{"id":277114,"date":"2023-04-03T11:52:23","date_gmt":"2023-04-03T10:52:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=277114"},"modified":"2023-04-03T11:52:23","modified_gmt":"2023-04-03T10:52:23","slug":"porque-encobriram-os-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porque-encobriram-os-bispos\/","title":{"rendered":"Porque encobriram os bispos?"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-270080 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Acusa\u00e7\u00e3o que se faz aos bispos cat\u00f3licos \u00e9 que encobriram, durante anos e anos, abusos e abusadores. At\u00e9 cat\u00f3licos t\u00eam pedido o afastamento de bispos que encobriram abusadores. Porque \u00e9 que tal encobrimento aconteceu? Por encobrimento entende-se o afastamento de um padre de quem se suspeita ter cometido abusos sexuais da sua par\u00f3quia, ou das suas fun\u00e7\u00f5es, para outro servi\u00e7o, sem o entregar \u00e0 justi\u00e7a do Estado e sem o afastar do minist\u00e9rio presbiteral.<\/p>\n<p>Os bispos t\u00eam dito que esse era o procedimento estabelecido, s\u00f3 mudado com as determina\u00e7\u00f5es de Bento XVI em 2011 e as de Francisco em 2019. E muita gente v\u00ea nesse procedimento uma coniv\u00eancia com o crime \u2013 o que \u00e9 injusto para os bispos. Porque a Igreja sempre achou que era um crime o abuso sexual de crian\u00e7as \u00e9 que mudava os abusadores. Tal procedimento podia n\u00e3o ser eficaz, al\u00e9m de n\u00e3o dar a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas, mas tinha como fundo o reconhecimento da gravidade do crime (e pecado).<\/p>\n<p>Mas porqu\u00ea o afastamento (encobrimento) e n\u00e3o a entrega \u00e0 justi\u00e7a civil? Nas redes sociais, algu\u00e9m adiantava que um bispo assim procedesse n\u00e3o tinha verdadeira f\u00e9 em Deus, que v\u00ea tudo e tudo sabe, pelo que nada adianta encobrir.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi por falta de f\u00e9 que os bispos encobriram, foi por excesso. Foi por f\u00e9 noutras aspetos da identidade e miss\u00e3o do padre. Por um lado, acreditam, como n\u00e3o pode deixar de ser, na regenera\u00e7\u00e3o dos pecadores. Mudar era dar uma oportunidade de vida nova ao padre (esquecendo, por\u00e9m, as v\u00edtimas). Por outro lado, acreditam no bem maior da Igreja, que para muitas situa\u00e7\u00f5es e para os seus membros tem regras pr\u00f3prias, o Direito Can\u00f3nico, por estar no mundo sem ser do mundo. Mudavam, em vez de denunciar, para n\u00e3o causar esc\u00e2ndalo (esquecendo, por\u00e9m, as v\u00edtimas). Por \u00faltimo, mas raz\u00e3o mais relevante do que as anteriores, mudavam porque acreditam no sacerd\u00f3cio do padre. Chamemos-lhe raz\u00e3o teol\u00f3gica. Este aspeto, consciente ou at\u00e9 inconsciente, \u00e9, quanto a mim, o mais determinante para este procedimento e o que causa mais desfasamentos entre a vis\u00e3o da Igreja e a do mundo. O padre ped\u00f3filo continua a ser padre. Tal como o padre b\u00eabado, homicida ou ladr\u00e3o. Como sabe qualquer estudante de teologia, a validade dos sacramentos depende de Jesus Cristo, \u201cex opere operato\u201d (\u201cpor for\u00e7a do ato\u201d), n\u00e3o da atitude ou santidade de quem os administra. Portanto, mudar e esperar a mudan\u00e7a do infrator \u00e9 melhor do que banir um ministro de Cristo. Mas isto \u00e9 hoje escandaloso aos olhos da sociedade. A l\u00f3gica da Igreja \u00e9 diferente da do mundo. E em alguns aspetos a do mundo parece mais evang\u00e9lica.<\/p>\n<p>Por outro lado, pela ordena\u00e7\u00e3o presbiteral, criam-se la\u00e7os entre o padre e o bispo que s\u00e3o de aut\u00eantica filia\u00e7\u00e3o\/paternidade. Como pode um pai denunciar o seu filho? Alguns dizem que o ambiente de ocultamento \u00e9 fruto do clericalismo e da desigualdade pr\u00e1tica de membros na Igreja. Acabar com o clericalismo far\u00e1 com o bispo pense que tanto \u00e9 seu filho o padre como o crist\u00e3o abusado; ou que este ainda \u00e9 mais por for\u00e7a do sofrimento em que est\u00e1. Talvez v\u00e1 neste sentido o pedido feito pela Santa S\u00e9 aos bispos na quest\u00e3o de pedofilia: serem os primeiros vigilantes e denunciadores, ali\u00e1s, na linha do que significa \u201cepiscopos\u201d, que \u00e9 \u201cinspetor\u201d e \u201cvigilante\u201d. Mas parece-me ingrato para o bispo que \u00e9 pai ser agora pol\u00edcia de quem lhe \u00e9 mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se chega acabar com o clericalismo. Sem clericalismo podemos ter uma forma r\u00e1pida de resolver as consequ\u00eancias do problema. Mas o pecado dos ministros ordenados ser\u00e1 sempre um esc\u00e2ndalo para crentes e n\u00e3o crentes. Temos que vive com isso. Porque vivemos de Quem tudo redime.<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270080,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-277114","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277114\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}