{"id":277123,"date":"2023-04-08T09:00:12","date_gmt":"2023-04-08T08:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=277123"},"modified":"2023-04-03T12:40:19","modified_gmt":"2023-04-03T11:40:19","slug":"jmj-tempo-de-cristo-afirmacao-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jmj-tempo-de-cristo-afirmacao-da-igreja\/","title":{"rendered":"JMJ: tempo de Cristo, afirma\u00e7\u00e3o da Igreja!"},"content":{"rendered":"<p><em>Nuno Camelo, Arquidiocese de \u00c9vora<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Nuno-Camelo-8_4_2023.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-277124 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Nuno-Camelo-8_4_2023-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Nuno-Camelo-8_4_2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Nuno-Camelo-8_4_2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Nuno-Camelo-8_4_2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Nuno-Camelo-8_4_2023-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Nuno-Camelo-8_4_2023.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O tempo da Igreja \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de Cristo e este tempo \u00e9 de encontro, n\u00e3o pode ser de outra coisa qualquer.<\/em><\/p>\n<p>Temos tido muito a tend\u00eancia de assumir que (i) a JMJ 2023 \u00e9 de Lisboa (de todo um Portugal), (ii) que acontecer\u00e1 em agosto, (iii) que contar\u00e1 com um encontro com o Papa e (iv) que terminar\u00e1 naqueles dias quentes de ver\u00e3o. Pois o tempo passa, o passo acerta e os cora\u00e7\u00f5es exaltam-se para que exultem neste caminho, e \u00e9 aqui que reside o segredo mais mal guardado de sempre. Passo a explicar\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(i) A JMJ LISBOA 2023 \u00e9 um momento do mundo, da Igreja reunida e da Igreja dispersa, dos fi\u00e9is convictos e dos crentes em caminho, dos envergonhados da F\u00e9 e dos desavindos com Deus, dos fortes por convic\u00e7\u00e3o e dos fracos por direito, dos sobreviventes do tempo e dos conquistadores do espa\u00e7o, de homens, mulheres, anci\u00e3os e jovens, adolescentes e crian\u00e7as, fam\u00edlias e comunidades. A JMJ \u00e9 um peda\u00e7o de bom e firme caminho em tantas veredas mal vincadas por esse mundo. A JMJ \u00e9 luz que s\u00f3 assim se reconhece porque um momento, um dia, uma vida, nos encontr\u00e1mos no escuro do vazio e na penumbra da solid\u00e3o.<\/p>\n<p>A JMJ \u00e9 a festa do mundo moderno, abra\u00e7os com uma Igreja que se quer em sa\u00edda em caminho sinodal, capaz de ir e voltar das periferias, com uma grandeza de quem chega, acolhe, conhece, transforma e ama os que para si olham, e quando volta, o faz revigorada, convertida tamb\u00e9m para a pequenez, para a prote\u00e7\u00e3o dos mais fracos, para a ajuda dos mais pobres e para a renova\u00e7\u00e3o. A JMJ n\u00e3o \u00e9 da Lisboa portuguesa nem do Portugal deste pa\u00eds, ela \u00e9 um tempo do mundo que reclama, por que acredita ainda, que a F\u00e9 move montanhas sem nunca as retirar do s\u00edtio.<\/p>\n<p>Viver esta oportunidade \u00e9 saber j\u00e1 que n\u00e3o nos pertence porque sim, mas que antes, ter\u00e1 que ser conquistada como tudo na vida, e essa conquista, por mais que se pare\u00e7a como uma demanda de todos, ao mesmo tempo, em todos os lugares, \u00e9 muito menos do que isso porque se torna muito mais do que tudo, \u00e9 verdadeiramente um encontro com Jesus Cristo Vivo, vivificante, presente, transformador, arrebatador e capaz de seduzir para uma vida nova. Jesus vive se deixarmos que essa vida nos inunde, se ao colocarmos o p\u00e9 sobre as \u00e1guas, n\u00e3o tivermos medo de afundar no frio do mar e, a partir dessa imers\u00e3o, voltar \u00e0 superf\u00edcie completamente enxutos do mundo. Jesus vive em cada um e quando entendermos que \u00e9 de n\u00f3s que Ele anda \u00e0 procura, vamos deixar de o procurar incessantemente, porque Ele j\u00e1 est\u00e1 em n\u00f3s, e a\u00ed o leme n\u00e3o mais fica vazio, nem n\u00f3s no fundo do barco a reclamar que nos abandona no meio da tempestade e a\u00ed, nesse momento, a JMJ \u00e9 o momento do mundo todo dentro daquele barco no centro do lago, sem pressa para voltar \u00e0 margem, sem pressa de deixar Jesus\u2026<\/p>\n<p>(ii) A JMJ LISBOA 2023 \u00e9 um caminho, n\u00e3o \u00e9 uma chegada. Quem me garante a mim que possa estar a viver isto tudo em agosto, rodando a cabe\u00e7a e descobrindo os outros de m\u00e3os dadas nas minhas? E quem me diz a mim que o Papa l\u00e1 do alto da sua simplicidade de Deus, encontra os meus olhos no meio da multid\u00e3o a entoar o c\u00e2ntico de Pedro? Quem me diz que a JMJ acontecer\u00e1 naqueles dias, \u00e9 porque ainda n\u00e3o entendeu o que acontecia \u201cnaquele tempo\u201d. O tempo, aquele, de que t\u00e3o bem e tantas vezes nos falam as Sagradas Escrituras \u00e9 o meu tempo, o tempo da minha vida, a minha vida sem tempo, eu a correr agora, eu a desconfiar que n\u00e3o corro depois. Eu agora a n\u00e3o entender o mundo, eu ali a combater o mundo, eu mais l\u00e1 a fugir do mundo.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 o meu agora, porque os jovens s\u00e3o o agora de Deus, s\u00e3o a aposta total e toda neste dia, s\u00e3o a vontade para l\u00e1 do querer, s\u00e3o a for\u00e7a para l\u00e1 do esfor\u00e7o, s\u00e3o a afirma\u00e7\u00e3o para l\u00e1 do sim, s\u00e3o a luz para l\u00e1 do encandear. A JMJ come\u00e7ou a ser vivida desde o momento em que Jesus nos sonhou, nos quis tanto que nos permitiu crer tamb\u00e9m, ser tamb\u00e9m, amar tamb\u00e9m. N\u00e3o haveriam sic\u00f3moros suficientes para que o quis\u00e9ssemos n\u00f3s ver sem acharmos sermos vistos e ainda assim, todos os dias deste caminho, Ele nos chama porque afirma querer ficar em nossa casa, e quando chegamos, a nossa casa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, abriu-se ao mundo, modificou-se, tornou-se ampla, viva, limpa e capaz de ser de todos os tempos.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o para a JMJ n\u00e3o existe, o que existe \u00e9 encontro com Jesus a acontecer em cada oportunidade desse caminho eterno que nem sabes quando se iniciou e que n\u00e3o acaba nunca, e a\u00ed, quanto mais queres preparar, menos Cristo. E a\u00ed, quanto mais queres ser o primeiro da primeira fila, menos Cristo. E a\u00ed, quanto mais queres a perfei\u00e7\u00e3o, menos Cristo. Cristo n\u00e3o \u00e9 do dia ou da noite, ou do calend\u00e1rio que o Homem inventou para ter dias sim e dias n\u00e3o obrigado. Cristo n\u00e3o \u00e9 da data, nem da hora, nem do local, Cristo \u00e9 s\u00f3 por ti e para isso n\u00e3o existe hora marcada nem hora combinada nem hora curta ou apressada. Cristo est\u00e1 vivo, fora da Cruz, amando nela a vida e querendo que tu O ames pela vida. Encontra-te com Cristo que o tempo importa pouco\u2026<\/p>\n<p>(iii) A JMJ LISBOA 2023 \u00e9 um encontro com Cristo, na beleza inconfund\u00edvel das Palavras de Vida que saem da boca de Francisco, doce e eterno Francisco, como doce e eterno \u00e9 S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, capaz de nos convocar a todos, como doce ser\u00e1 o pr\u00f3ximo Papa porque \u00e9 de Jesus Cristo Vivo. Mas n\u00e3o \u00e9 de um encontro com o Papa que se trata, \u00e9 verdadeiramente de um encontro com Jesus. Mas n\u00e3o ser\u00e1 um Jesus de altares, nem de mesas postas, nem um Jesus de olhos sonhadores com o futuro, enquanto tentas adormecer no ch\u00e3o ou enquanto os olhos se cerram no trepidar do comboio vindo da outra margem. N\u00e3o ser\u00e1 um Jesus dos bonitos, ou dos ricos, ou dos bens vestidos porque est\u00e3o na moda com o <em>dress code<\/em> JMJ. N\u00e3o ser\u00e1 um Jesus de c\u00e2nticos entoados ou de violas afinadas. N\u00e3o ser\u00e1 um Jesus de palavras, ser\u00e1 um Jesus de atos que vais querer para a tua vida a partir daquele encontro que at\u00e9 pode ser o primeiro para tantos como eu.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 um encontro com os poucos de entre os poucos que n\u00e3o olham para o que veem, mas olham para o que trazem dentro. Ser\u00e1 um encontro com o Jesus da pobreza que vive sempre para combater os malef\u00edcios de nos acharmos \u201criquinhos\u201d e \u201cmostr\u00e1veis\u201d. Ser\u00e1 um encontro com Jesus na periferia da minha vida, nos bairros de lata das minhas a\u00e7\u00f5es, na mais mal frequentada e guetizada rua do meu rol de aspira\u00e7\u00f5es, no cen\u00e1rio de guerra onde vivem os meus medos mais sombrios, no entreposto do mercado negro onde troco as minhas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es por perd\u00e3o embalado entre as m\u00e3os que ponho. N\u00e3o ser\u00e1 um encontro bonito \u00e0 partida, nem que se possa confundir inicialmente com festa ou com loucura partilhada pela embriaguez da idade, ser\u00e1 feio, porque ser\u00e1 s\u00e9rio, ser\u00e1 duro porque ser\u00e1 sobre ti, \u00e9 sempre duro quando \u00e9 sobre n\u00f3s, n\u00e3o tem assim tanta magia quando \u00e9 sobre a nossa verdadeira vida, a minha vida colocada a descoberto quando Jesus entra sem pedir e escancara tudo para que possamos ver tudo.<\/p>\n<p>E a\u00ed at\u00e9 parece que a multid\u00e3o desapareceu, e que fica assim uma imagem de fundo com um desfoque que faz com que eu me esque\u00e7a com quem estou, n\u00e3o conhe\u00e7o j\u00e1 ningu\u00e9m porque Jesus me chamou. Sinto uma volta no estomago e uma rigidez nas costas, uma aragem fria que me percorre a coluna e umas m\u00e3os permanentemente a brincar com uma dezena de madeira. \u00c9 um encontro contigo, com a tua vida, com o Jesus que te abra\u00e7a porque te conhece todo, porque sabe quem tu \u00e9s, por onde andas, o que vais fazer a seguir. N\u00e3o poderia ser de outra forma, com muitos ou com poucos e por isso tudo deixa de interessar ali, a n\u00e3o ser a presen\u00e7a de Jesus na tua vida, naquela vida que n\u00e3o vias porque ainda n\u00e3o eras de Jesus.<\/p>\n<p>O tempo da Igreja \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de Cristo e este tempo \u00e9 de encontro, n\u00e3o pode ser de outra coisa qualquer\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Camelo, Arquidiocese de \u00c9vora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":277124,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-277123","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277123\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/277124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}