{"id":277059,"date":"2023-04-03T10:34:16","date_gmt":"2023-04-03T09:34:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=277059"},"modified":"2023-04-03T10:37:45","modified_gmt":"2023-04-03T09:37:45","slug":"a-cruz-escondida-227","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-227\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Milh\u00f5es de crist\u00e3os vivem em campos de deslocados na Nig\u00e9ria<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ACN-20221219-138065.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-277063 alignnone\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ACN-20221219-138065.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"607\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ACN-20221219-138065.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ACN-20221219-138065-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ACN-20221219-138065-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ACN-20221219-138065-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>\u201cA matan\u00e7a continua\u2026\u201d<\/h4>\n<p>O mundo parece ignorar o que se passa na Nig\u00e9ria, onde grupos armados espalham medo, destrui\u00e7\u00e3o e morte. S\u00f3 na Diocese de Makurdi h\u00e1 cerca de dois milh\u00f5es de deslocados internos. Muitos s\u00e3o crist\u00e3os. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel. A maior parte n\u00e3o tem sequer uma esteira para dormir. O Padre Remigius est\u00e1 desesperado e pede a nossa ajuda.<\/p>\n<p>Sexta-feira, 20 de Maio. Uma data que muitos n\u00e3o v\u00e3o conseguir esquecer. Nesse dia, algumas aldeias da Diocese de Makurdi foram atacadas por pastores n\u00f3madas mu\u00e7ulmanos, os j\u00e1 tem\u00edveis fulani, que se t\u00eam vindo a transformar numa amea\u00e7a para as comunidades crist\u00e3s. Aproveitando o facto de muitos estarem nos campos a trabalhar, os fulani entraram nas aldeias e deixaram um rasto de destrui\u00e7\u00e3o e morte. Tem sido assim ao longo dos \u00faltimos anos. Mas o Padre Remigius Ihyula n\u00e3o se consegue habituar a isto. Por mais ataques que aconte\u00e7am, por mais pessoas em l\u00e1grimas que tenha de abra\u00e7ar, por mais funerais que tenha de fazer, o Padre Remigius n\u00e3o se consegue habituar. \u201cN\u00e3o imaginava que iria ver o sofrimento humano desta maneira\u2026 Aldeias queimadas, pessoas a serem mortas nas suas casas, algumas n\u00e3o conseguiram sequer enterrar os seus mortos que foram alvejados no mato como se fossem animais selvagens\u2026\u201d A amea\u00e7a est\u00e1 presente em todos o lado. \u201cA matan\u00e7a continua\u201d, diz, falando para a Funda\u00e7\u00e3o AIS. Percebe-se que est\u00e1 exausto. O Padre Remigius Ihyula n\u00e3o sabe j\u00e1 como lidar com tantas pessoas que perderam tudo o que tinham e que agora se amontoam em campos de deslocados, como se fossem apenas um n\u00famero, uma estat\u00edstica. Um problema que ningu\u00e9m parece querer resolver. \u201cS\u00f3 na Diocese h\u00e1 dois milh\u00f5es de deslocados internos que tiveram de abandonar as suas casas. Nos campos \u2013 explica o sacerdote \u2013 falta-lhes o essencial para viver.\u201d As palavras saem em protesto, mas s\u00e3o sinal tamb\u00e9m de impot\u00eancia.<\/p>\n<h4>Eloqu\u00eancia das l\u00e1grimas<\/h4>\n<p>N\u00e3o tem sido poss\u00edvel acudir a todos os que chegam desorientados aos campos de acolhimento, ainda com o olhar cheio de medo, muitas vezes sem conseguirem sequer dizer uma palavra. Bastam as l\u00e1grimas, \u00e0s vezes o choro compulsivo de quem perdeu familiares e amigos, de quem perdeu o marido ou a mulher ou os filhos. Nenhuma palavra tem a eloqu\u00eancia das l\u00e1grimas. Na Diocese de Makurdi, nos sete campos de deslocados que acolhem as v\u00edtimas do terrorismo na Nig\u00e9ria, n\u00e3o h\u00e1 apenas pessoas enlutadas. H\u00e1 tamb\u00e9m mis\u00e9ria, sofrimento, fome. \u201cConsegue imaginar que pessoas que eram auto-suficientes tenham agora de mendigar para comer, para se alimentar?\u201d S\u00f3 na Diocese h\u00e1 cerca de dois milh\u00f5es de deslocados. Este n\u00famero enorme mostra a dimens\u00e3o desta crise humanit\u00e1ria que o mundo continua a querer ignorar. H\u00e1 dois milh\u00f5es de deslocados, mas apenas cerca de 500 mil esteiras. \u201cEstamos a falar de 1 milh\u00e3o e pouco de pessoas que dormem directamente no ch\u00e3o\u201d explica o sacerdote. Na Nig\u00e9ria h\u00e1 um n\u00famero gigantesco de pessoas que precisam de ajuda. S\u00e3o milh\u00f5es as v\u00edtimas de grupos armados, dos fulani, mas tamb\u00e9m organiza\u00e7\u00f5es terroristas como o Boko Haram, que querem impor um califado no norte da Nig\u00e9ria, obrigando os Crist\u00e3os \u00e0 servid\u00e3o ou for\u00e7ando-os a fugir. Que pode fazer a Diocese perante tanta mis\u00e9ria, perante uma avalanche t\u00e3o grande de pessoas que se amontoam nos campos de deslocados e n\u00e3o t\u00eam recursos, n\u00e3o t\u00eam campos para cultivar, n\u00e3o t\u00eam trabalho? Que pode fazer a Diocese para alimentar tantos milhares de deslocados que t\u00eam fome e frio, que t\u00eam medo? \u201cEles vivem num c\u00edrculo de desespero. O que procuramos fazer como Diocese \u00e9 dar-lhes esperan\u00e7a. As pessoas sem esperan\u00e7a n\u00e3o conseguem existir durante muito tempo\u201d, diz o Padre Remigius Ihyula. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser-se sacerdote numa diocese assim. Para onde quer que se v\u00e1, escutam-se sempre os mesmos lamentos, as mesmas hist\u00f3rias de viol\u00eancia e dor. \u00c9 preciso que o mundo acorde para o que est\u00e1 a acontecer, \u00e9 preciso que o mundo desperte da sua sonol\u00eancia e compreenda que na Nig\u00e9ria h\u00e1 milh\u00f5es de pessoas em sofrimento. E muitos destes homens, mulheres e crian\u00e7as em sofrimento s\u00e3o crist\u00e3os. \u201cOs deslocados internos t\u00eam muitas necessidades. Mas pedimos que, se for poss\u00edvel, nos ajudem, seja de que forma for. Estamos a implorar a vossa ajuda\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_13847\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NT8DcDdRXV0?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milh\u00f5es de crist\u00e3os vivem em campos de deslocados na 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