{"id":27926,"date":"2007-10-31T17:16:12","date_gmt":"2007-10-31T17:16:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/31\/discurso-de-joao-paulo-ii-aos-bispos-portugueses-1999\/"},"modified":"2007-10-31T17:16:12","modified_gmt":"2007-10-31T17:16:12","slug":"discurso-de-joao-paulo-ii-aos-bispos-portugueses-1999","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-joao-paulo-ii-aos-bispos-portugueses-1999\/","title":{"rendered":"Discurso de Jo\u00e3o Paulo II aos Bispos Portugueses &#8211; 1999"},"content":{"rendered":"<p>Amados Pastores da Igreja em Portugal!  1. A vossa presen\u00e7a aqui, por ocasi\u00e3o da visita ad Limina, \u00e9 motivo para mim de grande alegria e satisfa\u00e7\u00e3o, sabendo-me irm\u00e3o no meio de irm\u00e3os que comigo partilham o \u00abcuidado de todas as Igrejas\u00bb (cf. 2 Cor 11, 28); de facto, a vossa visita \u00e9 uma express\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o daquele v\u00ednculo particular de comunh\u00e3o que nos une no Col\u00e9gio Episcopal, como sucessores dos Ap\u00f3stolos. Sede bem-vindos! Na pessoa de cada um de v\u00f3s, acolho e sa\u00fado os sacerdotes e di\u00e1conos, os consagrados e todos os fi\u00e9is crist\u00e3os das v\u00e1rias dioceses das prov\u00edncias eclesi\u00e1sticas de Braga, \u00c9vora e Lisboa.  Agrade\u00e7o as palavras de sauda\u00e7\u00e3o do Senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino, que, na sua qualidade de vice-presidente da Confer\u00eancia Episcopal, ilustrou a situa\u00e7\u00e3o da Igreja em Portugal, a sua fidelidade a Cristo e os grandes desafios que a hora actual lhe reserva. \u00c9 minha viva esperan\u00e7a que a vossa romagem ao t\u00famulo dos Ap\u00f3stolos S. Pedro e S. Paulo seja repleta de b\u00ean\u00e7\u00e3os e consola\u00e7\u00f5es do Alto, para que, cheios de novo vigor no servi\u00e7o das Igrejas Particulares que a Divina Provid\u00eancia confiou ao vosso cuidado, possais continuar, de cora\u00e7\u00e3o humilde e alegre, a louvar a Deus pela abund\u00e2ncia das gra\u00e7as que experimentais e espalhais dia a dia mediante o vosso minist\u00e9rio pastoral, j\u00e1 que fostes \u00abungidos pelo Esp\u00edrito e enviados para proclamar um ano de gra\u00e7a do Senhor\u00bb (cf. Lc 4, 18.19).  2. Confiados na grande magnanimidade do cora\u00e7\u00e3o do nosso Deus, esperamos, dentro de um m\u00eas e no desempenho da nossa miss\u00e3o de dispensadores da gra\u00e7a da reden\u00e7\u00e3o, poder abrir e transpor as portas sagradas das nossas bas\u00edlicas, catedrais e concatedrais, implorando a plena indulg\u00eancia e remiss\u00e3o celeste para os pecados da humanidade inteira, que, h\u00e1 2000 anos, viu descer \u00e0 terra e revestir-se da natureza humana o Filho unig\u00e9nito de Deus, nosso Salvador.  Dado que se realiza a breve dist\u00e2ncia do in\u00edcio do grande Jubileu da Encarna\u00e7\u00e3o, desejo aproveitar este singular encontro com a Igreja portuguesa, para, em benef\u00edcio da mesma, deitarmos abaixo &#8211; permiti-me a met\u00e1fora &#8211; um muro colocado na retaguarda da Porta Santa, que impede ainda a sua abertura. Por outras palavras, houve, ao longo dos \u00faltimos anos, m\u00faltiplas e valiosas iniciativas quer da vossa Confer\u00eancia Episcopal quer de cada uma das dioceses; menciono &#8211; s\u00f3 para exemplificar, porque seria imposs\u00edvel um elenco exaustivo &#8211; as sucessivas Cartas e Instru\u00e7\u00f5es Pastorais publicadas nos anos de prepara\u00e7\u00e3o para o Jubileu e as numerosas Assembleias Diocesanas (v\u00e1rias delas explicitamente Sinodais) convocadas para sensibilizar e preparar a Comunidade eclesial para este Ano de gra\u00e7a que nos vai introduzir no novo mil\u00e9nio crist\u00e3o. Sim, m\u00faltiplas e valiosas iniciativas foram lan\u00e7adas&#8230; Falta talvez bater \u00e0 porta de cada pessoa, ao cora\u00e7\u00e3o de cada um, porque \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a possibilidade \u00faltima e decisiva de abertura e acolhimento do Jubileu. Por isso, dizia-vos que gostava de aproveitar este encontro colegial para, juntos, retirarmos o \u00abmuro\u00bb que possa porventura impedir ainda o cora\u00e7\u00e3o dos portugueses de entrar na gra\u00e7a jubilar, pela \u00abPorta Santa\u00bb que \u00e9 Cristo Senhor.  3. Prezados Irm\u00e3os, \u00e9 vontade de Deus que a gra\u00e7a do Jubileu possa estender-se &#8211; segundo a ades\u00e3o e correspond\u00eancia de cada um \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo &#8211; a todos os fi\u00e9is cat\u00f3licos, a todos os crist\u00e3os que, \u00abtendo recebido o mesmo Baptismo, partilham a mesma f\u00e9 no Senhor Jesus\u00bb (Bula Incarnationis mysterium, 4), e mesmo a todos os \u00abirm\u00e3os da \u00fanica fam\u00edlia humana\u00bb que v\u00e3o atravessar, \u00abjuntos, o limiar dum novo mil\u00e9nio\u00bb (Ibid., 6), cujas expectativas, problemas e solu\u00e7\u00f5es, pela sua crescente globaliza\u00e7\u00e3o, v\u00e3o requerer a colabora\u00e7\u00e3o harmoniosa de todos.  A leitura dos tempos aponta, de facto, para a mundializa\u00e7\u00e3o, mas o diagn\u00f3stico do cora\u00e7\u00e3o humano n\u00e3o \u00e9 encorajador: a sensa\u00e7\u00e3o de vazio \u00e9 grande; grande \u00e9 igualmente a sua repugn\u00e2ncia pelo v\u00e1cuo que preenche de ef\u00e9meros nadas, aumentando a desorienta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabendo como encontrar-se consigo mesmo, tamb\u00e9m n\u00e3o consegue encontrar-se no meio dos outros: acaba sozinho no meio duma multid\u00e3o an\u00f3nima. Pois bem! A este cora\u00e7\u00e3o humano desorientado, iludido e desiludido pelas formas mais diversas de aliena\u00e7\u00e3o, a Igreja prop\u00f5e-lhe o Ano Santo como tempo favor\u00e1vel para entrar em si mesmo e provar aquela vida em plenitude pela qual anseia. \u00abPorque &#8211; este \u00e9 o preg\u00e3o da Igreja &#8211; a vida manifestou-Se, n\u00f3s vimo-La, damos testemunho d&#8217;Ela e vos anunciamos esta vida eterna que estava no Pai e nos foi manifestada\u00bb (1 Jo 1, 2) em Jesus de Nazar\u00e9.  Com a sua vinda, a nossa hist\u00f3ria deixou de ser terra \u00e1rida como se apresentava antes e fora da encarna\u00e7\u00e3o, para assumir sentido e valor de esperan\u00e7a universal. Com efeito, \u00abpela sua encarna\u00e7\u00e3o, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com m\u00e3os humanas, pensou com uma intelig\u00eancia humana, agiu com uma vontade humana, amou com um cora\u00e7\u00e3o humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de n\u00f3s\u00bb (Gaudium et spes, 22); e \u00aba todos os que O receberam, aos que cr\u00eaem n&#8217;Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus\u00bb (Jo 1, 12). Deste modo, a proposta crist\u00e3 n\u00e3o s\u00f3 d\u00e1 sentido ao que existe, mas \u00aboferece a todo o ser humano a perspectiva de ser &#8220;divinizado&#8221; e, dessa forma, tornar-se mais homem\u00bb (Bula Incarnationis mysterium, 2): o amor divino penetra no seu cora\u00e7\u00e3o e, pelo baptismo, f\u00e1-lo renascer como filho de Deus e torna-o membro do Corpo de Cristo, que \u00e9 a Igreja.  4. Uma tal vida em plenitude n\u00e3o prov\u00e9m, fundamentalmente, das ideias ou racioc\u00ednios claros e distintos sobre a salva\u00e7\u00e3o que um indiv\u00edduo pretende alcan\u00e7ar, mas da uni\u00e3o de amor que se estabelece entre Jesus e os seus fi\u00e9is e, atrav\u00e9s de Jesus, com o Pai. H\u00e1 que superar a tend\u00eancia, bastante generalizada, que recusa qualquer media\u00e7\u00e3o salv\u00edfica, colocando o indiv\u00edduo pecador a tratar directamente com Deus, porque a salva\u00e7\u00e3o chegou-nos, primeiro, pela media\u00e7\u00e3o da humanidade hist\u00f3rica de Jesus e, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do seu Corpo m\u00edstico, a Igreja. Por conseguinte, o plano de Deus \u00e9 sacramental, isto \u00e9, Ele torna-Se presente numa figura finita como a humanidade de Jesus ou os sinais sacramentais da Igreja.  Na escola da f\u00e9, aprendemos que, \u00abpara um crist\u00e3o, o sacramento da Penit\u00eancia \u00e9 a via ordin\u00e1ria para obter o perd\u00e3o e a remiss\u00e3o dos seus pecados graves cometidos depois do baptismo. (&#8230;) Seria portanto insensato, al\u00e9m de presun\u00e7oso, querer prescindir arbitrariamente dos instrumentos de gra\u00e7a e de salva\u00e7\u00e3o que o Senhor disp\u00f4s e, no caso espec\u00edfico, pretender receber o perd\u00e3o, pondo de lado o sacramento institu\u00eddo por Cristo exactamente para o perd\u00e3o\u00bb (Exort. Apost. Reconciliatio et p\u00e6nitentia, 31). A Igreja \u00abfalharia num aspecto essencial do seu ser e deixaria por realizar uma sua fun\u00e7\u00e3o inabdic\u00e1vel, se n\u00e3o apregoasse com clareza e firmeza, a tempo e fora de tempo, a &#8220;palavra da reconcilia\u00e7\u00e3o&#8221; (cf. 2 Cor 5, 19) e n\u00e3o proporcionasse ao mundo o dom da reconcilia\u00e7\u00e3o\u00bb (Ibid., 23). E para tal n\u00e3o bastam algumas afirma\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas; s\u00e3o necess\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es ministeriais bem precisas ao servi\u00e7o da penit\u00eancia e da reconcilia\u00e7\u00e3o.  Por isso, amados Irm\u00e3os, n\u00e3o deixeis de recordar aos vossos sacerdotes a disciplina eclesi\u00e1stica a tal respeito, ajudando-os a chegar ao efectivo cumprimento da mesma: \u00abTodo aquele que, em raz\u00e3o do of\u00edcio, tem cura de almas, est\u00e1 obrigado a providenciar para que sejam ouvidas as confiss\u00f5es dos fi\u00e9is que lhe est\u00e3o confiados e que de modo razo\u00e1vel pe\u00e7am para se confessar, a fim de que aos mesmos se ofere\u00e7a a oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas que lhes sejam convenientes\u00bb (C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, c\u00e2n. 986). Dado que \u00abo Povo de Deus sempre viveu os Anos Santos, vendo neles um tempo em que se fazia sentir mais intensamente o convite de Jesus \u00e0 convers\u00e3o\u00bb (Bula Incarnationis mysterium, 5), possa um dos frutos do grande Jubileu do ano 2000 ser o regresso generalizado dos fi\u00e9is crist\u00e3os \u00e0 pr\u00e1tica sacramental da Confiss\u00e3o.  5. Segundo a par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo (cf. Lc 15, 11-32), depois do abra\u00e7o do Pai, seguiu-se o banquete festivo pelo filho reencontrado. De igual modo, o perd\u00e3o sacramental permite \u00abtomar parte de novo na Eucaristia, como sinal da recuperada comunh\u00e3o com o Pai e com a sua Igreja\u00bb (Ibid., 9). Sabemos que, \u00abnos sinais do P\u00e3o e do Vinho consagrados, Cristo ressuscitado e glorioso, luz das na\u00e7\u00f5es, revela a continuidade da sua Encarna\u00e7\u00e3o\u00bb (Ibid., 11). \u00c9 Ele o festejado: a data bimilen\u00e1ria \u00e9 sua. E, com dois mil anos, Ele \u00abpermanece verdadeiramente vivo no nosso meio, para alimentar os crentes com o seu Corpo e o seu Sangue\u00bb (Ibid., 11).  Na Eucaristia, temos verdadeiramente a Porta Santa jubilar, Cristo Senhor, que de Si pr\u00f3prio afirmou: \u00abEu sou a porta. Se algu\u00e9m entrar por Mim, salvar-se-\u00e1; entrar\u00e1, sair\u00e1 e achar\u00e1 pastagens\u00bb (Jo 10, 9). Amados Pastores da Igreja portuguesa, \u00e9 para estas pastagens que guiamos o Rebanho que nos est\u00e1 confiado: com o melhor das nossas energias e sustentados pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, anunciamos, celebramos e conduzimos a Jesus Eucaristia. Mas quantos nos seguem? Quantos faltam ao apelo? O recenseamento da pr\u00e1tica dominical, que promovestes em 1991, deu uma percentagem m\u00e9dia de 26% de praticantes na popula\u00e7\u00e3o residente em Portugal; \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o significativa do imenso trabalho pastoral requerido, mas tamb\u00e9m uma grande preocupa\u00e7\u00e3o, pensando \u00e0 multid\u00e3o quase tr\u00eas vezes superior que vive habitualmente privada da Eucaristia.  Se, na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es (cf. Lc 9, 12-17), os disc\u00edpulos n\u00e3o tivessem feito chegar \u00e0 multid\u00e3o os peda\u00e7os resultantes dos cinco p\u00e3es e dos dois peixes aben\u00e7oados pelo divino Mestre, certamente n\u00e3o poderia dizer-se que \u00abtodos comeram e ficaram saciados\u00bb. Ora, no caso de Portugal eucar\u00edstico, temos de reconhecer que muitos n\u00e3o comeram e poucos ter\u00e3o ficado saciados. Por certo, n\u00e3o faltou a generosidade da Igreja em disponibilizar a Cristo \u00abos cinco p\u00e3es e dois peixes\u00bb que havia, como n\u00e3o p\u00f4de faltar a multiplica\u00e7\u00e3o dos mesmos&#8230; Na verdade, \u00e9 admir\u00e1vel o zelo apost\u00f3lico manifestado nas vossas iniciativas e actividades pastorais, como encomi\u00e1veis s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es e iniciativas pastorais delineadas. Mas, quem sabe se faltou aquele esfor\u00e7o \u00faltimo para levar um peda\u00e7o a cada um?! Quem sabe se faltou aquela revis\u00e3o de vida necess\u00e1ria para verificar se todos comeram at\u00e9 ficar saciados?!  Estou certo de que sabereis, com delicada pedagogia pastoral, fazer deste Ano Santo um tempo prop\u00edcio para levar os crist\u00e3os n\u00e3o praticantes a passarem duma ida ocasional e, por assim dizer, interesseira (para obter o dom da indulg\u00eancia) \u00e0 Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, ao h\u00e1bito e compromisso de participa\u00e7\u00e3o semanal na mesma, \u00e0 semelhan\u00e7a dos m\u00e1rtires da Abit\u00ednia (ano 304) que afirmavam: \u00abN\u00e3o podemos viver sem a Ceia do Senhor\u00bb (Carta Apost. Dies Domini, 46). Possa cada Eucaristia do per\u00edodo jubilar revestir-se e aparecer cheia do encanto e mist\u00e9rio do Natal, porque \u00abh\u00e1 dois mil anos que a Igreja \u00e9 o ber\u00e7o onde Maria dep\u00f5e Jesus e O confia \u00e0 adora\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o de todos os povos\u00bb (Bula Incarnationis mysterium, 11)! Cada Eucaristia h\u00e1-de antes de mais oferecer aos participantes a oportunidade dum encontro e col\u00f3quio pessoal com o divino Emmanuel, o Deus connosco (cf. Mt 1, 23), cujo desfecho seja a comunh\u00e3o espiritual e, sempre que poss\u00edvel, sacramental.  6. Como todos sabemos, nisso se encerra o segredo da fidelidade e perseveran\u00e7a dos crist\u00e3os, da seguran\u00e7a e robustez da sua \u00abcasa\u00bb interior no meio das afli\u00e7\u00f5es e dificuldades do mundo; de facto, o Evangelho ensina que a estabilidade da casa depende fundamentalmente, n\u00e3o da viol\u00eancia das tempestades nem da f\u00faria dos ventos, mas do facto de estar ou n\u00e3o alicer\u00e7ada sobre a rocha (cf. Mt 7, 24-27). Ainda recentemente a II Assembleia do S\u00ednodo dos Bispos consagrada \u00e0 Europa exortava a revigorar os alicerces interiores desta \u00abcasa de Deus\u00bb que \u00e9 cada crist\u00e3o, cada comunidade eclesial, a humanidade inteira que acolheu Deus humanado: \u00abNuma sociedade e cultura muitas vezes fechadas \u00e0 transcend\u00eancia, sufocadas por comportamentos consumistas, escravas de antigas e novas idolatrias, redescubramos com admira\u00e7\u00e3o o sentido do &#8220;mist\u00e9rio&#8221;; renovemos as nossas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas para que sejam sinais mais eloquentes da presen\u00e7a de Cristo Senhor; asseguremos novos espa\u00e7os ao sil\u00eancio, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o\u00bb (Mensagem final, 5). H\u00e3o-de evitar-se assim os escolhos do activismo, onde naufragam os melhores planos pastorais e tantas vidas empenhadas at\u00e9 ao extremo das suas for\u00e7as, e do secularismo, onde Deus n\u00e3o tem voz nem vez impedindo a sua descida \u00e0 terra dos homens.  Como sentinelas da Casa de Deus, vigiai, prezados Irm\u00e3os, para que, em toda a vida eclesial, se reproduza de algum modo o ritmo bin\u00e1rio da Santa Missa com a liturgia da palavra e a liturgia eucar\u00edstica. Sirva-vos de exemplo o caso dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, que s\u00f3 reconheceram Jesus ao partir do p\u00e3o (cf. Lc 24, 13-35). Nos \u00faltimos dec\u00e9nios, alguns, querendo reagir a um sacramentalismo excessivo, deram o primado, se n\u00e3o mesmo a exclusiva, \u00e0 palavra. Ora, segundo a doutrina conciliar, \u00aba &#8220;economia&#8221; da revela\u00e7\u00e3o realiza-se por meio de ac\u00e7\u00f5es e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mist\u00e9rio nelas contido\u00bb (Dei Verbum, 2). Concluindo, precisamos da Palavra &#8211; a \u00abPalavra de Deus que opera eficazmente nos crentes\u00bb (cf. 1 Tes 2, 13) &#8211; e do Sacramento, que torna presente e prolonga na hist\u00f3ria a ac\u00e7\u00e3o salvadora de Jesus.  7. Amados Irm\u00e3os, estes s\u00e3o alguns pensamentos que vos deixo por ocasi\u00e3o da vossa visita ad Limina, \u00e0 dist\u00e2ncia aproximada de um m\u00eas da abertura da Porta Santa. Desejando abri-la de par em par, para que todo o Povo de Deus entre e possa saciar-se nas fontes da salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o queria \u00abmuro\u00bb algum a impedir o acesso dos crist\u00e3os portugueses \u00e0 gra\u00e7a particular do Senhor conexa com o Jubileu do ano 2000 (cf. Carta Apost. Tertio millennio adveniente, 55). Em F\u00e1tima, encontramos um exemplo luminoso da personaliza\u00e7\u00e3o de planos e compromissos apost\u00f3licos que se requer para serem abra\u00e7ados e frutificarem no cora\u00e7\u00e3o de cada um dos crist\u00e3os; com materna pedagogia, Nossa Senhora pergunta aos pastorinhos: \u00abQuereis oferecer-vos a Deus&#8230;?\u00bb \u00abSim, queremos\u00bb &#8211; responderam eles (Apari\u00e7\u00e3o de 13\/V\/1917). Brevemente ser\u00e3o elevados \u00e0s honras dos altares Francisco e Jacinta, alargando-se \u00e0 Igreja inteira, atrav\u00e9s do exemplo das suas vidas, aquele apelo da M\u00e3e de Deus.  Fa\u00e7o deste apelo a minha palavra de encorajamento que vos pe\u00e7o para levardes aos sacerdotes, di\u00e1conos e consagrados, aos seminaristas, novi\u00e7os e agentes pastorais, aos fi\u00e9is crist\u00e3os e a todos os que buscam a verdade de Cristo, bem como \u00e0s fam\u00edlias crist\u00e3s e \u00e0s comunidades paroquiais. Tende a certeza da minha constante ora\u00e7\u00e3o pela Igreja que peregrina em Portugal a caminho do C\u00e9u, para que todos os seus membros, com coragem e generosidade, correspondam ao Ano de gra\u00e7a que est\u00e1 para come\u00e7ar. Invocando para todos a felicidade do abra\u00e7o de Deus Uno e Trino, do \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o concedo-vos, extensiva aos vossos directos colaboradores e a todos os fi\u00e9is diocesanos, a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.  Vaticano, 30 de Novembro de 1999.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amados Pastores da Igreja em Portugal! 1. A vossa presen\u00e7a aqui, por ocasi\u00e3o da visita ad Limina, \u00e9 motivo para mim de grande alegria e satisfa\u00e7\u00e3o, sabendo-me irm\u00e3o no meio de irm\u00e3os que comigo partilham o \u00abcuidado de todas as Igrejas\u00bb (cf. 2 Cor 11, 28); de facto, a vossa visita \u00e9 uma express\u00e3o e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,172,175,188,191,203,206,207,237,246,267,311,327],"class_list":["post-27926","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-evora","tag-direito-canonico","tag-economia","tag-europa","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-natal","tag-sinodo-dos-bispos","tag-visita-ad-limina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27926\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}