{"id":27959,"date":"2007-11-02T17:15:50","date_gmt":"2007-11-02T17:15:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/11\/02\/portugal-menos-cristao\/"},"modified":"2007-11-02T17:15:50","modified_gmt":"2007-11-02T17:15:50","slug":"portugal-menos-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-menos-cristao\/","title":{"rendered":"Portugal menos crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>D. Jorge Ortiga, presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, perspectiva encontro com Bento XVI no Vaticano <!--more--> A viagem que os Bispos de Portugal realizam ao Vaticano, neste m\u00eas de Novembro, \u00e9 a primeira do novo mil\u00e9nio. Desde 1999, data da \u00faltima visita Ad limina, muita coisa mudou na vida das v\u00e1rias diocese do pa\u00eds, na Igreja e no mundo. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, D. Jorge Ortiga, presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, perspectiva este encontro hist\u00f3rico com Bento XVI.  <i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 Como \u00e9 que o Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) ir\u00e1 descrever os trabalhos pastorais da Igreja nos \u00faltimos anos? D. Jorge Ortiga (JO) \u2013<\/i> A imagem da igreja portuguesa \u00e9 aquela que cada bispo levar\u00e1 da sua diocese. Uma visita Ad limina \u00e9 um contacto de cada diocese com o Papa e com os dicast\u00e9rios romanos. H\u00e1 um relat\u00f3rio que apresenta, essencialmente, as preocupa\u00e7\u00f5es e anseios de cada diocese. Estes integram-se no conjunto de todo este pa\u00eds. Penso que h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o de todas as dioceses: a Igreja em Portugal ter\u00e1 que apostar num modo mais convincente na evangeliza\u00e7\u00e3o. Reconhecemo-nos um pa\u00eds maioritariamente cat\u00f3lico, mas com necessidade de uma f\u00e9 mais personalizada. N\u00e3o esquecemos o programa escolhido pela CEP  para este tri\u00e9nio, &#8220;reflectir sobre a transmiss\u00e3o da f\u00e9 nestes tempos de mudan\u00e7a&#8221;. Este tema conduz-nos a uma reflex\u00e3o sobre o n\u00famero de sacerdotes e as voca\u00e7\u00f5es para suscitar um esp\u00edrito de maior corresponsabilidade dentro de cada uma das dioceses. A Igreja em Portugal ter\u00e1 que olhar, com serenidade e calma, para determinadas zonas e aspectos da vida portuguesa que est\u00e3o a afastar-se de modo claro da mensagem crist\u00e3.  <i>AE \u2013 Perante este cen\u00e1rio, os bispos portugueses levar\u00e3o um semblante carregado ou sorrisos quando apresentarem as suas dioceses? JO \u2013<\/i> \u00c9 dif\u00edcil de dizer, mas vamos com muita esperan\u00e7a. Na mensagem enviada a Bento XVI disse que sentimo-nos servos da esperan\u00e7a. Reconhecemos as sombras e os contrastes da sociedade e tamb\u00e9m da igreja portuguesa, mas descortinamos esta esperan\u00e7a que nos faz acreditar num futuro de mais interven\u00e7\u00e3o e de mais interpela\u00e7\u00e3o da igreja em Portugal.  <i>AE \u2013 Ao afirmar que nem tudo est\u00e1 bem, nota insufici\u00eancias pastorais? JO \u2013<\/i> Os crist\u00e3os, minimamente conscientes, sentem-se insatisfeitos. H\u00e1 uma ruptura entre a cultura (tanto do povo simples como do mundo universit\u00e1rio) e a f\u00e9. Este dado inquieta-nos muito. O indiferentismo religioso e o fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o que invadem os costumes e tradi\u00e7\u00f5es preocupam-nos. Apesar destas lacunas, acreditamos que Cristo \u00e9 o fermento para uma sociedade mais fraterna e evang\u00e9lica.  <i>AE \u2013 As estat\u00edsticas dizem que cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o portuguesa \u00e9 cat\u00f3lica. Todavia,  apenas um quinto (cerca de 2 milh\u00f5es) \u00e9 que participa nas Eucaristias. Os portugueses s\u00e3o \u201ccat\u00f3licos n\u00e3o praticantes\u00bb? JO \u2013<\/i> Actualmente, h\u00e1 um conceito diferente de pr\u00e1tica religiosa. Evidentemente que n\u00e3o devia haver crist\u00e3o nenhum sem a frequ\u00eancia da Eucaristia Dominical. No entanto, temos de reconhecer que alguns dizem-se cat\u00f3licos, mas depois n\u00e3o frequentam. N\u00e3o manifestam a alegria do encontro com a comunidade. Outros est\u00e3o impossibilitados de o fazer por causa do trabalho, pela idade ou doen\u00e7a. H\u00e1 uma grande franja da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 impossibilitada de participar na Eucaristia Dominical.  <i>AE \u2013 As \u00abnovas catedrais\u00bb do consumo n\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m concorrentes de peso? JO \u2013<\/i> N\u00e3o estou a arranjar desculpas. Sei que h\u00e1 casais que preferem esse estilo de vida, mas sei tamb\u00e9m que muitos casais v\u00e3o \u2013 uma vez ou outra \u2013 aos santu\u00e1rios.   <i>AE \u2013 Cat\u00f3licos de santu\u00e1rios, de peregrina\u00e7\u00f5es e de romarias? JO \u2013<\/i> Tamb\u00e9m. Portugal conserva as suas tradi\u00e7\u00f5es com muito ardor e entusiasmo. As prociss\u00f5es\/peregrina\u00e7\u00f5es continuam a congregar muitas pessoas. \u00c9 importante que estas sejam espa\u00e7os de celebra\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo, de evangeliza\u00e7\u00e3o.  <i>AE \u2013 Evangelizar a Religiosidade Popular? JO \u2013<\/i> \u00c9 urgente porque temos imensas festas pelo pa\u00eds. \u00c9 um desafio que se coloca \u00e0 Igreja Portuguesa.  <b>Rasgar caminhos<\/b> <i>AE \u2013 Descobriram os \u00abperigos\u00bb destes fen\u00f3menos contempor\u00e2neos. N\u00e3o chegou a altura de utilizarem novas linguagens e novos m\u00e9todos evang\u00e9licos? JO \u2013<\/i> Neste preciso momento, a Igreja ter\u00e1 que apresentar a sua verdadeira identidade. Nos tempos que correm &#8211; numa sociedade que se diz agn\u00f3stica e ateia -, esta diferen\u00e7a  ter\u00e1 que resplandecer. O grande desafio est\u00e1 voltado para dentro, mas com a consci\u00eancia que \u00e9 fundamental utilizar metodologias novas para penetrar nos dinamismos e op\u00e7\u00f5es das pessoas que est\u00e3o fora.   <i>AE \u2013 Nestes tempos essa \u00abidentidade diferente\u00bb \u00e9 convincente? O \u00abproduto\u00bb n\u00e3o dever\u00e1 ser apresentado com uma \u00abroupagem nova\u00bb? JO \u2013<\/i> N\u00e3o podemos enganar ningu\u00e9m. A identidade da Igreja est\u00e1 no Evangelho.  Por outro lado, levamos a Roma a alegria de termos um \u00abAno Paulino\u00bb e, simultaneamente, um S\u00ednodo sobre a Palavra. Talvez, a Igreja em Portugal tenha a necessidade de se auto-evangelizar para poder evangelizar. O Evangelho, como Boa Nova de Cristo, \u00e9 de ontem, hoje e sempre. A Igreja n\u00e3o pode colocar uma \u00abroupagem nova\u00bb, mas compreender os seus conte\u00fados de forma aut\u00eantica e profunda.   <i>AE \u2013 Ao referir-se \u00e0 \u00abAuto-evangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb, pensa que os crist\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o evangelizados? JO \u2013<\/i> Sem d\u00favida nenhuma. Penso que poucos (talvez nenhum) se sentem verdadeiramente possu\u00eddos pela mensagem de Jesus Cristo. Este \u00e9 um desafio para bispos, sacerdotes, religiosos\/as e leigos. \u00c9 um confronto permanente que nos coloca perante a Boa Nova.  <i>AE \u2013 N\u00e3o falta alegria aos crist\u00e3os? Os chamados rostos pascais&#8230; JO \u2013 Infelizmente sim. Temos que repor nas pessoas uma f\u00e9 libertadora e que suscite um espirito de Ressurrei\u00e7\u00e3o e de Aleluia. O cristianismo \u00e9 a religi\u00e3o do amor e da alegria.  <i>AE \u2013<\/i> Com o novo \u00abMotu Proprio\u00bb de Bento XVI n\u00e3o haver\u00e1 o perigo de promovermos o lado enigm\u00e1tico da celebra\u00e7\u00e3o com o uso do Latim? JO \u2013<\/i> Existiram m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es deste \u00abMotu Proprio\u00bb. Bento XVI diz que o Latim pode ser usado \u2013 nalgumas ocasi\u00f5es -, mas n\u00e3o \u00e9 o rito habitual. Em termos de m\u00fasica, o gregoriano est\u00e1 na moda&#8230;  <i>AE \u2013  Se as celebra\u00e7\u00f5es forem em Latim n\u00e3o afastam as pessoas? JO \u2013<\/i> As celebra\u00e7\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o em Latim&#8230; S\u00f3 em casos excepcionais.  <i>AE \u2013 A Igreja est\u00e1 a potencializar os Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social que possui? JO \u2013<\/i> Nunca estamos satisfeitos. As estruturas existem&#8230; No entanto era essencial que os crist\u00e3os estivessem mais presentes neste mundo da Comunica\u00e7\u00e3o Social.  <b>Ouvir o Papa<\/b> <i>AE \u2013 Antes da entrega dos relat\u00f3rios, existiram conversas preliminares com os bispos das outras dioceses? JO \u2013<\/i> N\u00e3o existiram encontros preparat\u00f3rios ou de reflex\u00e3o. A visita \u00e9 com cada um dos bispos e cada um deles \u00e9 que faz o seu relat\u00f3rio anual e quinquenal. Depois confrontamo-nos com as principais coordenadas, que, suponho, s\u00e3o id\u00eanticas em todas as dioceses.  <i>AE \u2013 Ent\u00e3o s\u00f3 Bento XVI e os v\u00e1rios dicast\u00e9rios \u00e9 que sabem a imagem que aparece no \u00abpuzzle\u00bb da Igreja Portuguesa? JO \u2013<\/i> N\u00e3o. Cada Congrega\u00e7\u00e3o tem conhecimento daquilo que os bispos reconhecem de positivo e negativo. Depois, estas fazem as suas s\u00ednteses e alertar\u00e3o para algumas realidades. Posteriormente, o Papa deixar\u00e1 um discurso program\u00e1tico fundamentado nas ideias reflectidas pelos diversos dicast\u00e9rios.  <i>AE \u2013 Ser\u00e1 um discurso program\u00e1tico, mas para executar? JO \u2013<\/i> Evidentemente. Depois de lido, iremos esmiu\u00e7\u00e1-lo e traz\u00ea-lo para o nosso quotidiano.  <i>AE \u2013 Os bispos nas suas dioceses ou a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa? JO \u2013<\/i> As duas coisas. A pr\u00f3xima assembleia plen\u00e1ria debru\u00e7ar-se-\u00e1 sobre o discurso que Bento XVI nos far\u00e1. Depois, cada bispo na sua diocese ir\u00e1 dar-lhe a concretiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.  <i>AE \u2013 Est\u00e1 a imaginar um discurso com advert\u00eancias e elogios do Papa aos bispos portugueses? JO \u2013<\/i> Vamos de cora\u00e7\u00e3o aberto e com uma intelig\u00eancia capaz de entender o seu discurso. Se forem advert\u00eancias s\u00e3o advert\u00eancias. Se forem est\u00edmulos s\u00e3o est\u00edmulos. Se forem louvores s\u00e3o louvores&#8230; Como sucessores dos ap\u00f3stolos estamos empenhados na mesma aventura e com a consci\u00eancia de que nem tudo est\u00e1 bem. Apesar de tudo, notamos que existe caminho e somos fi\u00e9is \u00e0 Igreja de Roma.  <b>Trabalho de equipa<\/b> <i>AE \u2013 Quando elaborou o relat\u00f3rio para a visita Ad limina consultou os arciprestes e respons\u00e1veis pelas diversas \u00e1reas de pastoral? JO \u2013<\/i> O relat\u00f3rio \u00e9 feito a partir do trabalho dos arciprestes e dos vig\u00e1rios das respectivas \u00e1reas. \u00c9 um relat\u00f3rio anual, onde os n\u00fameros e os dados s\u00e3o fornecidos pelas estruturas interm\u00e9dias. Da nossa parte, \u00e9 um recolher e formular \u2013 com cunho pessoal \u2013 aquilo que os outros afirmam e dizem.  <i>AE \u2013 Os bispos auxiliares tamb\u00e9m s\u00e3o consultados? JO \u2013<\/i> S\u00e3o consultados e participam nessa elabora\u00e7\u00e3o. Estar\u00e3o presentes, comigo, nos diversos encontros em Roma.  <i>AE \u2013 Ent\u00e3o, ter\u00e3o uma palavra activa? JO \u2013<\/i> Com toda a certeza. Alguns deles fazem parte das diversas comiss\u00f5es. No encontro pessoal com Bento XVI ter\u00e3o uma palavra a dizer.  <i>AE \u2013 O pastor deve estar pr\u00f3ximo do seu rebanho. N\u00e3o seria prefer\u00edvel existirem mais dioceses e menos bispos auxiliares? JO \u2013<\/i> N\u00e3o podemos estar no trono como antigamente. Temos de ir ao encontro do povo e sair dos gabinetes. A divis\u00e3o das dioceses pode facilitar ou n\u00e3o.   <i>AE \u2013 \u00c9 a favor ou n\u00e3o da reorganiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio eclesial? JO \u2013<\/i> Nalguns casos sim. No momento oportuno isso poder\u00e1 acontecer.  <b>Jovens e fam\u00edlia<\/b> <i>AE \u2013  A pastoral est\u00e1 dividida por diversos sectores. Olhando para a Pastoral Juvenil pode apontar os \u00abOutonos\u00bb e as \u00abPrimaveras\u00bb deste sector espec\u00edfico? JO \u2013<\/i> A \u00abPrimavera\u00bb est\u00e1 no surgimento de diversos movimentos com carismas diferentes que congregam multid\u00f5es de jovens. Os grupos existentes nas par\u00f3quias portuguesas indicam-nos que a juventude n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o longe de Cristo como poder\u00edamos pensar e imaginar. Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer este \u00abOutono\u00bb: A Igreja em Portugal ainda n\u00e3o teve capacidade para delinear um programa catequ\u00e9tico b\u00e1sico para todos esses grupos e movimentos. Um programa que fosse capaz de integrar a diversidade na unidade. Os movimentos t\u00eam a sua espiritualidade e forma\u00e7\u00e3o, mas necessitariam de um sentido com mais unidade.  <i>AE \u2013  Mas a Igreja prop\u00f5e um itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico de dez anos. JO \u2013<\/i> Termina quando os jovens t\u00eam cerca de 16\/17 anos. Termina \u2013 em grande parte das dioceses &#8211; quando se celebra o Sacramento do Crisma. Este deveria significar n\u00e3o apenas a celebra\u00e7\u00e3o de um sacramento, de \u00edndole mais ou menos social, mas uma op\u00e7\u00e3o por Cristo e uma integra\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel na Igreja atrav\u00e9s de servi\u00e7os nos diversos minist\u00e9rios paroquiais.  <i>AE \u2013 Todos os anos s\u00e3o crismados milhares de jovens. Como n\u00e3o s\u00e3o aproveitados, \u00e9 uma esp\u00e9cie \u00abcheck-in\u00bb para sa\u00edrem da Igreja? JO \u2013<\/i> \u00c9 uma das nossas dificuldades. Temos de nos interrogar. Temos de alterar a metodologia. Pessoalmente, estou convencido de que vale a pena todo este itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico porque \u00e9 algo que se semeia. Mais tarde ou mais cedo, eles voltar\u00e3o.  <i>AE \u2013 Na Pastoral Escolar, a Igreja Portuguesa est\u00e1 a sentir tamb\u00e9m dificuldades inesperadas? JO \u2013<\/i> S\u00e3o dificuldades que teremos que ultrapassar. As aulas de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica (EMRC) s\u00e3o colocadas em hor\u00e1rios nem sempre mais convenientes e oportunos. Como s\u00e3o opcionais, a juventude prefere os momentos de liberdade. No entanto, a Pastoral Escolar n\u00e3o poder\u00e1 estar apenas ligada \u00e0s aulas de EMRC. Temos de encontrar algo que envolva mais os jovens e a comunidade educativa (professores e funcion\u00e1rios).  \u00c9 fundamental dar o salto e entrar tamb\u00e9m na Pastoral Universit\u00e1ria que \u00e9 desafiada pelo mesmo problema.  <i>AE \u2013 Como a Igreja prop\u00f5e valores, o mundo escolar \u00e9 uma aposta urgente? JO \u2013<\/i> Os professores de EMRC t\u00eam forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria (habilita\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria) e est\u00e3o atentos \u00e0 dimens\u00e3o transversal da educa\u00e7\u00e3o. Uma aula de EMRC n\u00e3o \u00e9 uma aula de catequese. Deve situar-se num processo de forma\u00e7\u00e3o, como resposta crist\u00e3 \u00e0s quest\u00f5es que surgem na sociedade.  <i>AE \u2013 Com est\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es dialogais entre a fam\u00edlia e a Igreja? JO \u2013<\/i> Encontramos fam\u00edlias profundamente empenhadas \u2013 muitas surpreendem-nos com o seu esp\u00edrito de viv\u00eancia \u2013 mas tamb\u00e9m temos tamb\u00e9m o oposto. A Igreja ter\u00e1 que trabalhar muito mais na prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio. N\u00e3o s\u00f3 a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima mas tamb\u00e9m a remota. A Igreja n\u00e3o poder\u00e1 limitar-se \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos. \u00c9 urgente acompanhar, de forma mais pr\u00f3xima, os casais jovens.   <i>AE \u2013 Actualmente, ser\u00e1 que o Sacramento do Matrim\u00f3nio n\u00e3o \u00e9 apenas uma festa social? JO \u2013<\/i> Muitos preferem ter o casamento pela igreja porque \u00e9 mais bonito. Depois tudo \u00e9 colocado de lado e algumas vezes aparece o div\u00f3rcio. Por outro lado, tamb\u00e9m temos casais que se prepararam e vivem aquele sacramento.   <i>AE \u2013 S\u00e3o casais crist\u00e3os, mas que votam a favor do aborto? JO \u2013<\/i> Pode acontecer. No entanto n\u00e3o podemos esquecer o trabalho feito pelos casais na campanha do aborto.  <i>AE \u2013 \u00c9 compreens\u00edvel ser crist\u00e3o e votar a favor do aborto? JO \u2013<\/i> Evidentemente que n\u00e3o. O casal crist\u00e3o sabe a doutrina que professa e sabe que esta \u00e9 pela vida. Temos de condenar o erro, mas aceitar a pessoa.   <b>Igreja e sociedade<\/b> <i>AE \u2013 A Pastoral Social \u00e9 um dos rostos mais vis\u00edveis da Igreja Portuguesa. No entanto, as pessoas est\u00e3o descontentes com algumas medidas governamentais e a hierarquia da Igreja j\u00e1 levou essa preocupa\u00e7\u00e3o ao Primeiro-Ministro. Sente que os pol\u00edticos ouvem a voz da Igreja? JO \u2013<\/i> Ningu\u00e9m ignora que a Igreja foi, at\u00e9 h\u00e1 pouco, talvez a \u00fanica que se interessou pelos pobres e pelos mais necessitados. A Igreja tomou v\u00e1rias iniciativas e procurou alertar para os problemas da pobreza, marginalidade, crimes, explora\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o. A Igreja esteve sempre do lado dos mais pobres. Faz parte da miss\u00e3o da Igreja. Nos \u00faltimos tempos, tem crescido uma maior interven\u00e7\u00e3o por parte do Estado nessa \u00e1rea. T\u00eam surgido dificuldades por outros que pretendem ocupar esse espa\u00e7o.  <i>AE \u2013 Porque \u00e9 que os outros querem ocupar esse espa\u00e7o que a Igreja ocupava e onde desempenhava servi\u00e7os merit\u00f3rios? JO \u2013<\/i> Os Papas falam numa Igreja perita em humanidade. Se, amanh\u00e3, n\u00e3o existir fome neste pa\u00eds \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 verdade \u2013 se n\u00e3o existir desemprego \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 verdade \u2013 ficar\u00edamos satisfeitos. H\u00e1 muito trabalho para fazer na viv\u00eancia das obras de miseric\u00f3rdia. \u00c9 fundamental olhar para o fen\u00f3meno da solid\u00e3o.   <i>AE \u2013 Depois destas den\u00fancias como est\u00e1 o relacionamento Igreja\/Estado? JO \u2013<\/i> Estamos de acordo com a Lei da Liberdade Religiosa. No entanto esperamos, ansiosamente, que a Concordata seja regulamentada em alguns pontos para evitar tantas coisas que est\u00e3o a surgir.  <i>AE \u2013 O caso dos capel\u00e3es hospitalares \u00e9 um deles? JO \u2013<\/i> S\u00e3o muitos casos que nos obrigam a estar atentos. Neste momento, continuo a acreditar na boa vontade do governo e dos diversos minist\u00e9rios. N\u00e3o quero ofender ningu\u00e9m &#8211; tamb\u00e9m n\u00e3o posso ser ing\u00e9nuo \u2013, mas existem muitos quadros interm\u00e9dios que dificultam as palavras dos ministros. H\u00e1 interfer\u00eancias que dificultam esta caminhada.  <i>AE \u2013 O que fazer para eliminar os obst\u00e1culos desta caminhada? JO \u2013<\/i> Estarmos atentos e dispon\u00edveis para o di\u00e1logo.  <i>AE \u2013 Levar\u00e3o essas dificuldades \u2013 regulamenta\u00e7\u00e3o de alguns pontos da Concordata \u2013 a Bento XVI? JO \u2013<\/i> N\u00e3o, mas se surgir alguma conversa falaremos. No entanto, digo que a quest\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da Concordata estar\u00e1 presente nas nossas conversas.  <i>AE \u2013 Conversas com Bento XVI? JO \u2013<\/i> \u00c9 prov\u00e1vel. N\u00e3o queria estar a antecipar os discursos.  <i>AE \u2013 O conceito \u00ablaicismo\u00bb est\u00e1 em voga. A Igreja tem de descobrir novos caminhos para ultrapassar os \u00abismos\u00bb contempor\u00e2neos. JO \u2013<\/i> Gostava que existisse uma interpreta\u00e7\u00e3o de uma laicidade justa.  <i>AE \u2013 O que significa uma laicidade justa? JO \u2013<\/i> Significa uma separa\u00e7\u00e3o entre dois poderes. O Estado pode ser laico, mas a sociedade portuguesa n\u00e3o \u00e9 laica. Os portugueses dizem-se maioritariamente cat\u00f3licos. Para al\u00e9m do catolicismo, existem outros fen\u00f3menos religiosos. Isto n\u00e3o pode ser destru\u00eddo por meia d\u00fazia de pessoas. O laicismo protagonizado por pequenos grupos n\u00e3o pode impedir a laicidade justa. Se alguns n\u00e3o acreditam na dimens\u00e3o transcendental do homem n\u00e3o a podem negar nem obstruir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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