{"id":276541,"date":"2023-03-30T11:38:58","date_gmt":"2023-03-30T10:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=276541"},"modified":"2023-03-30T11:38:58","modified_gmt":"2023-03-30T10:38:58","slug":"o-rap-a-sagrada-familia-que-ajudou-em-lesbos-e-o-alter-ego-musical-do-psicologo-joao-ameal-emissao-30-03-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-rap-a-sagrada-familia-que-ajudou-em-lesbos-e-o-alter-ego-musical-do-psicologo-joao-ameal-emissao-30-03-2023\/","title":{"rendered":"O rap, a \u00absagrada fam\u00edlia\u00bb que ajudou em Lesbos e o alter-ego musical do psic\u00f3logo Jo\u00e3o Ameal &#8211; Emiss\u00e3o 30-03-2023"},"content":{"rendered":"<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: O rap, a \u00absagrada fam\u00edlia\u00bb que ajudou em Lesbos e o alter-ego musical do psic\u00f3logo Jo\u00e3o Ameal - Emiss\u00e3o 30-03-2023\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/1DKZ22u557S67gZVh8VWxO?si=Xhu6tcABSVePtjpBwZEs3Q&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Conversamos com Jo\u00e3o Ameal e com Jo\u00e3o Sem-Tempo. S\u00e3o a mesma pessoa, em duas facetas entre tantas que o comp\u00f5em: psic\u00f3logo educacional que at\u00e9 faz rap se essa for a linguagem eleita para conseguir fazer o processo terap\u00eautico com o seu paciente, e o m\u00fasico que corre atr\u00e1s do tempo para deixar que essa express\u00e3o intr\u00ednseca \u00e0 sua vida saia de si.<br \/>\nPelo meio h\u00e1 ainda os 10 minutos que dedica, todos os dias, a sentir o sol, a sentir a f\u00e9 que sempre o acompanhou \u2013 apesar das d\u00favidas \u2013 e a agarrar uma m\u00e3o, que sente presente na sua vida.<br \/>\nJo\u00e3o Ameal regressa ainda, nesta conversa, a Lesbos, acompanhado pela mulher, naquela que foi \u201cuma segunda lua-de-mel especial\u201d, ocasi\u00e3o onde ajudaram uma \u00absagrada fam\u00edlia\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abA crise dos refugiados estava mais presente que nunca e sent\u00edamo-nos muito impotentes e desinformados, na verdade. Envolvemo-nos com a Plataforma de Apoio aos Refugiados e fomos, como volunt\u00e1rios. Um campo de refugiados em termos de sa\u00fade mental \u00e9 mais grave do que estar preso: ali n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o, \u00e9 a vida em suspenso com adultos muito deprimidos, crian\u00e7as aos Deus dar\u00e1, muitos traumatizados com a guerra e a viagem e eu olhava e n\u00e3o sabia o que fazer\u00bb<\/p>\n<p>\u00abLigaram-nos \u00e0s 4h da manh\u00e3, pegamos no carro que era da PAR e fomos ter ao campo para supostamente ajudar um casal, cuja mulher estava gr\u00e1vida de g\u00e9meos, teria entrado em trabalho de parto e foi levada para o hospital. Fomos chamados para ficar com os filhos, mas quando chegamos, percebemos que afinal havia um tio dispon\u00edvel. Um tradutor manifestou vontade de ir ter com o casal ao hospital, que teria dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o e decidimos lev\u00e1-lo de carro. Quando chegamos ao hospital, disseram que a mulher n\u00e3o estava l\u00e1 \u2013 afinal era uma intoxica\u00e7\u00e3o alimentar e tinham-na mandado embora, \u00e0s 5h da manh\u00e3, com tr\u00eas graus negativos e a v\u00e1rios quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia do campo. Percorremos ruas \u00e0 procura do casal, finalmente encontramos e mal a mulher entro no carro desmaiou. Nem acreditavam que algu\u00e9m podia estar \u00e0 sua procura, sentiam-se s\u00f3s e abandonados pelo mundo. Nunca vou esquecer o olhar do marido, de impot\u00eancia. Aquele casal, para mim, foi uma sagrada fam\u00edlia &#8211; sozinhos e rejeitados, \u00e0 procura de uma estalagem. O nosso carro velho foi um anjo a chegar. Num lugar onde n\u00e3o h\u00e1 nada, um gesto faz uma enorme diferen\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abTemos uma segunda pandemia em m\u00e3os, mas \u00e9 muito silenciosa que \u00e9 a pandemia da sa\u00fade mental. Os n\u00fameros t\u00eam sido exponenciais. Todos os dias acompanho mais um adolescente com um ataque de ansiedade, de p\u00e2nico. Isto \u00e9 uma doen\u00e7a que mata e muito, e tem de ser encarada de forma s\u00e9ria ou arriscamo-nos a perder esta gera\u00e7\u00e3o. Estou preocupado com os n\u00fameros alarmantes de mi\u00fados que est\u00e3o deprimidos, ansiosos, medicados. Se a gera\u00e7\u00e3o acima n\u00e3o se preocupar seriamente em abordar isto com cuidado, vai ser muito dif\u00edcil com esta gera\u00e7\u00e3o chegar a um mercado de trabalho, tornar-se aut\u00f3noma\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abO nosso mundo \u00e9 muito r\u00e1pido, demasiado exigente e a maior parte das pessoas acaba por fazer coisas em piloto autom\u00e1tico. A imagem que tenho \u00e9 de estarmos a correr numa passadeira do gin\u00e1sio sem ir a lado nenhum, porque na verdade n\u00e3o sabemos para onde corremos. Algumas pessoas que acompanho est\u00e3o desenfreadas \u00e0 procura da felicidade, mas n\u00e3o sabem o que \u00e9 e n\u00e3o sabem onde encontra-la. Criam objetivos que acham que \u00e9 o que precisam, e correm atr\u00e1s; quando l\u00e1 chegam compreendem que n\u00e3o era aquilo, e gastam-se no caminho. Acredito que a felicidade passa por desacelerar primeiro, olhar \u00e0 volta, viver uma coisa de cada vez, no presente e n\u00e3o no futuro que n\u00e3o vai chegar e n\u00e3o vai ser o que pens\u00e1vamos que iria ser\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":276290,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[277,291],"class_list":["post-276541","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-radio","tag-pastoral-da-saude","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=276541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276541\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/276290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=276541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=276541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=276541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}