{"id":276656,"date":"2023-04-02T09:00:12","date_gmt":"2023-04-02T08:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=276656"},"modified":"2023-03-31T10:24:28","modified_gmt":"2023-03-31T09:24:28","slug":"igreja-mae-ou-fraterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-mae-ou-fraterna\/","title":{"rendered":"Igreja m\u00e3e ou fraterna?"},"content":{"rendered":"<p><em>Piedade Lalanda, Diocese de Angra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_269087\" aria-describedby=\"caption-attachment-269087\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Piedade-Lalanda-agenda-acores.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-269087 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Piedade-Lalanda-agenda-acores-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Piedade-Lalanda-agenda-acores-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Piedade-Lalanda-agenda-acores-768x510.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Piedade-Lalanda-agenda-acores-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Piedade-Lalanda-agenda-acores.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-269087\" class=\"wp-caption-text\">Foto: agendacores.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Faz parte da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica referir-se \u00e0 institui\u00e7\u00e3o como a Santa Madre Igreja, uma imagem carregada de afeto e confian\u00e7a. Quem duvida de uma m\u00e3e? Quem n\u00e3o confia genuinamente na m\u00e3e?<\/p>\n<p>A m\u00e3e \u00e9 sin\u00f3nimo de colo, prote\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, abrigo nas horas dif\u00edceis, cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel nos momentos de desamparo.<\/p>\n<p>Quando a igreja se autointitula de \u201csanta m\u00e3e\u201d, ent\u00e3o \u00e9 suposto que todos os que a ela pertencem se sintam considerados como filhos, que nela procurem apoio.<\/p>\n<p>A igreja \u00e9 designada de m\u00e3e e os que nela s\u00e3o pastores, consagrados, s\u00e3o designados de padres\/pais ou irm\u00e3os, express\u00f5es que, tal como a madre\/m\u00e3e, s\u00e3o sin\u00f3nimo de proximidade, prote\u00e7\u00e3o e solidariedade.<\/p>\n<p>As designa\u00e7\u00f5es carregam um mundo de significados e imagens, que conferem uma responsabilidade acrescida a quem assim \u00e9 tratado; ser m\u00e3e, pai ou irm\u00e3o, \u00e9 ser reconhecido como pr\u00f3ximo, confi\u00e1vel, fonte de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Vem esta reflex\u00e3o a prop\u00f3sito do impacto que teve na igreja, o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente para o Estudo dos abusos sexuais de Crian\u00e7as na Igreja cat\u00f3lica portuguesa, intitulado \u201cDar voz ao sil\u00eancio,\u201d a ponta de um iceberg, como referiu D. Armando Domingues, Bispo dos A\u00e7ores (Lusa, 10 mar\u00e7o 23).<\/p>\n<p>A visibilidade dada aos casos denunciados de abuso sexual na igreja cat\u00f3lica, abalou a comunidade dos crentes, n\u00e3o apenas por serem crimes que atentam contra a dignidade, fossem ou n\u00e3o praticados por membros da igreja, mas, sobretudo, porque os agressores eram ou s\u00e3o figuras, designadas como paternas ou fraternas, pessoas em quem se confia, cuja opini\u00e3o ou orienta\u00e7\u00e3o, em algumas ocasi\u00f5es, pesa mais do que \u00e9 ensinado nas pr\u00f3prias fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9, nem pode ser, a igreja cat\u00f3lica do s\u00e9c. XXI.<\/p>\n<p>A igreja que melhor responde \u00e0s necessidades dos cidad\u00e3os de hoje deve ser constru\u00edda na base da fraternidade. Somos todos irm\u00e3os em Cristo e, tal como refere o Evangelho, apelamos pela for\u00e7a do mesmo Pai. A igreja quando advoga posi\u00e7\u00f5es de autoridade e poder, esconde-se por detr\u00e1s da hist\u00f3ria, do sil\u00eancio e da vergonha. Como referia D. Am\u00e9rico Aguiar, \u201cn\u00f3s somos herdeiros de uma culpa. Eu n\u00e3o tenho culpa direta, mas sou herdeiro duma culpa. Assumo essa culpa, assumo o sofrimento e assumo essa vergonha\u201d (R. Renascen\u00e7a, 14 mar\u00e7o 23).<\/p>\n<p>Uma igreja fraterna, constr\u00f3i comunidade, est\u00e1 enraizada na Verdade e pugna pela autenticidade, traves mestras para quem quer construir a paz e uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>Se a igreja quer falar aos jovens e, n\u00e3o tarda, vir\u00e3o milhares a Portugal para as Jornadas Mundiais da Juventude, n\u00e3o pode refugiar-se no \u201cparecer bem\u201d, na tradi\u00e7\u00e3o oca de sentido, nos rituais c\u00e9nicos e, muito menos, na passividade e sil\u00eancio dos seus membros. A igreja que os jovens entendem, e eventualmente procuram, fala verdade, \u00e9 sin\u00f3nimo de esperan\u00e7a, e aponta caminhos de justi\u00e7a, denunciando desigualdades, exclus\u00e3o de minorias, abuso de poder e todas as formas que atentam contra a dignidade humana.<\/p>\n<p>A igreja do s\u00e9culo XXI tem de ser uma igreja de irm\u00e3os, que se respeitam na sua diversidade, capazes de cooperar na constru\u00e7\u00e3o da comunidade, na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que afligem os mais fragilizados, os mais velhos, os que lutam para sobreviver.<\/p>\n<p>Esta igreja fraterna, nos A\u00e7ores tem nos romeiros um bom exemplo. Pol\u00e9micas \u00e0 parte, quanto ao facto de ser uma atividade ainda vedada, por tradi\u00e7\u00e3o, \u00e0s mulheres, as romarias quaresmais marcam o pulsar do quotidiano na ilha de S\u00e3o Miguel, com ranchos de homens romeiros. Trajados como os pobres de outrora, xaile, len\u00e7o e cevadeira\/saco \u00e0s costas, levam um bord\u00e3o numa m\u00e3o e o ter\u00e7o na outra, e caminham pelas estradas da ilha, visitando as capelas e igrejas com invoca\u00e7\u00e3o a Maria, durante 8 dias.<\/p>\n<p>Tratam-se sempre por irm\u00e3os, muito para al\u00e9m da romaria, e abordam quem lhes pede uma ora\u00e7\u00e3o da mesma forma: \u201cirm\u00e3, o seu pedido foi registado, somos 35 e vimos de Santo Ant\u00f3nio\u201d, o que implica depois rezar outras tantas ave-marias.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma fraternidade transformadora, que derruba barreiras sociais, criando a comunidade de peregrinos, onde n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as entre classes, idades ou condi\u00e7\u00e3o. A fraternidade \u00e9 sin\u00f3nimo de solidariedade.<\/p>\n<p>Precisamos todos de m\u00e3e e de pai, mas faz mais sentido considerar a igreja como uma comunidade de irm\u00e3os, que se unem porque acreditam no mesmo pai, praticam a mensagem de Cristo e partilham o Amor e o perd\u00e3o, movidos pela for\u00e7a do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Piedade Lalanda, Diocese de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269087,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-276656","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=276656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276656\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269087"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=276656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=276656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=276656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}