{"id":27672,"date":"2007-10-18T15:43:34","date_gmt":"2007-10-18T15:43:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/18\/um-novo-modelo-de-missionario\/"},"modified":"2007-10-18T15:43:34","modified_gmt":"2007-10-18T15:43:34","slug":"um-novo-modelo-de-missionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-novo-modelo-de-missionario\/","title":{"rendered":"Um novo modelo de mission\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Na hist\u00f3ria da Igreja os modelos de evangeliza\u00e7\u00e3o t\u00eam sofrido mudan\u00e7as segundo as circunst\u00e2ncias, mas o centro permanece sempre o Evangelho: a Boa Nova da liberta\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Jesus ordenou que o Evangelho fosse anunciado a todas as na\u00e7\u00f5es (Mc 16, 15). Os nossos primeiros mission\u00e1rios, por exemplo no Brasil, onde eu vivi minha primeira experi\u00eancia pastoral, preocuparam-se em construir  igrejas, hospitais, escolas, orfanatos.. Todas obras necess\u00e1rias e maravilhosas que semearam tanto bem! O tempo das grandes estruturas, por\u00e9m, j\u00e1 passou. Tudo parece indicar que chegou a hora de dar espa\u00e7o a um tipo de miss\u00e3o mais evang\u00e9lica, isto \u00e9:  simples, despojada, humilde, solid\u00e1ria alicer\u00e7ada mais no \u201cser\u201d do que no \u201cfazer\u201d. Infelizmente, esta transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples, porque exige uma metanoia, uma mudan\u00e7a radical de vis\u00e3o. Admito que pode causar medo e incerteza em n\u00f3s porque exige um outro estilo de mission\u00e1rio para os migrantes, em parte diferente daquele para o qual fomos educados. Quanto mais se estuda a espiritualidade de Scalabrini, tanto mais se sente a exig\u00eancia de mergulhar nas ra\u00edzes do carisma e de questionarmo-nos: porque sou Scalabriniano?  \u00c9 uma pergunta corajosa que desafia sair da mentalidade do \u201cfazer\u201d para conduzir \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de \u201cser\u201d com Jesus e com o Esp\u00edrito: \u00fanico protagonista da nossa miss\u00e3o no mundo. Na verdade, n\u00e3o somos apenas seus servos? A rela\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo com Jesus revela a nossa identidade mais profunda, atrav\u00e9s da experi\u00eancia espiritual do Fundador e da hist\u00f3ria da Congrega\u00e7\u00e3o. Nesta rela\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica e teol\u00f3gica encontra-se a espiritualidade do mission\u00e1rio: a for\u00e7a aut\u00eantica e propulsora da voca\u00e7\u00e3o e do pr\u00f3prio carisma. <b>O nosso perfil<\/b>  Quais s\u00e3o, ent\u00e3o, as caracter\u00edsticas do mission\u00e1rio scalabriniano que tamb\u00e9m os animadores vocacionais e formadores de futuros mission\u00e1rios dever\u00e3o ter presente? O scalabriniano \u00e9: &#8211; Um mission\u00e1rio que vive a miss\u00e3o com os migrantes a partir da contempla\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o, vida fraterna em comunidade retornando \u201cao primeiro amor\u201d; &#8211; Um mission\u00e1rio respeitoso e atento \u00e0 cultura dos migrantes, que aprende a falar a l\u00edngua deles e a do lugar e que, mesmo quando a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa pela diversidade de l\u00ednguas e mobilidade dos mission\u00e1rios, se mant\u00e9m um homem aberto e dispon\u00edvel; &#8211; Um mission\u00e1rio que cuida do di\u00e1logo inter-cultural e interreligioso, tanto a n\u00edvel pessoal como comunit\u00e1rio; &#8211; Um mission\u00e1rio que, com humildade e lucidez, se p\u00f5e a servi\u00e7o da Igreja local, aceitando generosamente tarefas de anima\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o em organismos eclesiais (diocesanos, nacionais e regionais) e sempre pronto a ir al\u00e9m-fronteiras para responder \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o de outras igrejas e na\u00e7\u00f5es; &#8211; Um mission\u00e1rio que vive a miss\u00e3o na simplicidade e pobreza, evitando o protagonismo, preferindo a reciprocidade, a qualidade das rela\u00e7\u00f5es e a escolha de meios modestos, adaptados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local, cuidando em n\u00e3o cair na depend\u00eancia dos mesmos; &#8211; Por fim, um mission\u00e1rio que se prop\u00f5e viver a miss\u00e3o na solidariedade e na gratuidade, procurando ser sempre e em toda a parte, um defensor dos direitos e liberdade dos migrantes. A internacionaliza\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o oferece uma contribui\u00e7\u00e3o nova \u00e0 pr\u00f3pria miss\u00e3o e enriquece o carisma scalabriniano de novas perspectivas. O dom da internacionaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o proporciona apenas um incremento quantitativo, mas contribui, de modo significativo, para a renova\u00e7\u00e3o qualitativa da Congrega\u00e7\u00e3o. <b>Momento delicado<\/b> O \u00faltimo Cap\u00edtulo foi uma ocasi\u00e3o providencial de reflex\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o no sentido  que avaliou o nosso modo de \u201cser\u201d mission\u00e1rios dos migrantes,  acolheu uma nova energia, descobriu novas modalidades e, ao mesmo tempo, pede que sejamos fi\u00e9is ao des\u00edgnio de Deus e fi\u00e9is na fidelidade criativa ao carisma. Esta realidade apresenta-se hoje como urgente, especialmente onde a miss\u00e3o com os migrantes corre o risco de descaracteriza\u00e7\u00e3o e dilui\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o global do povo de Deus, perdendo assim toda a sua for\u00e7a prof\u00e9tica que encerra. O Cap\u00edtulo revelou que a Congrega\u00e7\u00e3o est\u00e1 diante de uma nova encruzilhada que ter\u00e1 que saber discernir bem. De fato, assistimos a uma s\u00e9rie de importantes mudan\u00e7as. A miss\u00e3o com os migrantes desenvolve-se no seio de um conjunto de fen\u00f3menos culturais, econ\u00f3micos e hist\u00f3ricos nos quais a nossa \u201cpequena\u201d fam\u00edlia tamb\u00e9m se encontra muito envolvida. A globaliza\u00e7\u00e3o, o pluralismo cultural e religioso, as migra\u00e7\u00f5es de povos com rostos novos, os conflitos \u00e9tnicos e religiosos, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o relativismo filos\u00f3fico e teol\u00f3gico, entre outros, s\u00e3o fen\u00f3menos t\u00edpicos do mundo p\u00f3s-moderno. Esta realidade coloca-nos face a face a uma situa\u00e7\u00e3o desconfortante: vivemos um tempo complexo e dif\u00edcil, mas \u00e9 tamb\u00e9m um kair\u00f3s cheio de esperan\u00e7a. Somos chamados a viver o nosso carisma na Igreja local, mas sem deixarmo-nos absorver pelas suas urg\u00eancias e o perigo de perder a originalidade do pr\u00f3prio carisma mission\u00e1rio. N\u00e3o nos basta ouvir dizer que o carisma scalabriniano \u00e9 necess\u00e1rio e desejado. Temos que ser criativos na fidelidade ao carisma pois s\u00f3 deste modo seremos sal da terra (Mt 5, 13) e fermento do Reino (Lc 13, 20) na Igreja e resposta efectiva para o bem dos migrantes, mar\u00edtimos e refugiados. N\u00e3o obstante \u00e0s dificuldades encontradas, sintamo-nos animados sob o signo da esperan\u00e7a e do optimismo do \u201cIde, Eu estou convosco&#8230;\u201d (Mt. 28, 19-20) que ressoa serenamente no nosso cora\u00e7\u00e3o. Neste m\u00eas mission\u00e1rio que ter\u00e1 a sua Jornada Mission\u00e1ria Mundial no pr\u00f3ximo domingo 21, somos convidados a renovar o nosso \u201cser mission\u00e1rio\u201d \u00e0 luz da \u201csequela Christi\u201d e do Seu \u201cmandato\u201d na fidelidade ao carisma que recebemos do bem-aventurado Scalabrini e a o incarnarmos nas circunst\u00e2ncias novas do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio. Roma, 14 de Outubro de 2007 <i>Pe. S\u00e9rgio O. Geremia, c.s. e Conselho Geral<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na hist\u00f3ria da Igreja os modelos de evangeliza\u00e7\u00e3o t\u00eam sofrido mudan\u00e7as segundo as circunst\u00e2ncias, mas o centro permanece sempre o Evangelho: a Boa Nova da liberta\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Jesus ordenou que o Evangelho fosse anunciado a todas as na\u00e7\u00f5es (Mc 16, 15). 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