{"id":27981,"date":"2007-11-03T17:23:05","date_gmt":"2007-11-03T17:23:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/03\/reorganizacao-das-paroquias-ainda-nao-e-solucao-para-viana\/"},"modified":"2007-11-03T17:23:05","modified_gmt":"2007-11-03T17:23:05","slug":"reorganizacao-das-paroquias-ainda-nao-e-solucao-para-viana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/reorganizacao-das-paroquias-ainda-nao-e-solucao-para-viana\/","title":{"rendered":"Reorganiza\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias ainda n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para Viana"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao Bispo de Viana do Castelo, diocese criada h\u00e1 30 anos <!--more--> Criada a 3 de Novembro de 1977 , a diocese de Viana do Castelo \u00abtem uma pr\u00e1tica religiosa bastante alta dentro do contexto nacional e europeu, mas \u00e9 uma pr\u00e1tica que tem muito de tradi\u00e7\u00e3o, que tem muito de transmiss\u00e3o de pais para filhos\u00bb. Ainda segundo D. Jos\u00e9 Pedreira, que \u00e9 Bispo de Viana h\u00e1 dez anos, do S\u00ednodo resultou \u00abuma esp\u00e9cie de radiografia real sobre as capacidades de mobiliza\u00e7\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb em todas as par\u00f3quias do Alto Minho. Muitas delas t\u00eam apenas cerca de uma centena de habitantes, mas para j\u00e1 est\u00e1 afastada a hip\u00f3tese da reorganiza\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias.    <b>Di\u00e1rio do Minho \u2013 \u00c9 Bispo h\u00e1 dez anos de Viana do Castelo, diocese criada em 3 de Novembro de 1977, ou seja, h\u00e1 30 anos. Est\u00e1 prestes a partir para o Vaticano, para a visita ao Papa e \u00e0 C\u00faria Romana, a quem j\u00e1 foi enviado o relat\u00f3rio quinquenal. Com base nesse relat\u00f3rio, como caracteriza a diocese de Viana do Castelo?<\/b> D. Jos\u00e9 Pedreira \u2013 Parece-me que esta diocese, que tem apenas 30 anos, pode ser considerada uma diocese em situa\u00e7\u00e3o de normalidade no meio dos problemas que a Igreja universal enfrenta hoje em cada uma das suas Igrejas particulares, nomeadamente no que se refere ao n\u00famero de padres e aos candidatos ao sacerd\u00f3cio. Tamb\u00e9m est\u00e1 dentro da normalidade quanto ao desenvolvimento pastoral que est\u00e1 programado. H\u00e1, no entanto, alguns aspectos em que sentimos maior dificuldade para tornarmos a Igreja diocesana aberta aos problemas dos tempos modernos, de modo particular a sua viv\u00eancia religiosa com pendor da tradi\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia durante muitas d\u00e9cadas de investimento por parte do Estado na estrutura\u00e7\u00e3o da rede vi\u00e1ria, que dificultou o acesso ao Ensino Superior para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o do Alto Minho. Como exemplo, no censo de 1971 a taxa do Ensino Superior no distrito todo, que corresponde \u00e0 diocese de Viana do Castelo, era de cerca de 1,5 por cento; no censo de 2001, essa taxa subiu para cerca de 8 por cento, o que considero muito bom.  <b>Tamb\u00e9m com base no relat\u00f3rio enviado para o Vaticano, que espera que o Papa diga a esta Igreja particular, apontando desafios para os pr\u00f3ximos tempos?<\/b> \u2013 \u00c9 dif\u00edcil imaginar o que \u00e9 que o Santo Padre vai dizer a prop\u00f3sito do relat\u00f3rio e da diocese, at\u00e9 porque \u00e9 a primeira vez que eu vou falar com o actual Papa. Se fosse com Jo\u00e3o Paulo II, porque j\u00e1 tivemos v\u00e1rias visitas pastorais, j\u00e1 conhecia as suas preocupa\u00e7\u00f5es&#8230; Mas, estou convencido de que o Santo Padre vai sintonizar connosco no optimismo que temos de ter para enfrentar os novos problemas da Igreja nos tempos modernos, e que vai sublinhar a import\u00e2ncia da utiliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da intelig\u00eancia para compreender e acompanhar todos os problemas da f\u00e9, portanto, da evangeliza\u00e7\u00e3o, da estrutura\u00e7\u00e3o, da forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica dos fi\u00e9is. A diocese de Viana do Castelo tem uma pr\u00e1tica religiosa bastante alta dentro do contexto nacional e europeu, mas \u00e9 uma pr\u00e1tica que tem muito de tradi\u00e7\u00e3o, que tem muito de transmiss\u00e3o de pais para filhos. N\u00e3o estou a desvalorizar isto, at\u00e9 porque costumo dizer que a religiosidade popular exerceu uma fun\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria nas \u00faltimas d\u00e9cadas e produziu os seus efeitos. Neste momento, por\u00e9m, revela as suas fragilidades, que n\u00f3s temos de complementar com a liturgia oficial da Igreja.   <b> Nestes 30 anos, a diocese de Viana do Castelo realizou um S\u00ednodo e est\u00e1, actualmente, voltada para a Pastoral Familiar. Porqu\u00ea? Com que objectivos?<\/b> \u2013 A realiza\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo diocesano foi uma consequ\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o do Jubileu do ano 2000. Foi trabalhoso. Tivemos de enfrentar v\u00e1rias dificuldades, nomeadamente a falta de h\u00e1bito dos leigos e dos sacerdotes para se mobilizarem para um acto extraordin\u00e1rio dentro da administra\u00e7\u00e3o e do governo da Igreja. Mas, ao terminar o S\u00ednodo pareceu-me ter sido extraordinariamente \u00fatil, por v\u00e1rios motivos, um dos quais eu sublinhei logo no seu encerramento: ele permitiu ao bispo ter acesso a uma esp\u00e9cie de radiografia real sobre as capacidades de mobiliza\u00e7\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de toda a diocese. Quer dizer, ajudou a conhecer as zonas que est\u00e3o mais dinamizadas, mais capazes e mais comprometidas, bem como aquelas que est\u00e3o muito mais dif\u00edceis de mobilizar para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Este mapa ficou muito claro, quer pela participa\u00e7\u00e3o e disponibilidade de colabora\u00e7\u00e3o do clero, quer pela disponibilidade e compreens\u00e3o dos leigos para o problema de um S\u00ednodo. Verificamos que havia v\u00e1rios sectores que era indispens\u00e1vel valorizar e que havia tamb\u00e9m algumas lacunas que t\u00ednhamos de colmatar. Uma delas era precisamente ajudar a piedade popular a fazer uma caminhada em ordem \u00e0 liturgia oficial da Igreja; valorizando-a, mas ao mesmo tempo transformando-a. Outra car\u00eancia era a falta de fundamenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da f\u00e9 dos nossos fi\u00e9is e por isso centramos um dos objectivos em desenvolver a ac\u00e7\u00e3o da Escola de Teologia que est\u00e1 integrada no Instituto Superior Cat\u00f3lico da diocese de Viana do Castelo.  Entretanto, houve outros factores que nos pareceram merecer a prioridade nas nossas preocupa\u00e7\u00f5es pastorais, com destaque para a Fam\u00edlia, na medida em que ela sente press\u00f5es \u2013 n\u00e3o na linha da Igreja, da f\u00e9, da dimens\u00e3o religiosa \u2013 do meio sociol\u00f3gico envolvente, quer pela necessidade de procurar trabalho onde quer que seja, quer pelo acesso da mulher ao trabalho \u2013 saudamos isso como elemento positivo, mas traz problemas \u00e0 Fam\u00edlia \u2013, quer ainda pelas dificuldades dos pais no acompanhamento da vida escolar dos filhos e da sua forma\u00e7\u00e3o. Portanto, a Fam\u00edlia, sendo o n\u00facleo da sociedade e tamb\u00e9m o elemento fundamental na transmiss\u00e3o da f\u00e9 na Igreja, tem de ter uma aten\u00e7\u00e3o muito particular neste momento.   <b>Como \u00e9 dada essa aten\u00e7\u00e3o? A doutrina da Igreja n\u00e3o muda&#8230;<\/b> \u2013 A maneira de evangelizar as nossas fam\u00edlias passa fundamentalmente \u2013 e \u00e9 isso que estamos a tentar fazer \u2013 pela cria\u00e7\u00e3o de momentos e espa\u00e7os para que os adultos possam reflectir sobre as verdades da f\u00e9 que j\u00e1 praticam \u2013 a chamada forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da f\u00e9 para os adultos. E em segundo lugar, n\u00e3o descurar a catequese que estamos a fazer com as gera\u00e7\u00f5es mais novas&#8230;    <b> Quanto \u00e0 Pastoral Juvenil, nota-se que h\u00e1 din\u00e2mica e a prova disso est\u00e1, por exemplo, no F\u00f3rum Ecum\u00e9nico Jovem realizado h\u00e1 poucos dias em Viana&#8230; Nota-se que h\u00e1 uma caminhada, que a juventude est\u00e1 activa&#8230; Mas, \u00e9 uma pastoral de\/para todos os jovens ou s\u00f3 de\/para alguns?<\/b> \u2013 A Pastoral Juvenil tamb\u00e9m tem merecido nos \u00faltimos 7-8 anos uma aten\u00e7\u00e3o particular. Ali\u00e1s, o investimento na Pastoral Juvenil \u00e9 anterior ao investimento na Pastoral Familiar, porque \u00e9 ante-sinodal. Creio que tem desenvolvido um trabalho muito positivo, com actividades diocesanas programadas para todo o ano, acontecendo o mesmo com alguns arciprestados, que desenvolvem um esfor\u00e7o para acompanhar os jovens na continuidade da viv\u00eancia e no aprofundamento da f\u00e9 depois das \u00faltimas catequeses. Esse trabalho, considero-o positivo. Claro que ainda n\u00e3o atingimos todos os objectivos, at\u00e9 porque um deles consiste em que a Pastoral Juvenil desperte um n\u00famero maior de voca\u00e7\u00f5es em ordem ao sacerd\u00f3cio e \u00e0 vida religiosa consagrada. Realmente, tem havido alguns casos, mas n\u00e3o tantos quantos desejamos.              <b>A diocese de Viana \u00e9 formada por cerca de 300 par\u00f3quias. N\u00e3o h\u00e1, neste momento, um padre para cada par\u00f3quia. Isto \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o ou \u00e9 uma rara oportunidade?<\/b> \u2013 Por um lado, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, mas, por outro, pode constituir uma oportunidade, quase \u00fanica, para a Igreja. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, porque as nossas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o habituadas a ter p\u00e1roco pr\u00f3prio, mesmo as par\u00f3quias mais pequeninas. Nas 292 par\u00f3quias de Viana, a m\u00e9dia de habitantes \u00e9 de 883. Temos uma d\u00fazia de par\u00f3quias que ultrapassa os 5.000 habitantes e temos muitas com cerca de 100 habitantes. Portanto, haver um padre em cada par\u00f3quia \u00e9 hoje absolutamente irrealiz\u00e1vel. Actualmente, o projecto diocesano centra-se em \u00e1reas pastorais: um padre \u00e9 respons\u00e1vel por uma \u00e1rea que pode corresponder a uma, duas, tr\u00eas ou quatro par\u00f3quias, e \u00e9 p\u00e1roco por igual de todas as par\u00f3quias, ou seja, n\u00e3o \u00e9 p\u00e1roco de uma e as outras s\u00e3o anexas. N\u00e3o tenho nenhum sacerdote que seja p\u00e1roco de mais de quatro par\u00f3quias, e mesmo com quatro s\u00f3 h\u00e1 dois ou tr\u00eas casos; j\u00e1 tive um com cinco, mas foi ocasionalmente.  <b>O que \u00e9 mais arriscado: confiar a um padre 3, 4, 5 ou mais par\u00f3quias, como j\u00e1 acontece em algumas dioceses, ou reorganizar as par\u00f3quias?<\/b> \u2013 Primeiro, queria apontar outro aspecto que me parece pode ser positivo na car\u00eancia de sacerdotes.   \u00c9 que durante d\u00e9cadas e d\u00e9cadas \u2013 e n\u00e3o estou a criticar nada \u2013, a nossa pastoral n\u00e3o teve muito em conta a capacidade dos leigos, porque t\u00ednhamos sacerdotes com tempo para fazer tudo. A falta de padres trouxe-nos este contributo: hoje temos um n\u00famero extraordinariamente maior de leigos comprometidos nas nossas par\u00f3quias. Ainda n\u00e3o s\u00e3o tantos quantos desejamos, mas os nossos leigos est\u00e3o a despertar um bocadinho para a sua obriga\u00e7\u00e3o como baptizados.  Quanto \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias, \u00e9 um problema muito complexo. Prefiro a situa\u00e7\u00e3o actual, mas admito a fus\u00e3o de par\u00f3quias, de freguesias. N\u00e3o se pode \u00e9 criar uma guerra por causa disso! O conceito de par\u00f3quia est\u00e1 intrinsecamente ligado ao conceito de freguesia. A Hist\u00f3ria diz-nos que foi a Igreja que tra\u00e7ou os limites das par\u00f3quias sobre as quais o Estado criou as freguesias. Ora, perante o Estado, os nossos fi\u00e9is, que s\u00e3o ao mesmo tempo cidad\u00e3os, fazem a defesa intransigente das suas freguesias, mesmo que sejam pequeninas. Neste momento, se quisermos fazer um trabalho que vingue, o Estado tem que ser o iniciador, porque tem autoridade pr\u00f3pria. Seria contraproducente, se a Igreja avan\u00e7asse isoladamente. N\u00f3s temos sempre a possibilidade de tra\u00e7ar uma \u00e1rea pastoral. Eu prefiro isso, sem pormos de lado a necessidade de definirmos o novo conceito de par\u00f3quia.    <b> Ent\u00e3o, at\u00e9 porque os padres n\u00e3o podem nem devem fazer tudo, \u00e9 importante que os leigos descubram a sua voca\u00e7\u00e3o na par\u00f3quia&#8230;<\/b> \u2013 J\u00e1 temos essas duas realidades. E temos alguns sacerdotes idosos que aderiram perfeitamente ao novo modelo de ser padre, que consiste em atender s\u00f3 \u00e0s coisas fundamentais do sacerd\u00f3cio. Costumo dizer que essas coisas s\u00e3o cinco: 1) o padre tem que presidir \u00e0 Eucaristia, e por isso tem que se preparar; 2) tem que explicar correctamente a f\u00e9 contida nas Sagradas Escrituras, e por isso tem que se dedicar muito ao estudo das mesmas; 3) tem que ter tempo para reconciliar (confiss\u00e3o) os fi\u00e9is que o procuram, porque Nosso Senhor concedeu esse dom apenas aos sacerdotes; 4) tem que presidir \u00e0 comunidade dos crentes, que tem muitos minist\u00e9rios, muitos servi\u00e7os, muitas actividades, muitas associa\u00e7\u00f5es, e ele tem que ter a capacidade de fazer a comunh\u00e3o e a unidade dos movimentos de leigos \u2013 s\u00f3 o sacerdote preside \u00e0 comunh\u00e3o, na comunidade; 5) tem alguns sacramentos que para j\u00e1, e porque a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito antiga, ainda \u00e9 ele que tem que os administrar, como \u00e9 o caso da Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos.   <b>A diocese de Viana apresentou h\u00e1 poucos dias os resultados da inventaria\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio art\u00edstico das par\u00f3quias de Viana do Castelo e de Arcos de Valdevez. Porqu\u00ea estes dois arciprestados, e porqu\u00ea s\u00f3 estes dois?<\/b> \u2013 Foi um processo longo, est\u00e1 terminado e, segundo as pessoas respons\u00e1veis da Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Regi\u00e3o Norte (CCDRN), est\u00e1 terminado com qualidade e com grande proveito da verba investida.     J\u00e1 andava h\u00e1 muito tempo preocupado com a inventaria\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio art\u00edstico da diocese, n\u00e3o s\u00f3 do m\u00f3vel mas tamb\u00e9m do im\u00f3vel.  Durante os primeiros anos de vida da diocese, e ela s\u00f3 tem 30, houve alguns esfor\u00e7os mas n\u00e3o sistematizados, levados a cabo por alguns sacerdotes com compet\u00eancia nesta \u00e1rea. Fizeram alguma recolha de dados, mas n\u00e3o em termos de poder ser computorizado e poder ser tratado via t\u00e9cnicas modernas. Entretanto, no \u00e2mbito do III Quadro Comunit\u00e1rio, e porque havia algum dinheiro que ainda n\u00e3o tinha sido utilizado nesta \u00e1rea, a Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Regi\u00e3o Norte convocou os bispos portugueses para ver se est\u00e1vamos dispostos a enfrentar o problema da inventaria\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, contando com um certo apoio econ\u00f3mico do Estado, atrav\u00e9s da CCRN. Pensei duas vezes e parecia-me que era imposs\u00edvel nessa altura, porque estava com duas grandes obras: terminar a Casa Sacerdotal para o clero idoso e\/ou doente, e terminar tamb\u00e9m o audit\u00f3rio, porque a diocese n\u00e3o tinha um sal\u00e3o com capacidade para reunir mais de cem pessoas. Manifestei, ent\u00e3o, a minha relut\u00e2ncia em enveredar por aquele caminho.  Entretanto, a verba que nos ia ser entregue, n\u00e3o dava para inventariar todo o patrim\u00f3nio art\u00edstico m\u00f3vel da diocese. Escolhi um arciprestado central \u2013 Viana do Castelo, com 42 par\u00f3quias, duas das quais s\u00e3o experimentais \u2013, e um arciprestado perif\u00e9rico \u2013 Arcos de Valdevez (com 51 par\u00f3quias) \u2013, mas o maior dos perif\u00e9ricos. Assim, com o invent\u00e1rio do patrim\u00f3nio destas 93 par\u00f3quias, poderia atingir rapidamente uma ter\u00e7a parte da diocese. Depois, conversei com os presidentes das c\u00e2maras municipais de Viana do Castelo e de Arcos de Valdevez, que foram muito atenciosos e disponibilizaram-se para pagar a verba (20 por cento do total do projecto) que competia \u00e0 diocese. E assim, a Igreja de Viana teve a possibilidade de se lan\u00e7ar nesta aventura, que era uma aventura muito grande.  <b> &#8230; E que \u00e9 para continuar&#8230;<\/b> \u2013 Queremos continuar, mas h\u00e1 uma dificuldade. Segundo os respons\u00e1veis, o IV Quadro Comunit\u00e1rio distribui as verbas por al\u00edneas diferentes do anterior. H\u00e1 uma verba para o desenvolvimento cultural, mas n\u00e3o h\u00e1 al\u00edneas que permitam antever se cobrem, ou n\u00e3o, esta \u00e1rea da cultura. Dizem-nos que sim. Se isso acontecer, continuaremos a inventaria\u00e7\u00e3o do resto que falta na diocese; se n\u00e3o, vamos ver se temos capacidade para outra angaria\u00e7\u00e3o de fundos, para continuar o trabalho iniciado em Viana do Castelo e Arcos de Valdevez.   <b> Porqu\u00ea esta crispa\u00e7\u00e3o recente entre o Estado e a Igreja. A situa\u00e7\u00e3o dos capel\u00e3es hospitalares \u00e9 o principal problema? H\u00e1 mais?<\/b> \u2013 Uma vez que este assunto est\u00e1 a ser tratado ao n\u00edvel da c\u00fapula da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, uma vez que j\u00e1 foi dito bastante na comunica\u00e7\u00e3o social, sabendo n\u00f3s que o pr\u00f3prio Governo se sentiu um bocadinho incomodado com esse problema, n\u00e3o \u00e9 minha miss\u00e3o nem criar confus\u00e3o nem impor opini\u00f5es pr\u00f3prias.  Sentimos que estamos a passar um momento em que a seculariza\u00e7\u00e3o est\u00e1 a avan\u00e7ar para \u00e1reas que deveriam ser privadas, como a dimens\u00e3o familiar, a actua\u00e7\u00e3o da Igreja ou das Igrejas, porque n\u00f3s n\u00e3o estamos s\u00f3 a defender a posi\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica mas todas as express\u00f5es religiosas, j\u00e1 que a dimens\u00e3o religiosa e a dimens\u00e3o familiar s\u00e3o um direito fundamental da pessoa humana.  O problema dos capel\u00e3es hospitalares, como poderia ser o problema dos capel\u00e3es militares e das casas de reclus\u00e3o ou cadeias, e at\u00e9 o problema dos professores de Religi\u00e3o e Moral \u2013 tudo isto s\u00e3o \u00e1reas em que o Estado tem uma fun\u00e7\u00e3o, mas, na forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da f\u00e9 e na forma\u00e7\u00e3o total da pessoa humana, as institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam a seu cargo esta dimens\u00e3o tamb\u00e9m t\u00eam uma palavra a dizer. Portanto, parece-me mal que qualquer das partes n\u00e3o esteja atenta \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es da outra parte.  Pareceu-nos que estavam a ser preparadas algumas leis que manifestavam desconhecimento completo da fun\u00e7\u00e3o e do lugar da Igreja em todo este campo. Mas, a Igreja continua a ser solicitada para colaborar nas iniciativas do Estado, nas coisas mais variadas. Ainda parece ser o meio para que qualquer minist\u00e9rio, ministro ou secret\u00e1rio de Estado chegue rapidamente aos seus destinat\u00e1rios. Recebemos imensas circulares.  Quer dizer, parece n\u00e3o haver coer\u00eancia, porque quando queremos trabalhar parece que querem fechar todas as portas, mas para nos pedir servi\u00e7os, na previd\u00eancia social, nas IPSS, no apoio a ofert\u00f3rios ou pedit\u00f3rios para hospitais, etc., n\u00f3s somos pedra base solicitada para colaborar. N\u00e3o digo que \u00e9 assim, mas parece&#8230;   <i>Entrevista conduzida por Jos\u00e9 Miguel Pereira  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao Bispo de Viana do Castelo, diocese criada h\u00e1 30 anos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[127,147,182,206,237,246,268,280,285,292,294],"class_list":["post-27981","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-catequese","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-nova-evangelizacao","tag-pastoral-juvenil","tag-patrimonio","tag-religiosidade-popular","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27981\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}