{"id":27737,"date":"2007-10-23T10:39:24","date_gmt":"2007-10-23T10:39:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/23\/numeros-da-igreja\/"},"modified":"2007-10-23T10:39:24","modified_gmt":"2007-10-23T10:39:24","slug":"numeros-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/numeros-da-igreja\/","title":{"rendered":"N\u00fameros da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Desde \u00faltima visita Ad limina, dados estat\u00edsticos da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal mostram um cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00e3o cada vez maior <!--more--> A viagem que os Bispos de Portugal come\u00e7am hoje a realizar ao Vaticano ser\u00e1 a primeira do novo mil\u00e9nio. Dos 49 Bispos em Portugal (21 residenciais, 8 auxiliares e 20 em\u00e9ritos), marcar\u00e3o presen\u00e7a no Vaticano 37, sendo de notar a aus\u00eancia do Bispo de Vila Real, por complica\u00e7\u00f5es no seu estado de sa\u00fade. Desde 1999, data da \u00faltima visita Ad limina, muita coisa mudou na vida das v\u00e1rias Diocese do pa\u00eds, na Igreja e no mundo. Desde logo, o Papa que vai receber os Bispos do nosso pa\u00eds \u00e9 Bento XVI, que ser\u00e1 informado da realidade das 21 Dioceses portuguesas. Os relat\u00f3rios entregues pelos prelados dever\u00e3o abranger um per\u00edodo ligeiramente superior aos 5 anos requeridos pelo Vaticano, procurando mostrar o rosto da Igreja nestes novos tempos. A frieza dos n\u00fameros ajuda, desde logo, a perceber este clima de mudan\u00e7a: o \u201cguia\u201d da Igreja Cat\u00f3lica de Portugal confirma, na sua edi\u00e7\u00e3o de 2007, a quebra progressiva do n\u00famero de Baptismos e de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais, entre outros. De 2000 a Dezembro de 2005, o n\u00famero de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2934 (menos 225), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo n\u00famero. A situa\u00e7\u00e3o de 2005 mostra que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um \u00e9 ordenado (41 novos sacerdotes). A isto se somam, em m\u00e9dia, 5 defec\u00e7\u00f5es por ano. Apesar desta quebra no n\u00famero de padres, a esmagadora maioria das mais de 4 mil par\u00f3quias continuam confiadas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o sacerdotal (99,54%) e apenas 20 par\u00f3quias s\u00e3o administradas pastoralmente por di\u00e1conos, religiosas e leigos, n\u00famero ali\u00e1s que tem vindo a decrescer de forma consistente. Os seminaristas de filosofia e teologia tamb\u00e9m s\u00e3o menos, segundo os \u00faltimos dados dispon\u00edveis: de 547, entre diocesanos e religiosos, em 2000 passou-se para 475 em 2005. O n\u00famero de Baptismo mostra uma redu\u00e7\u00e3o significativa, mas esse dado deve ser lido \u00e0 luz da varia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de nascimentos em cada ano. Em 2000 foram baptizadas mais de 92 mil crian\u00e7as com menos de 7 anos, e em 2005 esse n\u00famero ficou-se pelos 79 236. Comparativamente a 2001 (100 256) a quebra \u00e9 de mais de 20%. Os Baptismos depois dos 7 anos representam, actualmente, cerca de 6% do total e chegou, em 2005, aos 5301 (5938 em 2000). Em Portugal, a percentagem de cat\u00f3licos \u00e9 agora de 89,9% &#8211; 9,35 milh\u00f5es de cat\u00f3licos para uma popula\u00e7\u00e3o de 10,4 milh\u00f5es de pessoas. O Recenseamento da Pr\u00e1tica Dominical, datado de 2001, mostrava que o n\u00famero total de praticantes n\u00e3o chegava, contudo, aos 2 milh\u00f5es de fi\u00e9is. O nosso pa\u00eds tinha no final de 2005, segundo os dados da CEP, 50 Bispos, 2934 padres diocesanos, 1050 padres de Institutos Religiosos, 174 di\u00e1conos permanentes, 321 religiosos professos e 5890 religiosas professas. Um dado curioso diz respeito aos Bispos titulares das Dioceses: desde o ano 2000, foram 12 as Dioceses (mais de metade) que passaram a contar com um novo Bispo (a que se somam outros quatro Bispos Auxiliares actualmente em Braga, \u00c9vora e Lisboa). Apenas tr\u00eas Dioceses t\u00eam um Bispo h\u00e1 mais de 10 anos, sendo que o &#8220;decano&#8221; nesta mat\u00e9ria \u00e9 D. Maur\u00edlio de Gouveia, \u00e0 frente da Arquidiocese de \u00c9vora desde 1981. No quadro temporal em an\u00e1lise ganham ainda relevo a assinatura da Concordata entre Portugal e a Santa S\u00e9, no ano de 2004. O documento consagrava o princ\u00edpio da &#8220;coopera\u00e7\u00e3o&#8221;, mas tem gerado algumas dificuldades por causa dos atrasos na regulamenta\u00e7\u00e3o de pontos delicados. Entre as v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Concordata de 2004, destacam-se as que se referem \u00e0s mat\u00e9rias fiscais e ao reconhecimento da personalidade jur\u00eddica da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Outras mudan\u00e7as foram tamb\u00e9m introduzidas na nomea\u00e7\u00e3o dos Bispos, no estatuto da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e na assist\u00eancia religiosa que a Igreja Cat\u00f3lica presta nas For\u00e7as Armadas, nas pris\u00f5es e nos hospitais. Tamb\u00e9m deste per\u00edodo data a Lei da Liberdade Religiosa e a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Liberdade Religiosa, onde a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa se faz representar por dois elementos. O quadro legal criado n\u00e3o impede, contudo, o crescimento de uma onda secularizante e laicista na sociedade, que tende a remeter a presen\u00e7a da religi\u00e3o para a esfera privada. Um cap\u00edtulo que n\u00e3o dever\u00e1 faltar nesta visita, apesar de n\u00e3o directamente relacionado com a Igreja, \u00e9 o do \u00faltimo referendo ao aborto, onde se assistiu a uma mobiliza\u00e7\u00e3o de leigos que s\u00f3 encontra paralelo nos tempos da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. A liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto levou a CEP a falar numa &#8220;muta\u00e7\u00e3o cultural&#8221;, express\u00e3o que, em larga medida, resumir\u00e1 perante o Papa o essencial da vida da Igreja e da sociedade do nosso pa\u00eds, nestes \u00faltimos anos.  <b>Balan\u00e7o<\/b> Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o Secret\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo admite que, apesar da quebra, h\u00e1 &#8220;um crescimento de alguns movimentos, sobretudo dos Neo-Catecumenais\u201dem v\u00e1rias dioceses em que \u201ct\u00eam uma implanta\u00e7\u00e3o forte e t\u00eam formado muitos crist\u00e3os\u201d.  O Secret\u00e1rio da CEP diz tamb\u00e9m que a quebra no n\u00famero de ordena\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o mereceu resposta cabal por parte das dioceses que \u201cn\u00e3o t\u00eam tido uma preocupa\u00e7\u00e3o de lan\u00e7ar uma pastoral vocacional\u201d. \u201cParece uma quest\u00e3o que aflige apenas verbalmente, porque n\u00e3o h\u00e1 um envolvimento de equipas e um estabelecer de prioridades\u201d, aponta.  Confrontado com os n\u00fameros da Igreja em Portugal, o Bispo Auxiliar de Lisboa lembra que \u201chouve uma preocupa\u00e7\u00e3o imediata com a situa\u00e7\u00e3o e convidou-se algumas personalidades a ajudar os bispos a reflectir sobre esta tem\u00e1tica\u201d. A situa\u00e7\u00e3o, contudo, \u00e9 comparada \u00e0 da \u00e9poca de inc\u00eandios: \u201cToda a gente est\u00e1 preocupada na altura &#8211; mas, passada essa fase, espera-se pelo ano seguinte. No ano 2010 ou 2011, quando se fizer outro censo, ficaremos preocupados. At\u00e9 l\u00e1 ficaremos descansados\u201d.  D. Carlos Azevedo considera, por outro lado, que &#8220;as celebra\u00e7\u00f5es continuam a ter pouca beleza. Muitas vezes, as homilias s\u00e3o mal preparadas. A m\u00fasica lit\u00fargica n\u00e3o aumenta de qualidade. As propostas de oferta de celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o as mais adequadas. Por outro lado, a forma\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os com sentido de vida comunit\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 escassa\u201d.   Num olhare sobre o futuro, indica que &#8220;a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o passa muito pelos sectores da Fam\u00edlia e da Juventude\u201d. \u201cOs dez anos de catequese n\u00e3o est\u00e3o a formar crist\u00e3os. Os milhares de crismados feitos todos os anos nas dioceses n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3os de corpo inteiro nas comunidades crist\u00e3s. N\u00e3o rejuvenescem as comunidades crist\u00e3s. Estas situa\u00e7\u00f5es obrigam-nos a parar para pensar. \u00c9 fundamental a vitalidade crist\u00e3. Temos que reconsiderar a forma de fazer pastoral\u201d, afirma.  O Secret\u00e1rio da CEP defende, ainda, que \u201cos padres devem dedicar-se mais \u00e0 sua miss\u00e3o espec\u00edfica\u201d de \u201cevangelizar e formar crist\u00e3os\u201d e \u201clibertarem-se de tarefas que foram acumulando, como a de gest\u00e3o de centros sociais ou a administra\u00e7\u00e3o de bens das par\u00f3quias ou dioceses\u201d.  Este respons\u00e1vel admite ainda que &#8220;h\u00e1 uma grande dificuldade de operacionalidade na Igreja em Portugal. Fazem-se an\u00e1lises objectivas e interessantes, mas n\u00e3o h\u00e1 quem d\u00ea corpo \u00e0s solu\u00e7\u00f5es apontadas&#8221;.  &#8220;Se v\u00edssemos as conclus\u00f5es de todas as semanas nacionais ter\u00edamos que fazer um exame de consci\u00eancia. Muitas coisas foram meramente desejadas e n\u00e3o concretizadas&#8221;, alerta.  Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as nas Dioceses portuguesas, D. Carlos Azevedo lembra que &#8220;quando um bispo vai para uma diocese acolhe os dinamismos desse territ\u00f3rio eclesial, mas tamb\u00e9m deve construir um projecto com essa diocese&#8221;.  &#8220;Nos \u00faltimos tempos, muitas delas realizaram s\u00ednodos diocesanos. Os s\u00ednodos levam uma diocese a repensar-se, s\u00f3 que as mudan\u00e7as culturais t\u00eam sido muito r\u00e1pidas e o contexto pol\u00edtico e social tamb\u00e9m tem sido adverso&#8221;, indica.  Nesta entrevista, o Secret\u00e1rio da CEP admite que &#8220;quando se fazem actos relacionados com a religi\u00e3o individual &#8211; caso das prociss\u00f5es ou grandes festas &#8211; as pessoas aderem. Todavia, isto n\u00e3o significa nada do ponto de vista comunit\u00e1rio porque muitas vezes n\u00e3o passa de uma mera religi\u00e3o natural que tem pouco fundamento crist\u00e3o e evang\u00e9lico&#8221;.   &#8220;Perante a leitura dos dados \u00e9 fundamental \u00abarrega\u00e7ar as mangas\u00bb para formar crist\u00e3os&#8221;, aponta.      <B>Entrevista na \u00edntegra<\/b> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=52083\">\u2022 Catolicismo em mudan\u00e7a apresentado no Vaticano<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde \u00faltima visita Ad limina, dados estat\u00edsticos da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal mostram um cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00e3o cada vez 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