{"id":276615,"date":"2023-04-02T09:31:10","date_gmt":"2023-04-02T08:31:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=276615"},"modified":"2023-03-30T16:18:03","modified_gmt":"2023-03-30T15:18:03","slug":"igreja-portugal-creio-que-e-fundamental-ouvir-de-novo-as-comunidades-padre-joaquim-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-portugal-creio-que-e-fundamental-ouvir-de-novo-as-comunidades-padre-joaquim-santos\/","title":{"rendered":"Igreja\/Portugal: \u00abCreio que \u00e9 fundamental ouvir de novo as comunidades\u00bb &#8211; padre Joaquim Santos"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0<\/em><em>O Papa dedicou a sua mensagem para a Quaresma 2023 ao processo sinodal em curso na Igreja Cat\u00f3lica, pedindo abertura \u00e0 \u201cnovidade\u201d, por parte dos cat\u00f3licos. No in\u00edcio da Semana Santa \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, o coordenador da Comiss\u00e3o Sinodal da Diocese do Porto<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_276597\" aria-describedby=\"caption-attachment-276597\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-7.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-276597 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-7.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1081\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-7.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-7-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-7-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-7-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-7-1536x865.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-276597\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0<\/em><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Diz o Papa: &#8220;A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de inspira\u00e7\u00e3o para procurar estradas novas, evitando as contrapostas tenta\u00e7\u00f5es do imobilismo e da experimenta\u00e7\u00e3o improvisada\u201d. Da sua experi\u00eancia &#8211; quer paroquial, quer de prepara\u00e7\u00e3o sinodal &#8211; a Igreja tem feito esse esfor\u00e7o de procura de novas estradas, ou os velhos problemas est\u00e3o a condicionar essa busca? <\/em><\/p>\n<p>As duas coisas, provavelmente. Procuramos sempre encontrar novos caminhos, se calhar muitas vezes fazemo-lo prisioneiros do passado. E prisioneiros tamb\u00e9m pode significar respeitadores daquilo que \u00e9 o patrim\u00f3nio que recebemos.<\/p>\n<p>Nisto o exemplo \u00e9 sempre tirado do Evangelho de S\u00e3o Mateus: o pai de fam\u00edlia que, do seu tesouro, tira coisas novas e coisas velhas. N\u00e3o vivemos s\u00f3 voltados para o que j\u00e1 foi; tamb\u00e9m n\u00e3o vivemos \u00e0 espera da pr\u00f3xima moda, mas vivemos abertos \u00e0 novidade que o esp\u00edrito nos vai trazendo, na escuta e no conhecimento, no respeito por aquilo que recebemos. E eu creio que essa \u00e9 sempre a atitude da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta mensagem do Papa tem uma imagem central, a imagem da subida do Monte Tabor. E o Papa reconhece que este caminho requer esfor\u00e7o, requer sacrif\u00edcio durante a caminhada sinodal. Tem notado esse esfor\u00e7o tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>A imagem do caminho \u00e9 muito rica, fala de esfor\u00e7o, sacrif\u00edcio, concentra\u00e7\u00e3o, e isso quem j\u00e1 caminhou na montanha sabe bem o que isto significa. A Igreja, como um todo, tem feito esse esfor\u00e7o. Depois no concreto de cada comunidade h\u00e1 uma grande varia\u00e7\u00e3o de passo, de esfor\u00e7o, como numa caminhada com um grande grupo: se caminhamos sozinhos, vamos ao nosso passo. Quando vamos com um grande grupo, vamos ao passo de todos, aqueles que v\u00e3o na frente andam \u00e0 procura de caminhos novos e \u00e0s vezes perdem-se\u2026.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E n\u00e3o h\u00e1 um risco de aqueles que v\u00e3o \u00e0 frente depois terem de esperar demasiado?<\/em><\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 o risco &#8211; \u00a0estou a pensar nalgumas caminhadas de montanha &#8211; de se meterem por caminhos completamente insensatos porque v\u00e3o na loucura, na sofreguid\u00e3o de caminhar. O conjunto \u00e9 que nos define o caminho, a comunh\u00e3o de todos, esta conjuga\u00e7\u00e3o dos que v\u00e3o mais lentos com aqueles que t\u00eam um passo mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que encontramos o caminho sinodal, o caminho de todos, o caminhar juntos. N\u00e3o faria sentido obrigarmos toda a gente ir ao passo dos da frente, porque iriamos ter pesos mortos.\u00a0Mas tamb\u00e9m n\u00e3o faria sentido obrigarmos todos a ir ao passo do \u00faltimo.<\/p>\n<p>Estou a falar da imagem da caminhada da montanha, mas facilmente transpomos isso para a vida da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 preciso encontrar o ritmo, certo?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Da minha experi\u00eancia, \u00e9 preciso haver quem fa\u00e7a aquele trabalho do discernimento. O trabalho de discernir o caminho a fazer e o caminho que pode ser feito por todos.\u00a0 Mesmo que seja preciso esperar um bocadinho, que seja preciso de vez em quando moderar alguns \u00edmpetos que podem levar a becos sem sa\u00edda, tamb\u00e9m. H\u00e1 de haver aqui um trabalho de discernimento e esse \u00e9 o trabalho do S\u00ednodo, este discernir juntos o caminho que \u00e9 poss\u00edvel para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falando desse discernimento, o Papa decidiu prolongar o debate at\u00e9 2024. Devemos entender esta decis\u00e3o pela necessidade de haver mais debate ou pela import\u00e2ncia de se trabalhar na procura de um maior consenso? <\/em><\/p>\n<p>Eu creio que, desde o in\u00edcio do processo sinodal, para este S\u00ednodo de 2023 e agora 2024 come\u00e7amos a perceber que aquilo que se propunha pedia tempo. Aquilo que o S\u00ednodo se prop\u00f5e pede tempo. Desde logo nas comunidades, e foi necess\u00e1rio alargar os primeiros prazos de resposta. Creio que temos todos vindo a perceber que o di\u00e1logo \u00e9 fundamental, dar tempo ao di\u00e1logo \u00e9 fundamental. Por exemplo, na fase continental, fez-se voltar as perguntas \u00e0s dioceses &#8211; n\u00f3s, aqui no Porto, fizemos voltar \u00e0s comunidades locais, ainda que com poucas respostas, mas com uma participa\u00e7\u00e3o interessante. Todo este processo requer tempo, mas o S\u00ednodo \u00e9 isto mesmo, sem isto perdemos o S\u00ednodo. Podemos fazer um documento final muito eficaz, mas perdemos o essencial que \u00e9 esta intera\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_276595\" aria-describedby=\"caption-attachment-276595\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-5.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-276595\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-5-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-5-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-5-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-5-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-5-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-5.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-276595\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Essa intera\u00e7\u00e3o tem riscos, vou dizer assim, e assumindo a palavra e que tem a ver com aquilo que tem sido muito propalado em termos de uma certa divis\u00e3o na Igreja. Sobretudo e fa\u00e7o-lhe essa pergunta, se sente aquilo que popularmente \u00e9 dito como uma divis\u00e3o entre progressistas e conservadores?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que a Igreja se faz com este caminho multifacetado. Perder alguma das nossas tend\u00eancias, vamos dizer assim, sempre nos empobrece. E todos temos de aprender uns com os outros. A quest\u00e3o \u00e9 quando nos extremamos, o problema surge quando nos extremamos. Quando a ideia de progresso se transforma em progressismo, significa que estamos sempre \u00e0 frente, ou seja, no novo, e nada do que est\u00e1 para tr\u00e1s vale. E isto \u00e9 mentira.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, o tradicionalismo. Se se volta simplesmente sobre o passado, sem qualquer abertura aquilo que surge tamb\u00e9m \u00e9 um erro. Esses extremos est\u00e3o um bocadinho fora da comunh\u00e3o ou pelo menos na margem.<\/p>\n<p>Agora a Igreja ser\u00e1 sempre esta sinfonia de vozes multifacetadas, mais harmoniosa ou menos, mas \u00e9 isto que n\u00f3s somos como Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 nesse sentido que se se inserem os apelos do Papa \u00e0 unidade, na diversidade e, sobretudo, as cr\u00edticas a quem transforma estas divis\u00f5es em ideologias, e procuram um cristianismo de esquerda direita?<\/em><\/p>\n<p>Claro. Ou comunidades de puros, n\u00e3o \u00e9? Seja num sentido, seja no outro. Isso s\u00e3o comunidades sect\u00e1rias, a Igreja n\u00e3o \u00e9 isso. A Igreja \u00e9 esta casa de comunh\u00e3o, de portas abertas. Temos insistido nisso a partir da imagem, primeiro do \u00e1trio dos gentios e depois da imagem da tenda. O \u00e1trio dos Gentios, o p\u00e1tio dos Gentios alargou-se para dentro do espa\u00e7o eclesial, ou tem-se querido alargar. Claro que isto nos coloca algumas quest\u00f5es de identidade, como crist\u00e3os. Temos de ter uma clareza de identidade muito grande para podermos acolher a diversidade, sem nos diluirmos, mas esta \u00e9 a nossa condi\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltando um pouco a Mensagem, ela pede aten\u00e7\u00e3o particular aos rostos e vicissitudes daqueles que precisam de ajuda. E n\u00f3s estamos a viver um tempo de enorme dificuldade, sobretudo decorrente. Vamos falar dos valores da infla\u00e7\u00e3o. Ao n\u00edvel paroquial, sente muitos problemas decorrentes desta Escalada de pre\u00e7os?<\/em><\/p>\n<p>Eu vivo numa zona da cidade [par\u00f3quia do Sant\u00edssimo Sacramento, junto \u00e0 Avenida da Boavista], que conhece alguns extremos, do ponto de vista econ\u00f3mico e das fam\u00edlias. Mas n\u00e3o temos muito o extremo mais dif\u00edcil, de rendimentos mais baixos. Da\u00ed que nem sempre sentimos, ou sentimos muito pontualmente, que algumas fam\u00edlias estejam em dificuldade. Vamos encontrando uma grande dificuldade na manuten\u00e7\u00e3o dos nossos Centros Sociais Paroquiais, por exemplo, onde as despesas de alimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o acrescidas, onde o esfor\u00e7o de equil\u00edbrio econ\u00f3mico de repente se viu alterado com toda uma escalada de pre\u00e7os. Isso sentimos. Isso sentimos.<\/p>\n<p>Depois, do ponto de vista das fam\u00edlias, sim, ajudamos muitas fam\u00edlias, mas n\u00e3o sinto que neste momento ajudemos mais do que antes. Talvez sejamos n\u00f3s que n\u00e3o estamos a fazer o nosso trabalho. N\u00e3o fa\u00e7o ideia. Temos estado atentos a isso e dispon\u00edveis para novos projetos, mas ali naquela zona da cidade n\u00e3o temos sentido isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tendo em aten\u00e7\u00e3o a zona da cidade, provavelmente os problemas que se v\u00e3o mostrar mais ser\u00e3o os relacionados com a habita\u00e7\u00e3o e com o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Ali\u00e1s, \u00e9 por isso que n\u00e3o sentimos outros problemas sociais, porque a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal modo cara naquela zona, os pre\u00e7os s\u00e3o t\u00e3o elevados, que h\u00e1 toda uma parte da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 afastada daquela malha social.\u00a0 E com o crescendo do alojamento tur\u00edstico, mesmo os habitantes das tradicionais \u201cilhas\u201d, que h\u00e1 por ali, mesmo esses espa\u00e7os foram ocupados por alojamento tur\u00edstico, muitos deles. Portanto, alterou a demografia daquela zona da cidade do Porto.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Vou propor o regresso ao tema com que iniciamos esta conversa, o processo sinodal. A s\u00edntese nacional, da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, abordava a quest\u00e3o dos abusos sexuais de menores de uma forma muito breve. Os acontecimentos das \u00faltimas semanas obrigam a nova reflex\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A nossa s\u00edntese diocesana tamb\u00e9m tinha refer\u00eancias muito ligeiras \u00e0 quest\u00e3o dos abusos na Igreja. As comunidades manifestaram consci\u00eancia do problema, consci\u00eancia de que era preciso intervir com celeridade, com trans transpar\u00eancia. Esta consci\u00eancia estava presente, mas n\u00e3o se tinha tornado esta quest\u00e3o urgente, a quest\u00e3o do dia. Eu creio que todo este processo, mesmo a constitui\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Independente, a rece\u00e7\u00e3o dos resultados do trabalho da Comiss\u00e3o &#8211; tem de ser uma rece\u00e7\u00e3o criticamente pensada &#8211; mesmo isso, parte de um caminho sinodal da Igreja. \u00c9 a escuta, trabalho da Comiss\u00e3o Independente chamou-se \u2018dar voz ao sil\u00eancio\u2019 e isto \u00e9 parte do processo sinodal, parte essencial: ouvir para depois podermos criar caminhos, uns mais vis\u00edveis, outros mais discretos; uns mais imediatos, outros a m\u00e9dio longo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E esse processo de resposta e reconstru\u00e7\u00e3o tem de ser necessariamente um processo sinodal?<\/em><\/p>\n<p>Creio que \u00e9 fundamental ouvir de novo as comunidades. Em muitas circunst\u00e2ncias encontramos algum embara\u00e7o, por custa falar, d\u00f3i falar do tema, envergonha-nos, deixa-nos numa situa\u00e7\u00e3o de desconforto. Temos de vencer isso, mesmo nos grupos de escuta sinodais, locais, para que todas as comunidades encontrem caminhos, manuais de procedimento. \u00c9 bom que encontremos juntos como Igreja, que que funcionamos todos a uma s\u00f3 voz, mas depois isso tem de ser trabalhado localmente e adaptado a cada circunst\u00e2ncia. E isso \u00e9 um processo sinodal, evidentemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Teme que esta crise possa afastar os habitantes das \u201cperiferias\u201d que tinham visto um sinal de esperan\u00e7a na abertura do processo sinodal? Por exemplo, n\u00e3o houve sintonia na resposta, ao n\u00edvel da Igreja, ao n\u00edvel da pr\u00f3pria Confer\u00eancia Episcopal?<\/em><\/p>\n<p>A possibilidade de alguma dessintonia parece imediatamente negativa, mas se calhar \u00e9 sinal do caminho que temos para fazer. Ou seja, \u00e9 eventualmente mais verdadeira do que aparecermos todos a uma s\u00f3 voz, politicamente corretos, e acharmos que j\u00e1 encontramos a solu\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um bom modo de perceber que ainda temos caminho para fazer. N\u00e3o podemos descansar do que h\u00e1 para fazer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E esta crise pode afastar os habitantes das \u201cperiferias\u201d da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Temo que sim, temos que possa criar, pelo menos neste momento, uma m\u00e1 imagem, uma imagem dif\u00edcil. Tamb\u00e9m espero, tenho esta esperan\u00e7a de que, com algum prazo de trabalho, possamos vencer isso e sair melhor da crise, deste momento dif\u00edcil. Todos esperamos isso, mas temos de trabalhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_276596\" aria-describedby=\"caption-attachment-276596\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-6.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-276596\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-6-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-6-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-6-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-6-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-6-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/padre_joaquim_santos_porto-6.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-276596\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Um dos temas em destaque, na assembleia sinodal europeia, foi a do minist\u00e9rio ordenado \u2013 citando at\u00e9 a proposta portuguesa de estudar a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral de homens casados. Em v\u00e9speras de Quinta-feira Santa, dia da institui\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio, \u00e9 necess\u00e1rio aprofundar esta reflex\u00e3o sobre o minist\u00e9rio de lideran\u00e7a nas comunidades cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Uma das notas fortes da resposta \u00e0 consulta sinodal passava por esta quest\u00e3o dos minist\u00e9rios alargados, a homens casados ou ao casamento dos ministros, que s\u00e3o coisas diferentes, ou ao minist\u00e9rio ordenado de mulheres. Essas quest\u00f5es surgiram, mas surgiram sempre com alguma controv\u00e9rsia, ou seja, mostrando que h\u00e1 caminho a fazer, temos de discutir mais sobre o assunto, conversar muito mais, informar-nos mais. Quando dizemos \u201cordena\u00e7\u00e3o de homens casados\u201d, o que \u00e9 que isso significa? Porque, \u00e0s vezes, dizemo-lo simplesmente, mas depois n\u00e3o tiramos as consequ\u00eancias. E \u00e9 preciso trabalhar isso.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as respostas insistiam muito na necessidade de melhorar a forma\u00e7\u00e3o sacerdotal. H\u00e1 um grande apre\u00e7o pelos sacerdotes, mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma grande consci\u00eancia de que a forma\u00e7\u00e3o tem de melhorar, tem de crescer. Esse \u00e9 um esfor\u00e7o que vem sendo feito, ao longo de muito tempo, mas que, se calhar, ainda tem de dar passos decisivos.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o pode continuar a acontecer \u00e9 haver tanto desconhecimento da vida dos presb\u00edteros, dos dos di\u00e1conos, dos bispos, do ponto de vista das comunidades. Quer dizer, as pessoas t\u00eam de conhecer melhor, t\u00eam de nos conhecer melhor, n\u00e3o podemos ser t\u00e3o misteriosos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas esse \u00e9 umo trabalho que tem de ser feito pelos p\u00e1rocos, os di\u00e1conos e os bispos ou <\/em><em>exige tamb\u00e9m esfor\u00e7o por parte dos fi\u00e9is?<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que \u00e9 de todos, mas, n\u00f3s tamb\u00e9m temos de ter um bocadinho mais de de esfor\u00e7o. \u00c9 um esfor\u00e7o global de transpar\u00eancia, a palavra transpar\u00eancia tem de atravessar a Igreja toda, tamb\u00e9m nisto, tamb\u00e9m nas quest\u00f5es do minist\u00e9rio ordenado. Muitas vezes parece um tanto misterioso, tudo isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pr\u00f3pria forma como, atualmente, est\u00e1 pensada a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, por exemplo, tem o seu qu\u00ea de mist\u00e9rio e cria ideia de um certo privil\u00e9gio\u2026<\/em><\/p>\n<p>Certo. Nunca perder\u00e1 esse car\u00e1ter de mist\u00e9rio, sen\u00e3o transforma-se num funcionalismo, rapidamente. Tem de o manter, mas isso n\u00e3o significa que depois, no concreto da vida dos presb\u00edteros, na sua humanidade, sejam misteriosos para as pessoas. A voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, enquanto a entendermos assim, como voca\u00e7\u00e3o e como voca\u00e7\u00e3o a um minist\u00e9rio ordenado, um sacramento, tem sempre este car\u00e1ter de mist\u00e9rio. Mas, depois, a vida dos presb\u00edteros tem de ser muito mais pr\u00f3xima das pessoas, mais conhecida: o modo como vivem, de todos os pontos de vista, do econ\u00f3mico \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, tudo tem de ser bem mais conhecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A P\u00e1scoa deste ano vai marcar um regresso \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, j\u00e1 sem os limites impostos pela pandemia, nos \u00faltimos anos. \u00c9 tamb\u00e9m uma oportunidade de afirma\u00e7\u00e3o p\u00fablica da f\u00e9, num contexto dif\u00edcil e de desconfian\u00e7a, face \u00e0 Igreja?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u2013 estou a pensar aqui nas visitas pascais, o tradicional Compasso, no nosso contexto -, que \u00e9 dif\u00edcil fazer regressar por muitas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobretudo nos grandes centros.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sobretudo nos grandes centros, a come\u00e7ar pela disponibilidade de volunt\u00e1rios para o fazer. Tenho estado a trabalhar, no concreto da minha par\u00f3quia, nesse aspeto e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ao mesmo tempo, aqui uma necessidade &#8211; n\u00e3o sei se \u00e9 para fora -de algum \u00e2nimo, desta alegria pascal, n\u00e3o esconder a alegria da P\u00e1scoa. Que todo este sofrimento que, como Igreja, temos vivido, n\u00e3o esconda a alegria da P\u00e1scoa: \u00e9 aqui que a alegria da P\u00e1scoa acontece, n\u00e3o \u00e9 na aus\u00eancia de sofrimento, na aus\u00eancia de de penit\u00eancia, de necessidade de transforma\u00e7\u00e3o e de convers\u00e3o. A P\u00e1scoa acontece quando precisamos de convers\u00e3o e dizemos que Cristo ressuscitou.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E, desse ponto de vista, a exterioriza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 importante?<\/em><\/p>\n<p>Faz todo sentido. S\u00e3o atos, se calhar temos de reinventar algumas coisas. Com a comunidade da par\u00f3quia tenho vindo a dizer isto: se calhar algumas coisas temos de as recriar, mas estamos dispon\u00edveis para isso. Vamos conversar, vamos faz\u00ea-lo com toda a alegria que nos vem da f\u00e9, n\u00e3o vem simplesmente da nossa humanidade, vem de tudo o resto que n\u00f3s celebramos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0O Papa dedicou a sua mensagem para a Quaresma 2023 ao processo sinodal em curso na Igreja Cat\u00f3lica, pedindo abertura \u00e0 \u201cnovidade\u201d, por parte dos cat\u00f3licos. No in\u00edcio da Semana Santa \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, o coordenador da Comiss\u00e3o Sinodal da Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":276597,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-276615","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276615","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=276615"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276615\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/276597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=276615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=276615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=276615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}