{"id":278693,"date":"2023-04-15T11:05:03","date_gmt":"2023-04-15T10:05:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=278693"},"modified":"2023-04-15T11:05:03","modified_gmt":"2023-04-15T10:05:03","slug":"o-busilis-esta-mesmo-no-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-busilis-esta-mesmo-no-fim\/","title":{"rendered":"O bus\u00edlis est\u00e1 mesmo no fim!&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>D\u00eamos azo \u00e0 fantasia. Imaginem dois beb\u00e9s, g\u00e9meos. Vivem, convivem, crescem juntos no ventre materno. O seu mundo \u00e9 pequenino e apertado, a merecer, da sua parte, de quando em vez, alguns protestos de sabor sindical. Protestos que a m\u00e3e acolhe com muita ternura e de cora\u00e7\u00e3o a sorrir. Eles, por\u00e9m, n\u00e3o conhecem outro mundo nem outro modo de viver e estar. \u00c9 poss\u00edvel que, intrigados, escancarem bem as p\u00e1lpebras e estiquem os ouvidos para, no sil\u00eancio da sua curiosidade, captarem os estranhos sons que lhes chegam do outro mundo: barulhos, linguagem, conversas, m\u00fasicas, gritos, latidos, pios, mios&#8230;<\/p>\n<p>Seja como for, n\u00e3o conhecem, de facto, este cosmos que n\u00f3s habitamos. Nem tampouco sabem ou imaginam que este mundo se pode pisar, que \u00e9 cheio de beleza e encanto, de vida muito variada e facetada, de sonhos e de liberdade criativa no bem e no mal.<\/p>\n<p>J\u00e1 adultos, nesse seu grande e pequenino universo, os g\u00e9meos chegam a \u2018velhos\u2019, isto \u00e9, esgota-se o tempo de estarem no ventre da m\u00e3e. Um deles, por\u00e9m, tal como acontece por c\u00e1, acaba por chegar mais cedo a essa tal \u2018velhice\u2019 e tem de sumir dali. Queira ou n\u00e3o queira, \u00e9 o ritmo normal da vida ao qual ningu\u00e9m se pode opor. E l\u00e1 viaja ele, com armas e bagagens, numa esp\u00e9cie de salto no escuro, para entrar nesse outro mundo que ignora, mas logo o deixa surpreendido com as suas maravilhas e potencialidades que come\u00e7a a descobrir e a disfrutar.<\/p>\n<p>O g\u00e9meo que ficou atr\u00e1s, fica triste, com certeza. O irm\u00e3o partiu, n\u00e3o sabe porqu\u00ea nem para onde nem que sorte ser\u00e1 a dele. Sozinho e triste, n\u00e3o tem vontade de abrir a gaveta da escrivaninha e olhar o testamento do irm\u00e3o, n\u00e3o sabe como ir\u00e1 ser o agora da sua vida, n\u00e3o tem com quem conversar, conviver, protestar&#8230; Os instantes em que ele fica sozinho, mesmo que possam ser muito breves, devem-lhe parecer uma eternidade. S\u00e3o tempos tristes, dif\u00edceis de ultrapassar, talvez agravados por ouvir os gritos de dor da m\u00e3e, ou o choro do irm\u00e3o nessa experi\u00eancia cat\u00e1rtica de lavar sentimentos. Entretanto, acaba tamb\u00e9m ele por atingir a sua \u2018velhice\u2019, tendo de passar por esse transe nem que seja \u2018com o chap\u00e9u na m\u00e3o, semelhante a um cabaz de cavacas das Caldas\u2019, usando a terminologia de Camilo. Mas, \u00f3 maravilha!, eis que sente a felicidade de encontrar outro mundo e outra vida, com a alegre surpresa de abra\u00e7ar o seu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora, n\u00f3s tamb\u00e9m vivemos no ventre da terra-m\u00e3e, bem apertadinhos e sofridos. Cada um sabe onde \u00e9 que lhe aperta o sapato. Vivemos, convivemos, protestamos, reivindicamos, trabalhamos, sofremos, pontapeamos, chegamos a velhos e tamb\u00e9m partimos. E porque ningu\u00e9m pode, na verdade, travar os ritmos da vida, assim como a crian\u00e7a tem de partir do ventre da sua m\u00e3e, tamb\u00e9m n\u00f3s, quando a ampulheta da vida indicar o limite do nosso tempo, temos de fazer a trouxa e abalar deste ventre da m\u00e3e-terra. Os mais pr\u00f3ximos tamb\u00e9m ficam tristes, choram, manifestam dor, sofrem. Mas, tal como a crian\u00e7a encontra uma nova vida, o mesmo acontece a quem morre. Se a crian\u00e7a, mesmo que suspeitasse que o houvesse, ignorava completamente este mundo que encontrou, pois ningu\u00e9m lho p\u00f4de mostrar claramente nem ela o experimentou, o mesmo n\u00e3o acontece com os que de entre n\u00f3s partem desta vida. N\u00f3s temos a certeza de que vamos ao encontro de outra, em continuidade desta. Uma vida que nos foi revelada pelo Esp\u00edrito que vem de Deus, a qual, embora se possa come\u00e7ar a viver j\u00e1 neste mundo, s\u00f3 nos ser\u00e1 revelada, em plenitude, quando sairmos deste mundo pelas portas da morte. \u00c9 uma vida t\u00e3o admir\u00e1vel que nunca os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem o cora\u00e7\u00e3o humano persentiu, nem qualquer mente humana, por mais fulgurante que seja, a poder\u00e1 sequer imaginar! (cf. 1Cor 2, 9).<\/p>\n<p>Sabemos que, por qualquer motivo, errado ou menos bom, h\u00e1 crian\u00e7as que n\u00e3o chegam a experimentar a realidade deste mundo, nascem mortas, n\u00e3o gozam da beleza desta vida. Como, por\u00e9m, j\u00e1 desde a sua conce\u00e7\u00e3o s\u00e3o pessoas, essas crian\u00e7as come\u00e7am, assim o cremos, a gozar da bem-aventuran\u00e7a eterna. Come\u00e7am a gozar dessa vida \u00e0 qual todos n\u00f3s somos chamados e esperamos chegar um dia, onde tamb\u00e9m elas nos h\u00e3o de receber e abra\u00e7ar gloriosamente.<\/p>\n<p>N\u00f3s, por\u00e9m, n\u00e3o duvidamos nem meramente suspeitamos que essa vida possa existir. N\u00f3s sabemos que ela existe realmente. Essa certeza reclama da nossa parte uma aten\u00e7\u00e3o bem a pique e firme. Jesus veio ao nosso encontro, precisamente desse outro lado da vida. Veio para dela nos falar, nos ensinar o caminho e nos revelar, em toda a sua pessoa, o rosto da miseric\u00f3rdia do Pai. Sabemos quem Ele \u00e9, qual a sua autoridade, o que Ele disse e fez para nos revelar o amor de Deus por n\u00f3s e a vida que tem preparada para aqueles que o amam. Sabemos que pela sua morte venceu a morte e aos mortos deu a vida, e que, como Ele ressuscitou, tamb\u00e9m n\u00f3s haveremos de ressuscitar. Sabemos que, \u2018para os creem em Cristo, a vida n\u00e3o acaba, apenas se transforma, e, desfeita a morada deste ex\u00edlio terrestre, adquirimos no c\u00e9u uma habita\u00e7\u00e3o eterna\u2019.<\/p>\n<p>Mas, e h\u00e1 sempre um mas! Podemos saber, acreditar e at\u00e9 desejar ardentemente l\u00e1 chegar, mas assumir, conscientemente, os caminhos da dire\u00e7\u00e3o oposta, fazendo o que queremos, n\u00e3o o que devemos. Podemos fazer orelhas moucas a tudo isso, mandar \u00e0s urtigas os sinais de pista, rejeitar a sabedoria do Evangelho, ignorar a eloqu\u00eancia da Cruz e fechar as portas do cora\u00e7\u00e3o a Cristo Redentor que tantas vezes se faz encontrado pelos caminhos da nossa vida. Se, acomodados nesse desleixo ou indiferen\u00e7a, esquecermos que tudo o que \u00e9 dom, tudo o que \u00e9 gra\u00e7a de Deus, implica tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o humana, mesmo que acreditemos e esperemos na infinita miseric\u00f3rdia de Deus, podemos nascer mortos para esse outro lado da Vida (cf. Lc 16, 19-31).<\/p>\n<p>Eis o bus\u00edlis!&#8230;<\/p>\n<p>Portalegre-Castelo Branco, 14-04-2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":184289,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-278693","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=278693"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278693\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=278693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=278693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=278693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}