{"id":27997,"date":"2007-11-05T17:08:57","date_gmt":"2007-11-05T17:08:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/05\/anunciadores-de-cristo-num-mundo-que-procura\/"},"modified":"2007-11-05T17:08:57","modified_gmt":"2007-11-05T17:08:57","slug":"anunciadores-de-cristo-num-mundo-que-procura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/anunciadores-de-cristo-num-mundo-que-procura\/","title":{"rendered":"Anunciadores de Cristo num mundo que procura"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa na Bas\u00edlica de S. Pedro <!--more--> O \u00abDirect\u00f3rio para o Minist\u00e9rio Pastoral dos Bispos\u00bb apresenta a Visita \u00abAd Limina\u00bb com um significado muito preciso: \u00abaumentar o seu sentido de responsabilidade como sucessor dos Ap\u00f3stolos e fortalecer a sua comunh\u00e3o com o sucessor de Pedro\u00bb assim como \u00abum momento importante para a vida da mesma Igreja particular que, atrav\u00e9s do seu representante, consolida os v\u00ednculos de f\u00e9, comunh\u00e3o e disciplina que ligam \u00e0 Igreja de Roma e a todo o corpo eclesial\u00bb\u00bb (Dir. 15). Em s\u00edntese, acontece como \u00abmomento de gra\u00e7a\u00bb para o Bispo e para a Diocese que lhe est\u00e1 confiada. O texto da Primeira leitura, escolhido para este local, pode lan\u00e7ar-nos algumas interpela\u00e7\u00f5es como enquadramento perfeito desta experi\u00eancia de comunh\u00e3o eclesial que pretendemos realizar. N\u00e3o se trata de algo de novo: intensificar o existente e renovar compromissos eclesiais que delimitam os objectivos que pretendemos alcan\u00e7ar. O testemunho da Igreja primitiva \u00e9 verdadeiramente estimulante. Limito-me a sublinhar alguns pormenores. A reflex\u00e3o pessoal completar\u00e1 o meu pensamento. 1 \u2013 Pedro e Jo\u00e3o subiam ao Templo para a ora\u00e7\u00e3o. A modernidade, num pluralismo cultural e dominado pela indiferen\u00e7a e agnosticismo, impele-nos para um activismo muitas vezes desregrado e motivador de cansa\u00e7o e des\u00e2nimo. A Igreja, e nesta os seus pastores, t\u00eam de centralizar-se na prioridade do espiritual e m\u00edstico e a partir daqui encarar os mais variados desafios. Estes exigem muita reflex\u00e3o pessoal e em corresponsabilidade nos diversos conselhos eclesiais. Sem um verdadeiro encontro com Cristo, no gosto de estar com Ele, o trabalho pode acontecer como funcionalismo ou burocracia. O futuro da Igreja est\u00e1 condicionado pela dimens\u00e3o contemplativa que sempre acompanhou a sua hist\u00f3ria e, particularmente, nos momentos chamados de crise. 2 \u2013 Caminhar para o Templo, n\u00e3o permite que nos a\u00ed refugiemos. Necessitamos de sair para ir ao encontro da humanidade que sofre. Na caminhada de Pedro e Jo\u00e3o \u00abolhamos fixadamente\u00bb para o homem \u00abcoxo desde o ventre materno\u00bb. Hoje n\u00e3o podemos ignorar as diversas situa\u00e7\u00f5es desumanizantes e, em muitos casos, escandalosas porque contra a dignidade caracter\u00edstica de todo e qualquer ser humano. A Igreja deve tornar-se \u00abperita em humanidade\u00bb e, por isso, necessita de conhecer bem, olhar com profundidade para os dramas existenciais, elaborando um diagn\u00f3stico que n\u00e3o \u00e9 meramente sociol\u00f3gico mas que nasce da sensibilidade dum cora\u00e7\u00e3o que a todos quer oferecer dedica\u00e7\u00e3o e amor. A carta enc\u00edclica \u00abDeus caritas est\u00bb fala da \u00abaten\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u00bb, (oferecer aos outros \u00abas aten\u00e7\u00f5es surgidas pelo cora\u00e7\u00e3o\u00bb) o que exige uma \u00abforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u00bb onde o amor \u00e9 consequ\u00eancia resultante da f\u00e9 que se torna operativa pelo amor (cf. Gal, 5,6 e D.C.E. 31). Temos uma longa hist\u00f3ria na aten\u00e7\u00e3o aos carenciados e marginalizados. Talvez o futuro nos obrigue a descobrir caminhos que nos fixam, preferencialmente, naqueles que n\u00e3o tem ningu\u00e9m que os \u00ablevem \u00e0 piscina\u00bb ou que necessitam de \u00abser colocados\u00bb \u00e0s portas dos templos para pedir. A caridade imaginativa nunca se cansar\u00e1 de ver o que ningu\u00e9m v\u00ea. Antes de entrarmos no Templo teremos de nos fixar atentamente, \u00abolhar bem\u00bb para quem nos rodeia. <b>Que nos dir\u00e1 esta atitude de Pedro e Jo\u00e3o?<\/b> 3 \u2013 Pedro e Jo\u00e3o olharam e pediram que olhassem para eles. \u00abO homem olhou com aten\u00e7\u00e3o\u00bb \u00e0 espera de receber algo.  Come\u00e7amos a reconhecer que o mundo olha preferencialmente para os acontecimentos negativos ou para os assuntos que podem suscitar conflitos e n\u00e3o quer fixar os olhos na Igreja. As nossas comunidades manifestam, muitas vezes, um cristianismo mais apegado a tradi\u00e7\u00f5es e muitos crist\u00e3os conseguem conviver com op\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias entre si e em oposi\u00e7\u00e3o com os valores evang\u00e9licos. 3.1 &#8211; \u00c9 neste novo mundo que Deus nos concede a responsabilidade de anunciar Cristo como Boa Nova para todos. Como novo que \u00e9, exige uma linguagem nova capaz de suscitar interesse e fazer com que ele \u00abolhe\u00bb para n\u00f3s. N\u00e3o s\u00e3o as respostas habituais. A rapidez da evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um apelo cont\u00ednuo \u00e0 nossa criatividade para n\u00e3o nos situarmos \u00e0 margem da hist\u00f3ria ou contra corrente. Somos portadores duma mensagem diferente que acreditamos na sua for\u00e7a libertadora e geradora de sentido para a vida. 3.2 &#8211; A vida dos destinat\u00e1rios da mensagem \u00e9 universal. Penso, por\u00e9m, que talvez tenhamos de optar por uma pastoral que responda \u00e0s grandes quest\u00f5es existenciais que v\u00e3o encontrando solu\u00e7\u00f5es mais f\u00e1ceis e alheias ao pensamento da Igreja. A pastoral da cultura encerra desafios incomensur\u00e1veis que ainda n\u00e3o foram devidamente equacionados. A f\u00e9 herdada j\u00e1 n\u00e3o vence o ambiente e este n\u00e3o influencia mas distancia. Ignorar este \u00e2mbito pode ser fatal para o nosso pa\u00eds. 3.3 &#8211; N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil uma presen\u00e7a que provoque aten\u00e7\u00e3o por parte do mundo da indiferen\u00e7a ou daqueles que hostilizam o pensar e agir eclesial. Renunciar a esta responsabilidade pode significar tornarmo-nos n\u00f3s pr\u00f3prios geradores de indiferen\u00e7a religiosa se n\u00e3o pelo contra-testemunho, pela inc\u00faria. Urge uma capacidade de suscitar interesse e de fazer com que a sociedade portuguesa olhe positivamente para a Igreja. 4 \u2013 O homem da passagem dos Actos esperava algo de material para o seu sustento. Pedro e Jo\u00e3o confessam-se sem \u00abouro nem prata\u00bb mas partilham outro tesouro: a f\u00e9 em Jesus Cristo que modificou a vida daquele mendigo. Nunca poderemos abandonar o caminho das obras de miseric\u00f3rdia e o nosso agir social deve confirmar as tradicionais iniciativas e encontrar outras novas. S\u00f3 que o fundamental \u00e9 aquilo que mais ningu\u00e9m poder\u00e1 oferecer. \u00c9 a f\u00e9 em Cristo. \u00abCristo que nada tira e d\u00e1 tudo\u00bb na linguagem do Papa Bento XVI. Esta \u00e9 a raz\u00e3o de ser da Igreja. Ser sacramento, sinal eloquente, deste Deus feito homem para que os homens cres\u00e7am numa harmonia entre o material e o espiritual. Sabemo-nos mergulhados num mundo multi-cultural e de diversas express\u00f5es religiosas. Conhecemos as exig\u00eancias duma laicidade justa e caminhamos n\u00e3o s\u00f3 no respeito por confiss\u00f5es religiosas diferentes mas tamb\u00e9m numa promo\u00e7\u00e3o dum agir comum para bem do povo portugu\u00eas. Esta atitude nunca poder\u00e1 permitir que assistamos, passivamente, ao laicismo que muitos pretendem impor. Sabemos que, como recordava o Papa no Santu\u00e1rio de N. S. Aparecida, Cristo n\u00e3o se imp\u00f5e mas deve propor-se. Da\u00ed que, por Ele, tenhamos de arriscar e investir num cristianismo mais evang\u00e9lico. S\u00f3 Cristo \u00e9 o Salvador que proporciona, a quem com Ele se encontra, a responsabilidade de se levantar e de caminhar por op\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a e fraternidade. 5 \u2013 Este amor interventivo, como resposta da f\u00e9 feita dum modo inequ\u00edvoco e n\u00e3o camufladamente, fez com que o coxo de nascen\u00e7a caminhasse o que veio a suscitar admira\u00e7\u00e3o por parte do povo que aderiu em grande n\u00famero \u00e0 mensagem de Pedro e Jo\u00e3o que, por outro lado, convencendo os incr\u00e9dulos e por causa da ousadia da f\u00e9, tiveram de encarar a realidade da pris\u00e3o. Tudo nos confirma que a linguagem que o homem moderno entende \u00e9 o testemunho. S\u00f3 este arrasta e convence, embora provoque sacrif\u00edcio e dificuldades a quem testemunha. A coer\u00eancia nunca foi f\u00e1cil e os aplausos aparecem, com mais facilidade, doutros lados. Tudo sup\u00f5e que encontremos a for\u00e7a numa maior unidade e comunh\u00e3o. Naquele tempo era o testemunho de Pedro e Jo\u00e3o. Hoje somos muitos e s\u00f3 a unidade tocar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o da humanidade. Como Igreja, sentimo-nos oriundos da Trindade e caminhamos para um encontro com a mesma mostrando, no quotidiano, que o nosso Deus \u00e9 uno e trino. Neste lugar do mart\u00edrio de S. Pedro reavivemos a nossa f\u00e9 em Cristo, solicitando a coragem para recome\u00e7ar, quando a nega\u00e7\u00e3o acontecer na nossa vida, mas sempre na certeza de que Ele \u00absabe tudo\u00bb e \u00absabe que O amamos\u00bb. Que as nossas igrejas encontrem, nas pessoas e nas institui\u00e7\u00f5es, vontade de progredir no conhecimento do \u00abdom\u00bb da f\u00e9 para testemunhar ao mundo que Cristo \u00e9 a nossa for\u00e7a e que, por Ele, tudo arriscamos desde que o Seu nome seja proclamado. <i>5\/11\/2007 D. Jorge Ortiga, Presidente da C.E.P. e Arcebispo Primaz<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa na Bas\u00edlica de S. 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