{"id":276698,"date":"2023-04-06T09:00:00","date_gmt":"2023-04-06T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=276698"},"modified":"2023-03-31T12:54:08","modified_gmt":"2023-03-31T11:54:08","slug":"o-itinerario-discipular-do-escutar-ao-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-itinerario-discipular-do-escutar-ao-ver\/","title":{"rendered":"O itiner\u00e1rio discipular: do escutar ao ver"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Ap\u00f3s termos vivido intensamente o Tempo Santo da Quaresma, onde a escuta atenta e obediente da Palavra \u2013 uma Palavra que brota da fonte viva e que jorra incessantemente no nosso cora\u00e7\u00e3o \u2013 nos conduziu ao encontro vis\u00edvel e presencial com a mesm\u00edssima Palavra (entenda-se, Jesus Cristo, o Verbo Deus incarnado).<\/p>\n<p>Caso quis\u00e9ssemos resumir o Antigo Testamento num s\u00f3 verbo, esse verbo seria o verbo \u201cescutar\u201d. Desde os G\u00e9nesis, passando por Abra\u00e3o e Mois\u00e9s e terminando com Profetas, o Senhor fala de Si pela palavra. Na verdade, a Palavra, na sua inquietante debilidade, numa materializa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se mede ou agarra, ela \u00e9 um leve e suave sopro que perfura e perfuma a nossa alma. Como um sussurro, a Palavra surge quando me silencio, quando me permito sair da minha bolha, quando me esvazio de mim mesmo. Recomendo, vivamente, a leitura do Primeiro Livro de Reis, cap\u00edtulo dezanove, vers\u00edculos onze e doze (1 Reis 19, 11-12), onde poderemos viajar na experi\u00eancia viva e \u00fanica do Profeta Elias que entender\u00e1 que a voz de Deus \u00e9 como um \u201cmurm\u00fario de uma breve brisa\u201d (1 Reis, 19, 12).<\/p>\n<p>O encontro com o Senhor acontece sempre por meio de uma palavra que me atravessa e se cruza no meu caminhar. \u00c9 sempre pela palavra de um outro, que me fala e que me inquieta, que me confronta com uma outra e nova realidade, quase sempre uma realidade que me desinstala e que me perturba. Isto \u00e9 deveras curioso porque a Palavra precede (quase) sempre a Presen\u00e7a. Neste processo de encontros no Encontro, fundante e fundamental com Deus, \u00e9 sempre uma palavra que me conduz \u00e0 Palavra e, conduzido por Ela, sou envolvido pela Presen\u00e7a deste Outro que se vai desvelando e revelando, que se vai dando a conhecer e que, paradoxalmente, me faz conhecer a mim mesmo e aquilo que realmente sou, descobrindo muito mais do que podia pensar ou imaginar.<\/p>\n<p>Se o Antigo Testamento pode ser resumido pelo verbo \u201cescutar\u201d, j\u00e1 o Novo Testamento pode ser resumido pelo verbo \u201cver\u201d. Depois da escuta, surge a presen\u00e7a vis\u00edvel. O Verbo faz-se um connosco, torna-se vis\u00edvel. O Senhor Jesus revela-se, v\u00ea-se e toca-se. Na sua iman\u00eancia somos conduzidos \u00e0 Transcend\u00eancia, na sua Palavra somos introduzidos no Mist\u00e9rio, no seu minist\u00e9rio somos levados at\u00e9 \u00e0 Cruz redentora e no seu amor somos libertados e regenerados.<\/p>\n<p>Por isso, todo o carisma da F\u00e9 pressup\u00f5e a convers\u00e3o permanente ao Senhor, a escuta atenta e obediente \u00e0 Palavra, o testemunho vis\u00edvel que contagia encontros e testifica a presen\u00e7a real de Deus Nosso Senhor. \u00c9 esta atitude preferencial por Jesus Cristo que nos permeia e nos possibilita sermos autenticamente livres, autenticamente n\u00f3s mesmo.<\/p>\n<p>Nunca ser\u00e1 de mais recordar e relembrar que o maior inimigo de n\u00f3s mesmos \u00e9 nosso \u201ceu\u201d, o nosso orgulho. Mais, o orgulho escraviza-nos, torna-nos male\u00e1veis, f\u00fateis, carentes, desequilibrados, possessivos e violentos. J\u00e1 deram conta como o nosso orgulho nos impede tanto de nos dar, de viver a vida com mais paz e tranquilidade? Quantas vezes n\u00e3o estamos n\u00f3s presos a tanta coisa que, na verdade, n\u00e3o passam de coisas? Ou at\u00e9 presos a tantas ideias e ideologias que n\u00e3o passam de uma v\u00e3 gl\u00f3ria? E do orgulho nascem os \u00f3dios e as inimizades&#8230;! Quando somos envolvidos pelas cadeias asfixiantes do ego e do orgulho, a nossa vida regressa lamentavelmente ao sepulcro, aquele lugar onde a escurid\u00e3o reina, onde a luz \u00e9 inexistente, onde os nossos olhos e o nosso cora\u00e7\u00e3o se fecham para a luz, para a vida e para o amor. Saibamos n\u00e3o entrar nesta espiral que nos leva ao fechamento, ao lugar do sepulcro e da morte. Antes, pe\u00e7amos insistentemente ao Senhor que nos fa\u00e7a escutar a sua Palavra para que Ele se torne vis\u00edvel aos nossos olhos e ilumine a minha alma e o meu cora\u00e7\u00e3o. S\u00f3 Ele nos pode trazer a vida que \u00e9 vida, a liberdade que \u00e9 liberdade e o amor que \u00e9 amor.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o Senhor grita constantemente por cada um de n\u00f3s. Ele deseja ardentemente que possamos sair do sepulcro em que nos metemos para que possamos voltar e regressar \u00e0 Vida. Ao lermos o epis\u00f3dio b\u00edblico de L\u00e1zaro (cf. Jo 11, 1-45), atestamos isto mesmo: o Senhor Jesus \u201cbradou com voz forte: \u00abL\u00e1zaro, sai para fora\u00bb! O morto saiu, de m\u00e3os e p\u00e9s enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sud\u00e1rio\u201d (Jo 11, 43-44). Ao grito de liberta\u00e7\u00e3o e de vida de Jesus s\u00f3 nos resta uma atitude: dizer \u2018sim\u2019 de forma obediente, generosa e humilde. S\u00f3 assim o Senhor Jesus nos poder\u00e1 libertar dos nossos pr\u00f3prios t\u00famulos, nos retirar\u00e1 as ligaduras que nos prendem na morte e o sud\u00e1rio que nos impede de ver, de enxergar e de presenciar a luz da Luz.<\/p>\n<p><em>Padre Manuel Ribeiro, reitor do Santu\u00e1rio diocesano do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, em Cerejais, Alf\u00e2ndega da F\u00e9<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-276698","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276698","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=276698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276698\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=276698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=276698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=276698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}