{"id":27734,"date":"2007-10-23T10:20:25","date_gmt":"2007-10-23T10:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/23\/catolicismo-em-mudanca-apresentado-no-vaticano\/"},"modified":"2007-10-23T10:20:25","modified_gmt":"2007-10-23T10:20:25","slug":"catolicismo-em-mudanca-apresentado-no-vaticano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catolicismo-em-mudanca-apresentado-no-vaticano\/","title":{"rendered":"Catolicismo em mudan\u00e7a apresentado no Vaticano"},"content":{"rendered":"<p>Secret\u00e1rio da CEP antecipa visita dos Bispos ao Papa, a primeira em oito anos <!--more--> Numa longa entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, D. Carlos Azevedo, Secret\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, analisa as altera\u00e7\u00f5es no catolicismo portugu\u00eas, que os Bispos apresentar\u00e3o no Vaticano na pr\u00f3xima visita Ad limina.  <i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE)  &#8211; Na primeira visita \u00abAd limina\u00bb dos bispos de Portugal neste mil\u00e9nio que rosto ou imagem levar\u00e3o da Igreja Portuguesa ao Papa Bento XVI? D. Carlos Azevedo (CA) &#8211;<\/i> Esse quadro ser\u00e1 dif\u00edcil de estabelecer porque cada relat\u00f3rio da visita \u00abAd Limina\u00bb \u00e9 enviado pelos bispos de cada diocese. N\u00e3o h\u00e1 uma vis\u00e3o de conjunto do que \u00e9 a realidade dessas dioceses. S\u00f3 a conhecemos atrav\u00e9s do Anu\u00e1rio Cat\u00f3lico e atrav\u00e9s das estat\u00edsticas. Estes dados s\u00e3o um pouco \u00absecos\u00bb para percebermos a realidade pastoral e as dificuldades de cada diocese. No entanto, conclu\u00edmos que, nos \u00faltimos anos, h\u00e1 um decr\u00e9scimo de frequ\u00eancia de pr\u00e1tica dominical. Notamos tamb\u00e9m que, a n\u00edvel da realidade pastoral, h\u00e1 uma dificuldade de rela\u00e7\u00e3o com a juventude e com as quest\u00f5es da fam\u00edlia. Por outro lado, h\u00e1 um crescimento de alguns movimentos, sobretudo dos Neo-Catecumenais. Em algumas dioceses, estes t\u00eam uma implanta\u00e7\u00e3o forte e t\u00eam formado muitos crist\u00e3os.  A n\u00edvel dos semin\u00e1rios e de ordena\u00e7\u00f5es para o minist\u00e9rio presbiteral notamos que h\u00e1 um decr\u00e9scimo desde o ano 2000. Apesar desta fragilidade, as dioceses n\u00e3o t\u00eam tido uma preocupa\u00e7\u00e3o de lan\u00e7ar uma pastoral vocacional. Parece uma quest\u00e3o que aflige apenas verbalmente porque n\u00e3o h\u00e1 um envolvimento de equipas e um estabelecer de prioridades.  <i>AE &#8211; Perante estas constata\u00e7\u00f5es, j\u00e1 existe uma reflex\u00e3o sobre o porqu\u00ea deste decr\u00e9scimo da pr\u00e1tica dominical? CA &#8211;<\/i> Na altura &#8211; ainda n\u00e3o estava na Confer\u00eancia Episcopal &#8211; houve uma preocupa\u00e7\u00e3o imediata com a situa\u00e7\u00e3o e convidou-se algumas personalidades a ajudar os bispos a reflectir sobre esta tem\u00e1tica. Parece a \u00e9poca dos inc\u00eandios &#8211; toda a gente est\u00e1 preocupada na altura &#8211; mas, passada essa fase, espera-se pelo ano seguinte. No ano 2010 ou 2011, quando se fizer outro censo, ficaremos preocupados. At\u00e9 l\u00e1 ficaremos descansados.  <i>AE &#8211; A Igreja est\u00e1 despreocupada com estes pormenores importantes? CA &#8211;<\/i> Se as pessoas deixam de frequentar, devemos aprofundar as raz\u00f5es e fazer um programa para que voltem.  <i>AE &#8211; H\u00e1 ou n\u00e3o h\u00e1 reflex\u00e3o sobre estas quest\u00f5es? CA &#8211;<\/i> Houve reflex\u00e3o, mas depois n\u00e3o existiu um conjunto de medidas eficazes e operacionais que atendessem a estes problemas. Podemos dizer que \u00e9 inevit\u00e1vel &#8211; as pessoas t\u00eam outras prioridades &#8211; mas, daquilo que depende de n\u00f3s, n\u00e3o se faz muito. As celebra\u00e7\u00f5es continuam a ter pouca beleza. Muitas vezes, as homilias s\u00e3o mal preparadas. A m\u00fasica lit\u00fargica n\u00e3o aumenta de qualidade. As propostas de oferta de celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o as mais adequadas. Por outro lado, a forma\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os com sentido de vida comunit\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 escassa. Quando se fazem actos relacionados com a religi\u00e3o individual &#8211; caso das prociss\u00f5es ou grandes festas &#8211; as pessoas aderem. Todavia, isto n\u00e3o significa nada do ponto de vista comunit\u00e1rio porque muitas vezes n\u00e3o passa de uma mera religi\u00e3o natural que tem pouco fundamento crist\u00e3o e evang\u00e9lico. Perante a leitura dos dados \u00e9 fundamental \u201carrega\u00e7ar as mangas\u201d para formar crist\u00e3os.  <i>AE &#8211; Como superar as dificuldades de di\u00e1logo com a juventude e a fam\u00edlia? CA &#8211;<\/i> N\u00e3o me compete dar receitas, mas reconhe\u00e7o que h\u00e1 experi\u00eancias positivas. Os movimentos s\u00e3o capazes de apontar algumas vias de solu\u00e7\u00e3o. A Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o passa muito pelos sectores da Fam\u00edlia e da Juventude. Pela constru\u00e7\u00e3o de lares que sejam igrejas dom\u00e9sticas e ser mais profunda a transmiss\u00e3o da f\u00e9 para as novas gera\u00e7\u00f5es. Os dez anos de catequese n\u00e3o est\u00e3o a formar crist\u00e3os. Os milhares de crismados feitos todos os anos nas dioceses n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3os de corpo inteiro nas comunidades crist\u00e3s. N\u00e3o rejuvenescem as comunidades crist\u00e3s. Estas situa\u00e7\u00f5es obrigam-nos a parar para pensar. \u00c9 fundamental a vitalidade crist\u00e3. Temos que reconsiderar a forma de fazer pastoral.  <b>Cristianismo em Portugal<\/b> <i>AE &#8211; Essa vitalidade existe nas express\u00f5es de religiosidade popular. Os portugueses s\u00e3o crist\u00e3os da festa da aldeia? CA &#8211;<\/i> A pr\u00e1tica de um certo catolicismo popular ainda \u00e9 um sustent\u00e1culo de alguma liga\u00e7\u00e3o com a Igreja. Apesar das pistas dadas para evangelizar essas pr\u00e1ticas populares, essas ficam muitas vezes reduzidas \u00e0 sua express\u00e3o natural. N\u00e3o se lhes d\u00e1 uma vertente cristianizada ou evangelizada.  <i>AE &#8211; Falta dar o salto para o sentido comunit\u00e1rio da festa? CA &#8211;<\/i> \u00c9 preciso uma experi\u00eancia de Deus. Muitos ainda n\u00e3o se encontraram com Cristo, apesar de terem alguma pr\u00e1tica religiosa. Muita vezes ficamos admirados como \u00e9 que as pessoas, de manh\u00e3, v\u00e3o a uma celebra\u00e7\u00e3o, \u00e0 tarde, v\u00e3o a uma seita, e, \u00e0 noite, v\u00e3o \u00e0 bruxa. Isto significa que h\u00e1 uma aspira\u00e7\u00e3o espiritual muito vaga. As pessoas sentam necessidade de algo mais, mas n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o profunda por Cristo.  <i>AE &#8211; Como n\u00e3o consegue educar correctamente os crist\u00e3os, podemos dizer que o clero \u00e9 mau professor?  CA &#8211;<\/i> A transmiss\u00e3o da f\u00e9 n\u00e3o passa apenas pelos pastores. Passa por toda a comunidade crist\u00e3. \u00c9 fundamental, na Igreja portuguesa, a urg\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os adultos. H\u00e1 um investimento grande na catequese da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, mas formar agentes da nova evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil. \u00c9 uma das lacunas da Igreja em Portugal.  <i>AE &#8211; O que significa o \u00abchav\u00e3o\u00bb da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o? CA &#8211;<\/i>  \u00c9 um modo novo (nova linguagem, novo m\u00e9todo, novo ardor) de despertar atitudes para a viv\u00eancia da f\u00e9 nos j\u00e1 baptizados. Nota-se falta de coer\u00eancia nos valores e na dimens\u00e3o vivencial dos crist\u00e3os. Falta uma verdaeira \u00abNova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb.  <i>AE &#8211; No entanto alguns movimentos est\u00e3o numa fase crescente. A\u00ed, j\u00e1 chegou a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o? CA &#8211;<\/i> Eles s\u00e3o capazes de chegar a essa dimens\u00e3o atrav\u00e9s da exig\u00eancia de vida. No caso dos Carism\u00e1ticos, mais pela ora\u00e7\u00e3o. No caso dos Neo-Catecumenais, pela forma\u00e7\u00e3o catecumenal. \u00c9 uma forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 meramente doutrinal. Muitas vezes reduzimos a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e0 vertente escolar. A catequese n\u00e3o \u00e9 uma escola. O catecumenado n\u00e3o \u00e9 uma escola. \u00c9 uma aprendizagem de vida, tal como aconteceu com Jesus e os disc\u00edpulos.    <i>AE &#8211; Os m\u00e9todos desses movimentos s\u00e3o apostas para o futuro? CA &#8211;<\/i> Essas experi\u00eancias s\u00e3o eficazes na forma\u00e7\u00e3o mas n\u00e3o podemos reduzir somente a estas. \u00c9 fundamental recorrer \u00e0 diversidade de formas pastorais na Igreja. Nem todos t\u00eam uma apet\u00eancia para seguir uma metodologia carism\u00e1tica ou neo-catecumenal.   <i>AE &#8211; No entanto, estas t\u00eam tido sucesso. CA &#8211;<\/i> Demonstram-nos que \u00e9 poss\u00edvel a vivacidade da f\u00e9. Existem par\u00f3quias que tamb\u00e9m t\u00eam sucesso, mas s\u00e3o menos faladas. Como a cristandade acabou \u00e9 necess\u00e1ria uma nova forma de pr\u00e1tica pastoral. Jo\u00e3o Paulo II apelou a uma nova metodologia para a vida pastoral.   <b>Olhar a sociedade<\/b> <i>AE &#8211; O m\u00e9todo \u00abVer-Julgar-Agir\u00bb da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica n\u00e3o funciona nos tempos contempor\u00e2neos? CA &#8211;<\/i> \u00c9 uma metodologia eficaz. Se existirem formadores que a apliquem no concreto da vida das pessoas, ela continua a ser uma forma de formar. N\u00e3o se trata apenas de ver a sociedade e depois fazer an\u00e1lises. Se v\u00edssemos as conclus\u00f5es de todas as semanas nacionais ter\u00edamos que fazer um exame de consci\u00eancia. Muitas coisas foram meramente desejadas e n\u00e3o concretizadas. Certo dia, disse numa entrevista que temos uma pastoral muito er\u00f3tica porque fica apenas nos desejos.  <i>AE &#8211; Recentemente, disse que \u00abn\u00e3o intervir \u00e9 pecar\u00bb. A igreja j\u00e1 viu os problemas mas n\u00e3o consegue dar o salto para a interven\u00e7\u00e3o? CA &#8211;<\/i> H\u00e1 uma grande dificuldade de operacionalidade na Igreja em Portugal. Fazem-se an\u00e1lises objectivas e interessantes, mas n\u00e3o h\u00e1 quem d\u00ea corpo \u00e0s solu\u00e7\u00f5es apontadas.  <i>AE &#8211; Numa civiliza\u00e7\u00e3o urbana, onde a indiferen\u00e7a reina, a Igreja deveria assumir um papel congregador. CA &#8211;<\/i> Isso acontece muitas vezes. Ir \u00e0 missa ao domingo n\u00e3o deve ser uma \u00abobriga\u00e7\u00e3o\u00bb mas o celebrar a f\u00e9.   <i>AE &#8211; A celebra\u00e7\u00e3o implica alegria, mas essa \u00e9, muitas vezes, escassa nas eucaristias.  CA &#8211;<\/i> Muitas vezes, o celebrante tem que fazer um esfor\u00e7o para animar a comunidade. As pessoas est\u00e3o sisudas e d\u00e3o respostas sem vivacidade. Os crist\u00e3os quando entram na igreja colocam uma cara de sexta-feira santa. Temos um cristianismo pouco pascal e demasiado quaresmal. \u00c9 reduzida a perspectiva de acolher o cristianismo como salva\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a. Espero que a nova enc\u00edclica do Papa possa impulsionar esta din\u00e2mica.  <b>Linguagens<\/b> <i>AE &#8211; Os documentos pontif\u00edcios n\u00e3o s\u00e3o demasiado \u00abpesados\u00bb para a pouca forma\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os portugueses? CA &#8211;<\/i> Depois de publicados, os documentos s\u00e3o explicados nas par\u00f3quias. Usa-se uma linguagem simples para criar apetite \u00e0s pessoas e as fazer entender o conte\u00fado. Os documentos de Bento XVI s\u00e3o mais f\u00e1ceis de ler do que os de Jo\u00e3o Paulo II. Apesar de n\u00e3o termos crist\u00e3os preparados \u00e9 fundamental elevar o n\u00edvel.   <i>AE &#8211; A Pastoral Vocacional \u00e9 outro ponto que merece a aten\u00e7\u00e3o do episcopado. O n\u00famero de candidatos est\u00e1 a diminuir a olhos vistos. \u00c9 o reflexo do hedonismo da sociedade? CA &#8211;<\/i> Deve-se \u00e0 complexidade da hierarquia de valores. Esta concretiza-se nas escolhas das pessoas. Por outro lado, assistimos a fam\u00edlias menos numerosas e os pais n\u00e3o colocam a hip\u00f3tese de o filho ser padre. Muitas vezes, a comunidade tamb\u00e9m n\u00e3o aprecia o trabalho daqueles que se dedicam a esta miss\u00e3o. O padre aparece como \u201cburro de carga\u201d que assume imensas tarefas e isto n\u00e3o seduz o jovem. Actualmente, as pessoas preferem a qualidade de vida. \u00c9 um conjunto de factores internos e externos \u00e0 vida da igreja. Quando os obst\u00e1culos s\u00e3o maiores, \u00e9 necess\u00e1ria maior capacidade para os ultrapassar.  <i>AE &#8211; N\u00e3o era prefer\u00edvel dar algumas tarefas aos leigos para aliviar o trabalho dos padres? CA &#8211;<\/i> Os padres devem dedicar-se mais \u00e0 sua miss\u00e3o espec\u00edfica.  <i>AE &#8211; Qual \u00e9 essa miss\u00e3o espec\u00edfica? CA &#8211;<\/i> Verem-se livres de tarefas adjacentes que foram acumulando ao longo da hist\u00f3ria. T\u00eam alguma dificuldade em se desprenderem do que acumularam. Um padre n\u00e3o tem que ser gestor de centros sociais. O padre n\u00e3o tem que ser administrador dos bens de uma par\u00f3quia ou diocese. O padre n\u00e3o tem que ser o burocrata de servi\u00e7o da par\u00f3quia. A sua miss\u00e3o espec\u00edfica \u00e9 evangelizar e formar crist\u00e3os. Ser mistagogo. Esta \u00e9 outra dimens\u00e3o que tem sido descuidada.  <i>AE &#8211; Voltar \u00e0s catequeses mistag\u00f3gicas. CA &#8211;<\/i> N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 as catequeses mistag\u00f3gicas. Ensinar as pessoas a abrirem-se ao mist\u00e9rio (mistagogia) e ensinar as pessoas a terem uma viv\u00eancia espiritual de Deus. Cada vez mais as tarefas educativas e administrativas devem ser entregues a leigos para que os padres assumam a sua miss\u00e3o espec\u00edfica.  <b>N\u00fameros<\/b> <i>AE &#8211; Olhando para as estat\u00edsticas, observamos que os n\u00fameros no clero regular n\u00e3o baixaram tanto como no clero secular. Ser\u00e1 que os jovens est\u00e3o mais despertos para as actividades mission\u00e1rias? CA &#8211;<\/i> Essa an\u00e1lise \u00e9 superficial. Qual \u00e9 a raz\u00e3o da perman\u00eancia desse n\u00famero? A raz\u00e3o n\u00e3o se deve a mais ordena\u00e7\u00f5es porque n\u00e3o sabemos esse n\u00famero. Deve-se ao regresso de muitos mission\u00e1rios e fez com que o n\u00famero se mantivesse semelhante. Por outro lado, nota-se que algumas congrega\u00e7\u00f5es religiosas t\u00eam uma pastoral eficaz. Pela sua presen\u00e7a na universidade &#8211; dou o exemplo dos jesu\u00edtas que t\u00eam voca\u00e7\u00f5es com regularidade &#8211; e pela presen\u00e7a no mundo juvenil ou na estrutura familiar. A viv\u00eancia em comunidade tem mais atrac\u00e7\u00e3o.  <i>AE &#8211; Nos \u00faltimos dez anos, grande parte das dioceses portuguesas receberam novos bispos. Estas altera\u00e7\u00f5es trouxeram os resultados esperados? CA &#8211;<\/i> Os tempos s\u00e3o dif\u00edceis. N\u00e3o basta que haja uma mudan\u00e7a e, sobretudo, n\u00e3o basta que haja a mudan\u00e7a do pastor. \u00c9 preciso a mudan\u00e7a de pastoral e ter coragem. As doze dioceses que mudaram de bispo n\u00e3o revelam um dinamismo pastoral inovador. Mudaram os pastores, mas n\u00e3o mudou a pastoral.  <i>AE &#8211; Aos pastores compete dar uma nova din\u00e2mica. CA &#8211;<\/i> Quando um bispo vai para uma diocese acolhe os dinamismos desse territ\u00f3rio eclesial, mas tamb\u00e9m deve construir um projecto com essa diocese. Nos \u00faltimos tempos, muitas delas realizaram s\u00ednodos diocesanos. Os s\u00ednodos levam uma diocese a repensar-se. S\u00f3 que as mudan\u00e7as culturais t\u00eam sido muito r\u00e1pidas e o contexto pol\u00edtico e social tamb\u00e9m tem sido adverso. Daquilo que se observa de fora n\u00e3o notamos experi\u00eancias inovadoras de pastoral. Ainda temos uma perspectiva demasiado clerical e muita desconfian\u00e7a dos leigos, em Portugal.  <i>AE &#8211; Na pr\u00f3xima visita \u00abAd Limina\u00bb, os bispos residenciais levar\u00e3o a Bento XVI os resultados do seu trabalho pastoral. Qual \u00e9 o papel dos bispos auxiliares?  CA &#8211;<\/i> Os relat\u00f3rios j\u00e1 foram enviados pelos bispos diocesanos. Agora vamos ouvir o que o Papa diz \u00e0 Igreja Portuguesa depois de ler essas informa\u00e7\u00f5es. A fun\u00e7\u00e3o principal dos bispos auxiliares \u00e9 acompanhar.  <i>AE &#8211; Sendo apologista da pastoral da proximidade, n\u00e3o seria prefer\u00edvel a reorganiza\u00e7\u00e3o das dioceses em vez de bispos auxiliares? CA &#8211;<\/i> Esse tema \u00e9 recorrente. Acho que deveriam existir dioceses mais pequenas para haver essa rela\u00e7\u00e3o com o bispo. No entanto, tem havido dificuldade no terreno para encontrar formas de executar esse desejo. Para reorganizar as dioceses \u00e9 necess\u00e1rio coragem. Tudo o que exige alguma determina\u00e7\u00e3o e coragem esbarra porque as pessoas n\u00e3o querem enfrentar problemas pastorais.  Por outro lado, Roma deseja que os bispos auxiliares sejam reduzidos ao m\u00ednimo.  <b>Igreja\/Estado<\/b> <i>AE &#8211; Em 2004, Portugal assinou uma nova concordata com a Santa S\u00e9. A assinatura n\u00e3o foi demasiado precipitada visto que, actualmente, est\u00e3o a surgir algumas dificuldades na regulamenta\u00e7\u00e3o de determinados pontos? CA &#8211;<\/i> N\u00e3o foi precipitada. A redac\u00e7\u00e3o de um ou outro artigo \u00e9 que poderia ter sido mais cuidada. Com a nova Concordata criou-se uma nova mentalidade. A Concordata corresponde a uma nova perspectiva do papel da igreja na sociedade. Parece que n\u00e3o est\u00e1vamos preparados para tal e n\u00e3o percebemos a perspectiva do II Conc\u00edlio do Vaticano sobre as rela\u00e7\u00f5es Igreja\/Estado.  Por outro lado, o momento actual coincide com um laicismo mais vivo que n\u00e3o compreende a dimens\u00e3o religiosa na vida cultural e social do povo. O que falta \u00e9 criar estruturas de negocia\u00e7\u00e3o para que a Concordata seja regulamentada. Parece que se criou um certo vazio legal. A Concordata est\u00e1 em vigor mas ter\u00e1 que existir uma regulamenta\u00e7\u00e3o como havia na antiga Concordata. Enquanto n\u00e3o h\u00e1, alguns membros do Governo come\u00e7am a tomar medidas soltas.   <i>AE &#8211; Depois de ler os relat\u00f3rios, Bento XVI dar\u00e1 alguns algumas directivas aos bispos portugueses. Imagina o que ele dir\u00e1? CA &#8211;<\/i> Se fosse eu a influenciar o discurso do Papa acho que haveria alguns t\u00f3picos importantes a sublinhar: a urg\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o de adultos; os padres apostarem na sua miss\u00e3o espec\u00edfica; valoriza\u00e7\u00e3o da espiritualidade; necessidade de experi\u00eancias provocantes da f\u00e9; nova configura\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a da igreja na sociedade e a urg\u00eancia da igreja n\u00e3o fechar os olhos aos problemas dos mais carenciados da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Secret\u00e1rio da CEP antecipa visita dos Bispos ao Papa, a primeira em oito 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