{"id":278285,"date":"2023-04-12T11:48:26","date_gmt":"2023-04-12T10:48:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=278285"},"modified":"2023-04-12T11:48:26","modified_gmt":"2023-04-12T10:48:26","slug":"o-temporizador-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-temporizador-de-deus\/","title":{"rendered":"O temporizador de Deus"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jorge Henrique, Diocese de Lamego<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Jorge-Henrique-padre-lamego.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-278286 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Jorge-Henrique-padre-lamego-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Jorge-Henrique-padre-lamego-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Jorge-Henrique-padre-lamego-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Jorge-Henrique-padre-lamego-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Jorge-Henrique-padre-lamego.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u00c9 un\u00e2nime considerar que foi na Mesopot\u00e2mia (por volta do ano 2000 a.C.) que se iniciou o grande percurso da contagem, da divis\u00e3o e da passagem do tempo, que identificamos como cronol\u00f3gico. Desde ent\u00e3o, com acertos, corre\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es e outras t\u00e9cnicas, temos hoje o nosso rel\u00f3gio bem amarrado ao pulso, sendo f\u00e1cil acertar os ponteiros pela hora certa.<\/p>\n<p>Conscientes deste tempo, fazemos ainda refer\u00eancia ao tempo como per\u00edodos da hist\u00f3ria. \u00c9 frequente ouvirmos e identificarmos um certo tempo que ficou marcado por um acontecimento importante \u2013 guerra, pandemia, desenvolvimento econ\u00f3mico, religi\u00e3o, pol\u00edtica. \u00c9 o tempo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Ser\u00e1, certamente, importante termos ainda outra no\u00e7\u00e3o de tempo \u2013 o tempo de vida. Entendemos o tempo como refer\u00eancia e unidade que compreende o nascimento, desenvolvimento e morte. E esta no\u00e7\u00e3o de tempo conjuga o tempo hist\u00f3rico e o tempo cronol\u00f3gico. Cada um de n\u00f3s tem no\u00e7\u00e3o de que disp\u00f5e de um tempo num determinado per\u00edodo que \u00e9 medido por anos, dias e meses num determinado contexto e per\u00edodo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o tempo da nossa vida. Proposto como uma vis\u00e3o alternativa, por Peter Leithard, na B\u00edblia, <em>o tempo \u00e9 pessoal; n\u00e3o \u00e9 um recipiente infinito ou uma constante incolor em branco. \u00c9 moldado pela a\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o humanas e assume diferentes tonalidades, dependendo do que somos chamados a fazer. <\/em><\/p>\n<p>F\u00e1cil \u00e9 para cada crist\u00e3o entender que a sua vida no espa\u00e7o\/tempo \u00e9 como uma moldura que se insere no infinito tempo de Deus. A linha da vida, desde o seu nascimento, oferece oscila\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que se prolonga no tempo. Cada unidade de tempo em progresso \u00e9 marcada pelas escolhas que, oferecidas por Deus, vamos acolhendo e semeando.<\/p>\n<p>Sujeitando esse tempo \u00e0 cronologia, para o jovem, o tempo passa devagar; para o de meia idade passa depressa; o de mais idade quer fazer parar o tempo. Destarte, culpamos e amamos o tempo pela lentid\u00e3o, culpamos e amamos o tempo pela rapidez, culpamos e amamos o tempo pelo seu movimento; consoante nos traz sofrimento e tristeza ou surpreende com alegria e bem-estar. Olhamos para tr\u00e1s ou para a frente no tempo, contemplamos visto de cima ou de baixo. Mas o per\u00edodo de tempo foi sempre o mesmo.<\/p>\n<p>A medida desse tempo pode ser em anos, meses, dias, horas e segundos num determinado per\u00edodo hist\u00f3rico. Mas ser\u00e1 esta a medida utilizada por Deus? Melhor ainda, como conta Deus o tempo que Ele d\u00e1 a cada um de n\u00f3s? Se em dez segundos podemos fazer uma boa a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1, para Deus, a boa a\u00e7\u00e3o a medida desse tempo? Em um minuto se pode salvar a vida de algu\u00e9m, porque n\u00e3o poder\u00e1 essa medida de tempo, para Deus, ser antes a salva\u00e7\u00e3o de uma vida? Quando passamos uma hora em ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 antes a intensidade e profundidade com que rezamos que Deus conseguir\u00e1 medir?<\/p>\n<p>Desconcertantes s\u00e3o as palavras do autor sagrado do livro de Eclesiastes. H\u00e1 tempo para tudo, mas \u2013 acredito \u2013 nem tudo ser\u00e1 contado por Deus para medir a nossa vida. O tempo mais longo, mais somado, mais contabilizado ser\u00e1 a verdadeira felicidade que cada um possa viver e sentir. E foi assim que o autor sagrado compreendeu <em>que n\u00e3o h\u00e1 felicidade para o homem a n\u00e3o ser a de alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida<\/em> (Ecl. 3, 12).<\/p>\n<p>Diria mais, n\u00e3o ser\u00e1 tempo contabilizado no temporizador de Deus aquele que n\u00e3o seja vivido a fazer o bem, a ser feliz e fazer felizes os outros. S\u00f3 esse tempo ser\u00e1 contado, s\u00f3 esse tempo ser\u00e1 vivido.<\/p>\n<p>Em tr\u00eas dias, Jesus deu aos homens todo o tempo porque lhes deu a Sua vida. Ser\u00e3o apenas tr\u00eas dias para n\u00f3s, mas para Deus foi a infinitude do tempo porque foi a entrega total e plena de Seu Filho para nos dar a vida que n\u00e3o ter\u00e1 nenhum fim. O tempo pascal \u00e9 tempo de gra\u00e7a para contarmos muitos e longos anos, pelo tempo de Deus, em apenas cinquenta dias, pelo nosso tempo; pelo menos, assim ser\u00e1 contado por Ele se vivermos bem a alegria e o testemunho da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Padre Jorge Henrique, p\u00e1roco de Pendilhe e de Vila Cova \u00e0 Coelheira, na Zona Pastoral de Vila Nova de Paiva<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jorge Henrique, Diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":278286,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-278285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=278285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278285\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/278286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=278285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=278285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=278285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}