{"id":27742,"date":"2007-10-23T11:08:09","date_gmt":"2007-10-23T11:08:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/23\/a-visita-ad-limina-apostolorum\/"},"modified":"2007-10-23T11:08:09","modified_gmt":"2007-10-23T11:08:09","slug":"a-visita-ad-limina-apostolorum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-visita-ad-limina-apostolorum\/","title":{"rendered":"A visita Ad Limina Apostolorum"},"content":{"rendered":"<p>O Pe. Manuel Saturino Costa Gomes, Director do Instituto Superior de Direito Can\u00f3nico, apresenta este acontecimento <!--more--> 1. A visita ad sacra limina apostolorum ou simplesmente visita ad limina por parte de todos os bispos do mundo inteiro que presidem \u00e0s suas igrejas, em comunh\u00e3o com a S\u00e9 Apost\u00f3lica, tem um significado bem definido: o refor\u00e7o das suas responsabilidades de sucessores dos ap\u00f3stolos e da comunh\u00e3o jer\u00e1rquica com o sucessor de S.Pedro e a refer\u00eancia, na visita a Roma, aos t\u00famulos (em latim \u201climina\u201d) dos Ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, pastores e colunas da igreja romana. O Bispo diocesano (e todos os equiparados) est\u00e1 obrigado a visitar o Sumo Pont\u00edfice de cinco em cinco anos e a apresentar um relat\u00f3rio sobre a vida da sua diocese de modo a que o Papa tenha conhecimento de quanto acontece em cada Igreja particular (cf. C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, c\u00e2nones 399 e 400). A ora\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o e o envio de um relat\u00f3rio quinquenal sobre o estado da diocese confiada ao Bispo, constituem os aspectos principais da fase preparat\u00f3ria da visita. Deste modo, o Santo Padre possuir\u00e1 elementos sobre a diocese e os organismos da C\u00faria romana poder\u00e3o manter encontros frut\u00edferos com os Pastores do mundo inteiro. A organiza\u00e7\u00e3o da visita faz-se atrav\u00e9s do N\u00fancio Apost\u00f3lico em cada pa\u00eds, da Congrega\u00e7\u00e3o para os Bispos (\u00e9 este dicast\u00e9rio romano que faz a calendariza\u00e7\u00e3o e determina os aspectos principais) e da Confer\u00eancia episcopal. No decorrer do seu Pontificado o Papa Jo\u00e3o Paulo II encontrou milhares de Pastores de todo o mundo, teve a oportunidade de conhecer a realidade eclesial e pastoral das dioceses, de partilhar experi\u00eancias, de acalentar as comunidades crist\u00e3s. A \u00faltima vez que os Bispos portugueses se deslocaram a Roma para esta visita foi em 1999, tendo o Papa recebido em audi\u00eancia os Bispos da Prov\u00edncia eclesi\u00e1stica de Braga, de Lisboa e de \u00c9vora.  O Papa Bento XVI tem recebido Bispos em visita ad limina, manifestando a todos a alegria de estreitar a comunh\u00e3o entre os membros do Col\u00e9gio episcopal. Os primeiros Bispos a serem recebidos pelo novo Romano Pont\u00edfice foram os do Sri Lanka, a 7 Maio 2005, a quem o Papa expressou a sua comunh\u00e3o.  2. Tr\u00eas s\u00e3o os momentos principais da visita: a peregrina\u00e7\u00e3o aos t\u00famulos dos dois ap\u00f3stolos; o encontro com o Romano Pont\u00edfice; os col\u00f3quios, a n\u00edvel individual ou colectivo, com os dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana. A venera\u00e7\u00e3o e a peregrina\u00e7\u00e3o a estes t\u00famulos exprimem a unidade da Igreja, fundada por Jesus Cristo e edificada sobre S.Pedro. O encontro com o sucessor de Pedro tende a consolidar a unidade na mesma f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade, e a fazer conhecer e apreciar o imenso patrim\u00f3nio de valores espirituais e morais que toda a Igreja, em comunh\u00e3o com o bispo de Roma, difundiu pelo mundo inteiro. Esta visita \u00e9, pois, um sinal da colegialidade episcopal. Sobre o significado desta visita a Roma, assim se expressa o Direct\u00f3rio para o minist\u00e9rio pastoral dos Bispos: \u00abA visita, nos seus diversos momentos lit\u00fargicos, pastorais e de encontro fraterno, tem um significado preciso para o Bispo : aumentar o seu sentido de responsabilidade como sucessor dos Ap\u00f3stolos e fortalecer a sua comunh\u00e3o com o sucessor de Pedro. A visita constitui ainda um momento importante para a vida da mesma Igreja particular que, atrav\u00e9s do seu representante, consolida os v\u00ednculos de f\u00e9, comunh\u00e3o e disciplina que a ligam \u00e0 Igreja de Roma e a todo o corpo eclesial. \u00abOs encontros fraternos com o Pont\u00edfice Romano e os seus mais pr\u00f3ximos colaboradores da C\u00faria Romana oferecem ao Bispo uma ocasi\u00e3o privilegiada n\u00e3o s\u00f3 de apresentar a situa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Diocese e as suas expectativas, como tamb\u00e9m de obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre as esperan\u00e7as, as alegrias e as dificuldades da Igreja universal, e de receber oportunos conselhos e directivas sobre os problemas do seu rebanho. Tal visita representa tamb\u00e9m um momento central para o sucessor de Pedro que recebe os pastores das Igrejas particulares a fim de discutir com eles os problemas respeitantes \u00e0 sua miss\u00e3o eclesial. A visita \u00abad limina\u00bb \u00e9, assim, express\u00e3o da solicitude pastoral de toda a Igreja\u00bb (Apostolorum Successores, 22 Fevereiro 2004, n\u00ba 15).   3. A visita de Paulo a Jerusal\u00e9m para encontrar Pedro (cf. Gal 1,18; 2,1-2), d\u00e1-nos o primeiro exemplo daqueles encontros fraternos que s\u00e3o actualmente as visitas ad limina. Desde os primeiros tempos da Igreja, o Bispo de Roma assumiu uma fun\u00e7\u00e3o peculiar na comunh\u00e3o com as outras Igrejas: a igreja de Roma preside \u00e0 &#8220;assembleia universal da caridade&#8221; (S.In\u00e1cio de Antioquia), e como consequ\u00eancia ela serve \u00e0 caridade. Da\u00ed, a antiga denomina\u00e7\u00e3o de &#8220;servo dos servos de Deus&#8221;, com que \u00e9 chamado por defini\u00e7\u00e3o o sucessor de Pedro. Cedo, os crist\u00e3os come\u00e7aram a visitar os t\u00famulos dos ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, como ponto de unidade da f\u00e9 e da comunh\u00e3o eclesial. Os Bispos, oriundos de v\u00e1rias partes, deslocavam-se tamb\u00e9m a Roma e consultavam o Bispo de Roma sobre os assuntos mais prementes das suas dioceses ou de toda a Igreja. Essa visita depressa se tornou uma obriga\u00e7\u00e3o, vindo depois a ser institucionalizada.  Temos documenta\u00e7\u00e3o que prova a pr\u00e1tica da visita ad limina a partir do s\u00e9c.IV. Mais tarde, foi-se organizando esta visita e dela encontramos ind\u00edcios e men\u00e7\u00f5es no Decreto de Graciano, nas Decretais de Greg\u00f3rio IX, na legisla\u00e7\u00e3o de Sixto V, Bento XIII, Bento XIV, Pio X, Paulo VI, Jo\u00e3o Paulo II, C\u00f3digos de Direito Can\u00f3nico, Direct\u00f3rios do minist\u00e9rio pastoral dos Bispos.   4. Em virtude da sua solicitude por todas as Igrejas, o Papa sempre se interessou pelos assuntos mais importantes das dioceses, que lhe foram remetidos  pelos respectivos Bispos ou por outro modo, a fim de que, depois de ter adquirido um conhecimento das mesmas, pudesse confirmar os irm\u00e3os na f\u00e9 em virtude do seu of\u00edcio de vig\u00e1rio de Cristo e de pastor de toda a Igreja. A rec\u00edproca comunh\u00e3o entre os Bispos de todo o mundo e o Bispo de Roma, nos v\u00ednculos da unidade, caridade e paz, supunha um imenso benef\u00edcio para a unidade da f\u00e9 e da disciplina que deve fomentar-se e manter-se em toda a Igreja (Const. Apost. Pastor Bonus). Dado que a Igreja foi crescendo ao longo dos tempos, o Papa serviu-se de v\u00e1rios meios para obter informa\u00e7\u00f5es sobre a vitalidade da mesma, para al\u00e9m dos contactos com os bispos diocesanos: envio de representantes (N\u00fancios), cartas, visitas apost\u00f3licas&#8230; Todavia, permanece insubstitu\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o pessoal que os bispos ou as confer\u00eancias episcopais possam ter periodicamente com o Romano Pont\u00edfice. O Bispo de Roma, Sucessor de Pedro e Pastor da Igreja Universal, tem assim a possibilidade de conhecer mais de perto a realidade de cada Igreja diocesana, atrav\u00e9s da informa\u00e7\u00e3o levada pelos respectivos Pastores. Estes p\u00f5em o Papa ao corrente dos seus projectos, alegrias, esperan\u00e7as, fazendo-se portadores da caminhada de f\u00e9 do seu Povo.  A visita ad limina \u00e9, em s\u00edntese, o encontro do Papa, Pastor da Igreja universal, com um Irm\u00e3o no episcopado, com um amigo, com um Pastor respons\u00e1vel que carrega consigo o peso de uma grave responsabilidade. Evite-se pensar que esta visita tem um car\u00e1cter administrativo, burocr\u00e1tico e protocolar, ela caracteriza-se por um cunho teol\u00f3gico-espiritual.   5. Habitualmente, os Bispos celebram a Missa sobre os t\u00famulos de S.Pedro e S.Paulo, nas respectivas bas\u00edlicas, orando tamb\u00e9m nas Bas\u00edlicas de S.Jo\u00e3o de Latr\u00e3o e de Santa Maria Maior. \u00c9 desej\u00e1vel a participa\u00e7\u00e3o de peregrinos provenientes das dioceses, ou de cidad\u00e3os nacionais a residir em Roma ou It\u00e1lia, para unir-se aos seus pastores no testemunho de f\u00e9 e de comunh\u00e3o eclesial. Com Jo\u00e3o Paulo II havia uma concelebra\u00e7\u00e3o com o Papa na sua capela privada, uma Eucaristia rezada logo de manh\u00e3 cedo num clima de grande interioridade, lentamente. Seguia-se depois a audi\u00eancia a cada Bispo, feita numa atmosfera cordial e sem protocolos especiais. O Papa Bento XVI segue outro estilo, mas mantendo o que \u00e9 essencial. O Papa est\u00e1 sentado junto do seu interlocutor e a seu lado h\u00e1 um mapa da diocese com as suas diversas zonas. Ele j\u00e1 leu antecipadamente o relat\u00f3rio. O Papa escuta atentamente o que lhe \u00e9 dito e de vez em quando faz alguma pergunta, encoraja os Bispos, transmite-lhes coragem, esperan\u00e7a, d\u00e1-lhes algumas indica\u00e7\u00f5es pastorais. \u00c9 um irm\u00e3o que fala com outro irm\u00e3o, algu\u00e9m que partilha as suas preocupa\u00e7\u00f5es e alegrias, que se mostra solid\u00e1rio. &#8220;Delicadeza, firmeza, clareza: tr\u00eas dotes de um servi\u00e7o respons\u00e1vel, para confirmar os irm\u00e3os empenhados em primeira linha, sobretudo em favor dos pobres e dos necessitados, para que seja satisfeita a sua fome de Deus e seja saciada tamb\u00e9m a fome de p\u00e3o&#8221; (Jo\u00e3o Paulo II). No final, recebe os Bispos em conjunto de uma prov\u00edncia eclesi\u00e1stica (ou regi\u00e3o) ou de uma confer\u00eancia episcopal, consoante o n\u00famero de membros. Escuta o discurso do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal de cada na\u00e7\u00e3o ou regi\u00e3o, em que s\u00e3o expostas as caracter\u00edsticas sociais, religiosas e pastorais dessa parte do globo. Os Bispos visitam depois os diversos dicast\u00e9rios da C\u00faria com quem mant\u00eam contactos e tratam de assuntos de comum interesse, pedem informa\u00e7\u00f5es, respondem a eventuais pedidos. A import\u00e2ncia destes contactos est\u00e1 no facto que os organismos curiais s\u00e3o os instrumentos ordin\u00e1rios do minist\u00e9rio petrino, que agem com poder ordin\u00e1rio vig\u00e1rio em nome do Papa.  7. Concluindo: as visitas ad limina s\u00e3o um momento particular de gra\u00e7a, um tempo favor\u00e1vel no qual cada Bispo leva a sua Diocese, com a sua fisionomia pr\u00f3pria e as suas riquezas espirituais a encontrar-se e a dialogar com outras Igrejas particulares, suas irm\u00e3s, numa dimens\u00e3o de Igreja universal. A visita ad limina constitui uma singular li\u00e7\u00e3o de eclesiologia pr\u00e1tica e uma profunda experi\u00eancia do mist\u00e9rio da Igreja. \u00c9 tamb\u00e9m um sinal daquela comunh\u00e3o que consiste no rec\u00edproco compenetrar-se da Igreja universal e das Igrejas locais.  <i>Pe Prof.Doutor Manuel Saturino Gomes Director do Instituto Superior de Direito Can\u00f3nico Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pe. 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