{"id":277756,"date":"2023-04-07T14:03:45","date_gmt":"2023-04-07T13:03:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=277756"},"modified":"2023-04-07T14:30:03","modified_gmt":"2023-04-07T13:30:03","slug":"homilia-da-missa-crismal-2023-de-d-joao-marcos-bispo-de-beja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-missa-crismal-2023-de-d-joao-marcos-bispo-de-beja\/","title":{"rendered":"Homilia da Missa Crismal 2023 de D. Jo\u00e3o Marcos, bispo de Beja"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>HOMIL\u00cdA DA MISSA CRISMAL 2023<\/p>\n<p>\u00c0quele que nos ama e pelo Seu Sangue nos libertou do pecado e fez de n\u00f3s um Reino de Sacerdotes para Deus Seu Pai, a Ele a gl\u00f3ria e o poder pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos! Ei-l\u2019O que vem entre as nuvens e todos os olhos O ver\u00e3o, tamb\u00e9m aqueles que O trespassaram.<\/p>\n<p>Senhor Vig\u00e1rio-Geral, Excelent\u00edssimos Senhores C\u00f3negos, reverendos Presb\u00edteros e Di\u00e1conos, caros Seminaristas, estimados Religiosos e Religiosas, car\u00edssimos fi\u00e9is leigos e leigas:<\/p>\n<p>1 &#8211; Com estas palavras que escut\u00e1mos na segunda leitura, tirada do Apocalipse de S. Jo\u00e3o, quero saudar, neste dia, a todos v\u00f3s, como membros do Reino de Sacerdotes fundado por Cristo para servirmos a Deus nosso Pai. Somos membros deste Reino de Sacerdotes porque fomos escolhidos por Jesus Cristo, por Aquele que nos ama. A miss\u00e3o \u00e0 qual fomos destinados pela Sua Elei\u00e7\u00e3o consiste precisamente, e antes de tudo o mais, em darmos testemunho do Seu Amor para connosco. Sim! \u00c9 verdade que Ele nos ama, tamb\u00e9m e sobretudo quando, pelas nossas infidelidades, n\u00e3o O sabemos amar e O servimos t\u00e3o mal. Somos membros que participamos do Seu Corpo e da Sua miss\u00e3o prof\u00e9tica, sacerdotal e real. Revestidos de fraqueza, levamos este tesouro espiritual em vasos de barro, para servirmos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9 e os ajudarmos a ser e a agir como verdadeiros filhos de Deus.<\/p>\n<p>Esta pequena e imensa leitura do livro do Apocalipse que hoje escut\u00e1mos renova em nosso esp\u00edrito a consci\u00eancia da dignidade de membros da fam\u00edlia de Deus. Quem somos n\u00f3s, caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, que somos chamados a constituir este Reino de Sacerdotes?<\/p>\n<p>2 \u2013 Pelo Seu Sangue, Cristo libertou-nos dos nossos pecados. A vida crist\u00e3 outra coisa n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a P\u00e1scoa, a passagem de uma vida de pecado e de escravid\u00e3o para a vida da gra\u00e7a pr\u00f3pria dos filhos de Deus. Porque Ele \u00e9 a nossa P\u00e1scoa, essa passagem \u00e9 feita por Cristo, com Cristo e em Cristo. \u00c9 unindo-nos a Ele, Filho de Deus, comungando o Seu Corpo e o Seu Sangue, que aprendemos a ser e a viver como verdadeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Se reparamos bem, nesta frase do livro do Apocalipse em que se fala de que Cristo fez de n\u00f3s um Reino de Sacerdotes, vemos que antes est\u00e1 escrito que Ele nos libertou dos nossos pecados. Estar libertos do pecado \u00e9, caros irm\u00e3os, condi\u00e7\u00e3o para podermos exercer o Sacerd\u00f3cio de Cristo. Mas se somos pecadores e pecamos diariamente, como podemos afirmar que estamos libertos dos nossos pecados? A Igreja convida-nos diariamente a confessarmos que somos pecadores, ou seja, a desligarmo-nos, pela confiss\u00e3o, das nossas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es. Como sabeis, uma coisa \u00e9 sermos pecadores por debilidade, da qual nos levantamos apoiados na miseric\u00f3rdia do Senhor, outra coisa \u00e9 sermos pecadores inveterados que se justificam a si mesmos e aos seus pecados.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos ao Senhor, caros padres e di\u00e1conos, a gra\u00e7a de sempre nos levantarmos das nossas quedas, para que em n\u00f3s se manifeste o poder de Deus que nos livra dos nossos pecados e nos concede o Seu Esp\u00edrito. Assim poderemos realizar a miss\u00e3o grandiosa que o Senhor nos atribui como Seus sacerdotes, miss\u00e3o referida pelas palavras seguintes: Ei-l\u2019O que vem entre as nuvens e todos os olhos O ver\u00e3o, tamb\u00e9m aqueles que O trespassaram.<\/p>\n<p>3 &#8211; Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, esperamos a vinda do Senhor: Ele vir\u00e1 um dia, para julgar os vivos e os mortos. Mas o texto que escut\u00e1mos h\u00e1 momentos, diz-nos que Ele vem, no presente. E que vem entre as nuvens. Certamente sabeis que na interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da Escritura, as nuvens que trazem a chuva s\u00e3o os Ap\u00f3stolos que, com a sua prega\u00e7\u00e3o, alimentam a vida espiritual dos fi\u00e9is, fazendo Cristo crescer, florescer e frutificar nas suas vidas. Hoje Cristo chega \u00e0 vida das pessoas, por meio da Palavra, dos Sacramentos e do testemunho de vida que n\u00f3s \u2013 bispos, padres e di\u00e1conos \u2013 lhes ministramos, e tamb\u00e9m por meio do bom testemunho e das palavras de todos os fi\u00e9is batizados. Somos embaixadores de Cristo, como afirma S\u00e3o Paulo e assim n\u00e3o vivemos para n\u00f3s mesmos, mas para o Senhor e para os nossos irm\u00e3os. Todos O ver\u00e3o, glorioso ou desfigurado, engrandecido ou diminu\u00eddo, derrotado ou vitorioso. Em grande parte depende de mim e de v\u00f3s, caros padres e di\u00e1conos, que Cristo se manifeste hoje de uma ou de outra maneira. Depende do modo como o vivemos e celebramos, do modo como o anunciamos. N\u00e3o vivemos tempos f\u00e1ceis, mas a f\u00e9 leva-nos a ver e a viver Cristo como Aquele que venceu a morte, a nossa morte, e nos d\u00e1 a pr\u00f3pria vida no Seu Sangue derramado. N\u00f3s sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irm\u00e3os. N\u00e3o podemos ser sacerdotes, nem crist\u00e3os, se n\u00e3o testemunhamos aos irm\u00e3os este Amor caracter\u00edstico de quem, pela f\u00e9 em Cristo, j\u00e1 venceu a morte.<\/p>\n<p>4 \u2013 O nosso trabalho de pastores, de pastores de almas tem como objetivo edificar a Igreja. Trata-se de formar crist\u00e3os que se vejam a si mesmos como transeuntes, como peregrinos em terra estranha, em busca da Cidade Eterna. De pouco vale uma f\u00e9 que n\u00e3o se abre ao dinamismo da esperan\u00e7a sobrenatural, da esperan\u00e7a no cumprimento das promessas de Cristo. S\u00f3 o Amor \u00e9 digno de f\u00e9, s\u00f3 o Amor semeado em nossos cora\u00e7\u00f5es, que tem dinamismo para se desenvolver e frutificar, deve ser o objeto da nossa f\u00e9 e da nossa esperan\u00e7a. Trata-se de realidades sobrenaturais, divinas, que n\u00e3o podemos substituir por outras realidades terrenas, por deslumbrantes que se nos apresentem. A vida eterna que Jesus nos promete e nos oferece deve ser anunciada corajosamente por n\u00f3s. Religi\u00f5es h\u00e1 muitas, e todas elas, bem praticadas, oferecem coisas boas aos seus fi\u00e9is. Mas o cristianismo, mais do que uma religi\u00e3o, \u00e9 a irrup\u00e7\u00e3o da vida de Jesus, o Filho de Deus, em nossas vidas, \u00e9 o aparecimento da eternidade no tempo presente, \u00e9 a experi\u00eancia concreta de que o Amor fraterno \u00e9 poss\u00edvel. O Amor \u00e9 o futuro da humanidade. Se temos tanto para anunciar, porque falamos t\u00e3o pouco? Porque fazemos t\u00e3o pouco? Porque damos t\u00e3o pouco e t\u00e3o mal? Caros padres e di\u00e1conos: perdoai-me que vos fale assim. Creio que a d\u00e9bil situa\u00e7\u00e3o presente da Igreja no Baixo Alentejo n\u00e3o \u00e9 fruto apenas do atual processo hist\u00f3rico da Igreja na Europa. \u00c9-o, certamente, mas todos n\u00f3s, a come\u00e7ar por mim, temos as nossas culpas. Convertamo-nos, irm\u00e3os, convertamo-nos ao Senhor, nosso Deus. Como podemos ler nos Padres da Igreja Antiga, apaixonemo-nos por Cristo Nosso Senhor, e grandes multid\u00f5es nos seguir\u00e3o. Demos a Deus o que \u00e9 de Deus, ofere\u00e7amos-Lhe diariamente a ora\u00e7\u00e3o, nossa e do povo que nos foi confiado. Alimentemo-nos diariamente com o p\u00e3o vivo descido do C\u00e9u, que \u00e9 o Corpo do Seu Filho inteiramente entregue por n\u00f3s, fazendo a vontade do Pai. N\u00e3o nos contentemos com realizar os Sacramentos, mas preparemo-los bem, tendo em vista o bem espiritual dos fi\u00e9is. Sejamos pastores com o cheiro das ovelhas, porque vivemos com elas e para elas, e com elas caminhamos, na presen\u00e7a do Senhor, para o redil do Reino dos C\u00e9us.<\/p>\n<p>Sem esta viv\u00eancia da F\u00e9 em comunidades vivas, n\u00e3o podemos testemunhar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a estas multid\u00f5es de ovelhas sem pastor que habitam a nossa diocese. A Igreja que foi delineada no Conc\u00edlio Segundo do Vaticano e que nos cabe a n\u00f3s edificar, \u00e9 uma realidade sinodal, n\u00e3o clerical. O clericalismo, de que o Conc\u00edlio de Trento se serviu para a renova\u00e7\u00e3o da Igreja nos s\u00e9culos XVI e seguintes, \u00e9 hoje uma perigosa doen\u00e7a, contra a qual os papas, desde S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII e S\u00e3o Paulo VI at\u00e9 ao atual papa Francisco, t\u00eam lutado corajosamente. Apesar das dificuldades da nossa forma\u00e7\u00e3o, caros padres, n\u00e3o sejamos clericais. Nas nossas par\u00f3quias tenhamos muito cuidado em evitar atitudes de clericalismo e promovamos a vida comunit\u00e1ria por meio da qual a Igreja se pode afirmar como um povo que caminhando junto para a P\u00e1tria Celeste, se assume novamente como vanguarda da humanidade.<\/p>\n<p>5 \u2013 Caros presb\u00edteros, ireis fazer j\u00e1 de seguida a renova\u00e7\u00e3o anual das vossas promessas sacerdotais. Ponde toda a vossa alma nesta renova\u00e7\u00e3o, para que, por meio dela, o Senhor vos ajude nas vossas dificuldades e fraquezas. Abri os vossos cora\u00e7\u00f5es ao Seu Esp\u00edrito Santificador. Apoiados n\u2019Ele, n\u00e3o desistais, n\u00e3o desistamos de ser santos. Ele, Cristo, \u00e9 o Alfa e o \u00d3mega, Aquele que \u00e9, que era e que h\u00e1-de vir. A Ele a gl\u00f3ria e o poder pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Amen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":236717,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,275],"class_list":["post-277756","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277756"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277756\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/236717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}