{"id":27853,"date":"2007-10-29T09:56:40","date_gmt":"2007-10-29T09:56:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/29\/nao-ha-igreja-sem-escuta-da-palavra\/"},"modified":"2007-10-29T09:56:40","modified_gmt":"2007-10-29T09:56:40","slug":"nao-ha-igreja-sem-escuta-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-ha-igreja-sem-escuta-da-palavra\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 Igreja sem escuta da Palavra"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 Patriarcal <!--more--> 1. A dedica\u00e7\u00e3o de um templo significa a transforma\u00e7\u00e3o de uma obra feita pela m\u00e3o dos homens em templo, isto \u00e9, lugar inserido na ac\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus, onde os crentes podem encontrar o Senhor, escutar a Sua Palavra, apresentar-Lhe as suas s\u00faplicas, ador\u00e1-l\u2019O em esp\u00edrito e em verdade, reconhecerem-se como assembleia, Povo de Deus reunido. O lugar do Templo na din\u00e2mica da salva\u00e7\u00e3o baseia-se na necessidade de contacto dos crentes com Deus e na confian\u00e7a de que Deus est\u00e1 presente no meio do Seu Povo. \u00c9 por isso que Cristo, Filho de Deus feito Homem, \u00e9 a express\u00e3o plena do templo, porque n\u2019Ele Deus est\u00e1 presente no meio do Seu Povo. \u00c9 por isso que Jesus, no Templo de Jerusal\u00e9m, que Ele respeita como Casa do Deus Vivo, falava do Templo do Seu Corpo. E porque Ele \u00e9 a pedra viva sobre a qual assenta a Igreja, esta \u00e9 um \u201ctemplo espiritual\u201d que, porque vive da plenitude de Cristo, \u00e9 para o mundo o templo do Deus vivo. A \u201cpedra angular\u201d sobre a qual est\u00e1 edificada a Igreja, est\u00e1 sacramentalmente presente nos doze Ap\u00f3stolos, do Cordeiro, verdadeiras colunas da Igreja. \u00c9 por isso que a Catedral, templo onde o Bispo, sucessor dos Ap\u00f3stolos preside, \u00e9 a base s\u00f3lida da edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, \u00e9 o verdadeiro templo da Igreja diocesana, d\u00e1 sentido a todos os outros templos da Diocese. A\u00ed o Povo de Deus convive intimamente com Cristo e, por Ele, com a Sant\u00edssima Trindade, onde escuta com amor a Sua Palavra, se constr\u00f3i uma intimidade, se aprende a caridade, que desabrocha em louvor. Quando a Igreja diocesana se afasta ou esquece o sentido sacramental da Igreja Catedral, corre o risco de se afastar de Jesus Cristo, escutado e amado ao ritmo sacramental da Igreja, que lhe \u00e9 impresso pelo mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o.  \t2. \u00c9 significativo que a designa\u00e7\u00e3o deste templo seja Catedral, onde o Bispo tem a sua c\u00e1tedra, onde se afirma como Mestre da f\u00e9, proclama a Palavra de Deus e transmite a f\u00e9 da Igreja. A proclama\u00e7\u00e3o da Palavra est\u00e1, assim, intimamente ligada ao sentido da Catedral. Este facto abre-nos para v\u00e1rios aspectos do lugar da Palavra no crescimento da Igreja. \tAntes de mais, a Palavra \u00e9 Escritura e Magist\u00e9rio e ambos s\u00e3o insepar\u00e1veis. A Palavra da Escritura \u00e9 viva, faz o seu caminho, iluminou acontecimentos, tornou-se luz a indicar os caminhos da fidelidade, \u00e9 fonte de sentido e de exig\u00eancia moral, \u00e9 prof\u00e9tica em cada momento da hist\u00f3ria. Esta aventura da Palavra constitui a Tradi\u00e7\u00e3o, onde se harmonizam a fidelidade \u00e0 mensagem original e a novidade de sentido que adquire pela sua inser\u00e7\u00e3o na vida concreta dos homens. Quem garante esta harmonia \u00e9 o Magist\u00e9rio. Este mostra, de maneira viva e actual, que a Palavra da Escritura \u00e9 para ser proclamada e escutada ao ritmo da vida da Igreja, das exig\u00eancias do crescimento da f\u00e9 e da miss\u00e3o e da ilumina\u00e7\u00e3o das realidades temporais. O Magist\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 opini\u00e3o, \u00e9 servi\u00e7o da Palavra, assistido pelo Esp\u00edrito Santo, a lembrar-nos que s\u00f3 a Igreja, como Povo do Senhor, \u00e9 o verdadeiro sujeito da Palavra revelada e s\u00f3 a Igreja pode interpretar o seu sentido. Num tempo marcado pelo individualismo na defini\u00e7\u00e3o da verdade, esta fun\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio \u00e9 decisiva para que n\u00e3o se caia na interpreta\u00e7\u00e3o individual da Escritura e se garanta a autenticidade da mensagem revelada. \tIsto convida-nos a uma qualidade pastoral na proclama\u00e7\u00e3o da Palavra em assembleia lit\u00fargica. Na celebra\u00e7\u00e3o dominical, o povo crente \u00e9 alimentado pela Palavra e pela Eucaristia. A proclama\u00e7\u00e3o da palavra em assembleia lit\u00fargica, sup\u00f5e clareza e un\u00e7\u00e3o nessa proclama\u00e7\u00e3o, autenticidade eclesial na sua interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. O povo crente re\u00fane-se, antes de mais, para escutar o Senhor, para se deixar surpreender pela Sua Palavra e n\u00e3o para o fazer dizer o que cada um gosta de ouvir. A Palavra de Deus \u00e9 exigente; Paulo compara-a a uma espada de dois gumes que penetra at\u00e9 ao mais \u00edntimo do nosso ser.  \t3. A escuta da Palavra de Deus define a natureza e o dinamismo da nossa f\u00e9. Na Sua Palavra, Deus abre-nos o Seu cora\u00e7\u00e3o, revela o Seu amor por n\u00f3s e o Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um convite \u00e0 intimidade e \u00e0 comunh\u00e3o de amor. Acreditar \u00e9 aceitar esse desafio de intimidade, na confian\u00e7a, \u00e9 abandonar-se a uma aventura de amor. Na f\u00e9, o amor tem a primazia sobre a raz\u00e3o; escutar a Palavra \u00e9, da nossa parte, uma resposta de amor. Os Salmos est\u00e3o repassados desta vis\u00e3o da f\u00e9 como aceita\u00e7\u00e3o de uma proposta de amor e de intimidade com Deus: \u201cA Vossa Palavra \u00e9 sant\u00edssima, por isso a ama o vosso servo\u201d (Sl. 118). S\u00f3 a f\u00e9 que se enra\u00edza na escuta amorosa da Palavra de Deus d\u00e1 acesso \u00e0 uni\u00e3o m\u00edstica com Deus. Sem isso, a f\u00e9 corre o risco de diluir-se numa religiosidade natural, que n\u00e3o tra\u00e7a novos rumos \u00e0 vida e abre as portas para uma outra felicidade. \tA escuta da Palavra de Deus \u00e9, por isso, o ponto de partida do crescimento na intimidade com Deus, na ora\u00e7\u00e3o e no louvor. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o, por parte do crente, do desejo de aprofundar a intimidade amorosa com Deus, que nos revela o Seu amor. S\u00f3 nesse contexto podemos escutar a Palavra, na sua actualidade de express\u00e3o do amor de Deus e ilumina\u00e7\u00e3o da nossa vida, nas circunst\u00e2ncias concretas em que a vivemos. E a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 experi\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria. O Povo de Deus, comunidade dos crentes, \u00e9 o sujeito da ora\u00e7\u00e3o e do louvor. Na ora\u00e7\u00e3o da Igreja, cada crente aprende a rezar e percorrer o seu caminho pessoal de fidelidade ao amor de Deus. \u00c9 por isso que a Liturgia foi sempre o contexto principal da escuta da Palavra de Deus. \u00c9 por isso que, na nossa Igreja de Lisboa, a qualidade da proclama\u00e7\u00e3o da Palavra, do seu aprofundamento e aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 vida na homilia, e a densidade religiosa de toda a celebra\u00e7\u00e3o, constituem desafios pastorais cont\u00ednuos.  \t4. \u00c9 significativo que Deus se manifeste ao Seu povo atrav\u00e9s da Palavra. Podia faz\u00ea-lo, apenas, por sinais ou suscitando sentimentos no \u00edntimo de cada um. A Palavra tem conte\u00fados, \u00e9 portadora de uma mensagem que o homem pode perceber atrav\u00e9s da sua intelig\u00eancia e do seu cora\u00e7\u00e3o. O facto da Palavra de Deus ser o ponto de partida da nossa f\u00e9, define a racionalidade da f\u00e9. A nossa raz\u00e3o experimenta que a verdade pode ser comunicada ao homem, sem deixar de ser profundamente humana, mesmo na sua racionalidade. Compete \u00e0s nossas capacidades de entendimento acolher essa verdade, aprofund\u00e1-la e inseri-la na estrutura humana de compreens\u00e3o. A\u00ed se situa a import\u00e2ncia que t\u00eam para a f\u00e9 o estudo e o aprofundamento da Palavra de Deus e das verdades reveladas. Na nossa Diocese, tem-se feito um grande esfor\u00e7o de proporcionar aos crist\u00e3os este aprofundamento da Palavra e da f\u00e9. \u00c9 importante que todos esses meios, que s\u00e3o em si mesmos culturais e de busca de uma racionalidade adulta da f\u00e9, n\u00e3o deixem de ser marcados pelo profundo desejo de escutar o Senhor. \tEm nosso Senhor Jesus Cristo, Verbo eterno de Deus feito Homem, percebemos que toda a Palavra de Deus \u00e9 express\u00e3o dessa Palavra eterna e definitiva de Deus, a \u00fanica que Ele, desde toda a eternidade pronuncia para nos dizer o infinito amor que nos tem. Toda a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra \u00e9 an\u00fancio de Jesus Cristo. Escut\u00e1-la \u00e9 ouvi-lo a Ele e entrar, com Ele e por Ele, no mist\u00e9rio do amor de Deus.  \t5. Aceitemos o desafio do Papa Bento XVI, ao sujeitar \u00e0 reflex\u00e3o do pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos, o lugar da Palavra de Deus na Igreja. A Palavra introduz-nos na intimidade do mist\u00e9rio de Deus, une-nos, de forma viva e continuada, a Jesus Cristo, ensina-nos a amar a Igreja, a casa onde aprofundamos a verdade e crescemos na caridade, ilumina a nossa intelig\u00eancia com os crit\u00e9rios de Deus, tornando-se cultura que inspira todo o nosso existir. S\u00e9 Patriarcal, 25 de Outubro de 2007 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 Patriarcal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,161,246,311],"class_list":["post-27853","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-d-jose-policarpo","tag-liturgia","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27853\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}