{"id":277763,"date":"2023-04-07T18:15:58","date_gmt":"2023-04-07T17:15:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=277763"},"modified":"2023-04-07T16:25:42","modified_gmt":"2023-04-07T15:25:42","slug":"homilia-de-sexta-feira-santa-de-d-joao-marcos-bispo-de-beja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-sexta-feira-santa-de-d-joao-marcos-bispo-de-beja\/","title":{"rendered":"Homilia de Sexta-feira Santa de D. Jo\u00e3o Marcos, bispo de Beja"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>HOMILIA DE SEXTA-FEIRA SANTA<\/p>\n<p>S\u00e9 de Beja, 2023<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s:<\/p>\n<p>1 &#8211; Vamos, cheios de confian\u00e7a ao trono da gra\u00e7a, a fim de alcan\u00e7armos miseric\u00f3rdia e obtermos a gra\u00e7a de um aux\u00edlio oportuno.<\/p>\n<p>Com estas palavras, o autor da Carta aos Hebreus convidava-nos, antes da proclama\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor, a aproximar-nos de Jesus Cristo, contemplando-O penetrando no C\u00e9u como Sumo-Sacerdote. De facto, na festa do Yom Kippur, ou seja, do Grande Perd\u00e3o, o Sumo-Sacerdote de Israel entrava no Santo dos Santos, onde se encontrava a Arca da Alian\u00e7a, levando nas m\u00e3os o sangue de um cabrito e invocava o nome de Deus. Com este gesto, ele reconduzia para Deus a vida do povo de Israel que, pelo pecado, d\u2019Ele se tinha afastado.<\/p>\n<p>A festa do Yom Kippur, t\u00e3o importante para o povo de Israel, n\u00e3o foi herdada pelos crist\u00e3os. Herd\u00e1mos a P\u00e1scoa, o Pentecostes, mas n\u00e3o o Yom Kippur. Porqu\u00ea? A festa do Yom Kippur era uma profecia que Deus cumpriu no sacrif\u00edcio do Seu Filho Jesus. Todo o cristianismo \u00e9 o an\u00fancio, a proclama\u00e7\u00e3o do perd\u00e3o dos pecados de todo o homem, de todo o mundo. Jesus ressuscitado, aparecendo aos ap\u00f3stolos, mandou-os anunciar que todos os pecados est\u00e3o perdoados. Jesus tomou sobre si os pecados das multid\u00f5es e intercedeu pelos pecadores como escut\u00e1mos no final da primeira leitura.<\/p>\n<p>2 &#8211; \u00c0 nossa mentalidade individualista, pode parecer estranha esta afirma\u00e7\u00e3o: Como pode um \u00fanico homem carregar com os pecados de todos os outros, e alcan\u00e7ar-lhes o perd\u00e3o? Cristo \u00e9 o novo Ad\u00e3o!\u00a0 Assim como pelo pecado de Ad\u00e3o a morte entrou no mundo e atingiu todos os homens, assim tamb\u00e9m, pelo Sacrif\u00edcio de Jesus, pela Sua Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o, a Vida Eterna \u00e9 oferecida a todo o que n\u00b4Ele cr\u00ea. Ele \u00e9 verdadeiramente a Fonte da Salva\u00e7\u00e3o, Aquele que perdoa os pecados e nos d\u00e1 o seu Esp\u00edrito Santo. Acreditamos que, na Sua Cruz, carregou com os pecados de todo o mundo e Se fez pecado por amor de n\u00f3s, como afirma S\u00e3o Paulo. Ressuscitado dos mortos, Ele forma-Se e vive em n\u00f3s, que acreditamos n\u00b4Ele, perdoa todas as culpas e oferece-nos o Seu Esp\u00edrito de Amor. Quem vive esta intimidade com Ele pode afirmar com S\u00e3o Paulo: j\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo \u00e9 Cristo que vive em mim. De facto, Jesus morreu e Ressuscitou para que n\u00f3s, que estamos vivos, deixemos de viver para n\u00f3s pr\u00f3prios e vivamos para Ele, que por n\u00f3s morreu e ressuscitou.<\/p>\n<p>Como vemos, toda a humanidade antes de Cristo converge para Ele e toda a humanidade posterior a Ele, \u00e9 d\u00b4Ele que recebe o perd\u00e3o e a Vida. Ele \u00e9 o Salvador, o Redentor de toda a humanidade. Ele \u00e9 a descend\u00eancia de Abra\u00e3o, na qual todas as na\u00e7\u00f5es da terra, segundo a promessa, alcan\u00e7am as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Senhor.<\/p>\n<p>3 &#8211; A f\u00e9 que recebemos dos Ap\u00f3stolos \u00e9 um percurso feito com Cristo, presente nos irm\u00e3os. Na Igreja Cat\u00f3lica recebemos o an\u00fancio pelo qual Cristo incarna e se forma em n\u00f3s, \u00e0 semelhan\u00e7a do que aconteceu com a Virgem Maria, \u00e0 semelhan\u00e7a tamb\u00e9m do que se passou com os Ap\u00f3stolos. Esse percurso leva-nos a escutar e a aprender os gestos e as palavras do Senhor, tal como os conhecemos do Evangelho. Leva-nos sobretudo ao Calv\u00e1rio, onde, contemplando Cristo pregado na Cruz como o Sumo Sacerdote que penetra nos C\u00e9us, recebemos Maria por M\u00e3e. A sua fecundidade, quando perdia o seu Filho \u00fanico, alarga-se e abrange-nos a todos n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus. Em Jo\u00e3o, no Calv\u00e1rio, todos n\u00f3s est\u00e1vamos representados. Realmente precisamos de Maria como nossa M\u00e3e para crescermos como disc\u00edpulos adultos de Jesus e podermos, com o Seu Esp\u00edrito, dar testemunho da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 esse testemunho que suscita e alimenta a f\u00e9 crist\u00e3. Por meio dele a Igreja se edifica e cresce. A fonte desse testemunho est\u00e1 no Calv\u00e1rio, est\u00e1 no Mist\u00e9rio da Cruz que hoje, Sexta Feira Santa, viemos contemplar e adorar.<\/p>\n<p>4 \u2013 Que vemos n\u00f3s na Cruz do Senhor? Que contemplamos nesse s\u00edmbolo que a Igreja gravou primeiro em nossas frontes quando fomos batizados? Vemos, antes de mais, as terr\u00edveis consequ\u00eancias dos nossos pecados. Com eles destru\u00edmos e rejeitamos a express\u00e3o maior do amor de Deus Pai que nos enviou o Seu Filho \u00danico. Como os vinhateiros da par\u00e1bola, tamb\u00e9m n\u00f3s nos recusamos a receber o Filho, o Herdeiro, e a dar-Lhe os frutos da vinha, e O matamos fora das portas da cidade, para nos apoderarmos da Sua heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Na Cruz vemos tamb\u00e9m at\u00e9 onde chega o amor de Deus por n\u00f3s. Ele entregou-nos o Seu Filho que nos amou at\u00e9 ao fim deixando-Se crucificar, aceitando ser rejeitado e carregando com os nossos pecados. Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a Sua Vida por n\u00f3s. H\u00e1 uma antiga lenda que afirma que a cruz de Jesus, o novo Ad\u00e3o, foi levantada sobre o t\u00famulo do antigo Ad\u00e3o, e que os seus ossos ressequidos, regados pelo sangue do Salvador, voltaram \u00e0 vida.<\/p>\n<p>A Cruz de Cristo \u00e9 para n\u00f3s o sinal da Alian\u00e7a Nova e Eterna que o Senhor prometera por meio dos profetas, Alian\u00e7a selada pelo Sangue de Cristo. \u00c9 tamb\u00e9m o lugar do nascimento da Igreja, o sinal do culto novo inaugurado por Jesus ao oferecer-Se a Si mesmo ao Pai, culto que veio p\u00f4r termo aos sacrif\u00edcios de animais que se faziam no templo de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m o sinal da b\u00ean\u00e7\u00e3o. Como sabeis, caros irm\u00e3os, a cruz era sinal de maldi\u00e7\u00e3o. Quem nela era suspenso era considerado maldito, rejeitado da terra, condenado a morrer, sufocado, entre o c\u00e9u e a terra. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, tudo \u00e9 aben\u00e7oado pelo sinal da Cruz. E se percorremos as Escrituras Sagradas, vemos que o mist\u00e9rio da Cruz est\u00e1 anunciado, por exemplo, na arca de No\u00e9, na vara de Mois\u00e9s, na serpente de bronze e em tant\u00edssimas outras formas por meio das quais o Senhor salvou o Seu povo da morte.<\/p>\n<p>5 \u2013 Car\u00edssimos irm\u00e3os: se temos consci\u00eancia do valor da Santa Cruz, exaltemo-la. Demos-lhe, em nossas casas e em nossas vidas, o lugar central, para que seja ela a presidir aos nossos trabalhos e descansos. Hoje e amanh\u00e3, devemos genufletir perante ela. Ela torna presente para n\u00f3s o maior tesouro das nossas vidas: a Alian\u00e7a de amor de Deus para connosco, e o compromisso de vivermos na obedi\u00eancia \u00e0 Sua Santa Vontade.<\/p>\n<p>Hoje, ao aproximarmo-nos da Cruz para adorarmos o Senhor Jesus Cristo, Nosso Salvador, vamos confiantes ao trono da Gra\u00e7a! Para alcan\u00e7armos miseric\u00f3rdia e obtermos a Gra\u00e7a de um auxilio oportuno.<\/p>\n<p>+ Jo\u00e3o Marcos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":264512,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,275,867],"class_list":["post-277763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-pascoa","tag-pascoa-sexta-feira-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277763\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/264512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}