{"id":277438,"date":"2023-04-07T18:20:27","date_gmt":"2023-04-07T17:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=277438"},"modified":"2023-04-05T14:42:57","modified_gmt":"2023-04-05T13:42:57","slug":"celebracao-da-paixao-do-senhor-d-nuno-bras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/celebracao-da-paixao-do-senhor-d-nuno-bras\/","title":{"rendered":"Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor &#8211; D. Nuno Br\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>SEXTA-FEIRA SANTA<\/p>\n<p>Solene Ac\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica<\/p>\n<p>S\u00e9 do Funchal, 7 de abril de 2023<\/p>\n<p>\u201cPai, em vossas m\u00e3os entrego o meu Esp\u00edrito\u201d<\/p>\n<p>\u201cQue hei-de fazer com Jesus, chamado o Cristo?\u201d: a quest\u00e3o de Pilatos tem estado a conduzir-nos ao longo desta Semana Santa, como se fosse dirigida a todos, em particular a n\u00f3s, crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Ela continua pois, diante de n\u00f3s, tamb\u00e9m neste dia de Sexta-feira Santa. Se ontem respond\u00edamos: \u201cdeixa que Jesus tem ensine a amar\u201d, hoje, perante a morte de Jesus na cruz, devemos responder: \u201cdeixa que Jesus te ensine a rezar\u201d.<\/p>\n<p>1. Com efeito, as palavras de Jesus na cruz s\u00e3o, antes de mais nada, ora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o v\u00e1rias as passagens dos evangelhos em que Jesus nos aparece a rezar. Sobretudo nos momentos importantes da sua vida. A sua ora\u00e7\u00e3o era tal que os disc\u00edpulos \u2014 que faziam parte do povo judeu, um povo habituado a rezar e que fazia da ora\u00e7\u00e3o uma das marcas do seu dia! \u2014 n\u00e3o hesitaram em pedir-lhe: \u201cSenhor, ensina-nos a rezar\u201d (Lc 11,1).<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o modo como Jesus viveu: sempre unido ao Pai. N\u00e3o espanta, por isso, que Ele viva na ora\u00e7\u00e3o este momento derradeiro mas central da sua vida na terra e de toda a hist\u00f3ria do universo, que \u00e9 a sua morte na cruz. Tudo em Jesus \u00e9 ora\u00e7\u00e3o, porque nele tudo \u00e9 entrega nas m\u00e3os do Pai e tudo \u00e9 cumprimento da miss\u00e3o recebida.<\/p>\n<p>Os quatro evangelistas concordam nesta atitude de ora\u00e7\u00e3o vivida por Jesus. \u00c9 certo que colocam na boca do Senhor diferentes passagens da Escritura: em S. Mateus (27,46.50) e S. Marcos (15,34), Jesus reza o Salmo 21(22): \u201cMeu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?\u201d (v. 1), fazendo-se int\u00e9rprete do sofrimento maior de qualquer ser humano ao ver-se votado ao abandono e ao sentir-se abandonado pelo pr\u00f3prio Deus, ainda que sempre cheio de confian\u00e7a e entregando-se totalmente ao Pai; S. Lucas, por seu lado, ajuda-nos a perceber essa ora\u00e7\u00e3o do Senhor atrav\u00e9s do Salmo 30(31): \u201cPai, em vossas m\u00e3os entrego o meu Esp\u00edrito\u201d (v. 5 cf. Lc 23,46); e, por fim, S. Jo\u00e3o, como acab\u00e1mos de escutar, resume a atitude do Senhor: \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d \u2014 quer dizer: Jesus percebe que tinha sido realizada toda a miss\u00e3o que o Pai lhe confiara; e, ao mesmo tempo, percebe como a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do mundo encontrava ali, na cruz, o seu ponto alto e seguro, a realidade firme sobre a qual o mundo se podia, de verdade, reerguer. Coincidindo com S. Mateus e S. Lucas, o quarto evangelista acrescenta ainda: \u201cE entregou o Esp\u00edrito\u201d. Jesus morreu a rezar e ensina-nos e convida-nos a tomar parte na sua ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. Que podemos aprender da ora\u00e7\u00e3o de Jesus? Ela \u00e9, em primeiro lugar, disponibilidade total para a vontade do Pai: \u201cN\u00e3o se fa\u00e7a a minha vontade mas a tua\u201d. E desse modo h\u00e1-de tamb\u00e9m ser a nossa ora\u00e7\u00e3o: atitude de completa abertura \u00e0 vontade de Deus, mais que a procura de que Deus realize os nossos desejos e caprichos. Rezamos para ter disponibilidade total para Deus na nossa vida.<\/p>\n<p>Depois, notemos que Jesus reza com a Escritura, a palavra que Deus nos oferece como alimento, como resposta, e onde podemos encontrar tudo quanto havemos de dizer ao Pai. Jesus reza com a Escritura; e tamb\u00e9m n\u00f3s havemos, cada vez mais, de partir da Sagrada Escritura, de a fazer nossa, de aprender a tom\u00e1-la como ora\u00e7\u00e3o, como alimento.<\/p>\n<p>Jesus faz seus os sofrimentos dos que sofrem. A sua ora\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem longe de ser apenas um pedido de algo de que Ele necessita. Pela sua boca e pelo seu cora\u00e7\u00e3o, surgem os gritos, os estados de alma daqueles que vivem um momento de derrota, de morte, para os apresentar ao Pai. A nossa ora\u00e7\u00e3o, longe de ser apenas qualquer coisa que nos diga respeito, \u00e9 tamb\u00e9m a voz daqueles que n\u00e3o sabem rezar; \u00e9 o grito de quantos se v\u00eaem abandonados; \u00e9 a palavra daqueles que pensam ter sido esquecidos at\u00e9 pelo pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o de Jesus na cruz \u00e9, tamb\u00e9m, atitude de total confian\u00e7a. Apesar de se ver abandonado por todos \u2014 e de se sentir mesmo abandonado pelo Pai \u2014 Jesus continua a confiar, totalmente. Ele, que conhece intimamente o Pai, bem sabe que este sempre olha o horizonte e espera o regresso do Pr\u00f3digo; bem sabe que o Pai est\u00e1 sempre pronto \u00e0 festa da reconcilia\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00f3s havemos de pedir a confian\u00e7a total no Pai: Ele pode ter outros des\u00edgnios sobre n\u00f3s e sobre o mundo; pode mesmo parecer tardar na sua resposta \u2014 mas jamais abandonar\u00e1 os seus filhos ao poder da morte. Ele est\u00e1 atento, v\u00ea a afli\u00e7\u00e3o do Seu Povo. Rezamos pedindo esta mesma confian\u00e7a total no Pai.<\/p>\n<p>Em suma: de Jesus que reza ao Pai na cruz, percebemos e pedimos que a nossa ora\u00e7\u00e3o seja a sua ora\u00e7\u00e3o: que, ao rezarmos, como diz S. Paulo, tenhamos em n\u00f3s os mesmos sentimentos do Senhor (Filp 2,5). N\u00e3o queremos outra ora\u00e7\u00e3o: o que pedimos, o que agradecemos, o que partilhamos com o Pai seja coincidente com o que Jesus pede, agradece, partilha.<\/p>\n<p>E mais: queremos que a nossa ora\u00e7\u00e3o seja a ora\u00e7\u00e3o de Jesus em n\u00f3s. Crist\u00e3os que somos, queremos, no meio deste mundo, ser o espa\u00e7o que Jesus encontra para poder continuar a rezar: \u201cMeu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u201d; \u201cPai, em vossas m\u00e3os entrego o meu Esp\u00edrito\u201d; \u201cTudo est\u00e1 consumado!\u201d.<\/p>\n<p>Que havemos de fazer com Jesus? Aprende com Ele a rezar ao Pai!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":249155,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,275,867],"class_list":["post-277438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-pascoa","tag-pascoa-sexta-feira-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/249155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}