{"id":27692,"date":"2007-10-19T18:06:37","date_gmt":"2007-10-19T18:06:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/19\/ser-missionario-em-familia\/"},"modified":"2007-10-19T18:06:37","modified_gmt":"2007-10-19T18:06:37","slug":"ser-missionario-em-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ser-missionario-em-familia\/","title":{"rendered":"Ser mission\u00e1rio em fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Testemunho de uma fam\u00edlia que cresceu em miss\u00e3o Ad Gentes, e que em Portugal, vive ensinamentos aprendidos em Mo\u00e7ambique <!--more--> O Dia Mundial das Miss\u00f5es \u00e9 assinalado no pr\u00f3ximo Domingo, dia 21 de Outubro. A miss\u00e3o Ad Gentes impulsiona pessoas para junto dos pa\u00edses sub desenvolvidos. Uma miss\u00e3o carregada de esp\u00edrito, que quer dar o que se tem a quem tem pouco, ou viver aquilo que em Portugal n\u00e3o se encontra.   Ricardo e Elizabete Santos partiram em 2001 para Mo\u00e7ambique. Actualmente com 31 anos, Elizabete recorda a partida, na altura com 24 anos, tr\u00eas meses depois de ter casado, \u201cnum plano comum que t\u00ednhamos tra\u00e7ado\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.  O projecto seria passar dois anos em Mo\u00e7ambique. Depois de um caminho no grupo de jovens leigos dos Mission\u00e1rios da Consolata, onde a reflex\u00e3o sobre a miss\u00e3o para o laicado dava os primeiros passos, o jovem casal perspectivava a sua vida por dois anos.   O Instituto Portugu\u00eas da Juventude, apoiava em 2001, alguns volunt\u00e1rios portugueses, que independentemente de n\u00e3o trabalharem para o Estado, iriam divulgar a l\u00edngua portuguesa. Juntamente com Instituto Mission\u00e1rio da Consolata, iriam permanecer em Inhambane, na miss\u00e3o de Napinhane por dois anos. Ficaram quatro.   Licenciada em ensino, Elizabete Santos leccionou Matem\u00e1tica, no ensino secund\u00e1rio, numa escola privada das Irm\u00e3s Agostinianas, \u201cque na altura trabalhavam com os mission\u00e1rios da Consolata\u201d, ficando tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela parte pedag\u00f3gica da escola e pela forma\u00e7\u00e3o de professores. Rica e na manuten\u00e7\u00e3o\u201d. A catequese e os grupos de jovens foram tarefas que tamb\u00e9m assumiram, envolvendo-se assim na pastoral.   Na chegada a Mo\u00e7ambique, Elizabete Santos deu-se conta que era obrigada a parar. \u201cO ritmo europeu \u00e9 muito acelerado e contrastante com o africano\u201d. O cumprimentar na rua que obriga a parar, \u201cpara estar com as pessoas, o parar para escutar as pessoas\u201d, foi um factor marcante no princ\u00edpio. Na sala de aula, os alunos est\u00e3o \u201csedentos de aprender\u201d, situa\u00e7\u00e3o que contrasta com a portuguesa \u201conde tudo est\u00e1 dispon\u00edvel. Foi um trabalho muito gratificante\u201d, aponta.  Neste per\u00edodo, ao todo de quatro anos, nasceram dois dos seus filhos &#8211; a Raquel e o Diogo. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos inten\u00e7\u00e3o de sermos pais em Mo\u00e7ambique\u201d, adianta Elizabete. Ao partir, o projecto seria estar fora dois anos e quando voltassem seriam, ent\u00e3o, pais. Mas em Mo\u00e7ambique \u201ccome\u00e7amos a perceber que seria poss\u00edvel ter filhos l\u00e1, ter assist\u00eancia pr\u00e9 e p\u00f3s natal, e tamb\u00e9m porque gostar\u00edamos de ficar mais tempo\u201d.   Quando questionada sobre a vida dos seus filhos em Mo\u00e7ambique afirma prontamente que \u201ca adapta\u00e7\u00e3o foi dif\u00edcil em Portugal. Em Mo\u00e7ambique n\u00e3o, porque eles nasceram l\u00e1, estavam no seu meio, nunca tiveram dificuldade\u201d.  As crian\u00e7as \u201cajudaram-nos a ser mission\u00e1rios em fam\u00edlia\u201d, assume Elizabete Santos. A mais valia que encontra no projecto que abra\u00e7ou foi dar testemunho enquanto fam\u00edlia. \u201cO povo mo\u00e7ambicano j\u00e1 valoriza muito a fam\u00edlia\u201d. Levar os filhos \u00e0 eucaristia, rezar com eles, a forma como os educ\u00e1mos, eram tarefas normais e dentro da normalidade mostravam que os filhos eram iguais porque brincavam, comiam, viviam juntos, \u201cos nossos filhos tamb\u00e9m foram mission\u00e1rios\u201d.  Quatro anos depois de terem chegado \u00e0 miss\u00e3o de Napinhane, partiram com os dois filhos para Niassa, para a miss\u00e3o de Mecanhelas. \u201cOs nossos filhos ainda n\u00e3o precisavam de ir \u00e0 escola e ach\u00e1mos que a nossa  miss\u00e3o poderia ser prolongada por mais dois anos\u201d, querendo conhecer outra realidade mission\u00e1ria.   A realidade encontrada, sendo no mesmo pa\u00eds, \u201cera muito mais pobre\u201d. No Sul, em Napinhane, \u201cas pessoas est\u00e3o mais despertas, t\u00eam um maior acesso a televis\u00e3o ou r\u00e1dio e est\u00e3o mais ligadas a \u00c1frica do Sul\u201d, factor que, de alguma forma, impulsiona o desenvolvimento. No Norte, em Mecanhelas \u201cn\u00e3o havia televis\u00e3o ou estradas alcatroadas, a cultura era muito diferente\u201d. No entanto, a pobreza apelava a uma maior pureza nas pessoas, \u201cque se entregavam mais rapidamente, n\u00e3o eram t\u00e3o desconfiadas\u201d, relembra.  Em Mecanhelas assumiu fun\u00e7\u00f5es apenas de professora, e \u201cenquanto tal tentava desenvolver o meu trabalho enquanto crist\u00e3\u201d. O marido, estava mais ligado \u00e0 miss\u00e3o, desenvolvendo trabalho nos seis lares da par\u00f3quia \u201cque era muito grande\u201d, e tamb\u00e9m noutros projectos na miss\u00e3o, entre financiamentos e amplia\u00e7\u00f5es.   Aqui permaneceram por dois anos, altura em que nasceu o Crist\u00f3v\u00e3o, actualmente com um ano e meio.   H\u00e1 oito meses em Portugal, as recorda\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda muito vivas. \u201cL\u00e1 h\u00e1 mais facilidades para se ser mission\u00e1rio, porque tudo \u00e0 volta \u00e9 trabalho e pede o nosso empenho\u201d, afirma Elizabete &#8211; \u201csomos mission\u00e1rios 24 horas por dia\u201d. Tamb\u00e9m as pessoas s\u00e3o um convite \u00e0 miss\u00e3o.   A experi\u00eancia em Mo\u00e7ambique enquanto fam\u00edlia \u201cmarca o que somos c\u00e1\u201d, aponta. \u201cN\u00e3o podemos cair no consumismo, de dar tudo aos nossos filhos. Queremos manter o esp\u00edrito de pobreza que conhec\u00edamos\u201d, afirma, n\u00e3o podendo ficar indiferentes ao que conheceram e \u00e0 realidade que durante seis anos foi sua.   A Raquel, o Diogo e o Crist\u00f3v\u00e3o s\u00e3o o motivo para eles n\u00e3o partirem. O partir em miss\u00e3o ficou l\u00e1 atr\u00e1s. \u201cNeste momento n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. Os nossos filhos t\u00eam que estudar e n\u00e3o podemos ser ego\u00edstas e n\u00e3o pensar neles\u201d, assume Elizabete Santos.   A sua liga\u00e7\u00e3o aos Mission\u00e1rios da Consolata n\u00e3o cessou. \u201cPertencemos aos Leigos Mission\u00e1rios da Consolata\u201d, com cerca de 26 elementos espalhados pelo Norte e Centro do pa\u00eds. A Elizabete e o Ricardo est\u00e3o a preparar um casal jovem que se prepara \u201ctamb\u00e9m para casar e partir em miss\u00e3o\u201d, continuando a fazer \u201cuma movimenta\u00e7\u00e3o entre os leigos para partir em miss\u00e3o\u201d.   A realidade que conhece exige que, antes da partida a forma\u00e7\u00e3o seja adequada. Partir em miss\u00e3o n\u00e3o pode ficar ao sabor do entusiasmo. \u201cOs entusiasmos s\u00e3o bons para nos fazer tomar decis\u00f5es\u201d, aponta Elizabete, que afirma sentir falta de entusiasmo nos jovens.   Mas este impulso deve ser transformado em forma\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o se pode enviar jovens baseados no seu entusiasmo sob risco de se estragar o trabalho mission\u00e1rio j\u00e1 desenvolvido no terreno\u201d.   A miss\u00e3o ad gentes \u00e9 assumida por diferentes pessoas, que levam a sua realidade para longe. Testemunhos diferentes e essenciais, n\u00e3o exclusivo de padres e irm\u00e3s consagradas, mas fruto de um trabalho deve tamb\u00e9m desenvolvido por jovens que durante um certo per\u00edodo da sua vida querem pensar mais nos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunho de uma fam\u00edlia que cresceu em miss\u00e3o Ad Gentes, e que em Portugal, vive ensinamentos aprendidos em Mo\u00e7ambique<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[101,127,154,206,260,261,262,267],"class_list":["post-27692","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-africa","tag-catequese","tag-crianca","tag-familia","tag-missionarios-da-consolata","tag-missoes","tag-mocambique","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27692","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27692"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27692\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}