{"id":279553,"date":"2023-04-23T09:30:06","date_gmt":"2023-04-23T08:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=279553"},"modified":"2023-04-21T15:51:38","modified_gmt":"2023-04-21T14:51:38","slug":"historia-quando-falamos-do-25-de-abril-falamos-de-um-grande-processo-de-mutacao-antonio-matos-ferreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/historia-quando-falamos-do-25-de-abril-falamos-de-um-grande-processo-de-mutacao-antonio-matos-ferreira\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria: \u00abQuando falamos do 25 de Abril, falamos de um grande processo de muta\u00e7\u00e3o\u00bb &#8211; Ant\u00f3nio Matos Ferreira"},"content":{"rendered":"<p><em>O Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa est\u00e1 a desenvolver um projeto de investiga\u00e7\u00e3o sobre o 25 de Abril, procurando novas abordagens sobre o tema. Ant\u00f3nio Matos Ferreira, historiador, \u00e9 o investigador respons\u00e1vel pelo projeto e convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_279576\" aria-describedby=\"caption-attachment-279576\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-279576 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4308-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-279576\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2018<em>25 de Abril: perman\u00eancias, ruturas e recomposi\u00e7\u00f5es\u2019 \u00e9 o nome do projeto que procura suscitar novas reflex\u00f5es entre investigadores, no \u00e2mbito da Hist\u00f3ria Religiosa Contempor\u00e2nea. Quando come\u00e7ou este trabalho, na Universidade Cat\u00f3lica, e como tem decorrido, at\u00e9 ao momento? <\/em><\/p>\n<p>Ele inscreve-se dentro do \u00e2mbito dos estudos que o Centro realiza, nomeadamente relativamente \u00e0 \u00e9poca contempor\u00e2nea. Deu os seus primeiros passos em 2021, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o dois anos. O que n\u00f3s realizamos, at\u00e9 agora, foram semin\u00e1rios mensais com regularidade, convidando investigadores que mais recentemente t\u00eam trabalhado tem\u00e1ticas e \u00e1reas que dizem respeito ao per\u00edodo dos anos 50 e 60 do s\u00e9culo passado. S\u00e3o, digamos assim, os antecedentes da revolu\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m temos participado em col\u00f3quios, apresentando comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mais significativas foram as jornadas que realizamos sobre a problem\u00e1tica da descoloniza\u00e7\u00e3o, porque um dos fil\u00f5es da nossa armatura do projeto s\u00e3o os c\u00e9lebres \u20183 D\u2019: descoloniza\u00e7\u00e3o, democracia e desenvolvimento. Nestes anos, procuramos cruzar investigadores, tendo a aten\u00e7\u00e3o para aqueles mais novos, mais recentes nos seus trabalhos, que at\u00e9 t\u00eam algumas vantagens, uma certa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nessa perspetiva \u00e9\u00a0importante a colabora\u00e7\u00e3o, no plano acad\u00e9mico, com a comiss\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos do 25 de Abril?<\/em><\/p>\n<p>Sim, desde o in\u00edcio. Com a atual comiss\u00e1ria (Maria In\u00e1cia Rezola), que \u00e9 nossa colega e que h\u00e1 muitos anos tamb\u00e9m colabora com o Centro, que conhecemos de h\u00e1 muito tempo, bem como aos membros da sua equipa. Tamb\u00e9m temos pessoas do Centro que t\u00eam dado contributos, a algumas iniciativas da Comiss\u00e3o. Mas essa colabora\u00e7\u00e3o tinha- se iniciado j\u00e1 com o Pedro Ad\u00e3o e Silva, quando ele era o comiss\u00e1rio. Portanto, desde o in\u00edcio tem havido uma boa rece\u00e7\u00e3o da parte de quem est\u00e1 respons\u00e1vel pelas comemora\u00e7\u00f5es do 25 de Abril; da nossa parte, a colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente importante, porque n\u00e3o nos circunscrevemos \u00e0 problem\u00e1tica comemorativa: os nossos objetivos n\u00e3o s\u00e3o comemorar, mas repensar com elementos que introduzem contradit\u00f3rio, que introduzem novas perspetivas e que, de alguma maneira, procuram considerar n\u00e3o s\u00f3 o que foi alcan\u00e7ado com a revolu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m aquilo que, de certa maneira, foi \u201cabandonado&#8221;. Porque o 25 de Abril, de uma maneira geral \u2013 tenha-se as posi\u00e7\u00f5es que se tiver &#8211; diz respeito a considera\u00e7\u00f5es de paradigmas: paradigma de que era uma sociedade, do que era ter col\u00f3nias, do que era a viver com uma determinada perspetiva sobre o mundo, e essa mudan\u00e7a. Portanto, houve efetivamente ruturas, mas tamb\u00e9m houve resist\u00eancias. Temos de perceber que nas sociedades, independentemente de ser a portuguesa e o 25 de Abril, as ruturas implicam sempre que se consideram as resist\u00eancias. Porque a consist\u00eancia daquilo que emerge de novo tem muito a ver de onde se vem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como respons\u00e1vel pelo projeto, apontou a um trabalho que ultrapasse o que designou como \u201c<\/em><em>um revisionismo hist\u00f3rico\u201d. <\/em><em>\u00c9 poss\u00edvel encontrar novas leituras, passados quase 50 anos sobre a Revolu\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 importante, por duas raz\u00f5es fundamentais. Um dos grandes perigos do conhecimento hist\u00f3rico \u00e9 fornecer &#8211; mais do que at\u00e9 a quest\u00e3o revisionista &#8211; falsas imag\u00e9ticas que alimentam a atualidade das pessoas. Portanto, todas as pessoas t\u00eam uma ideia hoje em Portugal e at\u00e9 fora de Portugal do que foi o 25 de Abril, mas muitas vezes essas imag\u00e9ticas est\u00e3o condicionadas &#8211; quando n\u00e3o contaminadas. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma disciplina que diz o que \u00e9 verdade, mas \u00e9 uma disciplina que estimula a busca da verdade, sobretudo atrav\u00e9s da diversidade das abordagens, do que v\u00ea. Provavelmente, os investigadores quando v\u00eam um documento tem leituras distintas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pode parecer surpreendente que, com menos de 50 anos, haja leituras cristalizadas de um acontecimento\u2026<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 porque, como lhe disse, essas leituras n\u00e3o s\u00e3o exatamente de natureza hist\u00f3rica, elas est\u00e3o muito contaminadas pelos posicionamentos. Por exemplo, n\u00f3s normalmente falamos dos que vencem. A hist\u00f3ria tem muito o discurso dos que vencem, mas houve muita gente que nas v\u00e1rias realidades e momentos se sentiram vencidos, derrotados. E isso \u00e9 muito importante compreender a complexidade, porque nos permite tamb\u00e9m aquilatar de certos aspetos do que se passa depois do 25 de Abril. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 exatamente a mem\u00f3ria, mas \u00e9 a hermen\u00eautica sobre as mem\u00f3rias e essa hermen\u00eautica sobre as mem\u00f3rias permite-nos, por exemplo perceber melhor o todo. Por exemplo, um pa\u00eds n\u00e3o passa a ser democr\u00e1tico imediatamente de um dia para o outro. 25 de Abril \u00e9 um dia, mas quando falamos do 25 de Abril, falamos de um grande processo de muta\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0A imagem da Igreja Cat\u00f3lica tem estado, habitualmente, associada ao Estado Novo e ao seu regime. Como dar espa\u00e7o para as hist\u00f3rias dos cat\u00f3licos que promoveram a transi\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no 25 de Abril? <\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma \u00e1rea muito interessante, que\u00a0n\u00e3o toca s\u00f3 o problema da Igreja Cat\u00f3lica enquanto institui\u00e7\u00e3o e elemento de articula\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria ao n\u00edvel do religioso. O cat\u00f3lico \u00e9 membro de uma sociedade, poder\u00edamos dizer, o cat\u00f3lico \u00e9 um cidad\u00e3o. Ningu\u00e9m nasce com\u00a0ideias totalmente definidas, mesmo se o ambiente familiar favore\u00e7a mais ou menos. A quest\u00e3o da Igreja e dos cat\u00f3licos, que no fundo s\u00e3o a base da Igreja, pois a Igreja \u00e9 uma refer\u00eancia que n\u00f3s damos e \u00e0s vezes engloba tudo e mais alguma coisa&#8230;.<\/p>\n<p>Em\u00a0primeiro lugar, \u00e9 preciso que os cat\u00f3licos percebam uma coisa: o regime do Estado Novo foi, em grande medida, um regime que se implantou com a direta colabora\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos e n\u00e3o s\u00f3. \u00c9 um regime de compromisso entre os republicanos moderados, fa\u00e7\u00f5es da ma\u00e7onaria &#8211; mesmo se ela depois \u00e9 extinta, n\u00e3o deixou necessariamente de funcionar em certos \u00e2mbitos porque as lideran\u00e7as, sobretudo at\u00e9 entre os militares, existiam, nos anos 30, nos anos 40 e mesmo nos anos 50. Portanto, esse regime de compromisso envolve toda essas estruturas e tamb\u00e9m os cat\u00f3licos, porque os cat\u00f3licos tiveram uma elabora\u00e7\u00e3o da sua mem\u00f3ria sobre a Rep\u00fablica como a Igreja perseguida. Foram narrativas que sustentaram o Estado Novo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E os cat\u00f3licos eram a maior parte da sociedade, ali\u00e1s, numericamente pelo menos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Claro. O universo cat\u00f3lico tem de perceber que isso existia e, portanto, quando dizem que a Igreja Cat\u00f3lica tinha coniv\u00eancias com o Estado Novo, \u00e9 \u00f3bvio que tinha. H\u00e1 muitas das caracter\u00edsticas do Estado Novo, porque a Igreja Cat\u00f3lica, enquanto autoridade eclesi\u00e1stica e representantes laicais, n\u00e3o se op\u00f4s inicialmente, mesmo se houve sempre alguma resist\u00eancia de alguns setores &#8211; a resist\u00eancia n\u00e3o come\u00e7ou nos anos 60, at\u00e9 porque muitos desses cat\u00f3licos reivindicavam ra\u00edzes anteriores.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 feita por sucess\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es e, a seguir \u00e0 II Guerra Mundial, emerge uma gera\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica e, sobretudo, os setores oper\u00e1rios e os setores universit\u00e1rios s\u00e3o extremamente importantes para perceber o terreno onde vai emergir uma lenta e clara oposi\u00e7\u00e3o ao regime. Essa oposi\u00e7\u00e3o gira em torno de duas coisas: da exig\u00eancia de elei\u00e7\u00f5es livres e da quest\u00e3o colonial, que vai ser depois a grande quest\u00e3o. A problem\u00e1tica do desenvolvimento j\u00e1 tinha sido encabe\u00e7ada por aquilo que se chama gera\u00e7\u00e3o tecnocrata cat\u00f3lica, nos anos 50 e 60, portanto, o mundo cat\u00f3lico pela natureza que tinha, era um mundo que estava muito motivado \u2013 ap\u00f3s a II Guerra Mundial &#8211; para uma maior abertura: h\u00e1 encontros internacionais de intelectuais, encontros internacionais dos movimentos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Falo da perce\u00e7\u00e3o de que era importante abrir Portugal. Isso entrou em conflito claro com o problema da chamada evolu\u00e7\u00e3o do regime. Inclusivamente no final dos anos 40, \u00e9 sabido que ter\u00e1 havido por parte, inclusivamente, da autoridade eclesi\u00e1stica tentativas de &#8211; como aconteceu nalguns pa\u00edses na Europa &#8211; de aparecer uma democracia crist\u00e3 em Portugal, s\u00f3 que isso estava bloqueado numa perce\u00e7\u00e3o de que o regime se fundava no Partido \u00danico e na Uni\u00e3o Nacional. O problema n\u00e3o \u00e9 unidade nacional, era a Uni\u00e3o Nacional.<\/p>\n<p>Isto come\u00e7a a ser rompido por certas figuras, como \u00e9 o caso dos bispos Ferreira Gomes (Porto), ou Sebasti\u00e3o Soares de Resende (Beira, Mo\u00e7ambique), e depois de lideran\u00e7as da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Isso teria de ser estudado, mas havia quem dissesse que um dos motivos para que a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica n\u00e3o aparecesse na Concordata \u00e9 que Salazar teria receio de que essa institui\u00e7\u00e3o fosse a base da cria\u00e7\u00e3o de um outro partido. E se ele existisse, de alguma maneira, retiraria \u00e0 Uni\u00e3o Nacional &#8211; em que estavam cat\u00f3licos, ma\u00e7ons e republicanos conservadores &#8211; o apoio do setor cat\u00f3lico.<\/p>\n<p>O setor cat\u00f3lico come\u00e7a a ter dissid\u00eancias internas. O importante foi n\u00e3o s\u00f3 a dissid\u00eancia, mas &#8211; sobretudo a partir de Humberto Delgado- o crescendo, haver sectores que passaram a ser oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E houve muitos padres e leigos que foram expulsos ou estiveram presos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, num Estado autorit\u00e1rio de partido \u00fanico, em que a lei est\u00e1 subordinada ao Estado policial, a repress\u00e3o \u00e9 evidente. E isso acontecia sempre que o Estado Novo e os seus respons\u00e1veis sentiram que havia o perigo da divis\u00e3o, da dissid\u00eancia, como eles diziam.<\/p>\n<p>Estamos a refletir sobre Portugal, mas se olharmos para a atualidade, a reflex\u00e3o que um projeto destes pode oferecer \u00e9 muito mais ampla do que a realidade portuguesa: contemplar a complexidade da hist\u00f3ria, da evolu\u00e7\u00e3o das sociedades, o que \u00e9 que temos diante de n\u00f3s como paradigmas e op\u00e7\u00f5es, os desafios que isso p\u00f5e \u00e0 consci\u00eancia cat\u00f3lica. Foram anos de grande produ\u00e7\u00e3o intelectual, no estrangeiro, e em Portugal e essa produ\u00e7\u00e3o era conhecida. N\u00f3s t\u00ednhamos um clero altamente e culto, t\u00ednhamos leigos com muito boa forma\u00e7\u00e3o, quer no setor oper\u00e1rio, quer no setor intelectual. E t\u00ednhamos, atrav\u00e9s disso, uma qualidade de reflex\u00e3o teol\u00f3gica que muitas vezes n\u00e3o se expressava oficialmente, mas que existia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_279577\" aria-describedby=\"caption-attachment-279577\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-279577\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/IMG_4309.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-279577\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Este movimento acontece num momento determinante da hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica no s\u00e9culo XX, com os frutos do Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965). \u00c9 preciso analisar com mais detalhe esta din\u00e2mica, que trouxe participantes de v\u00e1rios quadrantes e com v\u00e1rias sensibilidades pol\u00edticas?<\/em><\/p>\n<p>Trouxe e mais do que as pessoas imaginam, porque muitas vezes se olhou para os acontecimentos e para, sobretudo, as desilus\u00f5es &#8211; expectativas n\u00e3o respondidas e, portanto, como s\u00e3o expectativas n\u00e3o respondidas, considera-se que aquilo que se esperava, n\u00e3o aconteceu e esquecemos que, se n\u00e3o aconteceu exatamente o que esperava, aconteceram coisas\u2026.<\/p>\n<p>Da investiga\u00e7\u00e3o e do que conhe\u00e7o de alguns arquivos de pessoas, por exemplo, que foram dirigentes cat\u00f3licos, leigos, encontro documentos que, na altura ainda eram separados, eram vendidos logo que sa\u00edam na Santa S\u00e9, completamente sublinhados e analisados. Portanto, havia uma elite que lia, que n\u00e3o era o clero exclusivamente, eram leigos. A literatura produzida no Conc\u00edlio Vaticano II foi lida em Portugal e foi considerada. De facto, para muita gente, o Conc\u00edlio Vaticano II foi vivido com uma grande expectativa de transforma\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ligada \u00e0 consci\u00eancia cat\u00f3lica: que se implementasse um empenhamento mais claro, mais pela mudan\u00e7a e por aquilo que era o progresso na altura.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que n\u00e3o foi s\u00f3 o Conc\u00edlio Vaticano II, desde Jo\u00e3o XXIII apareceu um conjunto de reflex\u00f5es sobre as quest\u00f5es sociais: a \u2018Mater et Magistra\u2019 (1961), a \u2018Pacem in Terris\u2019 (1963) e, sobretudo, a \u2018Populorum Progressio\u2019 (1967) de Paulo VI, sobre o progresso dos povos.<\/p>\n<p>Todas essas tem\u00e1ticas preencheram, de certa maneira, um grau elevado da consci\u00eancia cat\u00f3lica. O grande problema est\u00e1 no facto de a hierarquia e uma parte significativa cat\u00f3lica n\u00e3o terem acompanhado esse processo de renova\u00e7\u00e3o &#8211; que n\u00e3o foi s\u00f3 sobre coisas pol\u00edticas, foi sobre os estudos da B\u00edblia, o interesse pela teologia: leu-se muito e traduziu se muita teologia em Portugal nessa \u00e9poca. E at\u00e9 editoras, como a Figueirinhas ou a Uni\u00e3o gr\u00e1fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A produ\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, a renova\u00e7\u00e3o arquitet\u00f3nica\u2026<\/em><\/p>\n<p>Isso existiu s\u00f3 que, de certa maneira, para muitos desses protagonistas, isso implicava uma rutura com uma ordem p\u00fablica e pol\u00edtica. Mesmo que n\u00e3o fosse formulada nestes termos, exatamente, dizia respeito a uma sociedade livre, portanto, necessariamente democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um dos acontecimentos mais marcantes na participa\u00e7\u00e3o da docente no processo de luta pela liberdade foi a vig\u00edlia na Capela do Rato, em Lisboa, entre 30 de dezembro de 1972 e 01 de janeiro de 1973. \u00c9 um dos momentos-chave desta \u201cmobiliza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica\u201d contra a ditadura? Como viveu essa fase?<\/em><\/p>\n<p>Eu gosto mais de colocar na perspetiva do historiado: a vig\u00edlia da Capela do Rato foi significativa. De tal maneira que foi de significa que foi objeto, inclusivamente, de uma interven\u00e7\u00e3o do professor Marcelo Caetano relativamente a esse acontecimento. Para o poder pol\u00edtico, ele significou que a autoridade eclesi\u00e1stica &#8211; tinha havido a mudan\u00e7a entre o cardeal Cerejeira e o cardeal Ribeiro &#8211; j\u00e1 n\u00e3o controlava a opini\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos dentro do quadro da legitimidade ou, se quisermos, da ordem p\u00fablica. Tamb\u00e9m para se autolegitimar, porque a pol\u00edcia, pela primeira vez desde os tempos da I Rep\u00fablica, provavelmente, tinha entrado numa igreja e tinha prendido pessoas no interior da igreja. Hoje h\u00e1 muitos exemplos destes, na Nicar\u00e1gua, na Birm\u00e2nia. Sabemos como isso \u00e9 entendido com uma enorme gravidade e o cardeal Ribeiro aceitou essa gravidade, mesmo que n\u00e3o legitimando a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Capela do Rato foi um ato p\u00fablico que, para mais, teve associado uma coisa que n\u00e3o dizia respeito diretamente \u00e0 vig\u00edlia: as Brigadas Revolucion\u00e1rias terem decidido que, nessa ocasi\u00e3o, fariam uma divulga\u00e7\u00e3o da iniciativa, utilizando petardos, em que houve duas pessoas que ficaram feridas. Os petardos foram colocados nos cestos de papel, na rua, e duas crian\u00e7as, que estavam ali perto, ficaram feridas e com alguma gravidade, nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Os cat\u00f3licos n\u00e3o podem escamotear a complexidade das coisas. Mas a vig\u00edlia n\u00e3o foi isso, a vig\u00edlia foi um grupo de crist\u00e3os, com diferentes envolvimentos na Igreja, que decidiram ocupar a Capela, em termos de jejum &#8211; se quisermos uma linguagem mais secular, greve da fome -, num ano em que a conversa era sobre \u201cA paz \u00e9 poss\u00edvel\u201d. Aten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o podemos absolutizar a vig\u00edlia do Rato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Defende que o 25 de Abril surge de um longo processo de muta\u00e7\u00e3o na consci\u00eancia da sociedade portuguesa\u2026<\/em><\/p>\n<p>E dos cat\u00f3licos. Tinha havido 11 vig\u00edlia em S\u00e3o Domingos, quatro anos antes (1968), e essa teve caracter\u00edsticas mais <em>ad intra<\/em>, mas j\u00e1 com repercuss\u00f5es, porque envolveu pessoas de peso na Igreja e na sociedade. \u00c9 preciso perceber que muitas das lideran\u00e7as que, nessa altura, estavam \u00e0 frente da do mundo laical, por exemplo, eram pessoas significativas na sociedade. Entre 1969 e 1972\/73 houve coisas que foram acontecendo: padres e as suas homilias, o caso do M\u00e1rio de Oliveira, o retorno do bispo do Porto. Lia-se avidamente a \u2018Voz Portucalense\u2019, porque trazia sempre as homilias do bispo do Porto, h\u00e1 uma entrevista de Jo\u00e3o Gomes e Raul Rego ao Ferreira Gomes, que saiu na \u2018Rep\u00fablica\u2019 (1973), completamente esgotada e com v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es no mesmo dia, etc.<\/p>\n<p>Coisa que acontecer\u00e1 em fevereiro de 74, com o livro do Sp\u00ednola (&#8220;Portugal e o Futuro&#8221;). S\u00e3o fen\u00f3menos massivos. Mas eu falo da consci\u00eancia, tamb\u00e9m, em termos das pessoas comuns, m\u00e9dias. Os cat\u00f3licos foram-se habituando a ver refer\u00eancias a si e \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m do regime e fora do regime.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O 25 de Abril abre tamb\u00e9m caminho a uma reconfigura\u00e7\u00e3o das identidades religiosas, na sociedade portuguesa, com novos protagonismos em concorr\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>Em concorr\u00eancia dentro do pr\u00f3prio catolicismo e na emerg\u00eancia mais significativa, em Portugal, de outras correntes que estavam presentes nas col\u00f3nias, o que normalmente n\u00f3s designamos por Protestantismo ou Igrejas Reformadas Evang\u00e9licas. Esse cristianismo existia, at\u00e9 desde o s\u00e9culo XIX, em Angola, Mo\u00e7ambique, a Guin\u00e9 com outras caracter\u00edsticas, mas existia.<\/p>\n<p>O 25 de Abril trouxe a possibilidade, como tamb\u00e9m tinha trazido a Rep\u00fablica, de uma afirma\u00e7\u00e3o p\u00fablica e mais livre dessas sensibilidades. Talvez aquilo que \u00e9 mais marcante, at\u00e9 pela dimens\u00e3o quase hegem\u00f3nica do catolicismo, foi que o 25 de Abril contribuiu para uma cristaliza\u00e7\u00e3o, dentro do catolicismo, de posi\u00e7\u00f5es que se manifestaram logo bastante no in\u00edcio, de que era compat\u00edvel o cristianismo com a revolu\u00e7\u00e3o. Por exemplo, os bispos sa\u00fadam o 25 de Abril, desejando que se construa uma sociedade democr\u00e1tica, plural, dizendo que nenhum partido pol\u00edtico tinha a legitimidade de utilizar a refer\u00eancia cat\u00f3lica como propriedade sua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um conselho que ainda \u00e9 \u00fatil, hoje?<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 que \u00e9 importante: a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma disciplina que ajuda a uma doutrina sobre a realidade. N\u00e3o existem doutrinas sobre a realidade, existem formas de a compreender que tamb\u00e9m nos alimentam as interroga\u00e7\u00f5es e as hermen\u00eauticas contempor\u00e2neas. Tudo isto tem relev\u00e2ncia, ainda hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Passados quase 50 anos, muitos s\u00e3o os que olham para esta data com uma certa indiferen\u00e7a. A Hist\u00f3ria pode ajudar a manter viva esta necessidade de conquista de liberdade e constru\u00e7\u00e3o da democracia, para as novas gera\u00e7\u00f5es? Aprendemos o que dever\u00edamos ter aprendido, com o passado?<\/em><\/p>\n<p>Isto \u00e9 como n\u00f3s, quando crescemos: j\u00e1 sabemos ler e escrever, mas depois percebemos que para chegar a escrever uma carta \u00e9 mais complicado. Isso \u00e9 um processo. N\u00f3s celebramos a capacidade dos homens e das mulheres de aprender. Se querem. Eu n\u00e3o posso obrigar uma pessoa a aprender, mesmo que lhe bata, a l\u00f3gica repressiva de impor uma determinada rela\u00e7\u00e3o com a realidade n\u00e3o \u00e9 boa. Na nossa sociedade, como em qualquer outra, isso leva-nos \u00e0 grande quest\u00e3o que \u00e9 a liberdade. H\u00e1 muitas pessoas que p\u00f5em em confronto liberdade e seguran\u00e7a. A seguran\u00e7a s\u00f3 vale se for realizada em nome da liberdade.<\/p>\n<p>O que \u00e9 liberdade? A liberdade n\u00e3o \u00e9 um conceito, \u00e9 uma pr\u00e1tica de relacionamento. N\u00e3o foi num dia 25, num pa\u00eds que tinha estado ao durante muito tempo sob a opress\u00e3o de mais de 40 anos de ditadura. N\u00f3s podemos aprender a ser livres e aprender a ser livres \u00e9 aprender no interior das rela\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que uma sociedade democr\u00e1tica favorece a liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 preocupante que certos movimentos saudosistas se v\u00e3o implementando na sociedade portuguesa?<\/em><\/p>\n<p>Eu sou um historiador. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a hist\u00f3ria da humanidade pode ser vista de muitas maneiras: uma \u00e9 que a hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 um longo genoc\u00eddio. N\u00e3o nos faltam exemplos, hoje. Um longo genoc\u00eddio: as pessoas matam, esfolam, destroem por uma avidez de ter, n\u00e3o muito diferente de quando a gente critica que o vizinho matou o outro por causa de um riacho que passava no meio dos campos. Mas isso n\u00e3o \u00e9 da ordem da liberdade, \u00e9 da ordem da domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria pode ser isso, mas pode tamb\u00e9m ser vista como uma longa e paciente matura\u00e7\u00e3o da humanidade, fundamentada no reconhecimento dos outros. Porque n\u00e3o h\u00e1 liberdade sem o reconhecimento dos outros, eu n\u00e3o sou livre porque quero ser livre, eu sou livre porque o outro me permite que eu o seja e eu permite que ele o seja &#8211; mesmo que tenhamos uma desigualdade, por exemplo, em termos de for\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 porque eu tenho mais for\u00e7a que tenho o direito de esmagar o outro. Eu n\u00e3o posso esmagar o outro porque eu quero que ele seja livre, essa \u00e9 que \u00e9 a grande quest\u00e3o. Isso \u00e9 uma aprendizagem, n\u00e3o \u00e9 porque um dia sa\u00edram as tropas \u00e0 rua. Esse sair das tropas \u00e0 rua \u00e9 como que um grito, mas depois \u00e9 preciso construir para al\u00e9m do grito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa est\u00e1 a desenvolver um projeto de investiga\u00e7\u00e3o sobre o 25 de Abril, procurando novas abordagens sobre o tema. Ant\u00f3nio Matos Ferreira, historiador, \u00e9 o investigador respons\u00e1vel pelo projeto e convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":279577,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[92,221],"class_list":["post-279553","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-25-de-abril","tag-historia-da-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279553\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/279577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}