{"id":27877,"date":"2007-10-30T10:44:02","date_gmt":"2007-10-30T10:44:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/30\/igreja-e-eutanasia\/"},"modified":"2007-10-30T10:44:02","modified_gmt":"2007-10-30T10:44:02","slug":"igreja-e-eutanasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-eutanasia\/","title":{"rendered":"Igreja e Eutan\u00e1sia"},"content":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o explica contornos de uma quest\u00e3o delicada e mal interpretada <!--more--> Ciclicamente agita-se, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, a quest\u00e3o da eutan\u00e1sia e sempre se torna necess\u00e1rio esclarecer as consci\u00eancias dos crist\u00e3os sobre o que verdadeiramente est\u00e1 em causa. Eutan\u00e1sia \u00e9 a morte deliberada e intencional de uma pessoa, a seu pedido, pela outra pessoa que recebe e acolhe o pedido. Se n\u00e3o h\u00e1 pedido n\u00e3o h\u00e1 eutan\u00e1sia, h\u00e1 um homic\u00eddio comum. Se h\u00e1 pedido h\u00e1 tamb\u00e9m um homic\u00eddio, mas em resposta a uma vontade expressa pela pessoa que \u00e9 assassinada. Quando a pessoa est\u00e1 doente e solicita ao seu m\u00e9dico que a mate este n\u00e3o pode acolher este pedido, porque n\u00e3o \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o matar o seu doente. Mas deve imediatamente acolher com respeito este pedido e dar a maior aten\u00e7\u00e3o aos motivos que levam aquele doente a desejar ser morto em vez de desejar viver. Podem ser dores, e ent\u00e3o a obriga\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico \u00e9 tratar as dores e hoje n\u00e3o h\u00e1 dores intrat\u00e1veis. O doente sem dores n\u00e3o solicita a eutan\u00e1sia. Pode ser um sofrimento dif\u00edcil de suportar. Ent\u00e3o o m\u00e9dico com a ajuda do enfermeiro e de outros profissionais, designadamente psic\u00f3logos cl\u00ednicos, por\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do seu doente em desespero, todos os meios que permitem tornar suport\u00e1vel o sofrimento. Pode ser um sentimento de esgotamento de qualquer projecto de vida que faz com que a pessoa, em dificuldades, prefira morrer a viver. Tamb\u00e9m este estado psicol\u00f3gico \u00e9 suscept\u00edvel de tratamento que consegue reconstruir a vontade de viver. Por vezes o doente chega a estes estados por cuidados m\u00e9dicos a mais ou por cuidados m\u00e9dicos a menos. Por obstina\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, em situa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 atingiram a fase da incurabilidade e estes cuidados a mais, desproporcionados, geram um grande sofrimento. A pessoa tem o direito de os recusar e de viver o seu per\u00edodo terminal em paz. Pode n\u00e3o estar bem tratada,em especial das dores e do sofrimento e estes cuidados a menso criam estados de desespero e motivam pedidos de eutan\u00e1sia. A pessoa tem direito a exigir que lhe seja prestado o tratamento pr\u00f3prio da fase terminal, que \u00e9 o cuidado paliativo. O cuidado paliativo \u00e9 um cuidado especializado prestado por uma equipe de profissionais competentes nas v\u00e1rias disciplinas que o comp\u00f5em. Pode ocorrer em unidades pr\u00f3prias, em \u00e1reas de hospitais de cuidados gerais ou no domic\u00edlio. A evid\u00eancia, onde existe o cuidado paliativo, \u00e9 que o doente que est\u00e1 acolhido e tratado de todas as perturba\u00e7\u00f5es, f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas e espirituais que ocorrem na fase terminal da vida, n\u00e3o pensa em eutan\u00e1sia, nem a pede nunca, porque compreendeu que a eutan\u00e1sia n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. Para a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 esta a solu\u00e7\u00e3o e j\u00e1 v\u00e3o aparecendo unidades inspiradas por institui\u00e7\u00f5es com liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. \u00c9 preciso que se criem muitas mais e que a Igreja contribua para a forma\u00e7\u00e3o do pessoal especializado necess\u00e1rio. No cuidado paliativo n\u00e3o h\u00e1 lugar para a recusa de cuidados extraordin\u00e1rios ou desproporcionados, que a doutrina cat\u00f3lica, desde Pio XII, sempre reprovou, porque o cuidado paliativo n\u00e3o acelera nem atrasa o processo de morrer. O doente \u00e9 acompanhado constantemente e todas as intercorr\u00eancias s\u00e3o tratadas, sempre, com compet\u00eancia t\u00e9cnica e em tempo \u00fatil. Mas sem nenhuma orienta\u00e7\u00e3o intensivista e de suporte artificial de fun\u00e7\u00f5es vitais quando j\u00e1 s\u00f3 produz sofrimento e em nada beneficia o doente. S\u00f3 \u00e9 feito o que contribui para manter o bem-estar da pessoa at\u00e9 ao momento final. No cuidado paliativo o processo de morrer \u00e9 re-socializado, com um lugar importante \u00e0 fam\u00edlia e aos amigos que tamb\u00e9m s\u00e3o objecto do cuidado paliativo e s\u00e3o por isso participantes na cria\u00e7\u00e3o de um estado de permanente bem-estar para a pessoa. Uma pessoa que \u00e9 \u201cdepositada\u201d numa cama de hospital para morrer no maior abandono e esquecida dos cuidadores ou submetida a interven\u00e7\u00f5es intensivas e in\u00fateis, essa \u00e9 candidata a pedir a eutan\u00e1sia. Mas a eutan\u00e1sia n\u00e3o \u00e9, nunca, a solu\u00e7\u00e3o. Em vez de proclamar que a eutan\u00e1sia deve ser proibida ou permitida, a posi\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 a de que ningu\u00e9m esteja nunca em situa\u00e7\u00e3o de pensar que a eutan\u00e1sia \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para o seu desespero. Dizer que se mata por compaix\u00e3o \u00e9, de facto, matar a compaix\u00e3o. <i>Daniel  Serr\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Serr\u00e3o explica contornos de uma quest\u00e3o delicada e mal interpretada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[206],"class_list":["post-27877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27877\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}