{"id":27925,"date":"2010-10-31T10:31:55","date_gmt":"2010-10-31T10:31:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/10\/31\/dos-santos-aos-fieis-defuntos-2\/"},"modified":"2010-10-31T10:31:55","modified_gmt":"2010-10-31T10:31:55","slug":"dos-santos-aos-fieis-defuntos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dos-santos-aos-fieis-defuntos-2\/","title":{"rendered":"Dos Santos aos Fi\u00e9is Defuntos"},"content":{"rendered":"<p>Celebra\u00e7\u00f5es marcam profundamente a religiosidade dos portugueses <!--more--> <\/p>\n<p>A proximidade destes dois dias do princ&iacute;pio de Novembro, respectivamente o dia 1 e 2 deste m&ecirc;s, levou a que frequentemente se imagine que se trata de uma &uacute;nica celebra&ccedil;&atilde;o em dois dias consecutivos. No entanto, n&atilde;o &eacute; assim, embora cada um destes dois dias tenha muito de comum, que &eacute; a celebra&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio da vida para al&eacute;m da morte e a esperan&ccedil;a de nela tomarmos parte, como membros do mesmo e &uacute;nico Corpo de Cristo.<\/p>\n<p>Os Santos sempre foram celebrados desde o princ&iacute;pio do Cristianismo, particularmente os M&aacute;rtires. As Igrejas do Oriente foram as primeiras (s&eacute;culo IV) a promover uma celebra&ccedil;&atilde;o conjunta de todos os Santos quer no contexto feliz do tempo pascal quer na semana imediatamente a seguir. Os santos &#8211; com destaque para os m&aacute;rtires &#8211; s&atilde;o, de facto, modelo sublime de participa&ccedil;&atilde;o no mist&eacute;rio pascal.<\/p>\n<p>No Ocidente, foi o Papa Bonif&aacute;cio IV a introduzir uma celebra&ccedil;&atilde;o semelhante em 13 de Maio de 610, quando dedicou &agrave; sant&iacute;ssima Virgem e a todos os m&aacute;rtires o Pante&atilde;o de Roma, dedica&ccedil;&atilde;o essa que passou a ser comemorada todos os anos. A partir destes antecedentes, as diversas Igrejas come&ccedil;aram a celebrar em datas diferentes celebra&ccedil;&otilde;es com id&ecirc;ntico conte&uacute;do. Os irlandeses, por exemplo, celebravam em 20 de Abril uma festa em honra de todos os Santos da Europa.<\/p>\n<p>A data de 1 de Novembro foi adoptada primeiro na Inglaterra do s&eacute;culo VIII acabando por se generalizar progressivamente no imp&eacute;rio de Carlos Magno (influ&ecirc;ncia de Alcu&iacute;no, que era ingl&ecirc;s), tornando-se obrigat&oacute;ria no reino dos Francos no tempo de Lu&iacute;s, o Pio (835), talvez a pedido do Papa Greg&oacute;rio IV. Na solenidade de todos os Santos, a Igreja prop&otilde;e-se esta vis&atilde;o da gl&oacute;ria, &agrave;s portas do inverno, para que, com o cair das folhas das &aacute;rvores e o apagar-se gradual da luz do dia, n&atilde;o esmore&ccedil;a nos seus filhos a esperan&ccedil;a da vida e da vida plena em Deus, onde os Santos s&atilde;o para n&oacute;s ainda peregrinos na Terra, um est&iacute;mulo e um cont&iacute;nuo convite a que desejemos, para al&eacute;m da morte, a vida eterna em Deus.<\/p>\n<p>O dia de Todos os Santos &eacute;, por isso, um dia de festa que n&atilde;o deve ser ofuscada pela celebra&ccedil;&atilde;o do dia que se lhe segue. A comemora&ccedil;&atilde;o de todos os Fi&eacute;is Defuntos nasceu, no entanto, em liga&ccedil;&atilde;o com a celebra&ccedil;&atilde;o do dia anterior, e muito naturalmente, pois que tamb&eacute;m nela se celebra a vida para al&eacute;m da morte, na esperan&ccedil;a da ressurrei&ccedil;&atilde;o do &uacute;ltimo dia.<\/p>\n<p>O dia chama-se Comemora&ccedil;&atilde;o de Todos os Fi&eacute;is Defuntos, depois de Todos os Santos, todos os que partiram deste mundo, marcados com o sinal da f&eacute; e esperam ainda a purifica&ccedil;&atilde;o total para poderem chegar &agrave; vis&atilde;o de Deus.<\/p>\n<p>O nome tradicional para falar dos que partiram &eacute; Defuntos &#8211; palavra que significa os que deixaram a sua &#8220;fun&ccedil;&atilde;o&#8221; , a sua actividade terrena e que n&atilde;o devem ser chamados &#8220;Finados&#8221;, palavra de sabor pag&atilde;o, que significaria os que chegaram ao fim de tudo quanto &eacute; vida, onde n&atilde;o haveria lugar para &#8220;a vida do mundo que h&aacute;-de vir&#8221;, como professamos no Credo. Foi o Abade de Cluny, S. Odil&atilde;o, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem &#8211; e eram muitos e influentes &#8211; se fizesse a comemora&ccedil;&atilde;o de todos os defuntos &laquo;desde o princ&iacute;pio at&eacute; ao fim do mundo&raquo; no dia a seguir ao da solenidade de todos os Santos.<\/p>\n<p>Este costume depressa se generalizou. Roma oficializou-o no s&eacute;culo XIV e no s&eacute;culo XV foi concedido aos dominicanos de Val&ecirc;ncia (Espanha) o privil&eacute;gio de celebrar 3 missas em 2 de Novembro, pr&aacute;tica que se difundiu nos dom&iacute;nios espanh&oacute;is e portugueses e ainda na Pol&oacute;nia. Durante a primeira Grande Guerra, o Papa Bento XV generalizou esse uso a toda a Igreja (1915).<\/p>\n<p>O Calend&aacute;rio de 1969 equipara a Comemora&ccedil;&atilde;o &agrave;s Solenidades, dando-lhe preced&ecirc;ncia sobre os domingos. Tamb&eacute;m a sucess&atilde;o dos dois dias lit&uacute;rgicos insinua esta &iacute;ntima liga&ccedil;&atilde;o dos dois cultos: a Igreja pretende abra&ccedil;ar todos os crist&atilde;os que j&aacute; conclu&iacute;ram a sua peregrina&ccedil;&atilde;o terrena, a come&ccedil;ar por aqueles nos quais j&aacute; se cumpriu integralmente o mist&eacute;rio pascal com o triunfo da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebra\u00e7\u00f5es marcam profundamente a religiosidade dos portugueses<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[190,203],"class_list":["post-27925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-dominicanos","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}