazeres do corpo e da mente. O problema vem das m\u00e1s escolhas.<\/p>\n<p>Umas vezes, escolhemos prazeres ilus\u00f3rios (por exemplo, alimenta\u00e7\u00e3o desregrada e consumo excessivo de bebidas alco\u00f3licas) que prejudicam a nossa sa\u00fade f\u00edsica e mental, a m\u00e9dio ou longo prazo. Outras vezes, escolhemos prazeres ego\u00edstas (por exemplo, mentiras e abusos) que desrespeitam e fazem sofrer as pessoas com quem interagimos. Prazeres ilus\u00f3rios e ego\u00edstas conduzem \u00e0 infelicidade.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 livre e respons\u00e1vel, mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel consigo mesmo, com os outros e com a natureza, ainda que isso implique esfor\u00e7o e sacrif\u00edcio. A conquista da felicidade duradoura, tal como a conquista do sucesso escolar ou profissional, exige muitas vezes a ren\u00fancia volunt\u00e1ria a alguns prazeres imediatos e a capacidade de adiar gratifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 natural a busca do prazer e a fuga ao sofrimento. Mas \u00e9 preciso coragem para resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de satisfazer todos os desejos, aqui e agora, como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3. O que aconteceria se cada pessoa, obedecendo ao \u201cprinc\u00edpio do prazer\u201d, decidisse fazer tudo o que lhe apetece, quando lhe apetece e como lhe apetece, sem pensar nas consequ\u00eancias para o futuro?<\/p>\n<p>Os excessos causam mal-estar. Se queremos uma vida equilibrada e feliz, precisamos de autocontrolo para gerir os impulsos e agir com modera\u00e7\u00e3o. \u00c9 prudente temperar as emo\u00e7\u00f5es com a raz\u00e3o, de modo a evitar os prazeres que nos aprisionam e desumanizam ou nos afastam da conviv\u00eancia com outras pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O dinheiro <\/strong><\/p>\n<p>O dinheiro \u00e9 um meio para satisfazer as necessidades b\u00e1sicas do ser humano: alimenta\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente para a felicidade.<\/p>\n<p>Quando as pessoas t\u00eam garantido o acesso aos bens essenciais para uma vida digna, n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre aumento de dinheiro e aumento de felicidade. Se o grau de satisfa\u00e7\u00e3o com a vida fosse proporcional \u00e0 posse de bens materiais, os mais ricos seriam sempre mais felizes do que todas as outras pessoas. Ora, isso n\u00e3o acontece. H\u00e1 ricos infelizes!<\/p>\n<p>O dinheiro n\u00e3o compra tudo. Compra rel\u00f3gios, mas n\u00e3o o tempo; compra informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a sabedoria; compra estatuto, mas n\u00e3o o respeito; compra viagens, mas n\u00e3o a beleza de um p\u00f4r-do-sol; compra alguns prazeres, mas n\u00e3o a alegria; compra companhia, mas n\u00e3o o amor.<\/p>\n<p>Honestamente ganho em trabalhos motivadores e \u00fateis \u00e0 sociedade, o dinheiro \u00e9 um instrumento poderoso. D\u00e1-nos a liberdade de satisfazer necessidades, viver experi\u00eancias agrad\u00e1veis com a fam\u00edlia e os amigos e ajudar quem mais precisa. A liberdade de fazermos escolhas alicer\u00e7adas em valores torna-nos arquitetos da nossa felicidade.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m se torna prisioneiro das ambi\u00e7\u00f5es materiais, esquecendo a dimens\u00e3o espiritual da exist\u00eancia, a liberdade acaba. \u00a0A gan\u00e2ncia, o desejo de ganhar riqueza, poder ou estatuto, custe o que custar, gera ansiedade. \u00c9 terreno f\u00e9rtil para a competi\u00e7\u00e3o desenfreada, a desonestidade, a corrup\u00e7\u00e3o, a injusti\u00e7a e a viol\u00eancia. Poder\u00e1 um ganancioso, que menospreza princ\u00edpios e valores, sentir paz interior e viver de consci\u00eancia tranquila?<\/p>\n<p>\u00c9 um direito querer mais, sobretudo quando n\u00e3o se tem o suficiente. Mas nem sempre mais \u00e9 melhor. Tem raz\u00e3o o fil\u00f3sofo brit\u00e2nico Bertrand Russell (1872-1970): \u201cN\u00e3o possuir algumas das coisas que desejamos \u00e9 parte indispens\u00e1vel da felicidade.\u201d<\/p>\n<p>A sabedoria est\u00e1 em servir-se das coisas sem viver preso a elas. Libertando a alma do apego aos bens materiais sup\u00e9rfluos, podemos saborear com calma outros bens preciosos para uma vida feliz: atividades significativas, novas aprendizagens e rela\u00e7\u00f5es gratificantes.<\/p>\n<p><strong>O amor<\/strong><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m \u00e9 feliz sozinho. Somos uns com os outros. Interdependentes. Todos sentimos a necessidade de criar e manter rela\u00e7\u00f5es de afeto. Desejamos amar e ser amados.<\/p>\n<p>Existem diversas formas de amor, entre as quais se destacam, habitualmente, o amor rom\u00e2ntico, o amor familiar, a amizade e o altru\u00edsmo. Qual destas formas \u00e9 mais determinante para a felicidade? Depende das pessoas e das circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>O maior desafio \u00e9 amar o pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos. Este princ\u00edpio b\u00edblico, v\u00e1lido h\u00e1 mil\u00e9nios para crentes e n\u00e3o crentes, implica cultivar uma autoestima equilibrada (aceitar-se e respeitar-se) e desenvolver rela\u00e7\u00f5es de qualidade com os outros, em especial com a fam\u00edlia e os amigos.<\/p>\n<p>Fonte de alegria e felicidade, o amor verdadeiro supera os interesses ego\u00edstas e concretiza-se na empatia, na compaix\u00e3o e na solidariedade. \u00c9 incondicional e gratuito. Incondicional, porque faz o bem a todos, sem discrimina\u00e7\u00f5es. Gratuito, porque oferece ajuda e perd\u00e3o aos outros, sem esperar recompensas nem gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Evidentemente, n\u00e3o somos obrigados a gostar de quem nos trata mal nem a manter rela\u00e7\u00f5es indesejadas. Mas devemos respeitar a dignidade e os direitos de todas as pessoas, mesmo que discordemos dos seus comportamentos.<\/p>\n<p>Quem d\u00e1, tamb\u00e9m recebe. Quando contribu\u00edmos generosamente para a felicidade dos outros, sentimo-nos mais felizes. Praticando atos solid\u00e1rios, melhoramos a autoestima, fortalecemos as rela\u00e7\u00f5es, contagiamos as pessoas \u00e0 nossa volta e cooperamos na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Com gestos de bondade, todos ganham.<\/p>\n<p>Na busca da felicidade, \u00e9 importante apreciar com gratid\u00e3o as b\u00ean\u00e7\u00e3os da vida, enfrentar com otimismo as adversidades e aceitar com serenidade o que n\u00e3o podemos controlar. Mais decisivo \u00e9 amar: cuidar de n\u00f3s mesmos e dos outros.<\/p>\n<p>O amor abre-nos o cora\u00e7\u00e3o e liberta-nos da tristeza, do medo, da raiva e do \u00f3dio. Embora n\u00e3o sacie a sede de infinito, satisfaz a necessidade espiritual de dar sentido \u00e0 vida. O amor \u00e9 o caminho da felicidade.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro<br \/>\n<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0Professor e Formador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":152027,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-279972","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279972\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}